domingo, setembro 19, 2010

PARTES CORTADAS DO LIVRO TWILIGHT – CREPÚSCULO




Twilight - Badminton

(Observações: esta cena foi cortada do capítulo 11, "Complicações". Me incomodou tirá-la, mas eu não conseguia entender por que, então eu deixei pra lá. Quando era tarde demais para colocar isso de volta, eu finalmente percebi o que estava me perturbando. Mesmo que eu tenha feito referências ao desajeito da Bella em Educação Física várias vezes, eu nunca mostrei isso realmente. Essa foi a única vez que Edward estava "assistindo", e, assim, o lugar natural para mostrar essa falta de jeito. E agora minha explicação é quase maior que a cena cortada!)

Eu entrei no ginásio com a cabeça no ar, mancando. Eu me arrastei até o vestiário, trocando de roupa como se estivesse em transe, apenas vagamente consciente das pessoas que estavam ao meu redor. A realidade não me alcançou realmente até que alguém colocou uma raquete na minha mão. Ela não era muito pesada, mas mesmo assim parecia ser muito insegura na minha mão. Eu podia ver alguns outros garotos da minha aula me olhando furtivamente. O treinador Clapp ordenou que nós fizéssemos pares para o jogo.
Misericordiosamente, alguns vestígios do cavalheirismo de Mike ainda sobreviviam; ele veio ficar ao meu lado.
- Você quer ser minha parceira? - ele perguntou alegremente.
- Obrigada, Mike. Você não precisa fazer isso, sabe. - Eu fiz uma careta.
- Não se preocupe, eu vou me manter fora do seu caminho. - Ele sorriu. Às vezes é tão fácil ser aficionada por Mike.
As coisas não foram suaves. Eu tentei manter a distância para que Mike continuasse o jogo com a peteca, mas o treinador Clapp veio até nós e ordenou que ele permanecesse no seu lado da quadra para que eu pudesse participar. Ele ficou lá, observando, para que suas ordens fossem cumpridas.
Com um suspiro, eu pisei numa parte mais centralizada da quadra, segurando minha raquete pra cima, quase animadamente.
A garota do outro time sorriu maliciosamente enquanto dava o saque na peteca - eu devo tê-la machucado nas seções de basquete - arremessando-a a apenas alguns passos depois da rede, diretamente na minha direção.
Eu pulei desastradamente para frente, balançando a raquete na direção da pequena peste de borracha, mas eu esqueci de levar a rede em conta. A minha raquete saltou de volta da rede com uma força surpreendente, pulando da minha mão e batendo na minha testa antes de atingir o ombro de Mike quando ele correu para frente pra tentar rebater a peteca que eu já havia perdido completamente.
O treinador Clapp tossiu, ou abafou uma risada.
- Lamento, Newton - ele murmurou, saindo de perto para que pudéssemos voltar às nossas posições antigas, menos perigosas.
- Você está bem? - Mike perguntou, massageando o ombro, assim como eu estava fazendo com a minha testa.
- É, você está? - eu perguntei, submissa, escondendo a minha arma.
- Eu acho que vou sobreviver. - Ele balançou o braço num círculo, pra ter certeza de que ainda tinha total controle dos movimentos.
- Eu vou estar aqui atrás. - Eu caminhei de volta para o canto, no fundo da quadra, segurando a minha raquete cuidadosamente atrás das minhas costas.

Twilight - Compras com Alice

(Notas: Vocês vão reconhecer partes desse capítulo - pequenas partes sobreviveram e foram combinadas com o que é agora o Capítulo 20 ("Impaciência"). Este capítulo diminuiu o ritmo da parte da "caçada" da história, mas eu senti que havia cortado muito da personalidade da Alice quando o sacrifiquei.)
O carro era brilhante, preto e poderoso; as janelas dele eram tingidas como as janelas de uma limusine. O motor ronronava como um gato enorme enquanto nós acelerávamos pela noite profunda.
Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se importar, mas o musculoso carro continuava a voar em frente com perfeita precisão.
Alice sentou-se comigo no banco traseiro de couro preto. De alguma forma, durante a longa noite, a minha cabeça havia acabado encostada no pescoço de granito dela, com os braços frios dela me enrolando, sua bochecha pressionada no topo da minha cabeça. A frente da camisa fina de algodão dela estava fria, úmida com as minhas lágrimas. De vez em quando, se a minha respiração acabava ficando desigual, ela murmurava suavemente; com a sua voz rápida, alta, os encorajamentos pareciam uma canção. Para me manter calma, eu me concentrei no toque da sua pele fria; isso parecia ser uma conexão física com Edward.
Os dois haviam me assegurado - quando eu me dei conta, o pânico tomou conta de mim, todas as minhas coisas ainda estavam na caminhonete - que deixar tudo para trás era necessário, alguma coisa a ver com o cheiro. Eles disseram para eu não me preocupar com roupas ou com dinheiro. Eu tentei confiar neles, fazendo um esforço para ignorar o quanto eu estava desconfortável com as roupas de Rosalie que não me serviam direito. Isso era uma coisa trivial para a mente.
Nas rodovias macias, Jasper nunca dirigiu o carro musculoso a menos de cento e vinte milhas por hora. Ele parecia extremamente inconsciente dos limites de velocidade, mas nós não vimos nenhum carro de patrulha. As únicas paradas que fizemos durante a viagem monótona foram as duas vezes em que paramos pra reabastecer.
Eu percebi à toa que Jasper entrou as duas vezes pra fazer o pagamento em dinheiro.
O nascer do sol começou a aparecer quando estavamos em algum lugar ao norte da Califórnia. Eu observei com os olhos secos, ardendo, enquanto uma luz cinzenta começava a aparecer no céu sem nuvens.
Eu estava exausta, mas o sono me iludia, minha mente estava muito cheia de imagens perturbadoras pra relaxar e ficar inconsciente. A expressão devastada de Charlie; o rugido brutal de Edward, com os dentes descobertos; o olhar afiado nos olhos do perseguidor; a expressão vazia de Laurent; o olhar morto nos olhos de Edward depois que ele me beijou pela última vez... Elas eram como slides passando na frente dos meus olhos, os meus sentimentos se alternavam entre terror e desespero.
Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse pra pegar comida pra mim. Mas eu balancei a minha cabeça, cansada, e disse com uma voz oca para ele continuar dirigindo.
Algumas horas depois, num subúrbio fora de Los Angeles, Alice falou suavemente com ele de novo e ele saiu da rodovia, fazendo soar meus protestos febris. Um grande shopping era visível da estrada e ele dirigiu naquela direção, estacionando na garagem, embaixo do nível dos estacionamentos subterrâneos.
- Fique com o carro - ela instruiu Jasper.
- Você tem certeza? - Ele parecia apreensivo.
- Eu não vejo ninguém aqui - ela disse. Ele balançou a cabeça, consentindo.
Alice pegou minha mão e me tirou do carro. Ela segurou minha mão, me mantendo próxima, ao seu lado, enquanto saíamos da garagem escura. Ela ficou à beira da garagem, ficando na sombra. Eu percebi como a pele dela parecia brilhar com a luz que refletia na calçada. O shopping estava lotado, muitos grupos de compradores passaram, alguns deles viraram as cabeças para nos ver passando. Nós caminhamos por baixo de uma ponte que cruzava do nível mais alto dos estacionamentos até o segundo andar de uma loja de departamentos, sempre nos mantendo fora dos caminhos da luz do sol.
Quando estávamos do lado de dentro, embaixo das luzes fluorescentes da loja, Alice pareceu menos impressionante - somente uma garota com pele cor de giz e olhos alertas, mas sombreados, e com o cabelo espetadinho. Os círculos embaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do que os dela.
Nós ainda chamávamos a atenção de qualquer que olhasse para o nosso caminho. Eu me perguntei o que eles pensavam que estavam vendo. A Alice delicada, dançante, com o seu estonteante rosto de anjo, vestida com tecidos leves, em cores pálidas que não se comparavam exatamente com o tom de pele dela, de mãos dadas comigo, obviamente me guiando pelo caminho, enquanto eu cambaleava cansada nas minhas roupas que não ficavam bem, mas que eram caras, o meu cabelo embaraçado nas minhas costas.
Alice me guiou diretamente para o centro alimentício.
- O que você quer comer?
O cheiro das comidas gordurosas fez o meu estômago revirar. Mas os olhos de Alice não estavam abertos a persuasão. Eu pedi um sanduíche de peru, sem o menor entusiasmo.
- Eu posso ir ao banheiro? - eu perguntei enquanto nós íamos para a fila.
- Tudo bem. - E ela mudou de direção, sem nunca soltar a minha mão.
- Eu posso ir sozinha. - A atmosfera lotada do shopping me fez sentir mais normal do que eu havia me sentido desde o jogo desastroso da noite do dia anterior.
- Desculpa, Bella, mas Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, e se ele ver que eu deixei você sair de vista por um minuto... - Ela parou, sem vontade de contemplar as conseqüências.
Pelo menos ela esperou do lado de fora do banheiro lotado. Eu lavei o meu rosto assim como as minhas mãos, ignorando os olhares assustados das mulheres ao meu redor. Eu tentei passar os dedos pelos meus cabelos, mas eu desisti rapidamente. À porta, Alice pegou minha mão e nós caminhamos lentamente de volta para a fila da comida. Eu estava me arrastando, mas ela não pareceu impaciente comigo.
Ela me observou comendo, devagar no início e depois mais rapidamente quando o meu apetite voltou. Eu bebi o refrigerante que ela me trouxe tão rapidamente que ela teve que me deixar por um momento - porém, sem tirar os olhos de cima de mim - pra pegar outro.
- A comida que você come é definitivamente mais conveniente - ela comentou enquanto eu terminava. - Mas ela não parece muito divertida.
- Caçar é mais excitante, eu imagino.
- Eu não tenho idéia. - Ela meu um sorriso largo que mostrava todos os dentes e várias cabeças se viraram na nossa direção.
Depois de jogar o nosso lixo fora, ela me guiou pelos grandes corredores do shopping, os olhos dela brilhando de vez em quando em direção a alguma coisa que ela queria, me fazendo bater com ela a cada vez que ela parava. Ela parou por um momento numa loja cara para comprar três pares de óculos escuros, dois femininos e um masculino. Eu reparei quando o vendedor lançou a ela um olhar incrédulo quando ela lhe deu um cartão de crédito estranho, cheio de listras douradas. Ela encontrou uma loja de acessórios, na qual ela comprou uma escova e alguns elásticos.
Ela não começou a trabalhar até que nós chegamos ao tipo de loja onde eu nunca tinha entrado, porque até o preço de um par de meias estaria fora das minhas possibilidades.
- Você deve ser tamanho dois. - Isso era uma afirmação, não uma pergunta.
Ela me usou como burro de carga, me enchendo com uma pilha estonteante de roupas. De vez em quando eu a via pegando um tamanho extra-pequeno enquanto ela escolhia alguma coisa para si mesma.
As roupas que ela escolhia para ela eram todas de materiais leves, mas sempre de mangas longas ou no comprimento dos calcanhares, que serviriam para cobrir a pele dela o máximo possível.
A vendedora teve a mesma reação ao cartão de crédito estranho, se tornando mais servil e chamando Alice de "senhorita". No entanto, o nome que ela disse não era familiar. Assim que estávamos fora do shopping de novo, com os braços cheios com as nossas sacolas, das quais ela tinha a parte maior, eu perguntei a ela sobre isso.
- Do que ela te chamou?
- O cartão de crédito diz Rachel Lee. Nós vamos ser muito cuidadosos para não deixar nenhum tipo de pista para o perseguidor. Vamos trocar as suas roupas.
Eu pensei nisso enquanto ela me guiava para os provadores, me puxando até a parte mais livre para que eu tivesse espaço para me movimentar.
Eu a ouvi procurando pelas sacolas, finalmente passando um vestido de algodão azul para mim pela porta. Eu tirei agradecidamente os jeans muito longos e muito apertados de Rosalie, tirei a blusa que ficava folgada nos lugares errados em mim e passei de volta para ela pela porta. Ela me surpreendeu me passando um par se sandálias de couro suave por baixo da porta, quando foi que ela comprou isso? O vestido ficou incrivelmente bem em mim, o corte caro ficava aparente pela forma com que ele se ajustava em mim.
Enquanto eu saía da cabine, eu percebi que ela estava jogando as coisas de Rosalie no lixo.
- Fique com os seus tênis - ela disse. Eu os coloquei numa bolsa.
Nós voltamos para a garagem. Alice chamou menos olhares dessa vez; ela estava tão coberta de sacolas que a pele dela mal estava visível.
Jasper estava esperando. Ele escorregou pra fora do carro quando nós nos aproximamos - a mala estava aberta. Enquanto ele pegava as minhas sacolas primeiro, ele olhou para Alice com um olhar mordaz.
- Eu sabia que deveria ter ido junto - ele murmurou.
- Sim - ela concordou. - Elas teriam te adorado no banheiro feminino.
Ele não respondeu.
Alice procurou rapidamente entre as sacolas dela antes de colocá-las na mala. Ela deu a Jasper um par de óculos, colocando um par nela mesma. Ela me deu o terceiro par e a escova. E ela puxou uma blusa fina, de mangas longas, de um preto transparente, colocando-a por cima da sua camiseta, deixando-a aberta. Finalmente, ela complementou com um chapéu de palha. Nela, a roupa larga parecia ter saído de uma passarela. Ela agarrou mais uma porção de roupas e, enrolando elas como uma bola, ela abriu a porta de trás e fez um travesseiro no banco.
- Você precisa dormir agora - ela ordenou firmemente. Eu me agachei obedientemente no banco, encostando a minha cabeça imediatamente, virando-me de lado. Eu estava meio adormecida quando o carro ligou.
- Você não deveria ter me comprado todas essas coisas - eu murmurei.
- Não se preocupe com isso, Bella. Durma. - A voz dela estava tranqüila.
- Obrigada. - Eu respirei e caí num cochilo intranqüilo.
Foi a dor por ter dormido numa posição estranha que me acordou. Eu ainda estava exausta, mas repentinamente alerta quando eu me lembrei de onde eu estava. Eu me sentei para ver o vale do sol aparecendo à minha frente; as largas superfícies planas dos telhados, as palmeiras, rodovias, muita fumaça e as piscinas, abraçadas pelas curtas costas de pedra que nós chamávamos de montanhas. Eu fiquei surpresa por não sentir nenhum senso de alívio, só uma estridente saudade de casa pelos céus chuvosos e cercas verdes do lugar que havia trazido Edward pra mim.
Eu balancei a cabeça, tentando afastar a onda de desespero que ameaçava tomar conta de mim.
Jasper e Alice estavam conversando, cientes, eu tinha certeza, de que eu estava consciente de novo, mas eles não deram nenhum sinal.
Suas vozes rápidas, suaves, eram uma alta onda de músicas ao meu redor. Eu entendi que eles estavam decidindo onde ficar.
- Bella. - Alice se dirigiu a mim casualmente, como se eu já fosse parte da conversa. - Em que direção fica o aeroporto?
- Fique na 1-10 - eu disse automaticamente. - Nós vamos passar direto por ele.
Eu pensei por um momento; meu cérebro ainda estava nebuloso com o sono.
- Vamos pegar um vôo pra algum lugar? - eu perguntei.
- Não, mas é melhor ficar por perto, na dúvida. - Ela tirou seu telefone e aparentemente ligou para a central de informações. Ela falou mais devagar do que o normal, perguntando por hotéis que ficassem perto do aeroporto, concordando com as sugestões e depois pausando enquanto ela fazia outra ligação. Ela fez reservas para uma semana em nome de Christian Bower, dizendo um número de cartão de crédito sem olhar pra um. Eu a ouvi repetindo as informações para o operador; eu tinha certeza de que ela não precisava de ajuda com a memória dela. A visão do telefone me lembrou das minhas responsabilidades.
- Alice - eu disse, enquanto ela terminava. - Eu preciso ligar pro meu pai. - Minha voz estava sóbria. Ela me passou o telefone.
Já era de tarde; eu estava esperando que ele estivesse no trabalho. Mas ele atendeu no primeiro toque. Eu vacilei, imaginando o rosto ansioso dele ao telefone.
- Pai? - eu disse, hesitantemente.
- Bella! Onde você está, querida? - Um forte alívio aparecia na voz dele.
- Eu estou na estrada. - Eu não precisava contar que havia feito uma viagem de três dias em uma noite.
- Bella, você precisa voltar.
- Eu preciso ir pra casa.
- Querida, vamos falar sobre isso. Você não precisa ir embora só por causa de um garoto. - Ele estava sendo muito cuidadoso, eu podia notar.
- Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar nas coisas e depois eu decido se vou voltar. Isso não tem nada a ver com você, ok? - A minha voz tremeu levemente. - Eu amo você, paizinho. O que quer que eu decida, eu te vejo em breve. Eu prometo.
- Tudo bem, Bella. - A voz dele estava resignada. - Me ligue quando chegar em Phoenix. - Eu te ligo lá de casa, pai. Tchau.
- Tchau, Bells. - Ele hesitou antes de desligar.
"Pelo menos eu já estava de bem com Charlie de novo", eu pensei enquanto passava o telefone de volta pra Alice. Ela me observou cuidadosamente, talvez esperando por outro colapso sentimental. Mas eu estava cansada demais.
A cidade familiar passava voando por mim pelas janelas escuras. O trânsito estava leve. Nós fizemos rapidamente o caminho até o centro da cidade e depois contornamos pelo norte do Sky Harbor Internacional, virando ao sul em Tempe.
Do outro lado do rio Salt River, a mais ou menos uma milha do aeroporto, Jasper saiu da estrada sob comando de Alice. Ela o direcionou facilmente através das ruas até a entrada do Hilton, próximo ao aeroporto. Eu estava pensando em um motel, mas eu tinha certeza de que eles iam acabar com as minhas preocupações com dinheiro. Eles pareciam ter uma reserva infindável. Nós estacionamos na garagem com manobristas debaixo da sombra de uma grande árvore e dois atendentes se aproximaram rapidamente do impressionante automóvel. Jasper e Alice saíram rapidamente, muito parecidos com estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí estranhamente, rígida pelas horas que passei dentro do carro, me sentindo simples demais. Jasper abriu a mala e os obsequiosos empregados rapidamente pegaram nossas bolsas de compras e as colocaram num carrinho. Eles eram bem treinados demais para se surpreenderem com a nossa falta de verdadeira bagagem.
O carro estava bem frio dentro do seu interior escuro; sair à tarde em Phoenix, mesmo na sombra, era como enfiar a minha cabeça dentro de um forno industrial. Pela primeira vez naquele dia, eu me senti em casa.
Jasper andou confiantemente pelo saguão vazio. Alice se manteve cuidadosamente ao meu lado, os atendentes nos acompanhando ansiosamente com as nossas coisas. Jasper se aproximou da mesa com seu ar inconscientemente real. "Bower" foi tudo o que ele disse para a recepcionista com aparência profissional. Ela rapidamente processou a informação, com apenas a menor das olhadas para o ídolo de cabelos dourados na frente dele e isso traiu sua profissionalidade. Nós fomos rapidamente guiados para a nossa grande suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só por pura convencionalidade. Os atendentes colocaram eficientemente as nossas malas no chão, enquanto eu me sentava fracamente no sofá e Alice ia dançando examinar os outros quartos. Jasper apertou as mãos deles enquanto eles saíam, e o olhar que eles trocaram na saída foi mais que de satisfação - foi de soberba. E aí ficamos sozinhos.
Jasper foi para as janelas, fechando as duas camadas de cortinas seguramente. Alice apareceu e derrubou um cardápio do serviço de quarto no meu colo.
- Peça alguma coisa - ela instruiu.
- Eu estou bem - eu disse, boba.
Ela me deu uma olhada obscura e pegou o cardápio de volta. Murmurando algo sobre Edward, ela pegou o telefone.
- Alice, sério - eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Eu coloquei a minha cabeça no braço do sofá e fechei os meus olhos.
Uma batida na porta me acordou. Eu me levantei tão rápido que rolei do sofá para o chão e bati a minha testa na mesinha de café.
- Ow - eu disse, confusa, esfregando a minha testa.
Eu ouvi Jasper rir uma vez e olhei pra cima para vê-lo cobrindo a boca, tentando abafar o resto da sua diversão. Alice abriu a porta, pressionando os lábios firmemente, os cantos da boca dela se contorcendo.
Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos. Era a minha comida; o cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava ao meu redor. Alice carregou a bandeja com tanta maestria, como se ela tivesse sido garçonete por anos, e a colocou na mesa aos meus joelhos.
- Você precisa de proteína - ela explicou, levantando o globo prateado para revelar um grande filé e uma escultura decorativa de batata. - Edward não vai ficar feliz se o seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui.
Eu tinha quase certeza de que ela estava brincando.
Agora que eu conseguia cheirar a comida, eu estava com fome de novo. Eu comi rapidamente, sentindo a energia retornar enquanto os açúcares entravam no meu sistema sanguíneo. Alice e Jasper me ignoraram, assistindo o jornal e conversando tão rapidamente e tão baixo que eu não consegui entender uma só palavra.
Uma segunda batida soou na porta. Eu pulei, ficando de pé, cuidadosamente evitando outro acidente com a bandeja meio vazia na mesinha de café.
- Bella, você precisa se acalmar - Jasper disse, enquanto Alice atendia a porta. Uma camareira da equipe do hotel entregou a ela uma pequena sacola com a logo do Hilton e foi embora rapidamente. Alice a trouxe e entregou para mim. Eu a abri para encontrar uma escova de dente, pasta de dente e todas as outras coisas necessárias que eu havia deixado na minha caminhonete. As lágrimas pularam dos meus olhos.
- Vocês são tão gentis comigo. - Eu olhei para Alice e depois para Jasper, emocionada. Eu me dei conta de que Jasper estava sendo anormalmente cuidadoso para não se aproximar de mim, então eu me surpreendi quando ele veio para o meu lado e passou o braço pelos meus ombros.
- Você é parte do grupo agora - ele brincou, sorrindo calidamente. Eu senti uma pesada lassitude passando pelo meu corpo, de repente minhas pálpebras estavam pesadas demais pra segurar. - Muito súbito, Jasper - eu ouvi Alice dizer num tom torto. Seus braços frios e magros escorregaram por baixo dos meus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas eu já estava adormecida antes que ela me colocasse na cama.
Era muito cedo quando eu acordei. Eu tinha dormido bem, sem sonhos, e eu estava mais alerta do que geralmente ficava quando acordava. Estava escuro, mas havia flashes avermelhados de luz entrando por baixo da porta. Eu me inclinei para o lado da cama, tentando encontrar uma luminária na mesinha de cabeceira. Uma luz se acendeu em cima da minha cabeça, eu fiquei asfixiada, e Alice estava lá, ajoelhada ao meu lado na cama, sua mão estava sobre a luz que era estupidamente instalada sobre a cabeceira da cama.
- Desculpa - ela disse enquanto eu me jogava de volta no travesseiro, aliviada. - Jasper está certo - ela continuou. - Você precisa relaxar.
- Bem, não diga isso a ele - eu murmurei. - Se ele tentar me relaxar mais ainda, eu vou entrar em coma.
Ela gargalhou. - Você percebeu, né?
- Se ele tivesse me atingido na cabeça com uma frigideira, teria sido menos óbvio.
- Você precisa dormir. - Ela levantou os ombros, ainda sorrindo.
- E agora eu preciso de um banho, eca! - Eu me dei conta de que ainda estava usando o vestido azul, que agora estava tão amassado quanto tinha o direito de estar. Minha boca estava com um gosto estranho.
- Eu acho que você vai ficar com uma mancha na testa - ela mencionou enquanto eu ia para o banheiro.
Depois que eu me limpei, eu me senti muito melhor. Eu vesti as roupas que Alice havia colocado em cima da cama para mim, uma blusa verde que parecia ser feita de seda, e shorts de linho cor de bronze.
Eu me senti culpada por minhas roupas novas serem tão mais legais do que as outras coisas que eu tinha deixado para trás.
Foi bom finalmente fazer alguma coisa com o meu cabelo; os xampus do hotel eram de boa qualidade e o meu cabelo ficou brilhando de novo. Levou algum tempo pra secá-lo até que ele ficasse perfeitamente liso. Eu tinha a sensação de que não faríamos muita coisa hoje. Uma inspeção mais próxima no espelho revelou uma mancha escura em cima da minha sobrancelha. Fabuloso.
Quando eu finalmente apareci, havia luz aparecendo pelas beiradas das cortinas grossas. Alice e Jasper estavam sentados no sofá, olhando pacientemente para a TV quase muda. Havia uma nova bandeja de comida na mesa. - Coma - Alice disse, apontando pra ela firmemente.
Eu me sentei obedientemente no chão e comi sem reparar na comida. Eu não gostava da expressão nos rostos de nenhum deles dois. Eles estavam quietos demais. Eles assistiam a TV sem nunca desviar os olhos, mesmo quando os comerciais estavam passando. Eu empurrei a bandeja, meu estômago abruptamente inquieto. Agora Alice olhava para baixo, olhando para a bandeja quase cheia com um olhar de desgosto.
- Qual é o problema, Alice? - eu perguntei, submissa.
- Não há nada errado. - Ela me olhou com olhos grandes, honestos, nos quais eu não acreditei nem por um segundo.
- Bem, o que fazemos agora?
- Nós esperamos Carlisle ligar.
- E ele já devia ter ligado a essa hora? - Eu podia ver que estava me aproximando da verdade. Os olhos de Alice flutuaram de mim para o telefone no topo da sua bolso de couro e depois de volta.
- O que isso significa? - Minha voz tremeu e eu lutei para controlá-la. - Que ele ainda não tenha ligado? - Isso só significa que eles ainda não têm nada para nos dizer. - Mas a voz dela estava uniforme demais, e de repente o ar ficou difícil de respirar.
- Bella - Jasper disse, numa voz suspeitosamente tranqüilizadora -, você não tem com o que se preocupar. Você está completamente segura aqui.
- Você acha que eu estou preocupada com isso? - eu perguntei, sem acreditar.
- E o que mais há? - Ele também parecia surpreso. Ele devia sentir o teor das minhas emoções, mas ele não conseguia ler as razões por trás delas.
- Você ouviu o que Laurent disse. - Minha voz estava baixa, mas eles podiam me ouvir facilmente, é claro. - Ele disse que James é letal. E se alguma coisa der errado e eles se separarem? E se alguma coisa acontecer com qualquer um deles? Carlisle, Emmett... Edward... - Eu engoli em seco. - E se a fêmea selvagem machucar Rosalie ou Esme...? - Minha voz ficou mais alta, um tom de histeria começando a aparecer por trás dela. - Como é que eu vou conseguir viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocês devia estar se arriscando por mim- - Bella, Bella, pare - ele me interrompeu, as palavras dele fluindo rapidamente. - Você está se preocupando com as coisas erradas, Bella. Confie em mim, nenhum de nós corre risco. Você está passando por muito estresse com isso, não acrescente preocupações desnecessárias a tudo isso. Ouça - eu havia desviado o olhar -, nossa família é forte. O nosso único medo é perder você.
- Mas por que vocês...? - Alice me interrompeu dessa vez, tocando a minha bochecha com os seus dedos frios.
- Já faz quase um século que Edward tem estado sozinho. Agora ele encontrou você e a nossa família está inteira. Você acha que nós vamos querer olhar nos olhos dele pelos próximos cem anos se ele te perder?
Minha culpa foi desaparecendo enquanto eu olhava para os olhos escuros dela. Mas, mesmo enquanto a calma se espalhava por mim, eu sabia que não podia confiar nos meus sentimentos quando Jasper estava presente.

TWILIGHT - EMMETT E O URSO
(Notas: Essa parte foi cortada do epílogo original. Mesmo que eu tenha explicado brevemente a história anterior de Emmett no capítulo 14, eu realmente sinto falta de não tê-la detalhado em suas próprias palavras.)

Eu fiquei surpresa por encontrar um estranho parentesco crescendo entre Emmett e eu, especialmente já que um dia ele foi pra mim o mais assustador de todos eles.
Tudo tinha a ver com o modo como nós dois nos juntamos à família: nós dois fomos amados - e amamos em retorno - enquanto éramos humanos, apesar de ter sido muito brevemente no caso dele.
Apenas Emmett se lembrava - apenas ele realmente entendia o milagre que Edward representava para mim.
Nós falamos sobre isso pela primeira vez numa noite, enquanto nós três ficamos vadiando nos sofás claros da sala da frente, Emmett me deleitando em voz baixa com memórias que eram melhor que contos de fadas, enquanto Edward se concentrava no canal de comidas - ele decidiu que precisava aprender a cozinhar, para a minha descrença, e era difícil fazer isso sem o senso apropriado de gosto e cheiro.
Afinal, havia uma coisa que ele não sabia fazer naturalmente. As suas sobrancelhas perfeitas se estreitaram enquanto o chef famoso experimentava outro prato para testar o sabor. Eu reprimi um riso.
- Naquela hora ele já havia acabado de brincar comigo e eu sabia que estava prestes a morrer - Emmett se lembrou suavemente, finalizando as histórias da sua vida humana com a história do urso. Edward não prestava atenção em nós; ele já tinha ouvido isso antes. - Eu não conseguia me mexer e a minha consciência estava desaparecendo, e aí eu ouvi o que eu pensei ser outro urso, que ia lutar com outro para ficar com a minha carcaça, eu achei. De repente, eu me senti como se estivesse voando. Eu achei que tivesse morrido, mas abri os meus olhos mesmo assim. E aí eu a vi. - O rosto dele estava incrédulo com a memória, eu me identifiquei totalmente. - E eu sabia que estava morto. Eu nem me importei com a dor; eu lutei pra manter as pálpebras abertas, eu não queria perder nem um segundo do rosto do meu anjo. Eu estava delirando, é claro, me perguntando por que não havíamos chegado ao céu ainda, pensando que ele devia ser mais longe do que eu esperava. Eu fiquei esperando-a levantar vôo. E aí ela me levou até Deus. - Ele deu sua risada profunda, estrondosa. Eu podia entender facilmente alguém que fizesse essa suposição. Eu pensei que o que aconteceu comigo a seguir era o meu julgamento. Eu tinha me divertido um pouco demais nos meus vinte anos humanos, então eu não fiquei surpreso pelos fogos do inferno. Ele riu de novo, apesar de eu ter tremido; o braço de Edward se apertou ao meu redor inconscientemente.
- O que me surpreendeu foi que meu anjo não foi embora. Eu não conseguia entender como alguém tão lindo poderia ter permissão de ficar no inferno comigo, mas eu estava agradecido.
Toda vez que Deus vinha me checar, eu ficava com medo de que ele fosse levá-la embora, mas ele nunca fez isso. Eu comecei a pensar que talvez aqueles pregadores que falavam do Deus misericordioso pudessem estar certos no fim de tudo. E aí a dor foi embora... e eles me explicaram as coisas. Eles ficaram surpresos por ver como eu fiquei pouco perturbado com a coisa de ser vampiro. Mas, se Carlisle e Rosalie, meu anjo, eram vampiros, não podia ser tão ruim.
Eu balancei a cabeça, concordando completamente, enquanto ele continuou.
- Eu tive um pouco mais de problemas com as regras... - Ele gargalhou. - Você encheu as mãos comigo no início, não foi? - O empurrão de brincadeira que Emmett deu nos ombros de Edward fez nós dois balançarmos. Edward bufou, sem tirar os olhos da TV. - Então, você vê, o inferno não é um lugar tão ruim quando você consegue manter um anjo com você - ele me assegurou travessamente. - Quando ele finalmente aceitar o inevitável, você vai ficar bem.
O punho de Edward se moveu tão rapidamente que eu nem vi o que atingiu Emmett, fazendo-o voar por cima das costas do sofá. Os olhos de Edward nem saíram da tela da TV.
- Edward! - eu repreendi, horrorizada.
- Não se preocupe com isso, Bella. - Emmett não estava agitado e estava de volta ao seu lugar. Ele olhou por mim para o perfil de Edward. - Você vai ter que transformá-la, alguma hora - ele ameaçou. Edward simplesmente rosnou em resposta, sem olhar para cima.
- Garotos! - a voz reprovadora de Esme chamou agudamente das escadas.

twilight - dia do baile (estendido)

-Quando é que você vai contar o que tá acontecendo, Alice?"
"Você vai ver, seja paciente", ela ordenou, sorrindo diabolicamente.
Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais três semanas e eu ia tirar o gesso da minha perna, e aí eu ia bater o pé no chão muito firmemente sobre esse negócio de motoristas. Eu gostava de dirigir.
Já era fim de Maio, e de alguma forma as terras ao redor de Forks encontraram um jeito de ficarem ainda mais verdes. Era lindo, é claro, e eu estava de alguma forma começando a me apegar com a floresta, na maior parte isso se dava ao fato de que eu passava muito mais tempo lá do que o normal. Nós ainda não éramos exatamente amigos, a natureza e eu, mas estávamos nos aproximando.
O céu estava cinza, mas isso era bem vindo também. Estava de um cinza perolado, nem um pouco escuro, não estava chovendo, e quase estava aquecido o suficiente pra mim. As nuvens eram grossas e seguras, o tipo de nuvens que haviam se tornado um prazer pra mim, por causa da liberdade que elas garantiam.
Mas apesar dos arredores agradáveis, eu estava me sentindo nervosa. Parcialmente por causa do comportamento estranho de Alice. Ela tinha absolutamente insistido em um dia de garotas nesse Sábado de manhã, me dirigindo até Port Angeles pra que nós tivéssemos manicure e pedicure, se recusando a me deixar usar o tom claro de rosa que eu queria, ordenado ao invés disso, que a manicure usasse um tom vermelho chamativo - chegando ao ponto de querer que eu pintasse as unhas do meu pé que estava com o gesso.
Aí ela me levou pra comprar sapatos, apesar de eu só poder experimentar um pé de cada par. Sob os meus estrênuos protestos, ela me comprou um par dos sapatos mais impraticáveis, caros demais com um salto agulha - eram coisas que pareciam perigosas, seguros apenas por laços de fita grossos que se cruzavam no meu pé e eram apertados num grande laço na parte de trás do meu calcanhar. Ele eram de um azul profundo, cor de jacinto, e eu tentei explicar em vão que não tinha nada pra usar com eles.
Mesmo com o guarda-roupas embaraçosamente cheio de roupas que ela comprou pra mim em Los Angeles - a maioria delas muito finas pra eu usar em Forks - eu tinha certeza de que não tinha nada desse tom. Mesmo se eu tivesse alguma coisa desse tom no meu guarda-roupa, minhas roupas não combinavam muito bem com saltos agulha. Eu não combinava com saltos agulha - eu mal podia caminhar em segurança andando de meias. Mas a minha lógica inexpugnável foi desperdiçada com ela. Ela nem discutiu de volta.
"Bem, eles não são da Biviano, mas eles vão ter que servir", ela murmurou afobada, e depois não falou mais nada enquanto empurrava o seu cartão para os empregados com cara de impressionados.
Ela comprou o meu almoço pela janela em um drive thru de um fast food, me dizendo que eu tinha que comer no carro, mas se recusando a me explicar o porque da pressa. Sem mais, no caminho de casa eu tive que lembrá-la várias vezes que o meu carro não podia ter a performance de um carro esporte, mesmo com as modificações de Rosalie, e pra por favor dar uma folguinha á pobre coisa. Geralmente, Alice era a minha motorista favorita. Ela não se incomodava em ter que dirigir a apenas vinte ou trinta quilômetros acima dos limites de velocidade, do jeito que outras pessoas não pareciam ser capazes de fazer.
Mas a agenda obviamente secreta de Alice era só a metade do problema, é claro. Eu também estava pateticamente ansiosa porque eu já não via o rosto de Edward a quase seis horas e esse era um recorde nesses mais de dois meses.
Charlie estava sendo difícil, mas não impossível. Ele estava acostumado á presença constante de Edward quando ele voltava pra casa, e nada encontrava nada do que reclamar quando nos via sentados na mesa da cozinha fazendo o dever de casa - ele até parecia gostar da companhia de Edward quando os dois gritavam juntos assistindo os jogos da ESPN. Mas ele não havia perdido nem um pouco da sua consternação original quando ele segurava a porta pra Edward sair precisamente as dez horas nas noites de semana.
É claro, Charlie era completamente inconsciente da habilidade de Edward de devolver seu carro a sua casa e entrar pela minha janela em dez minutos.
Ele era muito mais agradável com Alice, ás vezes chegava a ser embaraçoso. Obviamente, até que eu tivesse o meu grosso gesso removido e trocado por alguma coisa mais manuseável, eu precisava da ajuda de uma mulher. Alice era um anjo, uma irmã; toda noite e toda manhã ela aparecia pra me ajudar com a minha rotina diária.
Charlie estava enormemente agradecido por se livrar do horror de ter uma filha quase adulta precisando de ajuda pra tomar banho - esse tipo de coisa estava muito longe da sua zona de conforto, e da minha também, pra falar a verdade. Mas era por mais que gratidão que Charlie chamava ela de "Anjo" como apelido, e observava ela com olhos fascinados enquanto ela dançava sorrindo pela casa pequena, iluminando ela.
Nenhum humano podia deixar de se sentir afetado com a sua fascinante beleza e graça, e quando ela saia pela porta com um aficionado "Te vejo amanhã, Charlie", ela o deixava deslumbrado.
"Alice, nós vamos pra casa agora?", eu perguntei agora, nós dias entendendo que eu estava me referindo á casa branca perto do rio.
"Sim", ela sorriu, me conhecendo bem. "Mas Edward não está lá".
Eu fiz uma carranca. "Onde ele está?"
"Ele tinha algumas incumbências a tratar".
"Incumbências?", eu repeti vaziamente. "Alice", o meu tom se tornou implorativo. "por favor me diga o que está acontecendo".
Ela balançou a cabeça, ainda com um sorriso largo. "Eu estou me divertindo demais", ela explicou.
Quando nós chegamos em casa, Alice me levou direto lá pra cima, para o banheiro que era do tamanho de um quarto. Eu me surpreendi por encontrar Rosalie lá, esperando com um sorriso celestial, em pé atrás de uma cadeira baixa, cor de rosa.
Uma gigantesca fileira de ferramentas e produtos estava em cima da pia comprida. ?Sente", Alice comandou. Eu a levei em consideração cuidadosamente por um minuto, e depois, decidindo que ela estava preparada pra usar a força se fosse necessário, eu manquei até a cadeira e me sentei com toda a dignidade que pude. Rosalie imediatamente começou a pentear o meu cabelo.
"Eu não acho que você vá me dizer o porque de tudo isso", eu perguntei pra ela.
"Você pode me torturar", ela disse absolvida com o meu cabelo, "mas eu nunca vou falar". Rosalie segurou a minha cabeça na pia enquanto Alice esfregava um shampoo na minha cabeça que tinha cheiro de menta e grapefruit. Alice esfregou as mechas molhadas furiosamente com uma toalha, e depois espalhou quase uma embalagem inteira de alguma coisa - isso tinha cheiro de pepino - nas mechas úmidas e me enxugou de novo.
Depois elas pentearam a bagunça rapidamente; o que quer que fosse a coisa de pepino, aquilo fez o emaranhado se comportar. Eu posso querer comprar uma coisa daquelas. Cada uma delas agarrou um secador e começou a trabalhar. Enquanto os minutos se passavam, e elas continuavam descobrindo novas mechas de cabelo molhado, os rostos delas começaram a aparentar ficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente. Uma coisa que os vampiros não podiam apressar.
"Ela tem muito cabelo", Rosalie comentou com uma voz ansiosa.
"Jasper!", Alice disse claramente, mas não alto, "Me traga outro secador de cabelo!" Jasper veio resgatá-las, de alguma forma aparecendo com mais dois secadores, que ele apontou para a minha cabeça, profundamente divertido, enquanto elas continuavam com seus próprios trabalhos.
"Jasper..." Eu comecei esperançosamente.
"Desculpe, Bella. Eu não tenho permissão pra dizer nada".
Ele escapou alegremente quando tudo já estava seco - e fofo. O meu cabelo estava uns três centímetros afastado da minha cabeça.
"O que vocês fizeram comigo?", eu perguntei horrorizada. Mas elas me ignoraram, puxando uma caixa de rolinhos quentes.
Eu tentei convencê-las de o meu cabelo não cacheava, mas elas me ignoraram, colocando alguma coisa de um tom amarelo estranho em cada uma das mechas antes de enrrolá-las nos rolinhos quentes.
"Vocês encontraram sapatos?", Rosalie perguntou intensamente enquanto elas trabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância.
"Sim- eles são perfeitos", Alice ronronou de satisfação.
Eu observei Rosalie pelo espelho, balançando a cabeça como se um enorme peso tivesse sido tirado dos seus ombros.
"Seu cabelo está legal", eu reparei. Não que ele não estivesse sempre perfeito - mas ela o tinha prendido pra cima essa tarde, criando uma coroa de cachos macios dourados no topo da cabeça dela.
"Obrigada", ela sorriu. Elas haviam começado com a segunda leva de cachos agora. "O que você acha de maquiagem?", Alice perguntou.
"É um saco", eu ofereci. Elas me ignoraram.
"Ela não precisa de muita - a pele dela fica melhor limpa", Rosalie pensou.
"Porém, batom", Alice decidiu.
"E rímel, e delineador de olhos", Rosalie adicionou, "só um pouco".
Eu suspirei alto, Alice riu. "Seja paciente, Bella. Nós estamos nos divertindo".
"Bem, já que vocês estão", eu murmurei.
Elas tinham prendido todos os cachos apertados e desconfortáveis na minha cabeça agora. "Vamos vesti-la". A voz de Alice estava alegre de antecipação. Ela não esperou que eu saísse do banheiro com as minhas próprias pernas. Ao invés disso ela me pegou no colo e me levou até o quarto grande e branco de Rosalie e Emmett. Na cama, havia um vestido. Azul cor de jacinto, é claro.
"O que você acha?", Alice chiou.
Essa era uma boa pergunta. Ele era levemente frisado, aparentemente era pra ele ser usado bem abaixo dos ombros, com longas mangas decoradas que se grudavam nos pulsos. O alegre espartilho era decorado com outro tom, com flores pálidas, de jacinto azul, que se pregueavam pra formar uma fina linha no lado esquerdo.
O material florido era longo nas costas, mas se abria na frente em cima de várias formas de cor de jacinto, que iam se tornando de um tom mais claro enquanto iam descendo mais.
"Alice", eu gemi. "Eu não posso usar isso!"
"Porque?", ela quis saber com uma voz dura.
"O top é completamente transparente!"
"Isso vai por baixo", Rosalie segurou uma peça completamente ominosa, de um azul pálido. "O que é isso?", eu perguntei temerosamente.
"É um corpete, bobinha", Alice disse, impaciente. "Agora você vai colocar isso, ou eu vou ter que chamar Jasper pra ele te segurar enquanto eu faço isso?", ela ameaçou.
"Era pra você ser minha amiga", eu acusei.
"Seja boazinha, Bella", ela suspirou, "Eu não me lembro de como é ser humana e eu estou me divertindo muito aqui. Além do mais, é pro seu próprio bem".
Eu reclamei e corei muito, mas elas não levaram muito tempo pra me enfiar no vestido. Eu tinha que admitir, o corpete tinha as suas vantagens.
"Uau", eu respirei, olhando pra baixo. "Eu tenho um colo".
"Quem poderia ter adivinhado", Alice gargalhou, deliciada com o trabalho dela. No entanto, eu não estava completamente vendida.
"Você não acha que esse vestido é um pouco... eu não sei, avançado demais... pra Forks?", eu perguntei hesitantemente.
"Eu acho que as palavras que você está procurando são alta costura", Rosalie riu.
"Não é pra Forks, é pra Edward", Alice insistiu. "Está exatamente certo".
Aí elas me levaram de volta para o banheiro, retirando os rolinhos com mãos voadoras. Pra meu choque, cascatas de cachos foram caindo. Rosalie colocou a maior parte deles pra cima, cuidadosamente enrolando eles em anéis que fluíam com linhas grossas nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alice rapidamente pintava uma linha fina embaixo dos meus dois olhos, colocou rímel, e espalhou batom vermelho cuidadosamente nos meus lábios. Aí ela saiu do banheiro e retornou prontamente com os meus sapatos.
"Perfeitos", Rosalie respirou quando Alice os segurou pra cima pra ela ver.
Alice me calçou com o sapato mortal como se fosse uma expert, e aí olhou para o meu gesso com especulação nos olhos.
"Eu acho que fizemos o que podíamos", ela balançou a cabeça tristemente. "Eu não acho que Carlisle nos deixaria...?", ela olhou pra Rosalie.
"Eu duvido", Rosalie respondeu secamente. Alice suspirou.
Nessa hora as duas levantaram as cabeças.
"Ele está de volta". Eu sabia a qual 'ele' elas se referiam, e eu senti vigorosas borboletas no meu estômago.
"Ele pode esperar. Há uma coisa mais importante", Alice disse firmemente. Ela me levantou de novo - uma necessidade, eu tinha certeza de que não conseguiria andar com aquele sapato - e me carregou para o quarto dela, onde ela cuidadosamente me colocou na frente do seu espelho grande, largo, de multi faces.
"Ai", ela disse. "Está vendo?"
Eu encarei a estranha no espelho. Ela parecia muito alta com o seu salto, com a longo, esbelta linha do vestido justo acrescentando á ilusão. O espartilho decotado - onde a impressionante linha do busto captou a minha atenção de novo - fazia o pescoço dela parecer muito longo, assim como a longa linha de cachos brilhantes nas costas dela. A cor de jacinto do tecido era perfeita, destacando a pele cor de marfim dela, e a cor rosada das bochechas coradas dela. Ela estava muito bonita, eu tinha que admitir.
"Ok, Alice", eu sorri. "Eu vejo".
"Não se esqueça", ela ordenou.
Ela me pegou de novo, e me carregou até o topo das escadas.
"Se vire e feche os olhos!", ela ordenou escada abaixo. "E fique fora da minha cabeça - não arruíne tudo".
Ela hesitou, caminhando mais devagar do que de costume enquanto descia as escadas até que ela pôde ver que ele havia obedecido. E aí ela voou pelo resto do caminho. Edward estava na porta, virado de costas pra nós, muito alto e escuro - eu nunca tinha visto ele de preto antes. Alice me colocou de pé, alisando o franzido do meu vestido, colocando os cachos no lugar, e aí ela me deixou lá, indo se sentar no banco do piano pra observar. Rosalie seguiu pra se sentar com ela na platéia.
?Posso olhar?" A voz dele estava intensa com a antecipação - isso fez meu coração bater descompassadamente.
"Sim... agora", Alice dirigiu.
Ele se virou imediatamente, e ficou congelado no lugar, seus olhos de topázio pareciam líquidos. Eu podia sentir o calor subindo no meu pescoço e se alojando nas minhas bochechas. Ele estava tão lindo; eu senti uma pontada do medo antigo, que ele fosse só um sonho, que ele não podia ser real. Ele estava usando um smoking, e ele pertencia a uma tela de cinema, não ao meu lado. Eu olhei pra ele com uma descrença fascinada.
Ele caminhou lentamente na minha direção, hesitando a um passo quando chegou perto de mim.
"Alice, Rosalie... obrigado", ele respirou sem tirar os olhos de mim. Eu ouvi Alice gargalhar de prazer.
Ele se aproximou, colocando uma mão embaixo da minha mandíbula, e se aproximando pra pressionar seus lábios na minha garganta.
"É você", ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e haviam flores brancas na sua outra mão.
"Frísia", ele me informou enquanto as prendia nos meus cachos. "Completamente redundante, em se tratando de fragrância, é claro". Ele se inclinou novamente, me olhando de novo. Ele deu o seu sorriso de fazer o coração parar. "Você está absurdamente linda". "Você roubou a minha fala", eu mantive a minha voz o mais suave que consegui. "Bem quando eu consigo me convencer de que você é real, você aparece desse jeito e eu estou com medo de que esteja sonhando de novo".
Ele me puxou rapidamente pros seus braços. Ele me segurou bem próximo ao seu rosto, seus olhos em chamas quando ele me puxou ainda mais pra perto.
"Cuidado com o batom!", Alice comandou.
Ele sorriu rebeliosamente, mas baixou sua boca para o vão na minha clavícula.
"Você está pronta pra ir?", ele perguntou.
"Alguém vai me contar que ocasião é essa?"
Ele sorriu de novo, olhando por cima do ombro para as irmãs. "Ela não adivinhou?" "Não", Alice gargalhou. Edward riu deliciosamente. Eu dei um olhar zangado.
"O que é que eu estou perdendo?"
?Não se preocupe,você vai descobrir logo logo", ele me assegurou.
"Coloque ela no chão, Edward, pra que eu possa tirar uma foto", Esme estava descendo as escadas com uma câmera prateada nas mãos.
"Fotos?", eu murmurei, enquanto ele me colocava cuidadosamente de pé no meu pé bom. Eu estava com um mal pressentimento sobre isso. "Você vai aparecer no filme?" eu perguntei sarcasticamente.
Ele sorriu pra mim.
Esme tirou várias fotos de nós, até que Edward sorrindo insistiu que íamos nos atrasar.
"A gente se vê mais tarde", Alice disse enquanto ele me carregava pela porta.
"Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja?" eu me senti um pouco melhor.
"E Jasper, e Emmett, e Rosalie".
Minha testa se enrugou de concentração enquanto eu tentava deduzir o segredo. Ele achou graça da minha expressão.
"Bella", Esme me chamou. "Seu pai está no telefone".
"Charlie?" Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe o telefone, mas ele o agarrou quando ela tentou passá-lo pra mim, me segurando sem esforço com um braço só. "Ei!", eu protestei, mas ele já estava falando.
"Charlie? Sou eu. Qual é o problema?" Ele parecia preocupado. Meu rosto empalideceu. Mas depois a expressão dele ficou divertida e depois perversa.
"Dê o telefone pra ele, Charlie - deixe que eu fale com ele" O que quer que estivesse acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais pra que Charlie estivesse em algum tipo de perigo. Eu relaxei um pouco.
"Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen", a voz dele estava amigável, na superfície. Eu o conhecia bem o suficiente pra identificar o leve tom de ameaça. O que é que Tyler estava fazendo na minha casa? A horrível verdade começou a descer em mim.
"Eu lamento se houve algum mal entendido, mas Bella não está disponível essa noite", o tom de Edward mudou, e a ameaça na voz dele estava repentinamente mais evidente enquanto ele falava. "Pra ser perfeitamente honesto, ela vai estar indisponível todas as noites, em se tratando de alguém que não seja eu mesmo. Sem ofensa. Eu lamento pela sua noite" Ele não parecia lamentar nem um pouco. Depois ele fechou o telefone, com um enorme sorriso no rosto.
"Você está me levando pra o baile!", eu acusei furiosamente. O meu rosto e meu pescoço ficaram ruivos de raiva. Eu podia sentir a raiva enchendo os meus olhos de lágrimas.
Ele não estava esperando a força da minha reação, isso estava claro. Ele pressionou seus lábios e seus olhos escureceram.
"Não seja difícil, Bella".
"Bella, nós todos estamos indo", Alice encorajou, repentinamente no meu ombro.
"Porque você está fazendo isso comigo?", eu quis saber.
"Vai ser divertido", Alice ainda estava brilhantemente otimista.
Mas Edward se curvou pra murmurar no meu ouvido, sua voz aveludada estava séria. "Só se é humano uma vez, Bella. Me distraia".
Aí ele virou a força total dos seus olhos dourados pra mim, fazendo a minha resistência derreter no calor deles.
"Tá bom", eu fiz biquinho, incapaz de encará-lo com tanta eficiência como eu teria gostado. "Eu vou quietinha. Mas você vai ver". Eu avisei mal humorada. "Essa é a má sorte com a qual você esteve se preocupando. Provavelmente eu vou quebrar a minha outra perna. Olhe pra esse sapato! É uma armadilha mortal!" eu levantei minha perna pra provar.
"Hmmm", ele olhou para a minha perna por mais tempo do que era necessário, e depois olhou pra Alice com os olhos brilhando. "De novo, obrigado".
"Vocês vão se atrasar pra o Charlie", Esme lembrou ele.
"Tudo bem, vamos lá", ele me levou pela porta.
"Charlie está envolvido nisso?", eu perguntei com os dentes trincados.
"É claro", ele deu um sorriso largo.
Eu estava preocupada, então eu não reparei antes. Eu estava apenas vagamente consciente de um carro prateado, e eu presumiu que fosse o Volvo. Mas aí ele se abaixou tanto pra me colocar dentro dele que eu pensei que ele ia me sentar no chão.
"O que é isso?" Eu perguntei, surpresa por me encontrar dentro de um conversível estranho. ?Onde está o Volvo??
?O Volvo é o meu carro de todo dia", ele me disse cuidadosamente, com medo que eu tivesse outro chilique. "Esse é um carro pra ocasiões especiais".
"O que Charlie vai pensar?" Eu balancei a minha cabeça desaprovando enquanto ele entrava e ligava o motor. Ele ronronou.
"Oh, a maior parte da população de Forks acha que Carlisle é um ávido colecionador de carro", ele acelerou pela floresta em direção á estrada.
"E ele não é?"
"Não, esse é mais o meu passatempo. Rosalie coleciona carros também, mas ela prefere brincar com seus interiores do que andar neles. Ela fez um monte de modificações nesse aqui pra mim".
Eu ainda estava me perguntando porque estávamos voltando para a casa de Charlie quando nós paramos na frente dela.
A luz da varanda estava acesa, apesar de não estar completamente escuro ainda. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelas agora. Eu comecei a corar, imaginando qual seria a primeira reação do meu pai ao ver um vestido similar ao que eu estava usando.
Edward andou pela frente do carro, devagar pra ele, pra abrir a porta pra mim - confirmando as minhas suspeitas de que Charlie estava observando.
Então, enquanto Edward estava me tirando do pequeno carro, Charlie - muito descaracteristicamente - veio nos receber no quintal. Minhas bochechas queimaram; Edward percebeu e olhou pra mim questionando. Mas eu não precisava ter me preocupado. Charlie nem olhou pra mim.
"É um Aston Martin?", ele perguntou com uma voz reverencial.
"Sim - o Vanquish" Os cantos da boca dele se contorceram, mas ele se controlou.
Charlie soltou um assobio baixinho.
"Quer dar uma chance a ele?" Edward levantou a chave.
Os olhos de Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou pra Edward sem acreditar - iluminado por uma pontada de esperança.
"Não", ele disse relutante. "O que o seu pai iria dizer?"
"Carlisle não vai se importar nem um pouco" Edward disse sinceramente, sorrindo. "Vá em frente". Ele pressionou a chave na mão ansiosa de Charlie.
"Bem, só uma voltinha rápida..."
Charlie já estava alisando a maçaneta com uma das mãos.
Edward me ajudou a ir tropeçando até a porta, me pegando no colo assim que estávamos do lado de dentro, e me carregando até a cozinha.
"Isso funcionou bem", eu disse. "Ele nem teve uma chance de enlouquecer por causa do vestido".
Edward piscou, "Eu não tinha pensado nisso", ele admitiu. Os olhos dele analisaram o meu vestido de novo com uma expressão crítica. "Eu acho que é bom nós não estarmos na caminhonete, seja ela um clássico ou não".
Eu tirei os olhos do rosto dele sem vontade por tempo suficiente pra perceber que a cozinha estava estranhamente escura.
Haviam velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas altas, brancas. A mesa velha estava escondida por uma toalha longa, branca, assim como as duas cadeiras. "Foi nisso que você esteve trabalhando hoje?"
"Não - isso só levou meio segundo. Foi a comida que levou o dia inteiro. Eu sei que você acha que restaurantes chiques são subjugadores, não que existam muitos restaurantes que se encaixem nessa categoria aqui, mas eu decidi que você não podia reclamar da sua própria cozinha".
Ele me sentou em uma das cadeiras cobertas de branco, e começou a tirar coisas do forno e da geladeira. Eu percebi que só havia um lugar posto.
"Você não vai alimentar Charlie também? Ele vai ter que voltar pra casa alguma hora". "Charlie não agüentaria comer mais nada - que você acha que experimentou tudo pra mim? Eu tinha que ter certeza de que estava comestível". Ele colocou um prato na minha frente, cheio de coisa que pareciam muito comestíveis.
Eu suspirei.
"Você ainda está com raiva?" Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesa pra poder se sentar perto de mim.
"Não. Bem, sim, mas não exatamente nesse momento. Eu só estava pensando - lá se vai, a única coisa que eu sabia fazer melhor do que você. Isso parece ótimo" eu suspirei de novo. Ele gargalhou. "Você ainda não experimentou - seja otimista, talvez esteja horrível?. Eu dei uma mordida, pausei, e fiz uma careta.
"Está horrível?", ele perguntou, chocado.
"Não, está fabuloso, naturalmente".
Isso é um alívio", ele sorriu, tão lindo. "Não fique preocupada, ainda tem muitas outras coisas que você faz melhor".
"Diga só uma".
Ele não respondeu no início, ele só passou levemente o seu dedo gelado na linha do meu osso da clavícula, me olhando nos olhos até que eu senti a minha pele queimar e ficar vermelha.
"Há isso", ele murmurou, tocando o rubor nas minhas bochechas. "Eu nunca ví alguém corar tão bem quanto você".
"Maravilhoso", eu fiz uma carranca. "Reações involuntárias - uma coisa da qual eu posso me orgulhar".
"Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço".
"Corajosa?", eu zombei.
"Você passa todo o seu tempo cercada de vampiros; isso requer alguns nervos. E você não hesita em se colocar em perigosa proximidade dos meus dentes..."
Eu balancei a minha cabeça. "Eu sabia que você não ia encontrar nada".
Ele riu. "Eu estou falando sério, sabe. Mas não importa. Coma". Ele pegou o garfo de mim, impaciente, e começou a me dar a comida na boca. A comida estava perfeita, é claro.
Charlie chegou quando eu estava quase terminando. Eu observei o rosto dele cuidadosamente, mas a minha sorte estava com tudo, ele estava muito deslumbrado com o carro pra reparar em como eu estava vestida. Ele jogou as chaves de volta pra Edward.
"Obrigado, Edward", ele disse sonhador. "Aquele sim é um carro".
"De nada".
"Como é que foi?" Charlie olhou pro meu prato vazio. "Perfeito", eu suspirei.
"Sabe, Bella, eu acho que você devia deixar ele praticar cozinhar pra gente de novo uma hora dessas", ele sugeriu.
Eu dei uma olhada obscura pra Edward. "Eu tenho certeza que ele vem, pai". Não foi até que chegássemos na porta que Charlie acordou completamente. Charlie estava com o braço na minha cintura, pra me equilibrar e me apoiar, enquanto eu mancava no sapato instável.
"Umm, você pare... bem adulta, Bella", eu podia ouvir o início das suas desaprovações de pai aparecendo.
"Alice me vestiu. Eu não tive a oportunidade de dizer muita coisa". Edward riu tão baixo que só eu pude ouvir.
"Bem, se Alice..." ele parou, um pouco maleável. "Você está bonita, Bells", ele pausou, com um leve brilho nos olhos. "Então, será que eu devo esperar mais jovens de smoking aparecendo por aqui essa noite?"
Eu gemi e Edward riu silenciosamente. Como alguém podia ser tão cego como Tyler, eu não podia saber. Não era como se Edward e eu fizéssemos segredo na escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele meio que me carregava até as salas de aula, eu me sentava com ele e sua família todos os dias no almoço, e ele também não era muito tímido em relação a me beijar na frente de testemunhas. Tyler claramente precisava de ajuda profissional.
"Eu espero que sim", Edward sorriu pro meu pai. "A geladeira está cheia de sobras - diga pra eles se sentirem á vontade".
"Eu acho que não - elas são minhas", Charlie murmurou.
"Pergunte os nomes por mim, Charlie", o traço de ameaça na voz dele provavelmente só era audível pra mim.
"Oh, já basta!", eu ordenei.
Graças á Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.

LUA NOVA

Lua Nova - NARCÓTICOS
Você irá reconhecer essa cena do final do Capitulo Dois de Lua Nova. Somente algumas falas são diferentes. No primeiro rascunho, Carlisle deu a Bella medicamentos para a dor de seus ferimentos e ela teve uma reação pouco comum.
Porque esse ponto de vista/ângulo foi cortado? Primeiro, meus editores acharam que o humor/temperamento/clima estava errado (eu tento fazer piada de tudo, eles tentam me conter). Segundo, eles não acharam que a reação de Bella era realística. A piada está neles, porque essa historia é baseada em uma experiência real de vida (não minha, dessa vez).

Desmoronei no meu travesseiro, respirando profundamente, minha cabeça girando. Meu braço não doía mais, mas eu não sabia se era devido aos medicamentos ou ao beijo. Puxava alguma coisa pela minha memória, evasiva, pelas beiradas...
“Me desculpa” ele disse, e também estava ofegante. “Isso passou dos limites”
Para minha própria surpresa, eu sorri. “Você é engraçado,” Eu murmurei e sorri novamente.
Ele ergueu as sobrancelhas para mim na escuridão. Ele parecia tão sério. Era engraçado.
Cobri minha boca para esconder a risada e Charlie não ouvir.
“Bella, você alguma vez já tomou Percocet?”
“Eu acho que não,” Eu sorri. “Por que?”
Ele rolou os olhos e eu não conseguia parar de rir.
“Como está seu braço?”
“Eu não o sinto. Ele ainda está aqui?”
Ele suspirou, eu ainda sorria. “Tente dormir, Bella.”
“Não, eu quero que você me beije de novo.”
“Você está superestimando meu auto-controle.”
Eu bufei “O que está te perturbando mais, meu sangue ou meu corpo?” Minha pergunta me fez rir.
“É apertado.” Ele deu um breve sorriso, a despeito de si mesmo. “Nunca tinha te visto drogada. Você é bastante divertida.”
“Eu não estou alta/drogada.” Eu tentei abafar os risos para provar.
“Vá dormir.”, ele sugeriu.
Eu percebi que estava fazendo papel de boba, o que não era incomum, mas mesmo assim vergonhoso, então tentei seguir seu conselho. Eu descansei minha cabeça em seu ombro novamente e fechei meus olhos. Hora ou outra os risos escapavam. Mas isso se tornou menos freqüente a medida que o medicamento me levava a adormecer.

Eu me sentia absolutamente horrível pela manhã. Meu braço queimava e minha cabeça doía. Edward disse que eu estava de ressaca e recomendou Tylenol ao invés de Percocet antes de beijar minha testa rapidamente e pular pela janela. Percebi que seu rosto estava sem expressão e distante. Eu estava com tanto medo das conclusões que ele possa ter tirado durante a noite enquanto ele me via dormindo. A ansiedade parecia aumentar a intensidade do barulho em minha cabeça.

Tomei uma dose dupla de Tylenol, jogando o pequeno frasco de Percocet na lixeira do banheiro.

new moon - Epílogo - Humano
Esse era um daqueles raros dias ensolarados, o meu tipo menos favorito de dia. Mas Edward não podia cumprir a promessa dele a cada minuto. Ele tinha necessidades.
-Alice podia ficar de novo-, ele ofereceu, tarde na sexta a noite. Eu podia ver a ansiedade por trás de seus olhos ? o medo de que eu fosse enlouquecer quando ele me deixasse sozinha e fosse fazer alguma coisa louca. Como recuperar a minha moto de La Push, ou brincar de roleta Russa com a pistola de Charlie.
-Eu vou ficar bem-, eu disse, com uma falsa confiança. Tantos meses de mentiras haviam aprimorado as minhas habilidades de enganar. -Vocês todos precisam comer também. Nós podemos muito bem voltar à nossa rotina-.
Quase tudo estava de volta ao normal, em menos tempo do que eu teria acreditado que fosse possível. O hospital havia recebido Carlisle de volta com braços ansiosos, sem nem sequer se incomodar em ouvir a mentira deles sobre Esme ter achado a vida de Los Angeles de muito pouco gosto. Graças ao teste de Cálculo que eu perdi enquanto estava no exterior, Alice e Edward estavam em melhor forma pra se formarem do que eu estava no momento. Charlie não estava feliz comigo ? nem falando com Edward ? mas pelo menos Edward já podia entrar na casa de novo. Só que eu não podia sair dela.
-De qualquer forma, eu tenho todos esses ensaios pra escrever-, eu suspirei, acenando na direção da pilha de inscrições pra faculdade ? Edward havia arrumado uma de todas as faculdades satisfatórias que ainda estivessem com o prazo aberto ? na minha mesa. -Eu não preciso de distrações-.
-Isso é verdade-, ele disse com severidade de brincadeira. -Você tem muitas coisas pra te manter ocupada. E eu vou voltar quando estiver escuro novamente-.
-Pode demorar-, eu o disse levemente, e fechei meus olhos como se estivesse cansada. Eu estava tentando convence-lo de que acreditava nele, o que era verdade. Ele não precisava saber sobre os pesadelos de zumbis. Eles não se tratavam de não confiar nele ? era comigo mesma que eu não podia contar.
Charlie ficou em casa, que não era normal para um sábado à noite. Eu trabalhei nas inscrições na mesa da cozinha, pra que ele pudesse manter um olho em mim com mais facilidade. Mas eu estava cansada de ver, e ele raramente deixava a TV pra vir ver se eu ainda estava lá.
Eu tentei me concentrar nos formulários e perguntas, mas era difícil. De vez em quando eu me sentia solitária; a minha respiração espetava e eu tinha que lutar pra me acalmar. Eu me senti como um pequeno motor que podia ? de novo e de novo eu tive que dizer a mim mesma, você pode fazer isso, você pode fazer isso, você pode fazer isso.
Então, quando a campainha da porta tocou, a distração foi mais que bem-vinda. Eu não tinha idéia de quem pudesse ser, mas eu não me importava de verdade.
-Eu atendo!- eu me apressei, me levantando da mesa num flash.
-Okay-, Charlie disse ausentemente. Enquanto eu passava apressada pela sala de estar, ficou claro que ele não tinha se movimentado um centímetro.
Eu já estava com um sorriso de alívio e boas-vindas no meu rosto, pronta pra fascinar os vendedores de porta em porta das Testemunhas de Jeová.

New Moon – Bolsa de Estudos

Essa é a maior seção que eu cortei de New Moon; é a maior parte do capítulo seis original (?Declaração?, naquela época), além de sete cenas curtas que continuam o enredo de -bolsa de estudos? no romance, e até o final dele. Eu achava que ele era meio engraçado, mas os meus editores discordaram. Ela não era necessária, então foi sacrificada no altar da edição.


Cena um: o dia depois que Bella vai ao filme de zumbi com Jessica.

Eu ainda sentia saudade de Phoenix em raras ocasiões, quando era provocada. Agora, por exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal de Forks para depositar meu chegue de pagamento. O que eu não daria pela conveniência de um caixa-automático drive in. Ou pelo menos, a anonimidade de um estranho do outro lado da mesa.
“Boa tarde, Bella”, a mãe de Jessica me saudou.
“Oi, Sra. Stanley”.
“É tão bom que você pode sair com Jessica na noite passada. Já fazia tanto tempo.”

Ela fez um barulhinho com a língua para mim, sorrindo para tornar o som amigável. Alguma coisa na minha expressão devia estar desligada, porque o sorriso endureceu de repente, e ela passou a mão nervosamente pelo cabelo, onde ela ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão encaracolado quanto o de Jéssica, e ela pôs laquê até que ele ficasse arrumado em um monte duro de anéis rígidos.
Eu sorri de volta, me dando conta de que estava um segundo atrasada. O meu tempo para reações estava enferrujado.
“É”, eu disse, no que eu esperava que fosse um tom sociável. “Eu estive muito ocupada, sabe. Escola... trabalho...” Eu lutei pra pensar em alguma outra coisa pra adicionar á minha lista curta, mas não encontrei nada.
“Claro”, ela sorriu mais calidamente, provavelmente feliz por minha resposta parecer normal e bem-ajustada.
De repente me ocorreu que eu podia não estar apenas brincando comigo mesma quando pensei no motivo por trás do sorriso dela. Quem sabe o que Jessica contou a ela sobre a noite passada. O que quer que tenha sido, não foi completamente falso. Eu era a filha da ex-excêntrica de Charlie – insanidade pode ser genética. Antiga associada aos esquisitões de Forks; eu pulei essa parte rapidamente, me encolhendo. Recente vítima de um coma ambulante. Eu decidi que esse era um argumento bastante bom para a minha loucura, sem nem sequer contar as vozes que eu ouvia agora, e eu me perguntei se a Sra. Stanley realmente pensava isso.
Ela deve ter visto a especulação nos meus olhos. Ela desviou o olhar rapidamente, olhando para as janelas atrás de mim.
“Trabalho”, eu repeti, chamando a atenção dela de volta enquanto colocava meu cheque em cima do balcão. “Que é porque eu estou aqui, é claro”.
Ela sorriu de novo. O batom dela estava rachando enquanto o dia progredia, e estava claro que ela havia desenhado os lábios muito mais cheios do que eles eram na realidade.
“Como estão as coisas no Newton’s?” ela perguntou brilhantemente.
“Bem. A temporada está começando”, e disse automaticamente, apesar de que ela dirigia pelo estacionamento do Pacific Outfitter’s todo dia – ela teria visto os carros que não eram conhecidos. Ela provavelmente sabia mais sobre as quedas e os aumentos no ramo dos mochileiros do que eu.
Ela balançou a cabeça ausentemente enquanto olhava para as teclas do computador na frente dela. Meus olhos passearam pelo balcão marrom escuro, com as suas linhas muito “anos-setenta” de laranja brilhante rodeando as bordas. As paredes e o carpete haviam sido atualizados para um tom mais neutro de cinza, mas o balcão denunciava a decoração original do prédio.
“Hmmm”, o murmúrio da Sra. Stanley foi um guincho mais alto do que o normal. Eu olhei de volta pra ela, apenas meio interessada, me perguntando se havia uma aranha em cima da mesa que havia assustado ela.
Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Agora os dedos dela estavam imóveis, a expressão dela estava surpresa e desconfortável. Eu esperei mas ela não disse mais nada.
“Há algo errado?” Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?
“Não, não”, ela murmurou rapidamente, olhando para mim com um estranho brilho nos olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Aquilo me fez lembrar de Jessica quando ela tinha alguma nova fofoca que estava morrendo pra dividir.
‘Você gostaria de imprimir o seu saldo?” A Sra. Newton perguntou ansiosamente. Isso não era meu hábito – minha conta crescia tão lentamente que não era difícil fazer os cálculos na minha cabeça. Mas a mudança de tom dela me deixou curiosa. O que havia na tela do computador que fascinou ela?
“Claro”, eu concordei.
Ela bateu numa tecla, e a impressora rapidamente cuspiu o curto documento.
“Aqui está”. Ela arrancou o papel com tanta gana que ele se partiu no meio.
“Oops, eu lamento por isso”. Ela passou o olhar por cima da mesa, sem encontrar o meu olhar curioso, até que ela encontrou um rolo de fita adesiva. Ela grudou os dois pedaços de papel e o atirou pra mim.
“Er, obrigada”, eu murmurei. Com a folha na mão, eu me virei e caminhei para a porta da frente, dando uma olhada para ver se eu descobria qual era o problema da Sra. Stanley.
Eu achava que a minha conta devia estar e torno de mil quinhentos e trinta e cinco dólares. Eu estava errada, eram trinta e seis dólares e cinqüenta centavos, e não trinta e cinco.
E também haviam vinte mil dólares extras.
Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava vinte mil dólares mais alta antes do meu depósito de hoje, que havia sido depositado corretamente.
Por um breve minuto eu considerei a idéia de fechar a minha conta imediatamente. Mas, suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra. Stanley estava esperando com olhos brilhantes, interessados.
“Há algum tipo de erro com o computador, Sra. Stanley”, eu disse a ela, entregando o pedaço de papel de volta pra ela. “Deveriam haver apenas mil quinhentos e trinta e seis e cinqüenta centavos.”
Ela sorriu conspiradoramente. “Eu achei que parecia um pouco estranho”.
“Só nos meus sonhos, né?” Eu ri de volta, impressionando a mim mesma com a normalidade do meu tom.
Ela digitou bruscamente.
“Eu vejo o problema aqui... a três semanas atrás aparece um depósito de vinte mil dólares feito por... hmmm, pelo que parece foi outro banco. Eu imagino que eles tenham colocado os números errados.”
“Quantos problemas eu vou ter se fizer um saque?” Eu brinquei.
Ela gargalhou ausentemente enquanto continuava a digitar.
“Hmmm”, ela disse de novo, a testa dela enrugando em três buracos fundos. “Parece que foi uma transferência de outro estado. Nós não recebemos muitas dessas. Quer saber? Eu vou fazer a Sra. Gerandy dar uma olhada nisso...” A voz dela foi desaparecendo enquanto ela se virava pra longe do computador, o pescoço dela se curvando para olhar pela porta aberta atrás dela.
“Charlotte, você está ocupada?” ela chamou.
Não houve resposta. A Sra. Stanley entendeu isso e caminhou rapidamente para a porta traseira onde os escritórios deviam ser.
Eu procurei por ela por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e olhei ausentemente pelas janelas da frente, olhando a chuva caindo nos vidros. A chuva corria em correntes imprevisíveis, ás vezes descendo torta, por causa do vento. Eu não prestei atenção no tempo enquanto esperava. Eu tentei deixar a minha mente flutuar em branco, pensando em nada, mas eu não parecia ser capaz de voltar aquele estado de semi-consciência.
Eventualmente eu ouvi vozes atrás de mim de novo. Eu me virei pra ver a Sra. Stanley e a esposa do Dr. Gerandy entrando na sala da frente com o mesmo sorriso educado nos seus rostos.
“Desculpa por isso, Bella”, a Sra. Gerandy. “Eu devo ser capaz de dar um jeito nisso com um telefonema bem rápido. Você pode esperar se quiser”. Ela fez um gesto para uma fileira de cadeiras de madeiras contra uma parede. Parecia que elas pertenciam a sala de jantar de alguém.
“Okay”, eu concordei. Eu caminhei até as cadeiras e me sentei bem no meio, de repente desejando ter um livro. Já fazia algum tempo que eu não lia, fora da escola. E mesmo assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte do currículo, eu trapaceava com sinopses. Era um alivio estar trabalhando com Animal Farm agora. Mas tinham que haver outros livros seguros. Aventuras políticas. Mistérios de assassinatos. Assassinatos violentos não eram problema; contanto que não houvesse nenhum enredo romântico choroso envolvido.
Levou tempo suficiente pra eu ficar irritada. Eu estava cansada de olhar para a sala cinzenta chata, sem nenhum quadro para aliviar as paredes vazias. Eu não conseguia ver a Sra. Stanley enquanto ela remexia uma pilha de papéis, parando de vez em quando para dar entrada em alguma coisa no computador – ela olhou pra mim uma vez, e quando encontrou meu olhar ela pareceu desconfortável e derrubou um arquivo. Eu podia ouvir a voz da Sra. Gerandy, um murmúrio fraco vindo da sala traseira, mas não era claro o suficiente pra me dizer nada, além de que ela tinha mentido em relação ao tempo necessário na ligação. Havia um limite de tempo no qual se podia esperar que uma pessoa ficasse com a mente em branco, e se aquilo não acabasse logo, eu não ia ser capaz de evitar. Eu ia ter que pensar. Eu entrei em pânico silenciosamente, tentando imaginar um assunto seguro pra pensar.
Eu fui salva pela reaparição da Sra. Gerandy. Eu sorri gratamente pra ela quando ela enfiou a cabeça pela porta, seu cabelo grosso, cor de neve, chamando minha atenção imediatamente.
“Bella, você se importaria em se juntar a mim?” ela perguntou, e eu me dei conta de que ela tinha o telefone grudado no ouvido.
“Claro”, eu murmurei enquanto ela desaparecia.
A Sra. Stanley teve que destrancar a meia porta no final do balcão para que me deixar passar. O sorriso dela era ausente, ela não encontrou meus olhos. Eu tinha certeza absoluta de que ela estava planejando ouvir atrás da porta.
Minha mente correu pelas possibilidades concebíveis enquanto eu me apressava para o escritório.
Alguém estava lavando dinheiro pela minha conta. Ou talvez Charlie estivesse recebendo suborno, e eu estava estragando o disfarce dele. No entanto, quem teria tanto dinheiro assim para subornar Charlie? Talvez Charlie estivesse na máfia, e usando minha conta para fazer lavagem de dinheiro. Não, eu não conseguia imaginar Charlie na máfia. Talvez fosse Phil. Quão bem nós conhecíamos Phil, afinal de contas?

A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e ela fez um gesto com o queixo em direção a cadeira dobrável de metal que ficava de frente para a mesa dela. Ela estava rabiscando apressadamente na parte de trás de um envelope. Eu sentei, me perguntando se Phil tinha um passado obscuro, e se eu ia parar na cadeia.
“Obrigada, sim. Eu acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por sua ajuda”, a Sra. Gerandy desperdiçou um sorriso para o receptor do telefone antes de desligar. Ela não parecia estar com raiva ou sombria. Mais pra excitada e confusa. Isso me lembrou da Sra. Stanley no corredor. Por um segundo eu pensei em pular pela porta e assustar ela.
Mas a Sra. Gerandy falou.
“Bem, eu acho que tenho boas notícias para você... Apesar de não conseguir imaginar você pode não ter sido informada disso”. Ela me encarou criticamente, como se ela estivesse esperando que eu desse um tapa na minha testa e dissesse, oh, ESSES vinte mil. Eu esqueci completamente!
“Boas notícias?” Eu testei. As palavras implicavam que esse erro era complicado demais pra ela desvendar, e ela tinha a impressão de que eu era mais rica do que n’so pensávamos alguns minutos atrás.
“Bem, se você realmente não sabe... parabéns então! Você ganhou uma bolsa de estudos de...” ela olhou para suas anotações rabiscadas “o Fundo do Pacífico Noroeste”.
“Uma bolsa de estudos?” eu repeti sem acreditar.
“Sim, isso não é excitante? Minha nossa, você poderá ir pra qualquer faculdade que quiser!”
Foi precisamente nesse momento, enquanto ela balbuciava alegremente pela minha boa sorte, que eu soube exatamente de onde tinha vindo o dinheiro. Apesar da repentina onda de raiva, suspeita, ultraje e dor, eu tentei falar calmamente.
“Uma bolsa de estudos que deposita vinte mil dólares na minha conta”, eu notei. “Ao invés de pagar isso a escola. Sem ter nenhuma forma de se certificar de que eu vou usar o dinheiro para a escola”.
Minha reação fez ela corar. Ela pareceu ofendida pelas minhas palavras.
“Seria muito pouco sábio não usar esse dinheiro com os fins que foram propostos pra ele, Bella, querida. Essa é uma chance única na vida”.
“É claro”, eu disse amargamente. “E esse Fundo do Pacífico Noroeste mencionou porque eles me escolheram?”
Ela olhou pra suas anotações de novo, uma pequena careta no rosto por causa do meu tom.
“É um grande prestigio – eles não dão essa bolsa de estudo todos os anos”.
“Aposto que não”.
Ela olhou pra mim e desviou o olhar rapidamente. “O banco em Seattle que gerencia o fundo me passou para o homem que administra as entregas as bolsas de estudos. Ele disse que essa bolsa de estudos é dada baseada em mérito, gênero e locação. Ela é direcionada a estudantes do sexo feminino de cidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em uma cidade maior”.
Parecia que alguém estava achando que era engraçado.
“Mérito?” eu perguntei desaprovando. “Eu tenho uma média de três ponto sete. Eu posso nomear três garotas que tem notas melhores que as minhas, e uma delas é Jessica. Além do mais – eu nunca me inscrevi pra essa bolsa de estudos”.
Ela estava muito corada agora, pegando uma caneta e colocando-a na mesa de novo, mexendo no pendente que ela usava entre o dedão e o indicador. Ela procurou nas anotações novamente.
“Ele mencionou isso...” Ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza do que fazer com a minha atitude. “Eles não aceitam inscrições. Eles procuram inscrições rejeitadas por outras bolsas de estudos e escolhem estudantes que eles acham que foram injustamente ignorados. Eles pegaram o seu nome pela inscrição que você mandou para a assistência financeira baseada em mérito da Universidade de Washington.”
Eu senti os cantos da minha boca virando pra baixo. Eu não sabia que aquela inscrição havia sido rejeitada. Era uma coisa que eu tinha enviado há muito tempo atrás, antes...
E eu não havia pensado em nenhuma outra possibilidade, apesar de que os prazos estavam passando por mim. Eu não parecia conseguir me focar no futuro. Mas a Universidade de Washington era o único lugar que poderia me manter perto de Forks e de Charlie.
“Como eles conseguem as inscrições recusadas?” Eu perguntei em tom baixo.
“Eu não tenho certeza, querida”. A Sra. Gerandy não estava feliz. Ela queria excitação e estava recebendo hostilidade. Eu queria ter alguma forma de explicar que a negatividade não era pra ela. “Mas o administrador deixou o número dele caso eu tivesse alguma pergunta – você mesma poderia ligar pra ele. Eu tenho certeza que ele poderia te assegurar de que esse dinheiro realmente é para você”.
Disso eu não tinha dúvida. “Eu gostaria desse número”.
Ela escreveu rapidamente num pedaço amassado de papel. Eu fiz uma nota mental de doar anonimamente um bloco de post-its para o banco.
O número era interurbano. “Eu não suponho que ele tenha deixado um endereço de e-mail?” Eu perguntei ceticamente. Eu não queria aumentar a conta telefônica de Charlie.
“Na verdade, ele deixou”, ela sorriu, feliz por ter alguma coisa que eu parecia querer. Ela se inclinou na mesa para escrever outra linha no meu borrão.
“Obrigada, eu vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa”. Minha boca era uma linha dura.
“Docinho”, a Sra. Gerandy disse hesitantemente. “Você devia estar feliz por isso. É uma grande oportunidade”.
“Eu não vou pegar vinte mil dólares que eu não mereci”, eu respondi, tentando manter o tom de ultraje fora da minha voz.
Ela mordeu o lábio, e olhou para baixo novamente. Ela também pensava que eu era maluca. Bem, eu ia fazer ela dizer isso em voz alta.
“O quê?” Eu quis saber.
“Bella...” Ela pausou e eu esperei com o dentes trincados. “É substancialmente mais que vinte mil dólares”.
“Perdão?” Eu asfixiei. “Mais?”
“Vinte mil é só o pagamento inicial, na verdade. De agora em diante você irá receber cinco mil dólares todo mês até o final da sua carreira na faculdade. Se você fizer pós-graduação, a bolsa de estudos continuará pagando por ela!” Ela ficou excitada de novo enquanto me dizia isso.
No início eu não consegui falar, eu estava lívida demais. Cinco mil dólares por mês por um período indeterminado de tempo. Eu queria quebrar alguma coisa.
“Como?” Eu consegui botar pra fora.
“Eu não entendo o que você quer dizer”.
“Como eu vou ganhar cinco mil dólares por mês?”
“Serão depositados em sua conta aqui”, ela respondeu, perplexa.

Houve um breve segundo de silêncio.
“Eu vou fechar a conta agora”, eu disse numa voz sem vida.
Eu levei quinze minutos para convencê-la de que estava falando sério. Ela tinha um inacabável suprimento de razões pelas quais isso era uma má idéia. Eu discuti calorosamente até que me ocorreu que ela estava preocupada em me entregar os vinte mil dólares. As pessoas carregavam tanto assim nas mãos?
“Olha, Sra. Gerandy”, eu assegurei ela. “Eu só quero sacar os meus mil e quinhentos. Eu apreciaria muito se você pudesse enviar o restante do dinheiro de volta para o lugar de onde ele veio. Eu vou acertar as coisas com esse –“ Eu chequei o borrão. “- Sr. Isaac Randall. Isso realmente é um erro”.
Isso pareceu relaxar ela.
Cerca de vinte minutos depois, com um rolo de quinze notas de cem, uma de vinte, uma de dez, uma de cinco, uma de um, e cinqüenta centavos no meu bolso, eu escapei do banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficaram lado a lado no balcão, olhando para mim com os olhos arregalados.


Cena dois: naquela mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacob pela primeira vez...

Eu abri a porta com um chute e puxei o meu fundo para a faculdade do bolso. Ele parecia bem pequeno enrolado como estava na palma da minha mão. Eu o enfiei em uma meia sem par e aí a enfiei de volta na gaveta de roupas de baixo. Provavelmente esse não era o esconderijo mais original, mas eu ia me preocupar em pensar em algo mais criativo mais tarde.
No meu outro bolso estava o papel amassado com o número do telefone de Isaac Randall e o seu endereço de e-mail. Eu o puxei pra fora e o coloquei no teclado do meu computador, aí apertei o botão, batendo o meu pé enquanto a minha tela ligava lentamente.
Quando eu estava conectada, eu abri a minha conta de e-mail gratuita. Eu procrastinei, demorando pra deletar a montanha de spams que haviam se acumulado desde o dia que eu havia escrito pra Renée. Eventualmente eu me livrei desse trabalho, e abri uma caixa de composição nova.
O endereço de e-mail era para ?irandall-, então eu presumi que ele ia diretamente para o homem que eu queria.

Querido Sr. Randall, eu escrevi.
Eu espero que você se lembre da conversa que teve esta tarde com a Sra. Gerandy no Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, e aparentemente você está com a impressão de que eu ganhei uma bolsa de estudos bastante generosa da Compania de Fundos do Pacífico Norte.
Eu lamento, mas não posso aceitar essa bolsa de estudos. Eu pedi que o dinheiro que eu já recebi fosse mandado de volta para a conta da qual ele veio, e fechei minha conta no Banco Federal de Forks. Por favor, premie outro candidato com a bolsa de estudos.
Obrigada, I. Swan


Eu levei alguns minutos pra faze-lo soar do jeito certo ? formal, e inquestionavelmente definitivo. Eu o li duas vezes antes de manda-lo. Eu não tinha certeza sobre que tipos de diretrizes o Sr. Randall havia recebido sobre a bolsa de estudos falsa, mas eu não podia ver nenhuma brecha na minha resposta.

* * *


Cena três: algumas semanas depois, pouco antes do ?encontro- de Bella e Jacob com as motos...

Quando eu voltei, eu peguei a correspondência enquanto entrava. Eu passei rapidamente as contas e as propagandas, até chegar na última carta na pilha.
Era um envelope comercial regular, endereçado a mim ? o meu nome estava escrito à mão, o que era incomum. Eu olhei com interesse para o endereço do remetente.
Interesse que rapidamente se transformou em náusea. A carta era do Fundo do Pacífico Norte, do Escritório de Relocações de Bolsas de Estudos. Não havia nenhum endereço de rua embaixo do nome.
Esse provavelmente era só um reconhecimento formal da minha recusa, eu disse pra mim mesma. Não havia nenhuma razão pra me sentir nervosa. Absolutamente nenhuma razão, exceto pelo pequeno detalhe que pensar demais em qualquer parte disso me mandaria diretamente para a terra dos zumbis. Somente isso.
Eu atirei o resto da correspondência na mesa para Charlie, juntei os meus livros na sala de estar, e corri escadas acima. Uma vez em meu quarto, eu tranquei a minha porta e rasguei o envelope. Eu tinha que me lembrar de ficar com raiva. Raiva era a chave.

Querida Srta. Swan.
Permita-me parabenizá-la formalmente por ter ganho pelos Fundos do Pacífico Norte a prestigiosa Bolsa de Estudos J. Nicholls. Essa bolsa de estudos não é presenteada com muita freqüência, e você deve ficar orgulhosa de saber que o Comitê de Relocações escreveu o seu nome unanimemente para a honra.
Houveram algumas pequenas dificuldades nas monções da sua bolsa de estudos, mas por favor não se preocupe. Eu estarei cuidando pessoalmente para que você seja posta pelo mínimo de inconvenientes possível. Por favor encontre o cheque anexo de vinte mil dólares; o prêmio inicial mais a sua primeira mesada mensal.
Mais uma vez eu te parabenizo pela sua realização. Por favor aceite os melhores desejos de toda a Corporação do Pacífico Norte para a sua futura careira escolástica.
Sinceramente,
I. Randall

Raiva não foi problema nenhum.
Eu olhei dentro do envelope e, certo o suficiente, havia um cheque lá dentro. -Quem são essas pessoas?? Eu rosnei através do meus dentes trincados, amassando a carta, com uma mão, transformando-a em uma bola apertada.
Eu marchei furiosamente até a minha lata de lixo, pra encontrar o número de telefone do Sr. Randall. Eu não me importava que fosse a longa distância ? essa ia ser um conversa muito curta.
-Oh, merda?, eu assobiei. A lixeira estava vazia. Charlie havia levado o meu lixo pra fora. Eu joguei o envelope com o cheque na minha cama e desamassei a carta de novo. Era um papel da companhia, com Departamento de Relocações de Bolsas de Estudos do Pacífico Norte escrito em um tom escuro de verde no topo, mas não havia nenhuma informação, nenhum endereço, nenhum número de telefone.
-Droga?.
Eu me sentei na beira da minha cama e tentei pensar claramente. Obviamente, eles iam me ignorar. Eu não tornar os meus sentimentos mais claros, então não tinha havido nenhum erro de comunicação. Provavelmente não faria diferença se eu ligasse.
Então só havia uma coisa a fazer.
Eu re-amassei a carta, amassei também o envelope com o cheque, e marchei escadas abaixo.
Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada em alto volume.
Eu fui até a pia da cozinha, e joguei as bolas de papel lá dentro. Aí, eu procurei dentro da nossa gaveta de coisas diversas até que encontrei uma caixa de fósforos. Eu acendi um, e o aproximei cuidadosamente em uma das pontas do papel. Eu acendi outro e fiz o mesmo. Eu quase acendi um terceiro, mas o papel estava incendiando meramente, então não havia necessidade de verdade.
-Bella?- Charlie chamou por cima do som da televisão.
Eu abri a torneira rapidamente, com uma sensação de satisfação enquanto a força da água transformava as chamas em uma meleca achatada e cinzenta.
-Sim, pai?- Eu joguei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei rapidamente.
-Você está sentindo cheiro de fumaça??
-Não, pai-.
-Hmph?
Eu limpei a pia, tendo certeza de que todas as cinzas haviam descido pelo ralo, e aí limpei os dejetos, só pra ter certeza.
Eu voltei para o meu quarto, me sentindo levemente satisfeita. Eles podiam me mandar todos os cheques que quisessem, eu pensei mal humorada. Eu sempre podia comprar mais fósforos quando os meus acabassem.
v * * *


Cena quatro: durante o período de tempo em que Jacob esteve evitando ela...

Nos degraus havia um pacote do FedEx. Eu o peguei com curiosidade, esperando um endereço da Flórida, mas ele havia sido mandado de Seattle. Não havia nenhum remetente no lado de fora da caixa.
Ele estava endereçado a mim, não a Charlie, então eu o levei até a mesa e rasguei a aba do papelão pra abri-lo.
Assim que eu vi a logo-marca verde escura do Fundo do Pacífico Norte, eu senti que a minha dor de estômago estava voltando. Eu caí na cadeira mais próxima sem olhar para a carta, a raiva se acumulando lentamente.
Eu não podia nem sequer me fazer lê-la, apesar dela não ser longa. Eu a puxei pra fora, a coloquei virada pra baixo em cima da mesa, e olhei relutantemente de volta para dentro da caixa, pra ver o que havia embaixo. Era um envelope inchado cor de baunilha. Eu estava com medo de abri-lo, mas com raiva suficiente pra abri-lo com um rasgão do mesmo jeito. A minha boca era uma linha dura enquanto eu rasgava o papel sem me preocupar em abrir pela aba. Eu já tinha coisas suficientes pra lidar agora. Eu não precisava de lembretes e nem da irritação.
Eu fiquei chocada, e mesmo assim não fiquei surpresa. O que mais podia ser além disso ? três bolos grossos de notas, apertados com força por um elástico de borracha. Eu não precisava olhar as denominações. Eu sabia exatamente o quanto eles estavam tentando forçar às minhas mãos. Seriam trinta mil dólares.
Eu levantei o envelope lentamente enquanto me levantava, e me virei pra joga-lo na pia. Os fósforos estavam no topo da gaveta de bobagens, exatamente onde eu os havia deixado da última vez. Eu tirei um e o acendi.
Ele queimava mais e mais perto dos meus dedos enquanto eu encarava o envelope odioso. Eu não conseguia fazer os meus dedos soltarem ele. Eu larguei o fósforo antes que ele me queimasse, o meu rosto se transformando em uma careta de desgosto.
Eu peguei a carta de cima da mesa, amassando-a em uma bola e atirando-a no outro recipiente da pia. Eu acendi outro fósforo e o joguei no papel, olhando com uma satisfação maliciosa enquanto ele queimava. Um aquecimento. Eu acendi outro fósforo. De novo, eu o segurei, queimando, acima do envelope. De novo, ele queimou quase até os meus dedos antes que eu o atirasse nas cinzas da carta. Eu simplesmente não conseguia me fazer queimar trinta mil dólares.
Então o que eu ia fazer com isso? Eu não tinha nenhum endereço pra manda-lo de volta ? eu tinha certeza de que essa companhia nem existia de verdade.
E aí me ocorreu que eu tinha um endereço.
Eu joguei o dinheiro de volta na caixa do FedEx, arrancando a etiqueta pra que se alguém chegasse a descobri-lo, fosse impossível liga-lo a mim, e andei de volta até a minha caminhonete, murmurando incoerentemente no caminho. Eu prometi a mim mesma que eu ia fazer uma coisa especialmente descuidada com a minha moto essa semana. Eu ia fazer acrobacias como uma dublê se fosse preciso.
Eu odiei cada centímetro do caminho enquanto eu vagava por entre as árvores obscurecidas, apertando os meus dentes até que a minha mandíbula estava doendo. Os pesadelos iam ser ferozes essa noite ? fazer isso era pedir que isso acontecesse. As árvores se abriam entre as samambaias, e eu dirigi raivosamente por elas, deixando uma fila dupla de gravetos quebrados, escoados atrás de mim. Eu parei perto dos degraus da frente, colocando a marcha em ponto morto.
A casa parecia exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabia que estava projetando os meus próprios sentimentos na aparência dela, mas isso não mudou a forma como ela parecia pra mim. Sendo cuidadosa pra não olhar pra fora pela janela, eu caminhei até a porta da frente. Eu desejei desesperadamente ser um zumbí novamente só por um minuto, mas a entorpecência já tinha passado da validade há muito tempo.
Eu coloquei a caixa cuidadosamente na entrada da casa abandonada, e me virei pra ir embora.
Eu parei no primeiro degrau. Eu não podia simplesmente deixar uma pilha de dinheiro na frente da porta. Isso era quase tão ruim quanto queimá-lo.
Com um suspiro, mantendo os meus olhos baixos, eu me virei de volta e peguei a caixa ofensiva. Talvez eu pudesse simplesmente doa-lo pra uma boa causa. Uma caridade pra pessoas com doenças sanguíneas, ou algo assim.
Mas eu estava balançando a cabeça enquanto voltava para a caminhonete. Esse era o dinheiro dele, e, maldição, ele ia ficar com ele. Se ele fosse roubado na frente da casa dele, era culpa dele, não minha.
A minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu simplesmente atirei a caixa com toda força que podia em direção à porta.
Eu nunca tive a melhor mira. A caixa bateu com força na janela da frente, deixando um buraco tão grande que parecia que eu havia atirado uma máquina de lavar.
-Aw, merda!? Eu asfixiei alto, cobrindo meu rosto com as mãos.
Eu devia saber que não importava o que eu fizesse, eu simplesmente ia piorar as coisas. Eu estava apenas devolvendo a propriedade dele. Era problema dele que ele tivesse transformado isso numa tarefa tão difícil. Além do mais, o som do vidro quebrando foi meio legal ? ele me fez sentir um pouco melhor de uma forma perversa.
Eu não me convenci de verdade, mas eu tirei a caminhonete do ponto morto e fui embora mesmo assim. Isso era o mais perto que eu podia chegar de devolver o dinheiro pra onde ele pertencia. E agora eu tinha uma boa entrada pra caixas para a prestação do mês que vem. Era o melhor que eu podia fazer.
Eu repensei isso centenas de vezes de chegar em casa. Eu procurei na lista telefônica procurando por vidraceiros, mas não haviam estranhos a quem eu pudesse pedir ajuda. Como era que eu ia explicar o endereço? Será que Charlie teria que me prender por vandalismo?


* * *

Cena cinco: a primeira noite que Alice retorna depois de ver Bella -cometendo suicídio?...
-Jasper não quis vir com você?-.
-Ele não aprova que eu esteja interferindo?
Eu funguei. -Você não é a única-.
Ela enrijeceu, e depois relaxou. -Isso tem alguma coisa a ver com o buraco na janela da frente da minha casa e a caixa cheia de notas de cem dólares no chão da sala de estar??
-Tem?, eu disse raivosamente. -Eu lamento pela janela. Aquilo foi um acidente?.
-Com você geralmente é. O que foi que ele fez?-
-Uma coisa chamada O Fundo do Pacífico Norte me deu um prêmio muito estranho e uma bolsa de estudos persistente. Não foi um disfarce muito bom. Quer dizer, eu não consigo imaginar que ele queria que eu soubesse que era ele, mas eu espero que ele não pense que eu sou tão estúpida?.
-Ora, aquele grande trapaceiro?, Alice murmurou.
-Exatamente?
-E ele me disse pra não olhar? Ela balançou a cabeça irritada.

* * *


Cena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto de Bella...

-Será que existe uma razão pela qual o perigo não pode resistir a você mais do que eu?- -O perigo não tenta-, eu murmurei.
-É claro, parece que você andou procurando o perigo ativamente. O que você estava pensando, Bella? Eu vi na cabeça de Charlie a quantidade de vezes que você esteve no pronto-socorro. Eu mencionei que estou furioso com você??
A voz baixa dele parecia mais dolorida do que furiosa.
-Porque? Não é da sua conta?, eu disse, envergonhada.
-Na verdade, eu me lembro especificamente de você prometendo que não faria nada descuidado?.
A minha réplica foi rápida. -E você não prometeu que não ia interferir?-
-Antes de você começar a passar dos limites?, ele qualificou cuidadosamente. -Eu estava mantendo a minha parte do acordo?.
-Oh, é mesmo? Três palavras, Edward: Fundo. Pacífico. Norte.?
Ele ergueu a cabeça pra olhar pra mim; a expressão dele estava toda confusa e inocente- inocente demais. Isso era uma denúncia por si só. -Isso devia significar alguma coisa pra mim??
-Isso é insultante.? Eu reclamei. -Quão estúpida você acha que eu sou??
-Eu não faço idéia do que você está falando?, ele disse, com os olhos arregalados. -Que seja?, eu rosnei.


* * *


Cena sete, a conclusão dessa seqüência: naquela mesma noite/manhã, quando eles chegaram na casa dos Cullen para a votação...

De repente, a luz da varanda de acendeu, e eu pude ver Esme de pé na porta. Seu cabelo esvoaçante, caramelado estava preso pra trás, e ela tinha uma espécie de espátula na mão.
-Estão todos em casa?? Eu perguntei esperançosamente enquanto subíamos os degraus.
-Sim, eles estão? Enquanto ela falava, as janelas abruptamente se encheram de luz. Eu olhei através da mais próxima delas pra ver quem havia reparado em nós, mas a panela com uma gosma grossa, cinza que estava no aparador da frente me chamou a atenção. Eu olhei para a macia perfeição do vidro, e me dei conta do que Esme estava fazendo na varanda com uma espátula.
-Oh, droga, Esme! Eu lamento muito por essa janela! Eu ia ?-
-Não se preocupe com isso?, ela interrompeu com uma risada. -Alice me contou a história, e eu tenho que dizer, eu não te culparia se você tivesse feito de propósito? Ela encarou o filho, que estava me encarando.
Eu ergui uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou uma coisa indistinta sobre cavalos de presente.

SE JACOB NÃO QUEBRASSE AS REGRAS (inclui o epílogo original)
A maior diferença (e é uma diferença enorme) entre o primeiro rascunho de New Moon e a cópia final é essa: originalmente, Bella nunca descobriu o que havia de errado com Jacob. Naquela época era um livro mais curto, que deixava de fora as setenta páginas cruciais nas quais Jacob e Bella dividem todos os seus segredos e fortalecem sua relação em uma coisa que transcende a amizade.
(Antes que você continue lendo, não deixe que esta versão te confunda. Não foi assim que -realmente aconteceu-. Enquanto o meu conhecimento do personagem de Jacob crescia, essa versão original parecia mais e mais inaceitável. (É claro que Jacob ia quebrar as regras ? ele é Jacob!) Isso é um esqueleto -, só ossos, nada de carne).
Tente imaginar isso: Bella vai até a casa de Jacob pra exigir a verdade sobre o -culto-. Jacob aparece com Sam e os outros, e aí concorda em conversar privadamente com Bella. Ele dispensa ela (na falta de uma palavra melhor pra descrever) e ela fica com o coração partido pela segunda vez no livro. Ok, isso tudo parece familiar. Mas aí naquela noite... nada acontece. Jacob não quebra as regras e entra pela janela dela pra conversar com ela. Jacob não dá nenhuma pista a ela, tentando ajuda-la descobrir o que ela já sabe. Bella ainda está isolada, sozinha. Ela não tem idéia de que Victoria está por aí, caçando ela, ou que os lobisomens estão por lá, protegendo ela.
Bella, no entanto, é persistente demais pra receber um não como resposta de Jacob. Ela não tem os mesmos problemas de auto-merecimento que interferiram em seu relacionamento com Edward de New Moon pra impedi-la aqui. Não, Jacob DEVE a ela mais que isso, droga, e ela vai cobrar o que lhe é devido.
Ela, porém, não consegue encontrar ele, e eventualmente a procura dela a leva até o topo dos penhascos. Ela se lembra de observar - a gangue- mergulhar em direção à plenitude ? vocês sabem como ela fica boba com suas alucinações. Mergulhar de penhascos é a inspiração dela nessa versão. Quando Jacob salva a vida dela dessa vez, a interação entre eles sofre uma virada de 180 graus da versão final...

-Como nós vamos sair daqui?- Eu tossi e botei as palavras pra fora. Eu estava com tanto frio agora que não conseguia sentir muito mais além do calor do corpo dele enquanto lê me segurava cuidadosamente acima das ondas, e as dores nas minhas costas. Parecia que a corrente estava puxando as minhas pernas, sem querer desistir, mas elas estavam dormentes e eu podia estar só imaginando.
-Eu vou te rebocar até a praia. Você vai ficar imóvel como se estivesse inconsciente e não vai lutar. Isso vai facilitar as coisas-.
-Jake-, eu disse ansiosamente. -A água é forte demais. Você provavelmente não va conseguir nem sozinho, quanto mais me levando-.
-Eu te pesquei, não foi?- Ele estava me segurando com força demais pra que eu údesse ver seu rosto, mas a voz dele estava presumida.
-Você pescou-, eu disse duvidosamente. -Como você fez isso? A corrente...- -Eu sou mais forte do que você-
Eu teria discutido, mas bem nessa hora a água resolveu sair do meu estômago.
-Tudo bem-, ele disse, quando eu terminei de vomitar. -Eu preciso te tirar daqui. Lembre-se, fique parada-.
Eu estava fraca demais pra discutir, mas eu estava morrendo de medo de abandonar a segurança das rochas e deixas as ondas me pegarem de novo. Reconciliada como eu estava com a idéia de que eu estava me afogando há dois minutos atrás, agora eu estava com medo. Eu não queria voltar para a escuridão. Eu não queria que a água cobrisse meu rosto novamente.
Eu pude sentir quando Jacob pulou da rocha. Eu estava de costas e ele estava me segurando por baixo dos braços enquanto se impulsionava para a costa. A água agitada nos alcançou, e eu entrei em pânico e comecei a chutar.
-Pare com isso-, ele disparou.
Eu lutei pra ficar imóvel, e era mais difícil do que eu havia imaginado, mesmo apesar dos meus membros exaustos, doloridos não quererem nada além de ficar imóveis. Foi incrível ? nós passamos através da água como se uma linha estivesse nos guiando até a costa. Jacob era o nadador mais forte que eu já havia visto. Os empurrões e apertos da corrente pareciam inúteis pra romper a forte rota que ele havia cortado através das ondas. E ele era rápido. Recorde mundial de velocidade.
Aí eu senti areia arranhando os meus joelhos.
-Tudo bem, você pode se levantar, Bella-.
Assim que ele me largou, eu caí de cara nas primeiras ondas que tinham a altura do meu joelho.
Ele me puxou pra fora antes que eu pudesse botar mais água pra dentro, me jogando com facilidade por cima de seu ombro e marchando pela areia. Ele não disse nada, mas a respiração dele parecia irritada.
-Bem ali-, ele murmurou pra si mesmo, e mudou de direção. Eu só pude ver, enquanto oscilava no ombro dele, seu pé descalço deixando pegadas enormes na areia molhada. Ele me colocou numa trilha de areia que realmente parecia seca. Estava escuro aqui ? eu me dei conta de que estávamos em uma caverna superficial que a maré havia separado das rochas. A chuva não podia me alcançar diretamente, mas pequenos salpicos de chuvisco chicoteavam na areia lá fora e batiam em mim.
Eu estava tremendo com tanta força que os meus dentes estavam se batendo ? o som parecia com o de castanholas em alto volume.
-Venha aqui-, Jacob disse, mas eu não tive que me mexer. Ele passou seus braços ao meu redor e me segurou com força em seu peito nu. Eu estremecia, mas ele estava imóvel. A pele dele estava quente demais ? como se a febre tivesse voltado.
-Você não está congelando?-, eu gaguejei.
-Não-
Eu me senti envergonhada. Não apenas ele tinha sido exponencialmente melhor que eu na água, mas agora ele tinha que me fazer parecer ainda mais fraca.
-Eu sou uma fracassada-, eu murmurei.
-Não, você é normal- A amargura estava lá na voz dele. Ele mudou de assunto rapidamente, sem me dar a chance de perguntar o que ele estava querendo dizer. -Será que você se importa em me dizer o que diabos você pensou que estava fazendo?- Ele quis saber. -Mergulhando do penhasco. Recreação-. Inacreditável, mas ainda havia água no meu estômago. Ela escolheu esse momento pra reaparecer.
Ele esperou até que eu pudesse respirar de novo. -Parece que você se divertiu-.
-Eu me diverti, até atingir a água. Será que não devíamos procurar alguma ajuda ou coisa assim?- Meus dentes ainda estavam se chocando, mas ele entendeu o que eu disse.
-Eles estão vindo-.
-Quem está vindo?- Eu perguntei, suspeitando, e surpresa.
-Sam e os outros-.
Eu fiz uma careta. -Como eles vão saber que precisamos de ajuda?- Meu tom estava cético. Ele bufou. -Porque eles me viram correr e me jogar no penhasco atrás de você-.
-Você estava me observando?- Eu acusei com fraco ultraje.
-Não, eu te ouvi gritar. Se eu tivesse te visto eu teria te parado. Aquilo foi muito estúpido, sabe-.
-Seus amigos fazem isso-.
-Eles são mais fortes que você-.
-Eu sou uma boa nadadora-. Eu protestei, apesar das provas em contrário.
-Em uma piscina de plástico-, ele discutiu. -Bella, tem um furação se formando aqui. Você não considerou isso nem um pouco?-
-Não-, eu admiti.
-Estúpida-, ele repetiu.
-É-. Eu concordei com um suspiro. Eu estava com muito frio e muito cansada.
-Fique acordada-, Jacob me sacudiu com força.
-Corta essa-, eu insisti. -Eu não vou dormir.-
-Então abra seus olhos-.
Verdadeiramente, eu não percebi que eles estavam fechados. Eu não disse isso a ele. Eu simplesmente os abri e disse. -Tá bom-.
-Jacob?- O chamado soou claramente apesar do barulho do vento e das ondas. A voz era muito profunda.
Jacob se inclinou pra longe pra não gritar no meu ouvido. -Na caverna, Sam!-
Eu não ouvi eles se aproximando. Abruptamente, a pequena caverna estava lotada de pernas marrom-escuras. Eu olhei pra cima, sabendo que meus olhos estavam cheios de desconfiança e raiva, consciente da proximidade de Jacob. Seus braços me protegiam, mas de repente eu senti eu era a protetora.
O rosto calmo de Sam foi a primeira coisa que eu vi. Uma confusa sensação de déjà vu me dominou. A caverna escura não era muito diferente da floresta à noite, e, de novo, eu estava fraca e desamparada a seus pés. Ele estava me salvando de novo. Eu encarei ele, incomodada.
-Ela está bem?- ele perguntou a Jacob com a voz segura do único adulto entre as crianças.
-Eu estou bem-, eu murmurei.
Ninguém me ouviu.
-Nós precisamos aquecê-la ? ela está ficando sonolenta- Jacob respondeu pra ele.
-Embry?- Sam chamou, e um dos garotos deu um passo à frente pra entregar uma pilha de cobertores a Jacob. O tom de comando na voz de Sam me irritou imensamente.
Era como se nenhum deles pudesse fazer alguma coisa até que ele desse permissão. Eu o encarei ferozmente enquanto Jacob enrolava os cobertores grossos ao meu redor.
-Vamos tirar ela daqui-, Sam instruiu calmamente. Ele se inclinou na minha direção com as mãos pra fora, mas parou quando eu me afastei dele.
-Eu levo ela, Sam-, Jacob disse, colocando seus braços embaixo de mim e me levantando fluidamente enquanto ficava de pé.
-Eu posso andar-, eu protestei.
-Tá bom-, Jacob me colocou de pé e esperou.
Meus joelhos fraquejaram. Sam me segurou enquanto eu caía; instintivamente, eu lutei contra as mãos dele.
Jacob me agarrou de novo, me puxando pra longe de Sam e me jogando em seus braços. Ele era ridiculamente forte pra sua idade. Eu fiz uma careta furiosa quando Sam apertou os cobertores ao meu redor.
-Paul, você está com aquela capa de chuva?-
Outro garoto deu um passo à frente sem dizer uma palavra e adicionou uma camada de plástico pra cobrir os cobertores.
Foi nesse ponto, embrulhada em camadas de proteção, que eu me dei cota de que Sam e os outros não estavam mais vestidos do que Jacob. Eu tinha presumido que Jacob havia tirado a maioria de suas roupas antes de pular atrás de mim, mas eles estavam todos de pés descalços e com os peitos nus, cada um deles usando apenas shorts ou um par de jeans cortados, pingando de tão molhados pela chuva. A chuva pingava de seus cabelos e deslizava em curvas pelo marrom suave dos seus peitos; eles não pareciam notar. Embaixo da minha pilha de cobertores, eu tremia incontrolavelmente e me sentia como um bebê ridículo.
-Vamos-, Sam ordenou, e eles saíram da caverna.
Havia uma trilha que seguia praia acima. Eles se moviam agilmente pelo caminho íngreme, Jacob tão rapidamente como o resto. Ninguém se ofereceu para ajuda-lo, e ele nunca pediu ajuda. Jacob não parecia estar incomodado por suas mãos não estarem livres. Ele nunca vacilou.
Sam e os outros três iam na nossa frente, e, enquanto eu observava subirem com facilidade pela montanha, eu fiquei surpreendida de ver o quanto eles combinavam bem o caminho natural. Eles se camuflavam harmoniosamente com as cores das rochas e das árvores, o movimento do vento; eles pertenciam a esse lugar.
Eu olhei pra Jacob, e ele combinava também. As nuvens e a tempestade e a floresta emolduravam seu novo rosto perfeitamente. Ele parecia até mais natural, mais em casa, do que o meu Jacob feliz já havia parecido em sua garagem caseira, o seu próprio reino. Isso era perturbador.
Nós havíamos chegado mais longe na estrada do que eu havia imaginado. Eu podia ver um vago caroço, com uma cor ruiva à Sul, e eu adivinhei que ele fosse minha caminhonete. Eu queria tentar caminhar de novo, mas Jacob ignorou meus rogos murmurados. Eles ficaram na extremidade da floresta, como se eles pudessem se mover com mais velocidade entre as árvores do que na estrada. E eles estavam se movendo rapidamente; a minha caminhonete estava se aproximando mais rapidamente do que devia.
-Onde estão as suas chaves?- Jacob perguntou enquanto nos aproximávamos. A respiração dele ainda estava uniforme e regular.
-No meu bolso-, eu respondi automaticamente antes de me dar conta do que ele estava sugerindo.
-Dê elas pra mim-.
Eu encarei ele, mas o rosto dele estava calmo e determinado. Solenemente, eu forcei minha mão a entrar no meu jeans molhado e procurei minha chave. Eu afastei os cobertores até que minha mão estava livre. Eu a levantei.
-Pra você ou pra Sam?- eu perguntei amargamente.
Ele revirou os olhos. -Eu vou dirigir-.
Em um movimento súbito, rápido, ele inclinou a cabeça na minha direção e arrancou a chave da minha mão com os dentes.
-Hey!- eu me opus, assustada, enquanto pulava nos braços dele.
Ele sorriu maliciosamente através da chave.

A seção anterior pareceu uma boa introdução para o epílogo original de New Moon. Enquanto nós continuamos nesse universo alternativo, lembre que, enquanto Bella sabe que há algo errado com Jacob, ela ainda não faz idéia de que ele é um lobisomem. No epílogo, ela e Edward estão juntos de novo em Forks, e as coisas estão de volta ao normal...

New Moon - Notícias de Rosalie
O telefone no meu bolso vibrou de novo. Era a vigésima quinta vez em vinte e quatro horas. Eu pensei em abrir o telefone, pelo menos pra ver quem estava tentando entrar em contato comigo. Talvez fosse importante. Talvez Carlisle precisasse de mim.
Eu pensei nisso, mas eu não me movi.
Eu não estava precisamente certo de onde eu estava. Algum sótão onde eu só podia me arrastar, cheio de ratos e baratas. As aranhas me ignoraram, e os ratos me deram bastante espaço. O ar estava pesado com os cheiros fortes de óleo de cozinha, carne rançosa, suor humano, e a camada praticamente sólida de poluição que na verdade era visível no ar úmido, como se fosse uma camada preta por cima de tudo.
Abaixo de mim, quatro andares de uma habitação raquítica do gueto estavam atreladas de vida. Eu não me importei em separar os pensamentos das vozes - elas faziam um grande barulho, alto em Espanhol que eu não escutava. Eu só deixei os sons saltarem por cima de mim. Inexpressivo. Tudo isso era inexpressivo. Minha própria existência era inexpressiva. O mundo inteiro era inexpressivo.
Minha testa estava pressionada nos meus joelhos, e eu me perguntei quanto tempo mais eu seria capaz de agüentar tudo isso. Talvez isso tudo fosse desesperançado.
Talvez, se a minha tentativa já estava mesmo predestinada ao fracasso, eu devia parar de me torturar e simplesmente voltar...
A idéia era poderosa, tão curativa - como se as palavras contivessem um forte anestésico, levando embora a montanha de dor na qual eu estava enterrado - que me deixou ofegante, me fez ficar tonto.
Eu podia ir embora agora, eu podia voltar.
O rosto de Bella, sempre atrás das minhas pálpebras, sorriu pra mim.
Era um sorriso de boas vindas, de perdão, mas ele não teve o efeito que o meu subconsciente provavelmente esperava que ele tivesse.
É claro que eu não podia voltar. O que era a minha dor, afinal, em comparação com a felicidade dela? Ela devia ser capaz de sorrir, livre do medo e do perigo. Livre de esperar por um futuro sem alma.
Ela merecia mais que isso. Ela merecia mais que eu. Quando ela deixasse esse mundo, ela deveria ir para um lugar melhor que foi pra sempre trancado pra mim, não importava o quanto eu me comportasse bem aqui.
A idéia da separação final era muito mais intensa do que a dor que eu já sentia. Meu corpo tremeu com ela. Quando Bella fosse para o lugar onde ela pertencia e eu nunca poderia ir, eu não ficaria pra trás aqui. Deve haver o esquecimento. Deve haver o alívio.
Essa era a minha esperança, mas não haviam garantias. Dormir, por acaso sonhar.
Sim, há a dor, eu citei para mim mesmo. Quando eu virasse cinzas, será que mesmo assim de alguma forma eu ainda sentiria a tortura da perda dela?
Eu estremeci de novo.
E, maldição, eu havia prometido. Eu havia prometido a ela que nunca mais assombraria a sua vida, trazendo os meus demônios negros pra dentro dela. E eu não ia dar pra trás com a minha palavra. Será que eu não podia fazer nada de correto por ela? Absolutamente nada? A idéia de voltar para a cidadezinha nublada que sempre foi o meu verdadeiro lar nesse planeta serpenteou os meus pensamentos de novo.
Só pra checar. Só pra ver de ela está bem e a salvo e feliz. Não pra interferir. Ela nunca saberia que eu estava lá...
Não. Droga, não.
O telefone vibrou de novo.
-Maldição, maldição, maldição-, eu rosnei.
Eu podia usar isso como distração, eu pensei. Eu abri o telefone e olhei o número que estava registrado e senti o primeiro choque que havia sentido em meio ano.
Porque Rosalie estaria ligando pra mim? Ela provavelmente era a única pessoa que estava aproveitando a minha ausência.
Devia estar acontecendo alguma coisa realmente errada se ela estava precisando falar comigo. Repentinamente preocupado com a minha família, eu apertei o botão pra atender. -O que?-, eu perguntei tensamente.
-Oh, uau. Edward atendeu o telefone. Eu me sinto tão honrada-.
Assim que eu ouvi o tom dela, eu soube que minha família estava bem. Ela devia estar só entediada.
Era difícil saber as motivações dela sem ter os seus pensamentos como guia. Rosalie nunca fez muito sentido pra mim. Os impulsos dela geralmente eram baseados nas lógicas mais enroladas.
Eu fechei o telefone.
-Me deixe em paz-, eu sussurrei pra ninguém.
É claro que o telefone vibrou de novo.
Será que ela continuaria ligando até ter passado qualquer que fosse a mensagem que ela estava planejando pra me chatear? Provavelmente. Iam demorar meses até que ela se cansasse desse joguinho. Eu brinquei com a idéia de deixar ela apertar o botão de re-discagem pelo próximo anos inteiro... e depois eu suspirei e atendi o telefone de novo. -Acaba logo com isso-.
Rosalie se apressou nas palavras. -Eu pensei que você ia gostar de saber que Alice está em Forks-.
Eu abri os meus olhos e encarei as vigas de madeira corrida que ficavam a três centímetros do meu rosto.
-O que?-, minha voz estava vazia, sem emoção.
-Você sabe como Alice é - ela acha que sabe tudo. Como você.- Rosalie gargalhou sem humor. A voz dela tinha uma pontada de nervosismo, como se ela de repente estivesse insegura sobre o que estava fazendo.
Mas a minha raiva não deixou eu me importar em saber qual era o problema de Rosalie. Alice havia jurado que seguiria as minhas instruções em consideração á Bella, apesar dela não concordar com a minha decisão. Ela prometeu que deixaria Bella em paz... enquanto eu deixasse. Claramente ela achava que um dia eu ia me render á dor. Talvez ela estivesse certa em relação á isso.
Mas eu não havia. Ainda. Então o que ela estava fazendo em Forks? Eu queria torcer o pescoço magrelo dela. Não que Jasper fosse me deixar chegar assim tão perto dela, quando ele sentisse o poder da fúria em mim...
-Você ainda está aí, Edward?-
Eu não respondi. Eu apertei o osso do meu nariz com as pontas dos meus dedos, me perguntando de um vampiro podia tomar remédio pra dor de cabeça.
Por outro lado, se Alice já havia voltado...
Não. Não. Não. Não.
Eu havia feito uma promessa. Bella merecia uma vida. Eu havia feito uma promessa. Bella merecia uma vida.
Eu repeti as palavras como se fossem uma reza, tentando limpar da minha cabeça a imagem sedutora da janela escura de Bella. A porta de entrada para o meu único santuário. Sem dúvida eu teria que rastejar, quando eu voltasse. Eu não me importava com isso. Eu podia passar a próxima década de joelhos e feliz se eu estivesse com ela.
Não. Não. Não.
-Edward? Você nem se importa com o porque de Alice estar lá?-
-Não particularmente-.
A voz de Rosalie se tornou um pouco presumida agora, agradada, sem dúvida, por haver me forçado a responder. -Bem, é claro que ela não está exatamente quebrando as regras. Quer dizer, você só nos avisou pra que ficássemos longe de Bella, certo? O resto de Forks não importa-.
Eu pisquei meus olhos lentamente. Bella tinha ido embora? Meus pensamentos circularam ao redor dessa idéia inesperada. Ela ainda não havia se formado, então ela devia ter voltado para a mãe. Isso era bom. Ela deveria viver no sol. Era bom que ela tivesse sido capaz de colocar as sombras pra trás dela.
Eu tentei engolir, e não consegui.
Rosalie soltou uma risada nervosa. -Então você não precisa ficar com raiva de Alice-. -Então pra que foi que você me ligou, Rosalie, se não foi pra envolver Alice em problemas? Porque é que você está me incomodando? Ugh!-
-Espere!-, ela disse, pressentindo, com razão, que eu ia desligar o telefone de novo. -Não foi por isso que eu liguei-.
-Então porque? Me diga rápido, e depois me deixe em paz -Bem-, ela hesitou.
-Bota pra fora, Rosalie. Você tem dez segundos-.
-Eu acho que você devia voltar pra casa-, Rosalie disse com pressa. -Eu estou cansada desse pesar de Esme e de Carlisle que não sorri nunca. Você devia se envergonhar muito do que fez com eles. Emmett sente a sua falta o tempo todo e isso já está me deixando nervosa. Você tem uma família. Vê se cresce e pensa em alguém além de si mesmo-.
-Conselho interessante, Rosalie. Me deixe te contar uma historinha sobre um espelho...-
-Eu estou pensando neles, diferente de você. Será que você não se importa nem um pouquinho com o que está fazendo com Esme, se não com os outros? Ela ama mais você do que o resto de nós, você sabe disso. Venha pra casa-.
Eu não respondi.
-Eu pensei que quando essa coisa de Forks estivesse resolvida, você ia superar tudo-.
-Forks nunca foi o problema, Rosalie-, eu disse, tentando ser paciente. O que ela disse sobre Carlisle e Esme tinha atingido uma veia. -Só porque Bella- - era difícil dizer o nome dela em voz alta - -se mudou para a Flórida, isso não significa que eu sou capaz de... Olha, Rosalie.
Eu realmente lamento muito, mas, confie em mim, eu não faria ninguém mais feliz se eu estivesse aí-.
-Umm-
Lá estava, a hesitação nervosa de novo.
-O que é que você não está me contando, Rosalie. Esme está bem? Carlisle está -- -Eles estão bem. É só que... bem, eu não disse que Bella havia se mudado-.
Eu não falei. Eu repassei a conversa na minha cabeça. Sim, Rosalie havia dito que Bella tinha se mudado. Ela tinha dito:... Você só tinha nos avisado pra ficar longe de Bella, certo. O resto de Forks não importa. E depois:Eu pensei que quando essa coisa de Forks estivesse resolvida... Então Bella não estava em Forks. O que ela queria dizer com, Bella não havia se mudado?
Então Rosalie se apressou nas palavras de novo, as dizendo quase com raiva dessa vez. -Eles não quiseram te dizer, mas eu acho isso estúpido. Quanto mais rápido você superar isso, mais cedo as coisas vão voltar ao normal. Pra que deixar você feito um palerma nos esquinas escuras do mundo quando não existe necessidade pra isso?
Você pode voltar pra casa agora. Nós podemos ser uma família de novo. Está acabado-. Minha mente parecia estar se quebrando. Eu não conseguia entender o sentido das palavras dela. Era como se houvesse alguma coisa muito, muito óbvia que ela estava me dizendo, mas eu não tinha idéia do que era.
Meu cérebro brincou com a informação, fazendo estranhos padrões com ela. Sem sentido. -Edward?-
-Eu não entendo o que você está tentando me dizer, Rosalie-.
Uma longa pausa, a duração de algumas batidas de coração humano.
-Ela está morta Edward-.
Uma pausa mais longa.
-Eu... lamento. Porém, você tinha o direito de saber, eu acho. Bella... se jogou de um penhasco há dois dias atrás. Alice viu, mas era tarde demais pra fazer alguma coisa. Mas eu acho que ela teria ajudado, quebrado a palavra dela, se houvesse tido tempo.
Ela voltou pra fazer o que podia por Charlie. Você sabe como ela sempre se importou por ele --
O telefone ficou mudo. Eu levei alguns segundos pra perceber que havia desligado o telefone.
Eu me sentei na escuridão poeirenta com um tempo longo, congelado. Era como se o tempo tivesse acabado. Como se o universo tivesse parado.
Lentamente, me movendo como um homem velho, eu liguei o telefone de novo e liguei para o único número que eu prometi a mim mesmo que nunca ligaria de novo.
Se ela atendesse, eu ia desligar. Se fosse Charlie, eu ia pegar a informação que precisava por algum subterfúgio. Eu ia provar que a piadinha doentia de Rosalie estava errada, e depois ia voltar para o meu vazio.
-Residência dos Swan-, atendeu uma voz que eu nunca tinha ouvido antes. Uma voz de homem rouca, profunda, mas ainda jovem.
Eu não parei pra pensar nas implicações disso.
-Aqui é o Dr. Carlisle Cullen-, eu disse, imitando perfeitamente a voz de meu pai. -Será que eu poderia por favor falar com Charlie?-
-Ele não está aqui-, a voz disse, e eu fiquei levemente surpreso pela raiva contida nela. As palavras foram quase um rugido. Mas isso não importava.
-Bem, onde ele está então?-, eu quis saber, ficando impaciente.
Houve uma curta pausa, como se o estranho estivesse tentando esconder a informação de mim.
-Ele está no funeral-, o garoto finalmente respondeu.
Eu desliguei o telefone de novo.

NEW MOON - Erro de Calculo
Um pequeno murmúrio de som - não aqui, á umas centenas de metros ao norte - me fez pular. Minha mão agarrou automaticamente o telefone, trazendo o telefone mais pra perto e escondendo ele com o mesmo movimento.
Eu joguei meu cabelo por cima do ombro, dando uma olhadinha para as altas janelas que davam para a floresta. O dia estava escuro e sombrio; o meu próprio reflexo era mais claro do que as árvores e as nuvens. Eu olhei para os meus olhos arregalados, alarmados, os meus lábios estavam curvados pra baixo nos cantos, havia uma pequena ruga vertical entre as minhas sobrancelhas...
Eu fiz uma carranca, apagando a expressão de culpa e colocando uma de escárnio em seu lugar. Um escárnio atraente.
Ausentemente eu reparei o quanto aquela expressão furiosa combinava com o meu rosto, contrastando muito bem com o dourado benigno dos meus cachos grossos. Ao mesmo tempo, os meus olhos rastreavam a floresta vazia do Alaska, e eu fiquei aliviada de ver que eu ainda estava sozinha. O som não era nada - um pássaro ou a brisa.
Não havia motivo para alívio, eu disse pra mim mesma. Não há motivo para culpa. Eu não havia feito nada de errado.
Será que os outros estavam planejando nunca contar a verdade a Edward? Deixá-lo chafurdar na angústia em uma favela suja pra sempre, enquanto Esme vivia pesarosa e Carlisle ficava tentando adivinhar todos os seus passos e a alegria natural da existência de Emmett ia se secando junto com a sua solidão?
Como isso era justo?
Além do mais, não tinha jeito de esconder segredos de Edward por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde ele teria vindo nos encontrar, pra ver Alice ou Carlisle por algum motivo, e aí ele iria descobrir a verdade. Será que ele ia nos agradecer por termos mentido pra ele com o nosso silêncio? Dificilmente. Edward sempre tinha que saber de tudo; ele vivia por aquele sentido de onisciência. Ele teria um enorme acesso de fúria, e isso ia ficar ainda pior pelo fato de termos escondido a morte de Bella dele.
Quando ele se acalmasse e superasse toda essa bagunça, ele provavelmente ia me agradecer por ter sido a única a corajosa o suficiente pra ser honesta com ele. A quilômetros de distância, um gavião gritou; o som me fez pular e eu olhei para a janela de novo. Meu rosto continuava com a mesma expressão de raiva de antes, e eu rosnei pra mim mesma no vidro.
Tudo bem, então eu tinha a minha própria agenda. Será que era uma coisa tão ruim querer que a minha família estivesse junta de novo? Será que era tão egoísta sentia falta da paz de todos os dias, da alegria subjacente que eu já considerava garantida, a alegria que Edward havia levado com ele naquele avião?
Eu só queria as coisas do jeito como elas eram antes. O que havia de errado? Não parecia tão horrível. Afinal, eu não havia feito isso somente por mim, mas por todos. Esme e Carlisle e Emmett. Não tanto por Alice, apesar de eu ter pensado... Mas Alice tinha estado tão certa da forma como as coisas terminariam no final - que Edward seria incapaz de ficar longe da sua namoradinha humana - que ela nem se incomodou em lamentar. Alice sempre funcionou de um jeito diferente do resto de nós, trancada em sua realidade que estava sempre mudando. Já que Edward era o único que podia participar da sua realidade, eu pensei que a ausência dele seria mais difícil pra ela. Mas ela estava segura como sempre, vivendo o futuro, com sua mente em um tempo onde o seu corpo não podia alcançá-la. Sempre tão calma. No entanto, ela ficou frenética o suficiente quando viu Bella pular...
Será que eu havia sido muito impaciente? Agido rápido demais?
Eu precisava ser honesta comigo mesma, porque Edward veria cada pedacinho da petulância na minha decisão assim que ele chegasse em casa. Eu precisava saber das minhas más motivações e aceitá-las agora.
Sim, eu tinha inveja do jeito que Alice se sentia em relação á Bella. Será que Alice ia sair correndo com tanta pressa, tão louca de pânico, se ela tivesse visto que era eu pulando de um penhasco?
Será que ela precisava amar aquela garota humana comum tão mais do que a mim? Mas a inveja era só uma coisinha pequena. Eu posso ter apressado a minha decisão, mas não foi isso o que me controlou. Eu teria ligado pra Edward da mesma maneira.
Eu tinha certeza de que ele preferia a minha honestidade cega do que a decepção mais gentil dos outros. A bondade deles estava condenada desde o início; Edward ia ter que voltar pra casa eventualmente.
E agora ele ia voltar pra casa mais cedo.
Não era só da felicidade da minha família que eu sentia falta.
Honestamente eu tinha saudades de Edward também. Eu sentia falta das observações agudas dele, o humor negro que estava mais em sintonia com o meu próprio, do que o espírito ensolarado, e as piadas de Emmett. Eu sentia falta da música - o som dele no volume mais alto no seu estúdio improvisado, e do piano, o som de Edward tecendo os seus pensamentos geralmente remotos e deixando-os transparentes através da música. Eu sentia falta dele sussurrando na garagem ao meu lado enquanto tunávamos os carros, o único momento em que estávamos em perfeita sintonia.
Eu sentia falta do meu irmão. Certamente ele não me julgaria muito mal quando visse isso nos meus pensamentos.
Seria desconfortável por um tempo, eu sabia disso. Mas quanto mais cedo ele voltasse pra casa, mais cedo as coisas voltariam ao normal de novo...
Eu procurei em minha mente algum pesar por Bella, e fiquei satisfeita de ver que eu lamentava pela garota. Um pouco. Pelo menos, isso: ela fez Edward feliz de um jeito que eu nunca o havia visto antes. É claro, ela também o deixou mais infeliz do que qualquer outra coisa em seu século de vida. Mas eu ia sentir falta da paz que ela deu pra ele durante aqueles poucos meses. Eu realmente lamentava a perda dela.
Esse pensamento fez eu me sentir melhor em relação a mim mesma, complacente. Eu sorri para o meu próprio rosto no vidro, cercado pelos meus cabelos dourados e as paredes vermelhas da sala de estar longa, confortável de Tânia, e aproveitei a vista.
Quando eu sorria, não havia mulher ou homem nesse planeta, mortal ou imortal, que pudesse se comparar a mim em padrões de beleza. Esse era um pensamento confortante. Talvez eu não fosse a pessoa mais fácil pra se conviver. Talvez eu fosse superficial e egoísta. Talvez eu tivesse um caráter melhor se tivesse nascido com um rosto comum e um corpo sem graça. Talvez eu fosse mais feliz dessa forma. Mas isso era impossível de comprovar. Eu tinha a minha beleza; era uma coisa com a qual eu podia contar. Meu sorriso aumentou.
O telefone tocou e eu automaticamente apertei minha mão, apesar do som ter vindo da cozinha, não do meu pulso.
Eu soube imediatamente que era Edward. Ligando pra checar a informação que eu tinha dado. Ele não confiava em mim. Aparentemente, ele me achava cruel o suficiente pra fazer piada com isso. Eu fiz uma carranca enquanto me movimentava para a cozinha pra atender o telefone de Tânia.
O telefone estava bem na pontinha do longo balcão de açougue. Eu o peguei antes que o toque acabasse, e me virei para olhar para as portas Francesas enquanto atendia. Eu não queria admitir, mas eu sabia que estava esperando a volta de Emmett e Jasper. Eu não queria que eles me ouvissem falando com Edward. Eles iam ficar com raiva...
-Sim?-, eu respondi
-Rose, eu preciso falar com Carlisle agora-, Alice disparou.
-Oh, Alice! Carlisle está caçando. O que - ?-
-Tudo bem, assim que ele voltar-.
-O que é? Eu vou procurar por ele agora mesmo e pedir pra ele te ligar -- -Não-, Alice interrompeu de novo. -Eu vou estar num avião. Olha, você teve alguma notícia de Edward?-
Foi estranha a forma como o meu estômago revirou, ele pareceu descer no meu abdômen. O sentimento veio com um estranho dejá vu, uma fraca pontada de uma memória humana perdida a muito tempo.
Náusea...
-Bem, sim, Alice. Na verdade. Eu falei com Edward. Há apenas alguns minutos-. Por um breve segundo eu brinquei com a idéia de fingir que Edward tinha me ligado, só uma coincidência ocasional.
Mas é claro que não havia nenhuma necessidade de mentir. Edward ia me dar problemas quando voltasse pra casa.
Meu estômago começou a se apertar estranhamente, mas eu o ignorei. Eu decidi ficar com raiva. Alice não devia agir desse jeito comigo. Edward não queria mentiras; ele queria a verdade. Ele me apoiaria nisso quando voltasse pra casa.
-Você e Carlisle estavam errados-, eu disse. -Edward não ia gostar de ser enganado. Ele queria a verdade. Queria sim. Então eu a dei pra ele. Eu liguei pra ele... Eu o liguei muito-, eu admiti. -Até que ele atendeu. Deixar uma mensagem teria sido... errado-.
-Porque?-, Alice asfixiou. -Porque você faria isso, Rosalie?-
-Porque quando mais cedo ele se acostumar com isso, mais cedo as coisas voltarão ao normal. As coisas não iam se facilitar com o tempo, então pra que atrasar? O tempo não vai mudar nada. Bella está morta. Edward irá se lamentar e depois ele vai superar. É melhor ele começar agora do que mais tarde-.
-Bem, no entanto, você está errada das duas formas, Rosalie, então isso seria um problema, você não acha?-, Alice perguntou num tom furioso, violento.
Errada das duas formas? Eu pisquei rapidamente, tentando entender.
-Bella ainda está viva?-, eu sussurrei, sem acreditar nas palavras. Só tentando descobrir a que formas Alice estava se referindo.
-Sim, é isso mesmo. Ela está absolutamente bem --
-Bem? Você viu ela pulando de um penhasco!-
-Eu estava errada-
As palavras pareciam tão estranhas na voz de Alice. Alice, que nunca estava errada, que nunca era pega de surpresa...
-Como?-, eu cochichei.
-É uma longa história-.
Alice estava errada. Bella estava viva. E eu tinha dito...
-Bem, você fez uma tremenda confusão-, eu rosnei, transformando o meu pesar em acusação. -Edward vai ficar furioso quando voltar pra casa-.
-Mas você está errada sobre essa parte também-, Alice disse. Eu podia notar que ela estava falando por entre os dentes. -É por isso que eu estou ligando...-
-Errada sobre o que? Edward voltar pra casa? É claro que ele vai-, eu ri de zombaria.
-O que? Você acha que ele vai dar uma de Romeu? Ha! Como algum estúpido, romântico -- -Sim-, Alice assobiou, a voz dela estava como gelo. -Foi exatamente isso o que eu vi-.
A dura convicção das palavras dela fizeram os meus joelhos ficarem esquisitamente instáveis. Eu me agarrei ao suporte de madeira da parede pra ter apoio - apoio que o meu corpo duro como diamante não precisava. -Não. Ele não é tão estúpido. Ele - ele deve se dar conta disso - -
Mas eu não consegui terminar o resto da frase, porque eu podia na minha cabeça, uma visão de mim mesma. Uma visão de mim. Uma visão impensável da minha vida se Emmett deixasse de existir. Eu estremeci horrorizada pela idéia.
Não - não havia comparação. Bella era só uma humana. Edward não queria que ela fosse imortal, então não era o mesmo. Edward não podia sentir o mesmo!
-Eu - eu não queria que as coisas fossem assim, Alice! Eu só queria que ele voltasse pra casa!-, minha voz era quase um uivo.
-É um pouco tarde pra isso, Rose-, Alice disse, mais dura e mais fria do que antes. -Guarde o seu remorso pra alguém que acredite nele-.
Houve um click, e depois o som da linha.
-Não-, eu sussurrei. Eu balancei minha cabeça lentamente por um momento. -Edward tem que voltar pra casa-.
Eu olhei para o meu rosto no painel de vidro das portas Francesas, mas eu não conseguia mais vê-lo. Era só um vulto sem forma de branco e dourado.
Depois, apesar de tudo, á distância na mata, uma enorme árvore desabou erraticamente, fora de contexto com o resto da floresta. Emmett.
Eu arranquei a porta pra fora do meu caminho. Ela fez um barulho agudo contra a parede, mas o som estava muito atrás de mim enquanto eu corria em direção ao verde. -Emmett!-, eu gritei. -Emmett, socorro!-

A AUTORA NÃO PUBLICOU CENAS OU CAPÍTULOS DE ECLIPSE NEM DE BREAKING DAWN.

Um comentário :

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domingo, setembro 19, 2010

PARTES CORTADAS DO LIVRO TWILIGHT – CREPÚSCULO




Twilight - Badminton

(Observações: esta cena foi cortada do capítulo 11, "Complicações". Me incomodou tirá-la, mas eu não conseguia entender por que, então eu deixei pra lá. Quando era tarde demais para colocar isso de volta, eu finalmente percebi o que estava me perturbando. Mesmo que eu tenha feito referências ao desajeito da Bella em Educação Física várias vezes, eu nunca mostrei isso realmente. Essa foi a única vez que Edward estava "assistindo", e, assim, o lugar natural para mostrar essa falta de jeito. E agora minha explicação é quase maior que a cena cortada!)

Eu entrei no ginásio com a cabeça no ar, mancando. Eu me arrastei até o vestiário, trocando de roupa como se estivesse em transe, apenas vagamente consciente das pessoas que estavam ao meu redor. A realidade não me alcançou realmente até que alguém colocou uma raquete na minha mão. Ela não era muito pesada, mas mesmo assim parecia ser muito insegura na minha mão. Eu podia ver alguns outros garotos da minha aula me olhando furtivamente. O treinador Clapp ordenou que nós fizéssemos pares para o jogo.
Misericordiosamente, alguns vestígios do cavalheirismo de Mike ainda sobreviviam; ele veio ficar ao meu lado.
- Você quer ser minha parceira? - ele perguntou alegremente.
- Obrigada, Mike. Você não precisa fazer isso, sabe. - Eu fiz uma careta.
- Não se preocupe, eu vou me manter fora do seu caminho. - Ele sorriu. Às vezes é tão fácil ser aficionada por Mike.
As coisas não foram suaves. Eu tentei manter a distância para que Mike continuasse o jogo com a peteca, mas o treinador Clapp veio até nós e ordenou que ele permanecesse no seu lado da quadra para que eu pudesse participar. Ele ficou lá, observando, para que suas ordens fossem cumpridas.
Com um suspiro, eu pisei numa parte mais centralizada da quadra, segurando minha raquete pra cima, quase animadamente.
A garota do outro time sorriu maliciosamente enquanto dava o saque na peteca - eu devo tê-la machucado nas seções de basquete - arremessando-a a apenas alguns passos depois da rede, diretamente na minha direção.
Eu pulei desastradamente para frente, balançando a raquete na direção da pequena peste de borracha, mas eu esqueci de levar a rede em conta. A minha raquete saltou de volta da rede com uma força surpreendente, pulando da minha mão e batendo na minha testa antes de atingir o ombro de Mike quando ele correu para frente pra tentar rebater a peteca que eu já havia perdido completamente.
O treinador Clapp tossiu, ou abafou uma risada.
- Lamento, Newton - ele murmurou, saindo de perto para que pudéssemos voltar às nossas posições antigas, menos perigosas.
- Você está bem? - Mike perguntou, massageando o ombro, assim como eu estava fazendo com a minha testa.
- É, você está? - eu perguntei, submissa, escondendo a minha arma.
- Eu acho que vou sobreviver. - Ele balançou o braço num círculo, pra ter certeza de que ainda tinha total controle dos movimentos.
- Eu vou estar aqui atrás. - Eu caminhei de volta para o canto, no fundo da quadra, segurando a minha raquete cuidadosamente atrás das minhas costas.

Twilight - Compras com Alice

(Notas: Vocês vão reconhecer partes desse capítulo - pequenas partes sobreviveram e foram combinadas com o que é agora o Capítulo 20 ("Impaciência"). Este capítulo diminuiu o ritmo da parte da "caçada" da história, mas eu senti que havia cortado muito da personalidade da Alice quando o sacrifiquei.)
O carro era brilhante, preto e poderoso; as janelas dele eram tingidas como as janelas de uma limusine. O motor ronronava como um gato enorme enquanto nós acelerávamos pela noite profunda.
Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se importar, mas o musculoso carro continuava a voar em frente com perfeita precisão.
Alice sentou-se comigo no banco traseiro de couro preto. De alguma forma, durante a longa noite, a minha cabeça havia acabado encostada no pescoço de granito dela, com os braços frios dela me enrolando, sua bochecha pressionada no topo da minha cabeça. A frente da camisa fina de algodão dela estava fria, úmida com as minhas lágrimas. De vez em quando, se a minha respiração acabava ficando desigual, ela murmurava suavemente; com a sua voz rápida, alta, os encorajamentos pareciam uma canção. Para me manter calma, eu me concentrei no toque da sua pele fria; isso parecia ser uma conexão física com Edward.
Os dois haviam me assegurado - quando eu me dei conta, o pânico tomou conta de mim, todas as minhas coisas ainda estavam na caminhonete - que deixar tudo para trás era necessário, alguma coisa a ver com o cheiro. Eles disseram para eu não me preocupar com roupas ou com dinheiro. Eu tentei confiar neles, fazendo um esforço para ignorar o quanto eu estava desconfortável com as roupas de Rosalie que não me serviam direito. Isso era uma coisa trivial para a mente.
Nas rodovias macias, Jasper nunca dirigiu o carro musculoso a menos de cento e vinte milhas por hora. Ele parecia extremamente inconsciente dos limites de velocidade, mas nós não vimos nenhum carro de patrulha. As únicas paradas que fizemos durante a viagem monótona foram as duas vezes em que paramos pra reabastecer.
Eu percebi à toa que Jasper entrou as duas vezes pra fazer o pagamento em dinheiro.
O nascer do sol começou a aparecer quando estavamos em algum lugar ao norte da Califórnia. Eu observei com os olhos secos, ardendo, enquanto uma luz cinzenta começava a aparecer no céu sem nuvens.
Eu estava exausta, mas o sono me iludia, minha mente estava muito cheia de imagens perturbadoras pra relaxar e ficar inconsciente. A expressão devastada de Charlie; o rugido brutal de Edward, com os dentes descobertos; o olhar afiado nos olhos do perseguidor; a expressão vazia de Laurent; o olhar morto nos olhos de Edward depois que ele me beijou pela última vez... Elas eram como slides passando na frente dos meus olhos, os meus sentimentos se alternavam entre terror e desespero.
Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse pra pegar comida pra mim. Mas eu balancei a minha cabeça, cansada, e disse com uma voz oca para ele continuar dirigindo.
Algumas horas depois, num subúrbio fora de Los Angeles, Alice falou suavemente com ele de novo e ele saiu da rodovia, fazendo soar meus protestos febris. Um grande shopping era visível da estrada e ele dirigiu naquela direção, estacionando na garagem, embaixo do nível dos estacionamentos subterrâneos.
- Fique com o carro - ela instruiu Jasper.
- Você tem certeza? - Ele parecia apreensivo.
- Eu não vejo ninguém aqui - ela disse. Ele balançou a cabeça, consentindo.
Alice pegou minha mão e me tirou do carro. Ela segurou minha mão, me mantendo próxima, ao seu lado, enquanto saíamos da garagem escura. Ela ficou à beira da garagem, ficando na sombra. Eu percebi como a pele dela parecia brilhar com a luz que refletia na calçada. O shopping estava lotado, muitos grupos de compradores passaram, alguns deles viraram as cabeças para nos ver passando. Nós caminhamos por baixo de uma ponte que cruzava do nível mais alto dos estacionamentos até o segundo andar de uma loja de departamentos, sempre nos mantendo fora dos caminhos da luz do sol.
Quando estávamos do lado de dentro, embaixo das luzes fluorescentes da loja, Alice pareceu menos impressionante - somente uma garota com pele cor de giz e olhos alertas, mas sombreados, e com o cabelo espetadinho. Os círculos embaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do que os dela.
Nós ainda chamávamos a atenção de qualquer que olhasse para o nosso caminho. Eu me perguntei o que eles pensavam que estavam vendo. A Alice delicada, dançante, com o seu estonteante rosto de anjo, vestida com tecidos leves, em cores pálidas que não se comparavam exatamente com o tom de pele dela, de mãos dadas comigo, obviamente me guiando pelo caminho, enquanto eu cambaleava cansada nas minhas roupas que não ficavam bem, mas que eram caras, o meu cabelo embaraçado nas minhas costas.
Alice me guiou diretamente para o centro alimentício.
- O que você quer comer?
O cheiro das comidas gordurosas fez o meu estômago revirar. Mas os olhos de Alice não estavam abertos a persuasão. Eu pedi um sanduíche de peru, sem o menor entusiasmo.
- Eu posso ir ao banheiro? - eu perguntei enquanto nós íamos para a fila.
- Tudo bem. - E ela mudou de direção, sem nunca soltar a minha mão.
- Eu posso ir sozinha. - A atmosfera lotada do shopping me fez sentir mais normal do que eu havia me sentido desde o jogo desastroso da noite do dia anterior.
- Desculpa, Bella, mas Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, e se ele ver que eu deixei você sair de vista por um minuto... - Ela parou, sem vontade de contemplar as conseqüências.
Pelo menos ela esperou do lado de fora do banheiro lotado. Eu lavei o meu rosto assim como as minhas mãos, ignorando os olhares assustados das mulheres ao meu redor. Eu tentei passar os dedos pelos meus cabelos, mas eu desisti rapidamente. À porta, Alice pegou minha mão e nós caminhamos lentamente de volta para a fila da comida. Eu estava me arrastando, mas ela não pareceu impaciente comigo.
Ela me observou comendo, devagar no início e depois mais rapidamente quando o meu apetite voltou. Eu bebi o refrigerante que ela me trouxe tão rapidamente que ela teve que me deixar por um momento - porém, sem tirar os olhos de cima de mim - pra pegar outro.
- A comida que você come é definitivamente mais conveniente - ela comentou enquanto eu terminava. - Mas ela não parece muito divertida.
- Caçar é mais excitante, eu imagino.
- Eu não tenho idéia. - Ela meu um sorriso largo que mostrava todos os dentes e várias cabeças se viraram na nossa direção.
Depois de jogar o nosso lixo fora, ela me guiou pelos grandes corredores do shopping, os olhos dela brilhando de vez em quando em direção a alguma coisa que ela queria, me fazendo bater com ela a cada vez que ela parava. Ela parou por um momento numa loja cara para comprar três pares de óculos escuros, dois femininos e um masculino. Eu reparei quando o vendedor lançou a ela um olhar incrédulo quando ela lhe deu um cartão de crédito estranho, cheio de listras douradas. Ela encontrou uma loja de acessórios, na qual ela comprou uma escova e alguns elásticos.
Ela não começou a trabalhar até que nós chegamos ao tipo de loja onde eu nunca tinha entrado, porque até o preço de um par de meias estaria fora das minhas possibilidades.
- Você deve ser tamanho dois. - Isso era uma afirmação, não uma pergunta.
Ela me usou como burro de carga, me enchendo com uma pilha estonteante de roupas. De vez em quando eu a via pegando um tamanho extra-pequeno enquanto ela escolhia alguma coisa para si mesma.
As roupas que ela escolhia para ela eram todas de materiais leves, mas sempre de mangas longas ou no comprimento dos calcanhares, que serviriam para cobrir a pele dela o máximo possível.
A vendedora teve a mesma reação ao cartão de crédito estranho, se tornando mais servil e chamando Alice de "senhorita". No entanto, o nome que ela disse não era familiar. Assim que estávamos fora do shopping de novo, com os braços cheios com as nossas sacolas, das quais ela tinha a parte maior, eu perguntei a ela sobre isso.
- Do que ela te chamou?
- O cartão de crédito diz Rachel Lee. Nós vamos ser muito cuidadosos para não deixar nenhum tipo de pista para o perseguidor. Vamos trocar as suas roupas.
Eu pensei nisso enquanto ela me guiava para os provadores, me puxando até a parte mais livre para que eu tivesse espaço para me movimentar.
Eu a ouvi procurando pelas sacolas, finalmente passando um vestido de algodão azul para mim pela porta. Eu tirei agradecidamente os jeans muito longos e muito apertados de Rosalie, tirei a blusa que ficava folgada nos lugares errados em mim e passei de volta para ela pela porta. Ela me surpreendeu me passando um par se sandálias de couro suave por baixo da porta, quando foi que ela comprou isso? O vestido ficou incrivelmente bem em mim, o corte caro ficava aparente pela forma com que ele se ajustava em mim.
Enquanto eu saía da cabine, eu percebi que ela estava jogando as coisas de Rosalie no lixo.
- Fique com os seus tênis - ela disse. Eu os coloquei numa bolsa.
Nós voltamos para a garagem. Alice chamou menos olhares dessa vez; ela estava tão coberta de sacolas que a pele dela mal estava visível.
Jasper estava esperando. Ele escorregou pra fora do carro quando nós nos aproximamos - a mala estava aberta. Enquanto ele pegava as minhas sacolas primeiro, ele olhou para Alice com um olhar mordaz.
- Eu sabia que deveria ter ido junto - ele murmurou.
- Sim - ela concordou. - Elas teriam te adorado no banheiro feminino.
Ele não respondeu.
Alice procurou rapidamente entre as sacolas dela antes de colocá-las na mala. Ela deu a Jasper um par de óculos, colocando um par nela mesma. Ela me deu o terceiro par e a escova. E ela puxou uma blusa fina, de mangas longas, de um preto transparente, colocando-a por cima da sua camiseta, deixando-a aberta. Finalmente, ela complementou com um chapéu de palha. Nela, a roupa larga parecia ter saído de uma passarela. Ela agarrou mais uma porção de roupas e, enrolando elas como uma bola, ela abriu a porta de trás e fez um travesseiro no banco.
- Você precisa dormir agora - ela ordenou firmemente. Eu me agachei obedientemente no banco, encostando a minha cabeça imediatamente, virando-me de lado. Eu estava meio adormecida quando o carro ligou.
- Você não deveria ter me comprado todas essas coisas - eu murmurei.
- Não se preocupe com isso, Bella. Durma. - A voz dela estava tranqüila.
- Obrigada. - Eu respirei e caí num cochilo intranqüilo.
Foi a dor por ter dormido numa posição estranha que me acordou. Eu ainda estava exausta, mas repentinamente alerta quando eu me lembrei de onde eu estava. Eu me sentei para ver o vale do sol aparecendo à minha frente; as largas superfícies planas dos telhados, as palmeiras, rodovias, muita fumaça e as piscinas, abraçadas pelas curtas costas de pedra que nós chamávamos de montanhas. Eu fiquei surpresa por não sentir nenhum senso de alívio, só uma estridente saudade de casa pelos céus chuvosos e cercas verdes do lugar que havia trazido Edward pra mim.
Eu balancei a cabeça, tentando afastar a onda de desespero que ameaçava tomar conta de mim.
Jasper e Alice estavam conversando, cientes, eu tinha certeza, de que eu estava consciente de novo, mas eles não deram nenhum sinal.
Suas vozes rápidas, suaves, eram uma alta onda de músicas ao meu redor. Eu entendi que eles estavam decidindo onde ficar.
- Bella. - Alice se dirigiu a mim casualmente, como se eu já fosse parte da conversa. - Em que direção fica o aeroporto?
- Fique na 1-10 - eu disse automaticamente. - Nós vamos passar direto por ele.
Eu pensei por um momento; meu cérebro ainda estava nebuloso com o sono.
- Vamos pegar um vôo pra algum lugar? - eu perguntei.
- Não, mas é melhor ficar por perto, na dúvida. - Ela tirou seu telefone e aparentemente ligou para a central de informações. Ela falou mais devagar do que o normal, perguntando por hotéis que ficassem perto do aeroporto, concordando com as sugestões e depois pausando enquanto ela fazia outra ligação. Ela fez reservas para uma semana em nome de Christian Bower, dizendo um número de cartão de crédito sem olhar pra um. Eu a ouvi repetindo as informações para o operador; eu tinha certeza de que ela não precisava de ajuda com a memória dela. A visão do telefone me lembrou das minhas responsabilidades.
- Alice - eu disse, enquanto ela terminava. - Eu preciso ligar pro meu pai. - Minha voz estava sóbria. Ela me passou o telefone.
Já era de tarde; eu estava esperando que ele estivesse no trabalho. Mas ele atendeu no primeiro toque. Eu vacilei, imaginando o rosto ansioso dele ao telefone.
- Pai? - eu disse, hesitantemente.
- Bella! Onde você está, querida? - Um forte alívio aparecia na voz dele.
- Eu estou na estrada. - Eu não precisava contar que havia feito uma viagem de três dias em uma noite.
- Bella, você precisa voltar.
- Eu preciso ir pra casa.
- Querida, vamos falar sobre isso. Você não precisa ir embora só por causa de um garoto. - Ele estava sendo muito cuidadoso, eu podia notar.
- Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar nas coisas e depois eu decido se vou voltar. Isso não tem nada a ver com você, ok? - A minha voz tremeu levemente. - Eu amo você, paizinho. O que quer que eu decida, eu te vejo em breve. Eu prometo.
- Tudo bem, Bella. - A voz dele estava resignada. - Me ligue quando chegar em Phoenix. - Eu te ligo lá de casa, pai. Tchau.
- Tchau, Bells. - Ele hesitou antes de desligar.
"Pelo menos eu já estava de bem com Charlie de novo", eu pensei enquanto passava o telefone de volta pra Alice. Ela me observou cuidadosamente, talvez esperando por outro colapso sentimental. Mas eu estava cansada demais.
A cidade familiar passava voando por mim pelas janelas escuras. O trânsito estava leve. Nós fizemos rapidamente o caminho até o centro da cidade e depois contornamos pelo norte do Sky Harbor Internacional, virando ao sul em Tempe.
Do outro lado do rio Salt River, a mais ou menos uma milha do aeroporto, Jasper saiu da estrada sob comando de Alice. Ela o direcionou facilmente através das ruas até a entrada do Hilton, próximo ao aeroporto. Eu estava pensando em um motel, mas eu tinha certeza de que eles iam acabar com as minhas preocupações com dinheiro. Eles pareciam ter uma reserva infindável. Nós estacionamos na garagem com manobristas debaixo da sombra de uma grande árvore e dois atendentes se aproximaram rapidamente do impressionante automóvel. Jasper e Alice saíram rapidamente, muito parecidos com estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí estranhamente, rígida pelas horas que passei dentro do carro, me sentindo simples demais. Jasper abriu a mala e os obsequiosos empregados rapidamente pegaram nossas bolsas de compras e as colocaram num carrinho. Eles eram bem treinados demais para se surpreenderem com a nossa falta de verdadeira bagagem.
O carro estava bem frio dentro do seu interior escuro; sair à tarde em Phoenix, mesmo na sombra, era como enfiar a minha cabeça dentro de um forno industrial. Pela primeira vez naquele dia, eu me senti em casa.
Jasper andou confiantemente pelo saguão vazio. Alice se manteve cuidadosamente ao meu lado, os atendentes nos acompanhando ansiosamente com as nossas coisas. Jasper se aproximou da mesa com seu ar inconscientemente real. "Bower" foi tudo o que ele disse para a recepcionista com aparência profissional. Ela rapidamente processou a informação, com apenas a menor das olhadas para o ídolo de cabelos dourados na frente dele e isso traiu sua profissionalidade. Nós fomos rapidamente guiados para a nossa grande suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só por pura convencionalidade. Os atendentes colocaram eficientemente as nossas malas no chão, enquanto eu me sentava fracamente no sofá e Alice ia dançando examinar os outros quartos. Jasper apertou as mãos deles enquanto eles saíam, e o olhar que eles trocaram na saída foi mais que de satisfação - foi de soberba. E aí ficamos sozinhos.
Jasper foi para as janelas, fechando as duas camadas de cortinas seguramente. Alice apareceu e derrubou um cardápio do serviço de quarto no meu colo.
- Peça alguma coisa - ela instruiu.
- Eu estou bem - eu disse, boba.
Ela me deu uma olhada obscura e pegou o cardápio de volta. Murmurando algo sobre Edward, ela pegou o telefone.
- Alice, sério - eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Eu coloquei a minha cabeça no braço do sofá e fechei os meus olhos.
Uma batida na porta me acordou. Eu me levantei tão rápido que rolei do sofá para o chão e bati a minha testa na mesinha de café.
- Ow - eu disse, confusa, esfregando a minha testa.
Eu ouvi Jasper rir uma vez e olhei pra cima para vê-lo cobrindo a boca, tentando abafar o resto da sua diversão. Alice abriu a porta, pressionando os lábios firmemente, os cantos da boca dela se contorcendo.
Eu corei e voltei para o sofá, segurando a cabeça nas mãos. Era a minha comida; o cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava ao meu redor. Alice carregou a bandeja com tanta maestria, como se ela tivesse sido garçonete por anos, e a colocou na mesa aos meus joelhos.
- Você precisa de proteína - ela explicou, levantando o globo prateado para revelar um grande filé e uma escultura decorativa de batata. - Edward não vai ficar feliz se o seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui.
Eu tinha quase certeza de que ela estava brincando.
Agora que eu conseguia cheirar a comida, eu estava com fome de novo. Eu comi rapidamente, sentindo a energia retornar enquanto os açúcares entravam no meu sistema sanguíneo. Alice e Jasper me ignoraram, assistindo o jornal e conversando tão rapidamente e tão baixo que eu não consegui entender uma só palavra.
Uma segunda batida soou na porta. Eu pulei, ficando de pé, cuidadosamente evitando outro acidente com a bandeja meio vazia na mesinha de café.
- Bella, você precisa se acalmar - Jasper disse, enquanto Alice atendia a porta. Uma camareira da equipe do hotel entregou a ela uma pequena sacola com a logo do Hilton e foi embora rapidamente. Alice a trouxe e entregou para mim. Eu a abri para encontrar uma escova de dente, pasta de dente e todas as outras coisas necessárias que eu havia deixado na minha caminhonete. As lágrimas pularam dos meus olhos.
- Vocês são tão gentis comigo. - Eu olhei para Alice e depois para Jasper, emocionada. Eu me dei conta de que Jasper estava sendo anormalmente cuidadoso para não se aproximar de mim, então eu me surpreendi quando ele veio para o meu lado e passou o braço pelos meus ombros.
- Você é parte do grupo agora - ele brincou, sorrindo calidamente. Eu senti uma pesada lassitude passando pelo meu corpo, de repente minhas pálpebras estavam pesadas demais pra segurar. - Muito súbito, Jasper - eu ouvi Alice dizer num tom torto. Seus braços frios e magros escorregaram por baixo dos meus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas eu já estava adormecida antes que ela me colocasse na cama.
Era muito cedo quando eu acordei. Eu tinha dormido bem, sem sonhos, e eu estava mais alerta do que geralmente ficava quando acordava. Estava escuro, mas havia flashes avermelhados de luz entrando por baixo da porta. Eu me inclinei para o lado da cama, tentando encontrar uma luminária na mesinha de cabeceira. Uma luz se acendeu em cima da minha cabeça, eu fiquei asfixiada, e Alice estava lá, ajoelhada ao meu lado na cama, sua mão estava sobre a luz que era estupidamente instalada sobre a cabeceira da cama.
- Desculpa - ela disse enquanto eu me jogava de volta no travesseiro, aliviada. - Jasper está certo - ela continuou. - Você precisa relaxar.
- Bem, não diga isso a ele - eu murmurei. - Se ele tentar me relaxar mais ainda, eu vou entrar em coma.
Ela gargalhou. - Você percebeu, né?
- Se ele tivesse me atingido na cabeça com uma frigideira, teria sido menos óbvio.
- Você precisa dormir. - Ela levantou os ombros, ainda sorrindo.
- E agora eu preciso de um banho, eca! - Eu me dei conta de que ainda estava usando o vestido azul, que agora estava tão amassado quanto tinha o direito de estar. Minha boca estava com um gosto estranho.
- Eu acho que você vai ficar com uma mancha na testa - ela mencionou enquanto eu ia para o banheiro.
Depois que eu me limpei, eu me senti muito melhor. Eu vesti as roupas que Alice havia colocado em cima da cama para mim, uma blusa verde que parecia ser feita de seda, e shorts de linho cor de bronze.
Eu me senti culpada por minhas roupas novas serem tão mais legais do que as outras coisas que eu tinha deixado para trás.
Foi bom finalmente fazer alguma coisa com o meu cabelo; os xampus do hotel eram de boa qualidade e o meu cabelo ficou brilhando de novo. Levou algum tempo pra secá-lo até que ele ficasse perfeitamente liso. Eu tinha a sensação de que não faríamos muita coisa hoje. Uma inspeção mais próxima no espelho revelou uma mancha escura em cima da minha sobrancelha. Fabuloso.
Quando eu finalmente apareci, havia luz aparecendo pelas beiradas das cortinas grossas. Alice e Jasper estavam sentados no sofá, olhando pacientemente para a TV quase muda. Havia uma nova bandeja de comida na mesa. - Coma - Alice disse, apontando pra ela firmemente.
Eu me sentei obedientemente no chão e comi sem reparar na comida. Eu não gostava da expressão nos rostos de nenhum deles dois. Eles estavam quietos demais. Eles assistiam a TV sem nunca desviar os olhos, mesmo quando os comerciais estavam passando. Eu empurrei a bandeja, meu estômago abruptamente inquieto. Agora Alice olhava para baixo, olhando para a bandeja quase cheia com um olhar de desgosto.
- Qual é o problema, Alice? - eu perguntei, submissa.
- Não há nada errado. - Ela me olhou com olhos grandes, honestos, nos quais eu não acreditei nem por um segundo.
- Bem, o que fazemos agora?
- Nós esperamos Carlisle ligar.
- E ele já devia ter ligado a essa hora? - Eu podia ver que estava me aproximando da verdade. Os olhos de Alice flutuaram de mim para o telefone no topo da sua bolso de couro e depois de volta.
- O que isso significa? - Minha voz tremeu e eu lutei para controlá-la. - Que ele ainda não tenha ligado? - Isso só significa que eles ainda não têm nada para nos dizer. - Mas a voz dela estava uniforme demais, e de repente o ar ficou difícil de respirar.
- Bella - Jasper disse, numa voz suspeitosamente tranqüilizadora -, você não tem com o que se preocupar. Você está completamente segura aqui.
- Você acha que eu estou preocupada com isso? - eu perguntei, sem acreditar.
- E o que mais há? - Ele também parecia surpreso. Ele devia sentir o teor das minhas emoções, mas ele não conseguia ler as razões por trás delas.
- Você ouviu o que Laurent disse. - Minha voz estava baixa, mas eles podiam me ouvir facilmente, é claro. - Ele disse que James é letal. E se alguma coisa der errado e eles se separarem? E se alguma coisa acontecer com qualquer um deles? Carlisle, Emmett... Edward... - Eu engoli em seco. - E se a fêmea selvagem machucar Rosalie ou Esme...? - Minha voz ficou mais alta, um tom de histeria começando a aparecer por trás dela. - Como é que eu vou conseguir viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocês devia estar se arriscando por mim- - Bella, Bella, pare - ele me interrompeu, as palavras dele fluindo rapidamente. - Você está se preocupando com as coisas erradas, Bella. Confie em mim, nenhum de nós corre risco. Você está passando por muito estresse com isso, não acrescente preocupações desnecessárias a tudo isso. Ouça - eu havia desviado o olhar -, nossa família é forte. O nosso único medo é perder você.
- Mas por que vocês...? - Alice me interrompeu dessa vez, tocando a minha bochecha com os seus dedos frios.
- Já faz quase um século que Edward tem estado sozinho. Agora ele encontrou você e a nossa família está inteira. Você acha que nós vamos querer olhar nos olhos dele pelos próximos cem anos se ele te perder?
Minha culpa foi desaparecendo enquanto eu olhava para os olhos escuros dela. Mas, mesmo enquanto a calma se espalhava por mim, eu sabia que não podia confiar nos meus sentimentos quando Jasper estava presente.

TWILIGHT - EMMETT E O URSO
(Notas: Essa parte foi cortada do epílogo original. Mesmo que eu tenha explicado brevemente a história anterior de Emmett no capítulo 14, eu realmente sinto falta de não tê-la detalhado em suas próprias palavras.)

Eu fiquei surpresa por encontrar um estranho parentesco crescendo entre Emmett e eu, especialmente já que um dia ele foi pra mim o mais assustador de todos eles.
Tudo tinha a ver com o modo como nós dois nos juntamos à família: nós dois fomos amados - e amamos em retorno - enquanto éramos humanos, apesar de ter sido muito brevemente no caso dele.
Apenas Emmett se lembrava - apenas ele realmente entendia o milagre que Edward representava para mim.
Nós falamos sobre isso pela primeira vez numa noite, enquanto nós três ficamos vadiando nos sofás claros da sala da frente, Emmett me deleitando em voz baixa com memórias que eram melhor que contos de fadas, enquanto Edward se concentrava no canal de comidas - ele decidiu que precisava aprender a cozinhar, para a minha descrença, e era difícil fazer isso sem o senso apropriado de gosto e cheiro.
Afinal, havia uma coisa que ele não sabia fazer naturalmente. As suas sobrancelhas perfeitas se estreitaram enquanto o chef famoso experimentava outro prato para testar o sabor. Eu reprimi um riso.
- Naquela hora ele já havia acabado de brincar comigo e eu sabia que estava prestes a morrer - Emmett se lembrou suavemente, finalizando as histórias da sua vida humana com a história do urso. Edward não prestava atenção em nós; ele já tinha ouvido isso antes. - Eu não conseguia me mexer e a minha consciência estava desaparecendo, e aí eu ouvi o que eu pensei ser outro urso, que ia lutar com outro para ficar com a minha carcaça, eu achei. De repente, eu me senti como se estivesse voando. Eu achei que tivesse morrido, mas abri os meus olhos mesmo assim. E aí eu a vi. - O rosto dele estava incrédulo com a memória, eu me identifiquei totalmente. - E eu sabia que estava morto. Eu nem me importei com a dor; eu lutei pra manter as pálpebras abertas, eu não queria perder nem um segundo do rosto do meu anjo. Eu estava delirando, é claro, me perguntando por que não havíamos chegado ao céu ainda, pensando que ele devia ser mais longe do que eu esperava. Eu fiquei esperando-a levantar vôo. E aí ela me levou até Deus. - Ele deu sua risada profunda, estrondosa. Eu podia entender facilmente alguém que fizesse essa suposição. Eu pensei que o que aconteceu comigo a seguir era o meu julgamento. Eu tinha me divertido um pouco demais nos meus vinte anos humanos, então eu não fiquei surpreso pelos fogos do inferno. Ele riu de novo, apesar de eu ter tremido; o braço de Edward se apertou ao meu redor inconscientemente.
- O que me surpreendeu foi que meu anjo não foi embora. Eu não conseguia entender como alguém tão lindo poderia ter permissão de ficar no inferno comigo, mas eu estava agradecido.
Toda vez que Deus vinha me checar, eu ficava com medo de que ele fosse levá-la embora, mas ele nunca fez isso. Eu comecei a pensar que talvez aqueles pregadores que falavam do Deus misericordioso pudessem estar certos no fim de tudo. E aí a dor foi embora... e eles me explicaram as coisas. Eles ficaram surpresos por ver como eu fiquei pouco perturbado com a coisa de ser vampiro. Mas, se Carlisle e Rosalie, meu anjo, eram vampiros, não podia ser tão ruim.
Eu balancei a cabeça, concordando completamente, enquanto ele continuou.
- Eu tive um pouco mais de problemas com as regras... - Ele gargalhou. - Você encheu as mãos comigo no início, não foi? - O empurrão de brincadeira que Emmett deu nos ombros de Edward fez nós dois balançarmos. Edward bufou, sem tirar os olhos da TV. - Então, você vê, o inferno não é um lugar tão ruim quando você consegue manter um anjo com você - ele me assegurou travessamente. - Quando ele finalmente aceitar o inevitável, você vai ficar bem.
O punho de Edward se moveu tão rapidamente que eu nem vi o que atingiu Emmett, fazendo-o voar por cima das costas do sofá. Os olhos de Edward nem saíram da tela da TV.
- Edward! - eu repreendi, horrorizada.
- Não se preocupe com isso, Bella. - Emmett não estava agitado e estava de volta ao seu lugar. Ele olhou por mim para o perfil de Edward. - Você vai ter que transformá-la, alguma hora - ele ameaçou. Edward simplesmente rosnou em resposta, sem olhar para cima.
- Garotos! - a voz reprovadora de Esme chamou agudamente das escadas.

twilight - dia do baile (estendido)

-Quando é que você vai contar o que tá acontecendo, Alice?"
"Você vai ver, seja paciente", ela ordenou, sorrindo diabolicamente.
Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais três semanas e eu ia tirar o gesso da minha perna, e aí eu ia bater o pé no chão muito firmemente sobre esse negócio de motoristas. Eu gostava de dirigir.
Já era fim de Maio, e de alguma forma as terras ao redor de Forks encontraram um jeito de ficarem ainda mais verdes. Era lindo, é claro, e eu estava de alguma forma começando a me apegar com a floresta, na maior parte isso se dava ao fato de que eu passava muito mais tempo lá do que o normal. Nós ainda não éramos exatamente amigos, a natureza e eu, mas estávamos nos aproximando.
O céu estava cinza, mas isso era bem vindo também. Estava de um cinza perolado, nem um pouco escuro, não estava chovendo, e quase estava aquecido o suficiente pra mim. As nuvens eram grossas e seguras, o tipo de nuvens que haviam se tornado um prazer pra mim, por causa da liberdade que elas garantiam.
Mas apesar dos arredores agradáveis, eu estava me sentindo nervosa. Parcialmente por causa do comportamento estranho de Alice. Ela tinha absolutamente insistido em um dia de garotas nesse Sábado de manhã, me dirigindo até Port Angeles pra que nós tivéssemos manicure e pedicure, se recusando a me deixar usar o tom claro de rosa que eu queria, ordenado ao invés disso, que a manicure usasse um tom vermelho chamativo - chegando ao ponto de querer que eu pintasse as unhas do meu pé que estava com o gesso.
Aí ela me levou pra comprar sapatos, apesar de eu só poder experimentar um pé de cada par. Sob os meus estrênuos protestos, ela me comprou um par dos sapatos mais impraticáveis, caros demais com um salto agulha - eram coisas que pareciam perigosas, seguros apenas por laços de fita grossos que se cruzavam no meu pé e eram apertados num grande laço na parte de trás do meu calcanhar. Ele eram de um azul profundo, cor de jacinto, e eu tentei explicar em vão que não tinha nada pra usar com eles.
Mesmo com o guarda-roupas embaraçosamente cheio de roupas que ela comprou pra mim em Los Angeles - a maioria delas muito finas pra eu usar em Forks - eu tinha certeza de que não tinha nada desse tom. Mesmo se eu tivesse alguma coisa desse tom no meu guarda-roupa, minhas roupas não combinavam muito bem com saltos agulha. Eu não combinava com saltos agulha - eu mal podia caminhar em segurança andando de meias. Mas a minha lógica inexpugnável foi desperdiçada com ela. Ela nem discutiu de volta.
"Bem, eles não são da Biviano, mas eles vão ter que servir", ela murmurou afobada, e depois não falou mais nada enquanto empurrava o seu cartão para os empregados com cara de impressionados.
Ela comprou o meu almoço pela janela em um drive thru de um fast food, me dizendo que eu tinha que comer no carro, mas se recusando a me explicar o porque da pressa. Sem mais, no caminho de casa eu tive que lembrá-la várias vezes que o meu carro não podia ter a performance de um carro esporte, mesmo com as modificações de Rosalie, e pra por favor dar uma folguinha á pobre coisa. Geralmente, Alice era a minha motorista favorita. Ela não se incomodava em ter que dirigir a apenas vinte ou trinta quilômetros acima dos limites de velocidade, do jeito que outras pessoas não pareciam ser capazes de fazer.
Mas a agenda obviamente secreta de Alice era só a metade do problema, é claro. Eu também estava pateticamente ansiosa porque eu já não via o rosto de Edward a quase seis horas e esse era um recorde nesses mais de dois meses.
Charlie estava sendo difícil, mas não impossível. Ele estava acostumado á presença constante de Edward quando ele voltava pra casa, e nada encontrava nada do que reclamar quando nos via sentados na mesa da cozinha fazendo o dever de casa - ele até parecia gostar da companhia de Edward quando os dois gritavam juntos assistindo os jogos da ESPN. Mas ele não havia perdido nem um pouco da sua consternação original quando ele segurava a porta pra Edward sair precisamente as dez horas nas noites de semana.
É claro, Charlie era completamente inconsciente da habilidade de Edward de devolver seu carro a sua casa e entrar pela minha janela em dez minutos.
Ele era muito mais agradável com Alice, ás vezes chegava a ser embaraçoso. Obviamente, até que eu tivesse o meu grosso gesso removido e trocado por alguma coisa mais manuseável, eu precisava da ajuda de uma mulher. Alice era um anjo, uma irmã; toda noite e toda manhã ela aparecia pra me ajudar com a minha rotina diária.
Charlie estava enormemente agradecido por se livrar do horror de ter uma filha quase adulta precisando de ajuda pra tomar banho - esse tipo de coisa estava muito longe da sua zona de conforto, e da minha também, pra falar a verdade. Mas era por mais que gratidão que Charlie chamava ela de "Anjo" como apelido, e observava ela com olhos fascinados enquanto ela dançava sorrindo pela casa pequena, iluminando ela.
Nenhum humano podia deixar de se sentir afetado com a sua fascinante beleza e graça, e quando ela saia pela porta com um aficionado "Te vejo amanhã, Charlie", ela o deixava deslumbrado.
"Alice, nós vamos pra casa agora?", eu perguntei agora, nós dias entendendo que eu estava me referindo á casa branca perto do rio.
"Sim", ela sorriu, me conhecendo bem. "Mas Edward não está lá".
Eu fiz uma carranca. "Onde ele está?"
"Ele tinha algumas incumbências a tratar".
"Incumbências?", eu repeti vaziamente. "Alice", o meu tom se tornou implorativo. "por favor me diga o que está acontecendo".
Ela balançou a cabeça, ainda com um sorriso largo. "Eu estou me divertindo demais", ela explicou.
Quando nós chegamos em casa, Alice me levou direto lá pra cima, para o banheiro que era do tamanho de um quarto. Eu me surpreendi por encontrar Rosalie lá, esperando com um sorriso celestial, em pé atrás de uma cadeira baixa, cor de rosa.
Uma gigantesca fileira de ferramentas e produtos estava em cima da pia comprida. ?Sente", Alice comandou. Eu a levei em consideração cuidadosamente por um minuto, e depois, decidindo que ela estava preparada pra usar a força se fosse necessário, eu manquei até a cadeira e me sentei com toda a dignidade que pude. Rosalie imediatamente começou a pentear o meu cabelo.
"Eu não acho que você vá me dizer o porque de tudo isso", eu perguntei pra ela.
"Você pode me torturar", ela disse absolvida com o meu cabelo, "mas eu nunca vou falar". Rosalie segurou a minha cabeça na pia enquanto Alice esfregava um shampoo na minha cabeça que tinha cheiro de menta e grapefruit. Alice esfregou as mechas molhadas furiosamente com uma toalha, e depois espalhou quase uma embalagem inteira de alguma coisa - isso tinha cheiro de pepino - nas mechas úmidas e me enxugou de novo.
Depois elas pentearam a bagunça rapidamente; o que quer que fosse a coisa de pepino, aquilo fez o emaranhado se comportar. Eu posso querer comprar uma coisa daquelas. Cada uma delas agarrou um secador e começou a trabalhar. Enquanto os minutos se passavam, e elas continuavam descobrindo novas mechas de cabelo molhado, os rostos delas começaram a aparentar ficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente. Uma coisa que os vampiros não podiam apressar.
"Ela tem muito cabelo", Rosalie comentou com uma voz ansiosa.
"Jasper!", Alice disse claramente, mas não alto, "Me traga outro secador de cabelo!" Jasper veio resgatá-las, de alguma forma aparecendo com mais dois secadores, que ele apontou para a minha cabeça, profundamente divertido, enquanto elas continuavam com seus próprios trabalhos.
"Jasper..." Eu comecei esperançosamente.
"Desculpe, Bella. Eu não tenho permissão pra dizer nada".
Ele escapou alegremente quando tudo já estava seco - e fofo. O meu cabelo estava uns três centímetros afastado da minha cabeça.
"O que vocês fizeram comigo?", eu perguntei horrorizada. Mas elas me ignoraram, puxando uma caixa de rolinhos quentes.
Eu tentei convencê-las de o meu cabelo não cacheava, mas elas me ignoraram, colocando alguma coisa de um tom amarelo estranho em cada uma das mechas antes de enrrolá-las nos rolinhos quentes.
"Vocês encontraram sapatos?", Rosalie perguntou intensamente enquanto elas trabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância.
"Sim- eles são perfeitos", Alice ronronou de satisfação.
Eu observei Rosalie pelo espelho, balançando a cabeça como se um enorme peso tivesse sido tirado dos seus ombros.
"Seu cabelo está legal", eu reparei. Não que ele não estivesse sempre perfeito - mas ela o tinha prendido pra cima essa tarde, criando uma coroa de cachos macios dourados no topo da cabeça dela.
"Obrigada", ela sorriu. Elas haviam começado com a segunda leva de cachos agora. "O que você acha de maquiagem?", Alice perguntou.
"É um saco", eu ofereci. Elas me ignoraram.
"Ela não precisa de muita - a pele dela fica melhor limpa", Rosalie pensou.
"Porém, batom", Alice decidiu.
"E rímel, e delineador de olhos", Rosalie adicionou, "só um pouco".
Eu suspirei alto, Alice riu. "Seja paciente, Bella. Nós estamos nos divertindo".
"Bem, já que vocês estão", eu murmurei.
Elas tinham prendido todos os cachos apertados e desconfortáveis na minha cabeça agora. "Vamos vesti-la". A voz de Alice estava alegre de antecipação. Ela não esperou que eu saísse do banheiro com as minhas próprias pernas. Ao invés disso ela me pegou no colo e me levou até o quarto grande e branco de Rosalie e Emmett. Na cama, havia um vestido. Azul cor de jacinto, é claro.
"O que você acha?", Alice chiou.
Essa era uma boa pergunta. Ele era levemente frisado, aparentemente era pra ele ser usado bem abaixo dos ombros, com longas mangas decoradas que se grudavam nos pulsos. O alegre espartilho era decorado com outro tom, com flores pálidas, de jacinto azul, que se pregueavam pra formar uma fina linha no lado esquerdo.
O material florido era longo nas costas, mas se abria na frente em cima de várias formas de cor de jacinto, que iam se tornando de um tom mais claro enquanto iam descendo mais.
"Alice", eu gemi. "Eu não posso usar isso!"
"Porque?", ela quis saber com uma voz dura.
"O top é completamente transparente!"
"Isso vai por baixo", Rosalie segurou uma peça completamente ominosa, de um azul pálido. "O que é isso?", eu perguntei temerosamente.
"É um corpete, bobinha", Alice disse, impaciente. "Agora você vai colocar isso, ou eu vou ter que chamar Jasper pra ele te segurar enquanto eu faço isso?", ela ameaçou.
"Era pra você ser minha amiga", eu acusei.
"Seja boazinha, Bella", ela suspirou, "Eu não me lembro de como é ser humana e eu estou me divertindo muito aqui. Além do mais, é pro seu próprio bem".
Eu reclamei e corei muito, mas elas não levaram muito tempo pra me enfiar no vestido. Eu tinha que admitir, o corpete tinha as suas vantagens.
"Uau", eu respirei, olhando pra baixo. "Eu tenho um colo".
"Quem poderia ter adivinhado", Alice gargalhou, deliciada com o trabalho dela. No entanto, eu não estava completamente vendida.
"Você não acha que esse vestido é um pouco... eu não sei, avançado demais... pra Forks?", eu perguntei hesitantemente.
"Eu acho que as palavras que você está procurando são alta costura", Rosalie riu.
"Não é pra Forks, é pra Edward", Alice insistiu. "Está exatamente certo".
Aí elas me levaram de volta para o banheiro, retirando os rolinhos com mãos voadoras. Pra meu choque, cascatas de cachos foram caindo. Rosalie colocou a maior parte deles pra cima, cuidadosamente enrolando eles em anéis que fluíam com linhas grossas nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alice rapidamente pintava uma linha fina embaixo dos meus dois olhos, colocou rímel, e espalhou batom vermelho cuidadosamente nos meus lábios. Aí ela saiu do banheiro e retornou prontamente com os meus sapatos.
"Perfeitos", Rosalie respirou quando Alice os segurou pra cima pra ela ver.
Alice me calçou com o sapato mortal como se fosse uma expert, e aí olhou para o meu gesso com especulação nos olhos.
"Eu acho que fizemos o que podíamos", ela balançou a cabeça tristemente. "Eu não acho que Carlisle nos deixaria...?", ela olhou pra Rosalie.
"Eu duvido", Rosalie respondeu secamente. Alice suspirou.
Nessa hora as duas levantaram as cabeças.
"Ele está de volta". Eu sabia a qual 'ele' elas se referiam, e eu senti vigorosas borboletas no meu estômago.
"Ele pode esperar. Há uma coisa mais importante", Alice disse firmemente. Ela me levantou de novo - uma necessidade, eu tinha certeza de que não conseguiria andar com aquele sapato - e me carregou para o quarto dela, onde ela cuidadosamente me colocou na frente do seu espelho grande, largo, de multi faces.
"Ai", ela disse. "Está vendo?"
Eu encarei a estranha no espelho. Ela parecia muito alta com o seu salto, com a longo, esbelta linha do vestido justo acrescentando á ilusão. O espartilho decotado - onde a impressionante linha do busto captou a minha atenção de novo - fazia o pescoço dela parecer muito longo, assim como a longa linha de cachos brilhantes nas costas dela. A cor de jacinto do tecido era perfeita, destacando a pele cor de marfim dela, e a cor rosada das bochechas coradas dela. Ela estava muito bonita, eu tinha que admitir.
"Ok, Alice", eu sorri. "Eu vejo".
"Não se esqueça", ela ordenou.
Ela me pegou de novo, e me carregou até o topo das escadas.
"Se vire e feche os olhos!", ela ordenou escada abaixo. "E fique fora da minha cabeça - não arruíne tudo".
Ela hesitou, caminhando mais devagar do que de costume enquanto descia as escadas até que ela pôde ver que ele havia obedecido. E aí ela voou pelo resto do caminho. Edward estava na porta, virado de costas pra nós, muito alto e escuro - eu nunca tinha visto ele de preto antes. Alice me colocou de pé, alisando o franzido do meu vestido, colocando os cachos no lugar, e aí ela me deixou lá, indo se sentar no banco do piano pra observar. Rosalie seguiu pra se sentar com ela na platéia.
?Posso olhar?" A voz dele estava intensa com a antecipação - isso fez meu coração bater descompassadamente.
"Sim... agora", Alice dirigiu.
Ele se virou imediatamente, e ficou congelado no lugar, seus olhos de topázio pareciam líquidos. Eu podia sentir o calor subindo no meu pescoço e se alojando nas minhas bochechas. Ele estava tão lindo; eu senti uma pontada do medo antigo, que ele fosse só um sonho, que ele não podia ser real. Ele estava usando um smoking, e ele pertencia a uma tela de cinema, não ao meu lado. Eu olhei pra ele com uma descrença fascinada.
Ele caminhou lentamente na minha direção, hesitando a um passo quando chegou perto de mim.
"Alice, Rosalie... obrigado", ele respirou sem tirar os olhos de mim. Eu ouvi Alice gargalhar de prazer.
Ele se aproximou, colocando uma mão embaixo da minha mandíbula, e se aproximando pra pressionar seus lábios na minha garganta.
"É você", ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e haviam flores brancas na sua outra mão.
"Frísia", ele me informou enquanto as prendia nos meus cachos. "Completamente redundante, em se tratando de fragrância, é claro". Ele se inclinou novamente, me olhando de novo. Ele deu o seu sorriso de fazer o coração parar. "Você está absurdamente linda". "Você roubou a minha fala", eu mantive a minha voz o mais suave que consegui. "Bem quando eu consigo me convencer de que você é real, você aparece desse jeito e eu estou com medo de que esteja sonhando de novo".
Ele me puxou rapidamente pros seus braços. Ele me segurou bem próximo ao seu rosto, seus olhos em chamas quando ele me puxou ainda mais pra perto.
"Cuidado com o batom!", Alice comandou.
Ele sorriu rebeliosamente, mas baixou sua boca para o vão na minha clavícula.
"Você está pronta pra ir?", ele perguntou.
"Alguém vai me contar que ocasião é essa?"
Ele sorriu de novo, olhando por cima do ombro para as irmãs. "Ela não adivinhou?" "Não", Alice gargalhou. Edward riu deliciosamente. Eu dei um olhar zangado.
"O que é que eu estou perdendo?"
?Não se preocupe,você vai descobrir logo logo", ele me assegurou.
"Coloque ela no chão, Edward, pra que eu possa tirar uma foto", Esme estava descendo as escadas com uma câmera prateada nas mãos.
"Fotos?", eu murmurei, enquanto ele me colocava cuidadosamente de pé no meu pé bom. Eu estava com um mal pressentimento sobre isso. "Você vai aparecer no filme?" eu perguntei sarcasticamente.
Ele sorriu pra mim.
Esme tirou várias fotos de nós, até que Edward sorrindo insistiu que íamos nos atrasar.
"A gente se vê mais tarde", Alice disse enquanto ele me carregava pela porta.
"Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja?" eu me senti um pouco melhor.
"E Jasper, e Emmett, e Rosalie".
Minha testa se enrugou de concentração enquanto eu tentava deduzir o segredo. Ele achou graça da minha expressão.
"Bella", Esme me chamou. "Seu pai está no telefone".
"Charlie?" Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe o telefone, mas ele o agarrou quando ela tentou passá-lo pra mim, me segurando sem esforço com um braço só. "Ei!", eu protestei, mas ele já estava falando.
"Charlie? Sou eu. Qual é o problema?" Ele parecia preocupado. Meu rosto empalideceu. Mas depois a expressão dele ficou divertida e depois perversa.
"Dê o telefone pra ele, Charlie - deixe que eu fale com ele" O que quer que estivesse acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais pra que Charlie estivesse em algum tipo de perigo. Eu relaxei um pouco.
"Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen", a voz dele estava amigável, na superfície. Eu o conhecia bem o suficiente pra identificar o leve tom de ameaça. O que é que Tyler estava fazendo na minha casa? A horrível verdade começou a descer em mim.
"Eu lamento se houve algum mal entendido, mas Bella não está disponível essa noite", o tom de Edward mudou, e a ameaça na voz dele estava repentinamente mais evidente enquanto ele falava. "Pra ser perfeitamente honesto, ela vai estar indisponível todas as noites, em se tratando de alguém que não seja eu mesmo. Sem ofensa. Eu lamento pela sua noite" Ele não parecia lamentar nem um pouco. Depois ele fechou o telefone, com um enorme sorriso no rosto.
"Você está me levando pra o baile!", eu acusei furiosamente. O meu rosto e meu pescoço ficaram ruivos de raiva. Eu podia sentir a raiva enchendo os meus olhos de lágrimas.
Ele não estava esperando a força da minha reação, isso estava claro. Ele pressionou seus lábios e seus olhos escureceram.
"Não seja difícil, Bella".
"Bella, nós todos estamos indo", Alice encorajou, repentinamente no meu ombro.
"Porque você está fazendo isso comigo?", eu quis saber.
"Vai ser divertido", Alice ainda estava brilhantemente otimista.
Mas Edward se curvou pra murmurar no meu ouvido, sua voz aveludada estava séria. "Só se é humano uma vez, Bella. Me distraia".
Aí ele virou a força total dos seus olhos dourados pra mim, fazendo a minha resistência derreter no calor deles.
"Tá bom", eu fiz biquinho, incapaz de encará-lo com tanta eficiência como eu teria gostado. "Eu vou quietinha. Mas você vai ver". Eu avisei mal humorada. "Essa é a má sorte com a qual você esteve se preocupando. Provavelmente eu vou quebrar a minha outra perna. Olhe pra esse sapato! É uma armadilha mortal!" eu levantei minha perna pra provar.
"Hmmm", ele olhou para a minha perna por mais tempo do que era necessário, e depois olhou pra Alice com os olhos brilhando. "De novo, obrigado".
"Vocês vão se atrasar pra o Charlie", Esme lembrou ele.
"Tudo bem, vamos lá", ele me levou pela porta.
"Charlie está envolvido nisso?", eu perguntei com os dentes trincados.
"É claro", ele deu um sorriso largo.
Eu estava preocupada, então eu não reparei antes. Eu estava apenas vagamente consciente de um carro prateado, e eu presumiu que fosse o Volvo. Mas aí ele se abaixou tanto pra me colocar dentro dele que eu pensei que ele ia me sentar no chão.
"O que é isso?" Eu perguntei, surpresa por me encontrar dentro de um conversível estranho. ?Onde está o Volvo??
?O Volvo é o meu carro de todo dia", ele me disse cuidadosamente, com medo que eu tivesse outro chilique. "Esse é um carro pra ocasiões especiais".
"O que Charlie vai pensar?" Eu balancei a minha cabeça desaprovando enquanto ele entrava e ligava o motor. Ele ronronou.
"Oh, a maior parte da população de Forks acha que Carlisle é um ávido colecionador de carro", ele acelerou pela floresta em direção á estrada.
"E ele não é?"
"Não, esse é mais o meu passatempo. Rosalie coleciona carros também, mas ela prefere brincar com seus interiores do que andar neles. Ela fez um monte de modificações nesse aqui pra mim".
Eu ainda estava me perguntando porque estávamos voltando para a casa de Charlie quando nós paramos na frente dela.
A luz da varanda estava acesa, apesar de não estar completamente escuro ainda. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelas agora. Eu comecei a corar, imaginando qual seria a primeira reação do meu pai ao ver um vestido similar ao que eu estava usando.
Edward andou pela frente do carro, devagar pra ele, pra abrir a porta pra mim - confirmando as minhas suspeitas de que Charlie estava observando.
Então, enquanto Edward estava me tirando do pequeno carro, Charlie - muito descaracteristicamente - veio nos receber no quintal. Minhas bochechas queimaram; Edward percebeu e olhou pra mim questionando. Mas eu não precisava ter me preocupado. Charlie nem olhou pra mim.
"É um Aston Martin?", ele perguntou com uma voz reverencial.
"Sim - o Vanquish" Os cantos da boca dele se contorceram, mas ele se controlou.
Charlie soltou um assobio baixinho.
"Quer dar uma chance a ele?" Edward levantou a chave.
Os olhos de Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou pra Edward sem acreditar - iluminado por uma pontada de esperança.
"Não", ele disse relutante. "O que o seu pai iria dizer?"
"Carlisle não vai se importar nem um pouco" Edward disse sinceramente, sorrindo. "Vá em frente". Ele pressionou a chave na mão ansiosa de Charlie.
"Bem, só uma voltinha rápida..."
Charlie já estava alisando a maçaneta com uma das mãos.
Edward me ajudou a ir tropeçando até a porta, me pegando no colo assim que estávamos do lado de dentro, e me carregando até a cozinha.
"Isso funcionou bem", eu disse. "Ele nem teve uma chance de enlouquecer por causa do vestido".
Edward piscou, "Eu não tinha pensado nisso", ele admitiu. Os olhos dele analisaram o meu vestido de novo com uma expressão crítica. "Eu acho que é bom nós não estarmos na caminhonete, seja ela um clássico ou não".
Eu tirei os olhos do rosto dele sem vontade por tempo suficiente pra perceber que a cozinha estava estranhamente escura.
Haviam velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas altas, brancas. A mesa velha estava escondida por uma toalha longa, branca, assim como as duas cadeiras. "Foi nisso que você esteve trabalhando hoje?"
"Não - isso só levou meio segundo. Foi a comida que levou o dia inteiro. Eu sei que você acha que restaurantes chiques são subjugadores, não que existam muitos restaurantes que se encaixem nessa categoria aqui, mas eu decidi que você não podia reclamar da sua própria cozinha".
Ele me sentou em uma das cadeiras cobertas de branco, e começou a tirar coisas do forno e da geladeira. Eu percebi que só havia um lugar posto.
"Você não vai alimentar Charlie também? Ele vai ter que voltar pra casa alguma hora". "Charlie não agüentaria comer mais nada - que você acha que experimentou tudo pra mim? Eu tinha que ter certeza de que estava comestível". Ele colocou um prato na minha frente, cheio de coisa que pareciam muito comestíveis.
Eu suspirei.
"Você ainda está com raiva?" Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesa pra poder se sentar perto de mim.
"Não. Bem, sim, mas não exatamente nesse momento. Eu só estava pensando - lá se vai, a única coisa que eu sabia fazer melhor do que você. Isso parece ótimo" eu suspirei de novo. Ele gargalhou. "Você ainda não experimentou - seja otimista, talvez esteja horrível?. Eu dei uma mordida, pausei, e fiz uma careta.
"Está horrível?", ele perguntou, chocado.
"Não, está fabuloso, naturalmente".
Isso é um alívio", ele sorriu, tão lindo. "Não fique preocupada, ainda tem muitas outras coisas que você faz melhor".
"Diga só uma".
Ele não respondeu no início, ele só passou levemente o seu dedo gelado na linha do meu osso da clavícula, me olhando nos olhos até que eu senti a minha pele queimar e ficar vermelha.
"Há isso", ele murmurou, tocando o rubor nas minhas bochechas. "Eu nunca ví alguém corar tão bem quanto você".
"Maravilhoso", eu fiz uma carranca. "Reações involuntárias - uma coisa da qual eu posso me orgulhar".
"Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço".
"Corajosa?", eu zombei.
"Você passa todo o seu tempo cercada de vampiros; isso requer alguns nervos. E você não hesita em se colocar em perigosa proximidade dos meus dentes..."
Eu balancei a minha cabeça. "Eu sabia que você não ia encontrar nada".
Ele riu. "Eu estou falando sério, sabe. Mas não importa. Coma". Ele pegou o garfo de mim, impaciente, e começou a me dar a comida na boca. A comida estava perfeita, é claro.
Charlie chegou quando eu estava quase terminando. Eu observei o rosto dele cuidadosamente, mas a minha sorte estava com tudo, ele estava muito deslumbrado com o carro pra reparar em como eu estava vestida. Ele jogou as chaves de volta pra Edward.
"Obrigado, Edward", ele disse sonhador. "Aquele sim é um carro".
"De nada".
"Como é que foi?" Charlie olhou pro meu prato vazio. "Perfeito", eu suspirei.
"Sabe, Bella, eu acho que você devia deixar ele praticar cozinhar pra gente de novo uma hora dessas", ele sugeriu.
Eu dei uma olhada obscura pra Edward. "Eu tenho certeza que ele vem, pai". Não foi até que chegássemos na porta que Charlie acordou completamente. Charlie estava com o braço na minha cintura, pra me equilibrar e me apoiar, enquanto eu mancava no sapato instável.
"Umm, você pare... bem adulta, Bella", eu podia ouvir o início das suas desaprovações de pai aparecendo.
"Alice me vestiu. Eu não tive a oportunidade de dizer muita coisa". Edward riu tão baixo que só eu pude ouvir.
"Bem, se Alice..." ele parou, um pouco maleável. "Você está bonita, Bells", ele pausou, com um leve brilho nos olhos. "Então, será que eu devo esperar mais jovens de smoking aparecendo por aqui essa noite?"
Eu gemi e Edward riu silenciosamente. Como alguém podia ser tão cego como Tyler, eu não podia saber. Não era como se Edward e eu fizéssemos segredo na escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele meio que me carregava até as salas de aula, eu me sentava com ele e sua família todos os dias no almoço, e ele também não era muito tímido em relação a me beijar na frente de testemunhas. Tyler claramente precisava de ajuda profissional.
"Eu espero que sim", Edward sorriu pro meu pai. "A geladeira está cheia de sobras - diga pra eles se sentirem á vontade".
"Eu acho que não - elas são minhas", Charlie murmurou.
"Pergunte os nomes por mim, Charlie", o traço de ameaça na voz dele provavelmente só era audível pra mim.
"Oh, já basta!", eu ordenei.
Graças á Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.

LUA NOVA

Lua Nova - NARCÓTICOS
Você irá reconhecer essa cena do final do Capitulo Dois de Lua Nova. Somente algumas falas são diferentes. No primeiro rascunho, Carlisle deu a Bella medicamentos para a dor de seus ferimentos e ela teve uma reação pouco comum.
Porque esse ponto de vista/ângulo foi cortado? Primeiro, meus editores acharam que o humor/temperamento/clima estava errado (eu tento fazer piada de tudo, eles tentam me conter). Segundo, eles não acharam que a reação de Bella era realística. A piada está neles, porque essa historia é baseada em uma experiência real de vida (não minha, dessa vez).

Desmoronei no meu travesseiro, respirando profundamente, minha cabeça girando. Meu braço não doía mais, mas eu não sabia se era devido aos medicamentos ou ao beijo. Puxava alguma coisa pela minha memória, evasiva, pelas beiradas...
“Me desculpa” ele disse, e também estava ofegante. “Isso passou dos limites”
Para minha própria surpresa, eu sorri. “Você é engraçado,” Eu murmurei e sorri novamente.
Ele ergueu as sobrancelhas para mim na escuridão. Ele parecia tão sério. Era engraçado.
Cobri minha boca para esconder a risada e Charlie não ouvir.
“Bella, você alguma vez já tomou Percocet?”
“Eu acho que não,” Eu sorri. “Por que?”
Ele rolou os olhos e eu não conseguia parar de rir.
“Como está seu braço?”
“Eu não o sinto. Ele ainda está aqui?”
Ele suspirou, eu ainda sorria. “Tente dormir, Bella.”
“Não, eu quero que você me beije de novo.”
“Você está superestimando meu auto-controle.”
Eu bufei “O que está te perturbando mais, meu sangue ou meu corpo?” Minha pergunta me fez rir.
“É apertado.” Ele deu um breve sorriso, a despeito de si mesmo. “Nunca tinha te visto drogada. Você é bastante divertida.”
“Eu não estou alta/drogada.” Eu tentei abafar os risos para provar.
“Vá dormir.”, ele sugeriu.
Eu percebi que estava fazendo papel de boba, o que não era incomum, mas mesmo assim vergonhoso, então tentei seguir seu conselho. Eu descansei minha cabeça em seu ombro novamente e fechei meus olhos. Hora ou outra os risos escapavam. Mas isso se tornou menos freqüente a medida que o medicamento me levava a adormecer.

Eu me sentia absolutamente horrível pela manhã. Meu braço queimava e minha cabeça doía. Edward disse que eu estava de ressaca e recomendou Tylenol ao invés de Percocet antes de beijar minha testa rapidamente e pular pela janela. Percebi que seu rosto estava sem expressão e distante. Eu estava com tanto medo das conclusões que ele possa ter tirado durante a noite enquanto ele me via dormindo. A ansiedade parecia aumentar a intensidade do barulho em minha cabeça.

Tomei uma dose dupla de Tylenol, jogando o pequeno frasco de Percocet na lixeira do banheiro.

new moon - Epílogo - Humano
Esse era um daqueles raros dias ensolarados, o meu tipo menos favorito de dia. Mas Edward não podia cumprir a promessa dele a cada minuto. Ele tinha necessidades.
-Alice podia ficar de novo-, ele ofereceu, tarde na sexta a noite. Eu podia ver a ansiedade por trás de seus olhos ? o medo de que eu fosse enlouquecer quando ele me deixasse sozinha e fosse fazer alguma coisa louca. Como recuperar a minha moto de La Push, ou brincar de roleta Russa com a pistola de Charlie.
-Eu vou ficar bem-, eu disse, com uma falsa confiança. Tantos meses de mentiras haviam aprimorado as minhas habilidades de enganar. -Vocês todos precisam comer também. Nós podemos muito bem voltar à nossa rotina-.
Quase tudo estava de volta ao normal, em menos tempo do que eu teria acreditado que fosse possível. O hospital havia recebido Carlisle de volta com braços ansiosos, sem nem sequer se incomodar em ouvir a mentira deles sobre Esme ter achado a vida de Los Angeles de muito pouco gosto. Graças ao teste de Cálculo que eu perdi enquanto estava no exterior, Alice e Edward estavam em melhor forma pra se formarem do que eu estava no momento. Charlie não estava feliz comigo ? nem falando com Edward ? mas pelo menos Edward já podia entrar na casa de novo. Só que eu não podia sair dela.
-De qualquer forma, eu tenho todos esses ensaios pra escrever-, eu suspirei, acenando na direção da pilha de inscrições pra faculdade ? Edward havia arrumado uma de todas as faculdades satisfatórias que ainda estivessem com o prazo aberto ? na minha mesa. -Eu não preciso de distrações-.
-Isso é verdade-, ele disse com severidade de brincadeira. -Você tem muitas coisas pra te manter ocupada. E eu vou voltar quando estiver escuro novamente-.
-Pode demorar-, eu o disse levemente, e fechei meus olhos como se estivesse cansada. Eu estava tentando convence-lo de que acreditava nele, o que era verdade. Ele não precisava saber sobre os pesadelos de zumbis. Eles não se tratavam de não confiar nele ? era comigo mesma que eu não podia contar.
Charlie ficou em casa, que não era normal para um sábado à noite. Eu trabalhei nas inscrições na mesa da cozinha, pra que ele pudesse manter um olho em mim com mais facilidade. Mas eu estava cansada de ver, e ele raramente deixava a TV pra vir ver se eu ainda estava lá.
Eu tentei me concentrar nos formulários e perguntas, mas era difícil. De vez em quando eu me sentia solitária; a minha respiração espetava e eu tinha que lutar pra me acalmar. Eu me senti como um pequeno motor que podia ? de novo e de novo eu tive que dizer a mim mesma, você pode fazer isso, você pode fazer isso, você pode fazer isso.
Então, quando a campainha da porta tocou, a distração foi mais que bem-vinda. Eu não tinha idéia de quem pudesse ser, mas eu não me importava de verdade.
-Eu atendo!- eu me apressei, me levantando da mesa num flash.
-Okay-, Charlie disse ausentemente. Enquanto eu passava apressada pela sala de estar, ficou claro que ele não tinha se movimentado um centímetro.
Eu já estava com um sorriso de alívio e boas-vindas no meu rosto, pronta pra fascinar os vendedores de porta em porta das Testemunhas de Jeová.

New Moon – Bolsa de Estudos

Essa é a maior seção que eu cortei de New Moon; é a maior parte do capítulo seis original (?Declaração?, naquela época), além de sete cenas curtas que continuam o enredo de -bolsa de estudos? no romance, e até o final dele. Eu achava que ele era meio engraçado, mas os meus editores discordaram. Ela não era necessária, então foi sacrificada no altar da edição.


Cena um: o dia depois que Bella vai ao filme de zumbi com Jessica.

Eu ainda sentia saudade de Phoenix em raras ocasiões, quando era provocada. Agora, por exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal de Forks para depositar meu chegue de pagamento. O que eu não daria pela conveniência de um caixa-automático drive in. Ou pelo menos, a anonimidade de um estranho do outro lado da mesa.
“Boa tarde, Bella”, a mãe de Jessica me saudou.
“Oi, Sra. Stanley”.
“É tão bom que você pode sair com Jessica na noite passada. Já fazia tanto tempo.”

Ela fez um barulhinho com a língua para mim, sorrindo para tornar o som amigável. Alguma coisa na minha expressão devia estar desligada, porque o sorriso endureceu de repente, e ela passou a mão nervosamente pelo cabelo, onde ela ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão encaracolado quanto o de Jéssica, e ela pôs laquê até que ele ficasse arrumado em um monte duro de anéis rígidos.
Eu sorri de volta, me dando conta de que estava um segundo atrasada. O meu tempo para reações estava enferrujado.
“É”, eu disse, no que eu esperava que fosse um tom sociável. “Eu estive muito ocupada, sabe. Escola... trabalho...” Eu lutei pra pensar em alguma outra coisa pra adicionar á minha lista curta, mas não encontrei nada.
“Claro”, ela sorriu mais calidamente, provavelmente feliz por minha resposta parecer normal e bem-ajustada.
De repente me ocorreu que eu podia não estar apenas brincando comigo mesma quando pensei no motivo por trás do sorriso dela. Quem sabe o que Jessica contou a ela sobre a noite passada. O que quer que tenha sido, não foi completamente falso. Eu era a filha da ex-excêntrica de Charlie – insanidade pode ser genética. Antiga associada aos esquisitões de Forks; eu pulei essa parte rapidamente, me encolhendo. Recente vítima de um coma ambulante. Eu decidi que esse era um argumento bastante bom para a minha loucura, sem nem sequer contar as vozes que eu ouvia agora, e eu me perguntei se a Sra. Stanley realmente pensava isso.
Ela deve ter visto a especulação nos meus olhos. Ela desviou o olhar rapidamente, olhando para as janelas atrás de mim.
“Trabalho”, eu repeti, chamando a atenção dela de volta enquanto colocava meu cheque em cima do balcão. “Que é porque eu estou aqui, é claro”.
Ela sorriu de novo. O batom dela estava rachando enquanto o dia progredia, e estava claro que ela havia desenhado os lábios muito mais cheios do que eles eram na realidade.
“Como estão as coisas no Newton’s?” ela perguntou brilhantemente.
“Bem. A temporada está começando”, e disse automaticamente, apesar de que ela dirigia pelo estacionamento do Pacific Outfitter’s todo dia – ela teria visto os carros que não eram conhecidos. Ela provavelmente sabia mais sobre as quedas e os aumentos no ramo dos mochileiros do que eu.
Ela balançou a cabeça ausentemente enquanto olhava para as teclas do computador na frente dela. Meus olhos passearam pelo balcão marrom escuro, com as suas linhas muito “anos-setenta” de laranja brilhante rodeando as bordas. As paredes e o carpete haviam sido atualizados para um tom mais neutro de cinza, mas o balcão denunciava a decoração original do prédio.
“Hmmm”, o murmúrio da Sra. Stanley foi um guincho mais alto do que o normal. Eu olhei de volta pra ela, apenas meio interessada, me perguntando se havia uma aranha em cima da mesa que havia assustado ela.
Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Agora os dedos dela estavam imóveis, a expressão dela estava surpresa e desconfortável. Eu esperei mas ela não disse mais nada.
“Há algo errado?” Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?
“Não, não”, ela murmurou rapidamente, olhando para mim com um estranho brilho nos olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Aquilo me fez lembrar de Jessica quando ela tinha alguma nova fofoca que estava morrendo pra dividir.
‘Você gostaria de imprimir o seu saldo?” A Sra. Newton perguntou ansiosamente. Isso não era meu hábito – minha conta crescia tão lentamente que não era difícil fazer os cálculos na minha cabeça. Mas a mudança de tom dela me deixou curiosa. O que havia na tela do computador que fascinou ela?
“Claro”, eu concordei.
Ela bateu numa tecla, e a impressora rapidamente cuspiu o curto documento.
“Aqui está”. Ela arrancou o papel com tanta gana que ele se partiu no meio.
“Oops, eu lamento por isso”. Ela passou o olhar por cima da mesa, sem encontrar o meu olhar curioso, até que ela encontrou um rolo de fita adesiva. Ela grudou os dois pedaços de papel e o atirou pra mim.
“Er, obrigada”, eu murmurei. Com a folha na mão, eu me virei e caminhei para a porta da frente, dando uma olhada para ver se eu descobria qual era o problema da Sra. Stanley.
Eu achava que a minha conta devia estar e torno de mil quinhentos e trinta e cinco dólares. Eu estava errada, eram trinta e seis dólares e cinqüenta centavos, e não trinta e cinco.
E também haviam vinte mil dólares extras.
Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava vinte mil dólares mais alta antes do meu depósito de hoje, que havia sido depositado corretamente.
Por um breve minuto eu considerei a idéia de fechar a minha conta imediatamente. Mas, suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra. Stanley estava esperando com olhos brilhantes, interessados.
“Há algum tipo de erro com o computador, Sra. Stanley”, eu disse a ela, entregando o pedaço de papel de volta pra ela. “Deveriam haver apenas mil quinhentos e trinta e seis e cinqüenta centavos.”
Ela sorriu conspiradoramente. “Eu achei que parecia um pouco estranho”.
“Só nos meus sonhos, né?” Eu ri de volta, impressionando a mim mesma com a normalidade do meu tom.
Ela digitou bruscamente.
“Eu vejo o problema aqui... a três semanas atrás aparece um depósito de vinte mil dólares feito por... hmmm, pelo que parece foi outro banco. Eu imagino que eles tenham colocado os números errados.”
“Quantos problemas eu vou ter se fizer um saque?” Eu brinquei.
Ela gargalhou ausentemente enquanto continuava a digitar.
“Hmmm”, ela disse de novo, a testa dela enrugando em três buracos fundos. “Parece que foi uma transferência de outro estado. Nós não recebemos muitas dessas. Quer saber? Eu vou fazer a Sra. Gerandy dar uma olhada nisso...” A voz dela foi desaparecendo enquanto ela se virava pra longe do computador, o pescoço dela se curvando para olhar pela porta aberta atrás dela.
“Charlotte, você está ocupada?” ela chamou.
Não houve resposta. A Sra. Stanley entendeu isso e caminhou rapidamente para a porta traseira onde os escritórios deviam ser.
Eu procurei por ela por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e olhei ausentemente pelas janelas da frente, olhando a chuva caindo nos vidros. A chuva corria em correntes imprevisíveis, ás vezes descendo torta, por causa do vento. Eu não prestei atenção no tempo enquanto esperava. Eu tentei deixar a minha mente flutuar em branco, pensando em nada, mas eu não parecia ser capaz de voltar aquele estado de semi-consciência.
Eventualmente eu ouvi vozes atrás de mim de novo. Eu me virei pra ver a Sra. Stanley e a esposa do Dr. Gerandy entrando na sala da frente com o mesmo sorriso educado nos seus rostos.
“Desculpa por isso, Bella”, a Sra. Gerandy. “Eu devo ser capaz de dar um jeito nisso com um telefonema bem rápido. Você pode esperar se quiser”. Ela fez um gesto para uma fileira de cadeiras de madeiras contra uma parede. Parecia que elas pertenciam a sala de jantar de alguém.
“Okay”, eu concordei. Eu caminhei até as cadeiras e me sentei bem no meio, de repente desejando ter um livro. Já fazia algum tempo que eu não lia, fora da escola. E mesmo assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte do currículo, eu trapaceava com sinopses. Era um alivio estar trabalhando com Animal Farm agora. Mas tinham que haver outros livros seguros. Aventuras políticas. Mistérios de assassinatos. Assassinatos violentos não eram problema; contanto que não houvesse nenhum enredo romântico choroso envolvido.
Levou tempo suficiente pra eu ficar irritada. Eu estava cansada de olhar para a sala cinzenta chata, sem nenhum quadro para aliviar as paredes vazias. Eu não conseguia ver a Sra. Stanley enquanto ela remexia uma pilha de papéis, parando de vez em quando para dar entrada em alguma coisa no computador – ela olhou pra mim uma vez, e quando encontrou meu olhar ela pareceu desconfortável e derrubou um arquivo. Eu podia ouvir a voz da Sra. Gerandy, um murmúrio fraco vindo da sala traseira, mas não era claro o suficiente pra me dizer nada, além de que ela tinha mentido em relação ao tempo necessário na ligação. Havia um limite de tempo no qual se podia esperar que uma pessoa ficasse com a mente em branco, e se aquilo não acabasse logo, eu não ia ser capaz de evitar. Eu ia ter que pensar. Eu entrei em pânico silenciosamente, tentando imaginar um assunto seguro pra pensar.
Eu fui salva pela reaparição da Sra. Gerandy. Eu sorri gratamente pra ela quando ela enfiou a cabeça pela porta, seu cabelo grosso, cor de neve, chamando minha atenção imediatamente.
“Bella, você se importaria em se juntar a mim?” ela perguntou, e eu me dei conta de que ela tinha o telefone grudado no ouvido.
“Claro”, eu murmurei enquanto ela desaparecia.
A Sra. Stanley teve que destrancar a meia porta no final do balcão para que me deixar passar. O sorriso dela era ausente, ela não encontrou meus olhos. Eu tinha certeza absoluta de que ela estava planejando ouvir atrás da porta.
Minha mente correu pelas possibilidades concebíveis enquanto eu me apressava para o escritório.
Alguém estava lavando dinheiro pela minha conta. Ou talvez Charlie estivesse recebendo suborno, e eu estava estragando o disfarce dele. No entanto, quem teria tanto dinheiro assim para subornar Charlie? Talvez Charlie estivesse na máfia, e usando minha conta para fazer lavagem de dinheiro. Não, eu não conseguia imaginar Charlie na máfia. Talvez fosse Phil. Quão bem nós conhecíamos Phil, afinal de contas?

A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e ela fez um gesto com o queixo em direção a cadeira dobrável de metal que ficava de frente para a mesa dela. Ela estava rabiscando apressadamente na parte de trás de um envelope. Eu sentei, me perguntando se Phil tinha um passado obscuro, e se eu ia parar na cadeia.
“Obrigada, sim. Eu acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por sua ajuda”, a Sra. Gerandy desperdiçou um sorriso para o receptor do telefone antes de desligar. Ela não parecia estar com raiva ou sombria. Mais pra excitada e confusa. Isso me lembrou da Sra. Stanley no corredor. Por um segundo eu pensei em pular pela porta e assustar ela.
Mas a Sra. Gerandy falou.
“Bem, eu acho que tenho boas notícias para você... Apesar de não conseguir imaginar você pode não ter sido informada disso”. Ela me encarou criticamente, como se ela estivesse esperando que eu desse um tapa na minha testa e dissesse, oh, ESSES vinte mil. Eu esqueci completamente!
“Boas notícias?” Eu testei. As palavras implicavam que esse erro era complicado demais pra ela desvendar, e ela tinha a impressão de que eu era mais rica do que n’so pensávamos alguns minutos atrás.
“Bem, se você realmente não sabe... parabéns então! Você ganhou uma bolsa de estudos de...” ela olhou para suas anotações rabiscadas “o Fundo do Pacífico Noroeste”.
“Uma bolsa de estudos?” eu repeti sem acreditar.
“Sim, isso não é excitante? Minha nossa, você poderá ir pra qualquer faculdade que quiser!”
Foi precisamente nesse momento, enquanto ela balbuciava alegremente pela minha boa sorte, que eu soube exatamente de onde tinha vindo o dinheiro. Apesar da repentina onda de raiva, suspeita, ultraje e dor, eu tentei falar calmamente.
“Uma bolsa de estudos que deposita vinte mil dólares na minha conta”, eu notei. “Ao invés de pagar isso a escola. Sem ter nenhuma forma de se certificar de que eu vou usar o dinheiro para a escola”.
Minha reação fez ela corar. Ela pareceu ofendida pelas minhas palavras.
“Seria muito pouco sábio não usar esse dinheiro com os fins que foram propostos pra ele, Bella, querida. Essa é uma chance única na vida”.
“É claro”, eu disse amargamente. “E esse Fundo do Pacífico Noroeste mencionou porque eles me escolheram?”
Ela olhou pra suas anotações de novo, uma pequena careta no rosto por causa do meu tom.
“É um grande prestigio – eles não dão essa bolsa de estudo todos os anos”.
“Aposto que não”.
Ela olhou pra mim e desviou o olhar rapidamente. “O banco em Seattle que gerencia o fundo me passou para o homem que administra as entregas as bolsas de estudos. Ele disse que essa bolsa de estudos é dada baseada em mérito, gênero e locação. Ela é direcionada a estudantes do sexo feminino de cidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em uma cidade maior”.
Parecia que alguém estava achando que era engraçado.
“Mérito?” eu perguntei desaprovando. “Eu tenho uma média de três ponto sete. Eu posso nomear três garotas que tem notas melhores que as minhas, e uma delas é Jessica. Além do mais – eu nunca me inscrevi pra essa bolsa de estudos”.
Ela estava muito corada agora, pegando uma caneta e colocando-a na mesa de novo, mexendo no pendente que ela usava entre o dedão e o indicador. Ela procurou nas anotações novamente.
“Ele mencionou isso...” Ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza do que fazer com a minha atitude. “Eles não aceitam inscrições. Eles procuram inscrições rejeitadas por outras bolsas de estudos e escolhem estudantes que eles acham que foram injustamente ignorados. Eles pegaram o seu nome pela inscrição que você mandou para a assistência financeira baseada em mérito da Universidade de Washington.”
Eu senti os cantos da minha boca virando pra baixo. Eu não sabia que aquela inscrição havia sido rejeitada. Era uma coisa que eu tinha enviado há muito tempo atrás, antes...
E eu não havia pensado em nenhuma outra possibilidade, apesar de que os prazos estavam passando por mim. Eu não parecia conseguir me focar no futuro. Mas a Universidade de Washington era o único lugar que poderia me manter perto de Forks e de Charlie.
“Como eles conseguem as inscrições recusadas?” Eu perguntei em tom baixo.
“Eu não tenho certeza, querida”. A Sra. Gerandy não estava feliz. Ela queria excitação e estava recebendo hostilidade. Eu queria ter alguma forma de explicar que a negatividade não era pra ela. “Mas o administrador deixou o número dele caso eu tivesse alguma pergunta – você mesma poderia ligar pra ele. Eu tenho certeza que ele poderia te assegurar de que esse dinheiro realmente é para você”.
Disso eu não tinha dúvida. “Eu gostaria desse número”.
Ela escreveu rapidamente num pedaço amassado de papel. Eu fiz uma nota mental de doar anonimamente um bloco de post-its para o banco.
O número era interurbano. “Eu não suponho que ele tenha deixado um endereço de e-mail?” Eu perguntei ceticamente. Eu não queria aumentar a conta telefônica de Charlie.
“Na verdade, ele deixou”, ela sorriu, feliz por ter alguma coisa que eu parecia querer. Ela se inclinou na mesa para escrever outra linha no meu borrão.
“Obrigada, eu vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa”. Minha boca era uma linha dura.
“Docinho”, a Sra. Gerandy disse hesitantemente. “Você devia estar feliz por isso. É uma grande oportunidade”.
“Eu não vou pegar vinte mil dólares que eu não mereci”, eu respondi, tentando manter o tom de ultraje fora da minha voz.
Ela mordeu o lábio, e olhou para baixo novamente. Ela também pensava que eu era maluca. Bem, eu ia fazer ela dizer isso em voz alta.
“O quê?” Eu quis saber.
“Bella...” Ela pausou e eu esperei com o dentes trincados. “É substancialmente mais que vinte mil dólares”.
“Perdão?” Eu asfixiei. “Mais?”
“Vinte mil é só o pagamento inicial, na verdade. De agora em diante você irá receber cinco mil dólares todo mês até o final da sua carreira na faculdade. Se você fizer pós-graduação, a bolsa de estudos continuará pagando por ela!” Ela ficou excitada de novo enquanto me dizia isso.
No início eu não consegui falar, eu estava lívida demais. Cinco mil dólares por mês por um período indeterminado de tempo. Eu queria quebrar alguma coisa.
“Como?” Eu consegui botar pra fora.
“Eu não entendo o que você quer dizer”.
“Como eu vou ganhar cinco mil dólares por mês?”
“Serão depositados em sua conta aqui”, ela respondeu, perplexa.

Houve um breve segundo de silêncio.
“Eu vou fechar a conta agora”, eu disse numa voz sem vida.
Eu levei quinze minutos para convencê-la de que estava falando sério. Ela tinha um inacabável suprimento de razões pelas quais isso era uma má idéia. Eu discuti calorosamente até que me ocorreu que ela estava preocupada em me entregar os vinte mil dólares. As pessoas carregavam tanto assim nas mãos?
“Olha, Sra. Gerandy”, eu assegurei ela. “Eu só quero sacar os meus mil e quinhentos. Eu apreciaria muito se você pudesse enviar o restante do dinheiro de volta para o lugar de onde ele veio. Eu vou acertar as coisas com esse –“ Eu chequei o borrão. “- Sr. Isaac Randall. Isso realmente é um erro”.
Isso pareceu relaxar ela.
Cerca de vinte minutos depois, com um rolo de quinze notas de cem, uma de vinte, uma de dez, uma de cinco, uma de um, e cinqüenta centavos no meu bolso, eu escapei do banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficaram lado a lado no balcão, olhando para mim com os olhos arregalados.


Cena dois: naquela mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacob pela primeira vez...

Eu abri a porta com um chute e puxei o meu fundo para a faculdade do bolso. Ele parecia bem pequeno enrolado como estava na palma da minha mão. Eu o enfiei em uma meia sem par e aí a enfiei de volta na gaveta de roupas de baixo. Provavelmente esse não era o esconderijo mais original, mas eu ia me preocupar em pensar em algo mais criativo mais tarde.
No meu outro bolso estava o papel amassado com o número do telefone de Isaac Randall e o seu endereço de e-mail. Eu o puxei pra fora e o coloquei no teclado do meu computador, aí apertei o botão, batendo o meu pé enquanto a minha tela ligava lentamente.
Quando eu estava conectada, eu abri a minha conta de e-mail gratuita. Eu procrastinei, demorando pra deletar a montanha de spams que haviam se acumulado desde o dia que eu havia escrito pra Renée. Eventualmente eu me livrei desse trabalho, e abri uma caixa de composição nova.
O endereço de e-mail era para ?irandall-, então eu presumi que ele ia diretamente para o homem que eu queria.

Querido Sr. Randall, eu escrevi.
Eu espero que você se lembre da conversa que teve esta tarde com a Sra. Gerandy no Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, e aparentemente você está com a impressão de que eu ganhei uma bolsa de estudos bastante generosa da Compania de Fundos do Pacífico Norte.
Eu lamento, mas não posso aceitar essa bolsa de estudos. Eu pedi que o dinheiro que eu já recebi fosse mandado de volta para a conta da qual ele veio, e fechei minha conta no Banco Federal de Forks. Por favor, premie outro candidato com a bolsa de estudos.
Obrigada, I. Swan


Eu levei alguns minutos pra faze-lo soar do jeito certo ? formal, e inquestionavelmente definitivo. Eu o li duas vezes antes de manda-lo. Eu não tinha certeza sobre que tipos de diretrizes o Sr. Randall havia recebido sobre a bolsa de estudos falsa, mas eu não podia ver nenhuma brecha na minha resposta.

* * *


Cena três: algumas semanas depois, pouco antes do ?encontro- de Bella e Jacob com as motos...

Quando eu voltei, eu peguei a correspondência enquanto entrava. Eu passei rapidamente as contas e as propagandas, até chegar na última carta na pilha.
Era um envelope comercial regular, endereçado a mim ? o meu nome estava escrito à mão, o que era incomum. Eu olhei com interesse para o endereço do remetente.
Interesse que rapidamente se transformou em náusea. A carta era do Fundo do Pacífico Norte, do Escritório de Relocações de Bolsas de Estudos. Não havia nenhum endereço de rua embaixo do nome.
Esse provavelmente era só um reconhecimento formal da minha recusa, eu disse pra mim mesma. Não havia nenhuma razão pra me sentir nervosa. Absolutamente nenhuma razão, exceto pelo pequeno detalhe que pensar demais em qualquer parte disso me mandaria diretamente para a terra dos zumbis. Somente isso.
Eu atirei o resto da correspondência na mesa para Charlie, juntei os meus livros na sala de estar, e corri escadas acima. Uma vez em meu quarto, eu tranquei a minha porta e rasguei o envelope. Eu tinha que me lembrar de ficar com raiva. Raiva era a chave.

Querida Srta. Swan.
Permita-me parabenizá-la formalmente por ter ganho pelos Fundos do Pacífico Norte a prestigiosa Bolsa de Estudos J. Nicholls. Essa bolsa de estudos não é presenteada com muita freqüência, e você deve ficar orgulhosa de saber que o Comitê de Relocações escreveu o seu nome unanimemente para a honra.
Houveram algumas pequenas dificuldades nas monções da sua bolsa de estudos, mas por favor não se preocupe. Eu estarei cuidando pessoalmente para que você seja posta pelo mínimo de inconvenientes possível. Por favor encontre o cheque anexo de vinte mil dólares; o prêmio inicial mais a sua primeira mesada mensal.
Mais uma vez eu te parabenizo pela sua realização. Por favor aceite os melhores desejos de toda a Corporação do Pacífico Norte para a sua futura careira escolástica.
Sinceramente,
I. Randall

Raiva não foi problema nenhum.
Eu olhei dentro do envelope e, certo o suficiente, havia um cheque lá dentro. -Quem são essas pessoas?? Eu rosnei através do meus dentes trincados, amassando a carta, com uma mão, transformando-a em uma bola apertada.
Eu marchei furiosamente até a minha lata de lixo, pra encontrar o número de telefone do Sr. Randall. Eu não me importava que fosse a longa distância ? essa ia ser um conversa muito curta.
-Oh, merda?, eu assobiei. A lixeira estava vazia. Charlie havia levado o meu lixo pra fora. Eu joguei o envelope com o cheque na minha cama e desamassei a carta de novo. Era um papel da companhia, com Departamento de Relocações de Bolsas de Estudos do Pacífico Norte escrito em um tom escuro de verde no topo, mas não havia nenhuma informação, nenhum endereço, nenhum número de telefone.
-Droga?.
Eu me sentei na beira da minha cama e tentei pensar claramente. Obviamente, eles iam me ignorar. Eu não tornar os meus sentimentos mais claros, então não tinha havido nenhum erro de comunicação. Provavelmente não faria diferença se eu ligasse.
Então só havia uma coisa a fazer.
Eu re-amassei a carta, amassei também o envelope com o cheque, e marchei escadas abaixo.
Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada em alto volume.
Eu fui até a pia da cozinha, e joguei as bolas de papel lá dentro. Aí, eu procurei dentro da nossa gaveta de coisas diversas até que encontrei uma caixa de fósforos. Eu acendi um, e o aproximei cuidadosamente em uma das pontas do papel. Eu acendi outro e fiz o mesmo. Eu quase acendi um terceiro, mas o papel estava incendiando meramente, então não havia necessidade de verdade.
-Bella?- Charlie chamou por cima do som da televisão.
Eu abri a torneira rapidamente, com uma sensação de satisfação enquanto a força da água transformava as chamas em uma meleca achatada e cinzenta.
-Sim, pai?- Eu joguei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei rapidamente.
-Você está sentindo cheiro de fumaça??
-Não, pai-.
-Hmph?
Eu limpei a pia, tendo certeza de que todas as cinzas haviam descido pelo ralo, e aí limpei os dejetos, só pra ter certeza.
Eu voltei para o meu quarto, me sentindo levemente satisfeita. Eles podiam me mandar todos os cheques que quisessem, eu pensei mal humorada. Eu sempre podia comprar mais fósforos quando os meus acabassem.
v * * *


Cena quatro: durante o período de tempo em que Jacob esteve evitando ela...

Nos degraus havia um pacote do FedEx. Eu o peguei com curiosidade, esperando um endereço da Flórida, mas ele havia sido mandado de Seattle. Não havia nenhum remetente no lado de fora da caixa.
Ele estava endereçado a mim, não a Charlie, então eu o levei até a mesa e rasguei a aba do papelão pra abri-lo.
Assim que eu vi a logo-marca verde escura do Fundo do Pacífico Norte, eu senti que a minha dor de estômago estava voltando. Eu caí na cadeira mais próxima sem olhar para a carta, a raiva se acumulando lentamente.
Eu não podia nem sequer me fazer lê-la, apesar dela não ser longa. Eu a puxei pra fora, a coloquei virada pra baixo em cima da mesa, e olhei relutantemente de volta para dentro da caixa, pra ver o que havia embaixo. Era um envelope inchado cor de baunilha. Eu estava com medo de abri-lo, mas com raiva suficiente pra abri-lo com um rasgão do mesmo jeito. A minha boca era uma linha dura enquanto eu rasgava o papel sem me preocupar em abrir pela aba. Eu já tinha coisas suficientes pra lidar agora. Eu não precisava de lembretes e nem da irritação.
Eu fiquei chocada, e mesmo assim não fiquei surpresa. O que mais podia ser além disso ? três bolos grossos de notas, apertados com força por um elástico de borracha. Eu não precisava olhar as denominações. Eu sabia exatamente o quanto eles estavam tentando forçar às minhas mãos. Seriam trinta mil dólares.
Eu levantei o envelope lentamente enquanto me levantava, e me virei pra joga-lo na pia. Os fósforos estavam no topo da gaveta de bobagens, exatamente onde eu os havia deixado da última vez. Eu tirei um e o acendi.
Ele queimava mais e mais perto dos meus dedos enquanto eu encarava o envelope odioso. Eu não conseguia fazer os meus dedos soltarem ele. Eu larguei o fósforo antes que ele me queimasse, o meu rosto se transformando em uma careta de desgosto.
Eu peguei a carta de cima da mesa, amassando-a em uma bola e atirando-a no outro recipiente da pia. Eu acendi outro fósforo e o joguei no papel, olhando com uma satisfação maliciosa enquanto ele queimava. Um aquecimento. Eu acendi outro fósforo. De novo, eu o segurei, queimando, acima do envelope. De novo, ele queimou quase até os meus dedos antes que eu o atirasse nas cinzas da carta. Eu simplesmente não conseguia me fazer queimar trinta mil dólares.
Então o que eu ia fazer com isso? Eu não tinha nenhum endereço pra manda-lo de volta ? eu tinha certeza de que essa companhia nem existia de verdade.
E aí me ocorreu que eu tinha um endereço.
Eu joguei o dinheiro de volta na caixa do FedEx, arrancando a etiqueta pra que se alguém chegasse a descobri-lo, fosse impossível liga-lo a mim, e andei de volta até a minha caminhonete, murmurando incoerentemente no caminho. Eu prometi a mim mesma que eu ia fazer uma coisa especialmente descuidada com a minha moto essa semana. Eu ia fazer acrobacias como uma dublê se fosse preciso.
Eu odiei cada centímetro do caminho enquanto eu vagava por entre as árvores obscurecidas, apertando os meus dentes até que a minha mandíbula estava doendo. Os pesadelos iam ser ferozes essa noite ? fazer isso era pedir que isso acontecesse. As árvores se abriam entre as samambaias, e eu dirigi raivosamente por elas, deixando uma fila dupla de gravetos quebrados, escoados atrás de mim. Eu parei perto dos degraus da frente, colocando a marcha em ponto morto.
A casa parecia exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabia que estava projetando os meus próprios sentimentos na aparência dela, mas isso não mudou a forma como ela parecia pra mim. Sendo cuidadosa pra não olhar pra fora pela janela, eu caminhei até a porta da frente. Eu desejei desesperadamente ser um zumbí novamente só por um minuto, mas a entorpecência já tinha passado da validade há muito tempo.
Eu coloquei a caixa cuidadosamente na entrada da casa abandonada, e me virei pra ir embora.
Eu parei no primeiro degrau. Eu não podia simplesmente deixar uma pilha de dinheiro na frente da porta. Isso era quase tão ruim quanto queimá-lo.
Com um suspiro, mantendo os meus olhos baixos, eu me virei de volta e peguei a caixa ofensiva. Talvez eu pudesse simplesmente doa-lo pra uma boa causa. Uma caridade pra pessoas com doenças sanguíneas, ou algo assim.
Mas eu estava balançando a cabeça enquanto voltava para a caminhonete. Esse era o dinheiro dele, e, maldição, ele ia ficar com ele. Se ele fosse roubado na frente da casa dele, era culpa dele, não minha.
A minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu simplesmente atirei a caixa com toda força que podia em direção à porta.
Eu nunca tive a melhor mira. A caixa bateu com força na janela da frente, deixando um buraco tão grande que parecia que eu havia atirado uma máquina de lavar.
-Aw, merda!? Eu asfixiei alto, cobrindo meu rosto com as mãos.
Eu devia saber que não importava o que eu fizesse, eu simplesmente ia piorar as coisas. Eu estava apenas devolvendo a propriedade dele. Era problema dele que ele tivesse transformado isso numa tarefa tão difícil. Além do mais, o som do vidro quebrando foi meio legal ? ele me fez sentir um pouco melhor de uma forma perversa.
Eu não me convenci de verdade, mas eu tirei a caminhonete do ponto morto e fui embora mesmo assim. Isso era o mais perto que eu podia chegar de devolver o dinheiro pra onde ele pertencia. E agora eu tinha uma boa entrada pra caixas para a prestação do mês que vem. Era o melhor que eu podia fazer.
Eu repensei isso centenas de vezes de chegar em casa. Eu procurei na lista telefônica procurando por vidraceiros, mas não haviam estranhos a quem eu pudesse pedir ajuda. Como era que eu ia explicar o endereço? Será que Charlie teria que me prender por vandalismo?


* * *

Cena cinco: a primeira noite que Alice retorna depois de ver Bella -cometendo suicídio?...
-Jasper não quis vir com você?-.
-Ele não aprova que eu esteja interferindo?
Eu funguei. -Você não é a única-.
Ela enrijeceu, e depois relaxou. -Isso tem alguma coisa a ver com o buraco na janela da frente da minha casa e a caixa cheia de notas de cem dólares no chão da sala de estar??
-Tem?, eu disse raivosamente. -Eu lamento pela janela. Aquilo foi um acidente?.
-Com você geralmente é. O que foi que ele fez?-
-Uma coisa chamada O Fundo do Pacífico Norte me deu um prêmio muito estranho e uma bolsa de estudos persistente. Não foi um disfarce muito bom. Quer dizer, eu não consigo imaginar que ele queria que eu soubesse que era ele, mas eu espero que ele não pense que eu sou tão estúpida?.
-Ora, aquele grande trapaceiro?, Alice murmurou.
-Exatamente?
-E ele me disse pra não olhar? Ela balançou a cabeça irritada.

* * *


Cena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto de Bella...

-Será que existe uma razão pela qual o perigo não pode resistir a você mais do que eu?- -O perigo não tenta-, eu murmurei.
-É claro, parece que você andou procurando o perigo ativamente. O que você estava pensando, Bella? Eu vi na cabeça de Charlie a quantidade de vezes que você esteve no pronto-socorro. Eu mencionei que estou furioso com você??
A voz baixa dele parecia mais dolorida do que furiosa.
-Porque? Não é da sua conta?, eu disse, envergonhada.
-Na verdade, eu me lembro especificamente de você prometendo que não faria nada descuidado?.
A minha réplica foi rápida. -E você não prometeu que não ia interferir?-
-Antes de você começar a passar dos limites?, ele qualificou cuidadosamente. -Eu estava mantendo a minha parte do acordo?.
-Oh, é mesmo? Três palavras, Edward: Fundo. Pacífico. Norte.?
Ele ergueu a cabeça pra olhar pra mim; a expressão dele estava toda confusa e inocente- inocente demais. Isso era uma denúncia por si só. -Isso devia significar alguma coisa pra mim??
-Isso é insultante.? Eu reclamei. -Quão estúpida você acha que eu sou??
-Eu não faço idéia do que você está falando?, ele disse, com os olhos arregalados. -Que seja?, eu rosnei.


* * *


Cena sete, a conclusão dessa seqüência: naquela mesma noite/manhã, quando eles chegaram na casa dos Cullen para a votação...

De repente, a luz da varanda de acendeu, e eu pude ver Esme de pé na porta. Seu cabelo esvoaçante, caramelado estava preso pra trás, e ela tinha uma espécie de espátula na mão.
-Estão todos em casa?? Eu perguntei esperançosamente enquanto subíamos os degraus.
-Sim, eles estão? Enquanto ela falava, as janelas abruptamente se encheram de luz. Eu olhei através da mais próxima delas pra ver quem havia reparado em nós, mas a panela com uma gosma grossa, cinza que estava no aparador da frente me chamou a atenção. Eu olhei para a macia perfeição do vidro, e me dei conta do que Esme estava fazendo na varanda com uma espátula.
-Oh, droga, Esme! Eu lamento muito por essa janela! Eu ia ?-
-Não se preocupe com isso?, ela interrompeu com uma risada. -Alice me contou a história, e eu tenho que dizer, eu não te culparia se você tivesse feito de propósito? Ela encarou o filho, que estava me encarando.
Eu ergui uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou uma coisa indistinta sobre cavalos de presente.

SE JACOB NÃO QUEBRASSE AS REGRAS (inclui o epílogo original)
A maior diferença (e é uma diferença enorme) entre o primeiro rascunho de New Moon e a cópia final é essa: originalmente, Bella nunca descobriu o que havia de errado com Jacob. Naquela época era um livro mais curto, que deixava de fora as setenta páginas cruciais nas quais Jacob e Bella dividem todos os seus segredos e fortalecem sua relação em uma coisa que transcende a amizade.
(Antes que você continue lendo, não deixe que esta versão te confunda. Não foi assim que -realmente aconteceu-. Enquanto o meu conhecimento do personagem de Jacob crescia, essa versão original parecia mais e mais inaceitável. (É claro que Jacob ia quebrar as regras ? ele é Jacob!) Isso é um esqueleto -, só ossos, nada de carne).
Tente imaginar isso: Bella vai até a casa de Jacob pra exigir a verdade sobre o -culto-. Jacob aparece com Sam e os outros, e aí concorda em conversar privadamente com Bella. Ele dispensa ela (na falta de uma palavra melhor pra descrever) e ela fica com o coração partido pela segunda vez no livro. Ok, isso tudo parece familiar. Mas aí naquela noite... nada acontece. Jacob não quebra as regras e entra pela janela dela pra conversar com ela. Jacob não dá nenhuma pista a ela, tentando ajuda-la descobrir o que ela já sabe. Bella ainda está isolada, sozinha. Ela não tem idéia de que Victoria está por aí, caçando ela, ou que os lobisomens estão por lá, protegendo ela.
Bella, no entanto, é persistente demais pra receber um não como resposta de Jacob. Ela não tem os mesmos problemas de auto-merecimento que interferiram em seu relacionamento com Edward de New Moon pra impedi-la aqui. Não, Jacob DEVE a ela mais que isso, droga, e ela vai cobrar o que lhe é devido.
Ela, porém, não consegue encontrar ele, e eventualmente a procura dela a leva até o topo dos penhascos. Ela se lembra de observar - a gangue- mergulhar em direção à plenitude ? vocês sabem como ela fica boba com suas alucinações. Mergulhar de penhascos é a inspiração dela nessa versão. Quando Jacob salva a vida dela dessa vez, a interação entre eles sofre uma virada de 180 graus da versão final...

-Como nós vamos sair daqui?- Eu tossi e botei as palavras pra fora. Eu estava com tanto frio agora que não conseguia sentir muito mais além do calor do corpo dele enquanto lê me segurava cuidadosamente acima das ondas, e as dores nas minhas costas. Parecia que a corrente estava puxando as minhas pernas, sem querer desistir, mas elas estavam dormentes e eu podia estar só imaginando.
-Eu vou te rebocar até a praia. Você vai ficar imóvel como se estivesse inconsciente e não vai lutar. Isso vai facilitar as coisas-.
-Jake-, eu disse ansiosamente. -A água é forte demais. Você provavelmente não va conseguir nem sozinho, quanto mais me levando-.
-Eu te pesquei, não foi?- Ele estava me segurando com força demais pra que eu údesse ver seu rosto, mas a voz dele estava presumida.
-Você pescou-, eu disse duvidosamente. -Como você fez isso? A corrente...- -Eu sou mais forte do que você-
Eu teria discutido, mas bem nessa hora a água resolveu sair do meu estômago.
-Tudo bem-, ele disse, quando eu terminei de vomitar. -Eu preciso te tirar daqui. Lembre-se, fique parada-.
Eu estava fraca demais pra discutir, mas eu estava morrendo de medo de abandonar a segurança das rochas e deixas as ondas me pegarem de novo. Reconciliada como eu estava com a idéia de que eu estava me afogando há dois minutos atrás, agora eu estava com medo. Eu não queria voltar para a escuridão. Eu não queria que a água cobrisse meu rosto novamente.
Eu pude sentir quando Jacob pulou da rocha. Eu estava de costas e ele estava me segurando por baixo dos braços enquanto se impulsionava para a costa. A água agitada nos alcançou, e eu entrei em pânico e comecei a chutar.
-Pare com isso-, ele disparou.
Eu lutei pra ficar imóvel, e era mais difícil do que eu havia imaginado, mesmo apesar dos meus membros exaustos, doloridos não quererem nada além de ficar imóveis. Foi incrível ? nós passamos através da água como se uma linha estivesse nos guiando até a costa. Jacob era o nadador mais forte que eu já havia visto. Os empurrões e apertos da corrente pareciam inúteis pra romper a forte rota que ele havia cortado através das ondas. E ele era rápido. Recorde mundial de velocidade.
Aí eu senti areia arranhando os meus joelhos.
-Tudo bem, você pode se levantar, Bella-.
Assim que ele me largou, eu caí de cara nas primeiras ondas que tinham a altura do meu joelho.
Ele me puxou pra fora antes que eu pudesse botar mais água pra dentro, me jogando com facilidade por cima de seu ombro e marchando pela areia. Ele não disse nada, mas a respiração dele parecia irritada.
-Bem ali-, ele murmurou pra si mesmo, e mudou de direção. Eu só pude ver, enquanto oscilava no ombro dele, seu pé descalço deixando pegadas enormes na areia molhada. Ele me colocou numa trilha de areia que realmente parecia seca. Estava escuro aqui ? eu me dei conta de que estávamos em uma caverna superficial que a maré havia separado das rochas. A chuva não podia me alcançar diretamente, mas pequenos salpicos de chuvisco chicoteavam na areia lá fora e batiam em mim.
Eu estava tremendo com tanta força que os meus dentes estavam se batendo ? o som parecia com o de castanholas em alto volume.
-Venha aqui-, Jacob disse, mas eu não tive que me mexer. Ele passou seus braços ao meu redor e me segurou com força em seu peito nu. Eu estremecia, mas ele estava imóvel. A pele dele estava quente demais ? como se a febre tivesse voltado.
-Você não está congelando?-, eu gaguejei.
-Não-
Eu me senti envergonhada. Não apenas ele tinha sido exponencialmente melhor que eu na água, mas agora ele tinha que me fazer parecer ainda mais fraca.
-Eu sou uma fracassada-, eu murmurei.
-Não, você é normal- A amargura estava lá na voz dele. Ele mudou de assunto rapidamente, sem me dar a chance de perguntar o que ele estava querendo dizer. -Será que você se importa em me dizer o que diabos você pensou que estava fazendo?- Ele quis saber. -Mergulhando do penhasco. Recreação-. Inacreditável, mas ainda havia água no meu estômago. Ela escolheu esse momento pra reaparecer.
Ele esperou até que eu pudesse respirar de novo. -Parece que você se divertiu-.
-Eu me diverti, até atingir a água. Será que não devíamos procurar alguma ajuda ou coisa assim?- Meus dentes ainda estavam se chocando, mas ele entendeu o que eu disse.
-Eles estão vindo-.
-Quem está vindo?- Eu perguntei, suspeitando, e surpresa.
-Sam e os outros-.
Eu fiz uma careta. -Como eles vão saber que precisamos de ajuda?- Meu tom estava cético. Ele bufou. -Porque eles me viram correr e me jogar no penhasco atrás de você-.
-Você estava me observando?- Eu acusei com fraco ultraje.
-Não, eu te ouvi gritar. Se eu tivesse te visto eu teria te parado. Aquilo foi muito estúpido, sabe-.
-Seus amigos fazem isso-.
-Eles são mais fortes que você-.
-Eu sou uma boa nadadora-. Eu protestei, apesar das provas em contrário.
-Em uma piscina de plástico-, ele discutiu. -Bella, tem um furação se formando aqui. Você não considerou isso nem um pouco?-
-Não-, eu admiti.
-Estúpida-, ele repetiu.
-É-. Eu concordei com um suspiro. Eu estava com muito frio e muito cansada.
-Fique acordada-, Jacob me sacudiu com força.
-Corta essa-, eu insisti. -Eu não vou dormir.-
-Então abra seus olhos-.
Verdadeiramente, eu não percebi que eles estavam fechados. Eu não disse isso a ele. Eu simplesmente os abri e disse. -Tá bom-.
-Jacob?- O chamado soou claramente apesar do barulho do vento e das ondas. A voz era muito profunda.
Jacob se inclinou pra longe pra não gritar no meu ouvido. -Na caverna, Sam!-
Eu não ouvi eles se aproximando. Abruptamente, a pequena caverna estava lotada de pernas marrom-escuras. Eu olhei pra cima, sabendo que meus olhos estavam cheios de desconfiança e raiva, consciente da proximidade de Jacob. Seus braços me protegiam, mas de repente eu senti eu era a protetora.
O rosto calmo de Sam foi a primeira coisa que eu vi. Uma confusa sensação de déjà vu me dominou. A caverna escura não era muito diferente da floresta à noite, e, de novo, eu estava fraca e desamparada a seus pés. Ele estava me salvando de novo. Eu encarei ele, incomodada.
-Ela está bem?- ele perguntou a Jacob com a voz segura do único adulto entre as crianças.
-Eu estou bem-, eu murmurei.
Ninguém me ouviu.
-Nós precisamos aquecê-la ? ela está ficando sonolenta- Jacob respondeu pra ele.
-Embry?- Sam chamou, e um dos garotos deu um passo à frente pra entregar uma pilha de cobertores a Jacob. O tom de comando na voz de Sam me irritou imensamente.
Era como se nenhum deles pudesse fazer alguma coisa até que ele desse permissão. Eu o encarei ferozmente enquanto Jacob enrolava os cobertores grossos ao meu redor.
-Vamos tirar ela daqui-, Sam instruiu calmamente. Ele se inclinou na minha direção com as mãos pra fora, mas parou quando eu me afastei dele.
-Eu levo ela, Sam-, Jacob disse, colocando seus braços embaixo de mim e me levantando fluidamente enquanto ficava de pé.
-Eu posso andar-, eu protestei.
-Tá bom-, Jacob me colocou de pé e esperou.
Meus joelhos fraquejaram. Sam me segurou enquanto eu caía; instintivamente, eu lutei contra as mãos dele.
Jacob me agarrou de novo, me puxando pra longe de Sam e me jogando em seus braços. Ele era ridiculamente forte pra sua idade. Eu fiz uma careta furiosa quando Sam apertou os cobertores ao meu redor.
-Paul, você está com aquela capa de chuva?-
Outro garoto deu um passo à frente sem dizer uma palavra e adicionou uma camada de plástico pra cobrir os cobertores.
Foi nesse ponto, embrulhada em camadas de proteção, que eu me dei cota de que Sam e os outros não estavam mais vestidos do que Jacob. Eu tinha presumido que Jacob havia tirado a maioria de suas roupas antes de pular atrás de mim, mas eles estavam todos de pés descalços e com os peitos nus, cada um deles usando apenas shorts ou um par de jeans cortados, pingando de tão molhados pela chuva. A chuva pingava de seus cabelos e deslizava em curvas pelo marrom suave dos seus peitos; eles não pareciam notar. Embaixo da minha pilha de cobertores, eu tremia incontrolavelmente e me sentia como um bebê ridículo.
-Vamos-, Sam ordenou, e eles saíram da caverna.
Havia uma trilha que seguia praia acima. Eles se moviam agilmente pelo caminho íngreme, Jacob tão rapidamente como o resto. Ninguém se ofereceu para ajuda-lo, e ele nunca pediu ajuda. Jacob não parecia estar incomodado por suas mãos não estarem livres. Ele nunca vacilou.
Sam e os outros três iam na nossa frente, e, enquanto eu observava subirem com facilidade pela montanha, eu fiquei surpreendida de ver o quanto eles combinavam bem o caminho natural. Eles se camuflavam harmoniosamente com as cores das rochas e das árvores, o movimento do vento; eles pertenciam a esse lugar.
Eu olhei pra Jacob, e ele combinava também. As nuvens e a tempestade e a floresta emolduravam seu novo rosto perfeitamente. Ele parecia até mais natural, mais em casa, do que o meu Jacob feliz já havia parecido em sua garagem caseira, o seu próprio reino. Isso era perturbador.
Nós havíamos chegado mais longe na estrada do que eu havia imaginado. Eu podia ver um vago caroço, com uma cor ruiva à Sul, e eu adivinhei que ele fosse minha caminhonete. Eu queria tentar caminhar de novo, mas Jacob ignorou meus rogos murmurados. Eles ficaram na extremidade da floresta, como se eles pudessem se mover com mais velocidade entre as árvores do que na estrada. E eles estavam se movendo rapidamente; a minha caminhonete estava se aproximando mais rapidamente do que devia.
-Onde estão as suas chaves?- Jacob perguntou enquanto nos aproximávamos. A respiração dele ainda estava uniforme e regular.
-No meu bolso-, eu respondi automaticamente antes de me dar conta do que ele estava sugerindo.
-Dê elas pra mim-.
Eu encarei ele, mas o rosto dele estava calmo e determinado. Solenemente, eu forcei minha mão a entrar no meu jeans molhado e procurei minha chave. Eu afastei os cobertores até que minha mão estava livre. Eu a levantei.
-Pra você ou pra Sam?- eu perguntei amargamente.
Ele revirou os olhos. -Eu vou dirigir-.
Em um movimento súbito, rápido, ele inclinou a cabeça na minha direção e arrancou a chave da minha mão com os dentes.
-Hey!- eu me opus, assustada, enquanto pulava nos braços dele.
Ele sorriu maliciosamente através da chave.

A seção anterior pareceu uma boa introdução para o epílogo original de New Moon. Enquanto nós continuamos nesse universo alternativo, lembre que, enquanto Bella sabe que há algo errado com Jacob, ela ainda não faz idéia de que ele é um lobisomem. No epílogo, ela e Edward estão juntos de novo em Forks, e as coisas estão de volta ao normal...

New Moon - Notícias de Rosalie
O telefone no meu bolso vibrou de novo. Era a vigésima quinta vez em vinte e quatro horas. Eu pensei em abrir o telefone, pelo menos pra ver quem estava tentando entrar em contato comigo. Talvez fosse importante. Talvez Carlisle precisasse de mim.
Eu pensei nisso, mas eu não me movi.
Eu não estava precisamente certo de onde eu estava. Algum sótão onde eu só podia me arrastar, cheio de ratos e baratas. As aranhas me ignoraram, e os ratos me deram bastante espaço. O ar estava pesado com os cheiros fortes de óleo de cozinha, carne rançosa, suor humano, e a camada praticamente sólida de poluição que na verdade era visível no ar úmido, como se fosse uma camada preta por cima de tudo.
Abaixo de mim, quatro andares de uma habitação raquítica do gueto estavam atreladas de vida. Eu não me importei em separar os pensamentos das vozes - elas faziam um grande barulho, alto em Espanhol que eu não escutava. Eu só deixei os sons saltarem por cima de mim. Inexpressivo. Tudo isso era inexpressivo. Minha própria existência era inexpressiva. O mundo inteiro era inexpressivo.
Minha testa estava pressionada nos meus joelhos, e eu me perguntei quanto tempo mais eu seria capaz de agüentar tudo isso. Talvez isso tudo fosse desesperançado.
Talvez, se a minha tentativa já estava mesmo predestinada ao fracasso, eu devia parar de me torturar e simplesmente voltar...
A idéia era poderosa, tão curativa - como se as palavras contivessem um forte anestésico, levando embora a montanha de dor na qual eu estava enterrado - que me deixou ofegante, me fez ficar tonto.
Eu podia ir embora agora, eu podia voltar.
O rosto de Bella, sempre atrás das minhas pálpebras, sorriu pra mim.
Era um sorriso de boas vindas, de perdão, mas ele não teve o efeito que o meu subconsciente provavelmente esperava que ele tivesse.
É claro que eu não podia voltar. O que era a minha dor, afinal, em comparação com a felicidade dela? Ela devia ser capaz de sorrir, livre do medo e do perigo. Livre de esperar por um futuro sem alma.
Ela merecia mais que isso. Ela merecia mais que eu. Quando ela deixasse esse mundo, ela deveria ir para um lugar melhor que foi pra sempre trancado pra mim, não importava o quanto eu me comportasse bem aqui.
A idéia da separação final era muito mais intensa do que a dor que eu já sentia. Meu corpo tremeu com ela. Quando Bella fosse para o lugar onde ela pertencia e eu nunca poderia ir, eu não ficaria pra trás aqui. Deve haver o esquecimento. Deve haver o alívio.
Essa era a minha esperança, mas não haviam garantias. Dormir, por acaso sonhar.
Sim, há a dor, eu citei para mim mesmo. Quando eu virasse cinzas, será que mesmo assim de alguma forma eu ainda sentiria a tortura da perda dela?
Eu estremeci de novo.
E, maldição, eu havia prometido. Eu havia prometido a ela que nunca mais assombraria a sua vida, trazendo os meus demônios negros pra dentro dela. E eu não ia dar pra trás com a minha palavra. Será que eu não podia fazer nada de correto por ela? Absolutamente nada? A idéia de voltar para a cidadezinha nublada que sempre foi o meu verdadeiro lar nesse planeta serpenteou os meus pensamentos de novo.
Só pra checar. Só pra ver de ela está bem e a salvo e feliz. Não pra interferir. Ela nunca saberia que eu estava lá...
Não. Droga, não.
O telefone vibrou de novo.
-Maldição, maldição, maldição-, eu rosnei.
Eu podia usar isso como distração, eu pensei. Eu abri o telefone e olhei o número que estava registrado e senti o primeiro choque que havia sentido em meio ano.
Porque Rosalie estaria ligando pra mim? Ela provavelmente era a única pessoa que estava aproveitando a minha ausência.
Devia estar acontecendo alguma coisa realmente errada se ela estava precisando falar comigo. Repentinamente preocupado com a minha família, eu apertei o botão pra atender. -O que?-, eu perguntei tensamente.
-Oh, uau. Edward atendeu o telefone. Eu me sinto tão honrada-.
Assim que eu ouvi o tom dela, eu soube que minha família estava bem. Ela devia estar só entediada.
Era difícil saber as motivações dela sem ter os seus pensamentos como guia. Rosalie nunca fez muito sentido pra mim. Os impulsos dela geralmente eram baseados nas lógicas mais enroladas.
Eu fechei o telefone.
-Me deixe em paz-, eu sussurrei pra ninguém.
É claro que o telefone vibrou de novo.
Será que ela continuaria ligando até ter passado qualquer que fosse a mensagem que ela estava planejando pra me chatear? Provavelmente. Iam demorar meses até que ela se cansasse desse joguinho. Eu brinquei com a idéia de deixar ela apertar o botão de re-discagem pelo próximo anos inteiro... e depois eu suspirei e atendi o telefone de novo. -Acaba logo com isso-.
Rosalie se apressou nas palavras. -Eu pensei que você ia gostar de saber que Alice está em Forks-.
Eu abri os meus olhos e encarei as vigas de madeira corrida que ficavam a três centímetros do meu rosto.
-O que?-, minha voz estava vazia, sem emoção.
-Você sabe como Alice é - ela acha que sabe tudo. Como você.- Rosalie gargalhou sem humor. A voz dela tinha uma pontada de nervosismo, como se ela de repente estivesse insegura sobre o que estava fazendo.
Mas a minha raiva não deixou eu me importar em saber qual era o problema de Rosalie. Alice havia jurado que seguiria as minhas instruções em consideração á Bella, apesar dela não concordar com a minha decisão. Ela prometeu que deixaria Bella em paz... enquanto eu deixasse. Claramente ela achava que um dia eu ia me render á dor. Talvez ela estivesse certa em relação á isso.
Mas eu não havia. Ainda. Então o que ela estava fazendo em Forks? Eu queria torcer o pescoço magrelo dela. Não que Jasper fosse me deixar chegar assim tão perto dela, quando ele sentisse o poder da fúria em mim...
-Você ainda está aí, Edward?-
Eu não respondi. Eu apertei o osso do meu nariz com as pontas dos meus dedos, me perguntando de um vampiro podia tomar remédio pra dor de cabeça.
Por outro lado, se Alice já havia voltado...
Não. Não. Não. Não.
Eu havia feito uma promessa. Bella merecia uma vida. Eu havia feito uma promessa. Bella merecia uma vida.
Eu repeti as palavras como se fossem uma reza, tentando limpar da minha cabeça a imagem sedutora da janela escura de Bella. A porta de entrada para o meu único santuário. Sem dúvida eu teria que rastejar, quando eu voltasse. Eu não me importava com isso. Eu podia passar a próxima década de joelhos e feliz se eu estivesse com ela.
Não. Não. Não.
-Edward? Você nem se importa com o porque de Alice estar lá?-
-Não particularmente-.
A voz de Rosalie se tornou um pouco presumida agora, agradada, sem dúvida, por haver me forçado a responder. -Bem, é claro que ela não está exatamente quebrando as regras. Quer dizer, você só nos avisou pra que ficássemos longe de Bella, certo? O resto de Forks não importa-.
Eu pisquei meus olhos lentamente. Bella tinha ido embora? Meus pensamentos circularam ao redor dessa idéia inesperada. Ela ainda não havia se formado, então ela devia ter voltado para a mãe. Isso era bom. Ela deveria viver no sol. Era bom que ela tivesse sido capaz de colocar as sombras pra trás dela.
Eu tentei engolir, e não consegui.
Rosalie soltou uma risada nervosa. -Então você não precisa ficar com raiva de Alice-. -Então pra que foi que você me ligou, Rosalie, se não foi pra envolver Alice em problemas? Porque é que você está me incomodando? Ugh!-
-Espere!-, ela disse, pressentindo, com razão, que eu ia desligar o telefone de novo. -Não foi por isso que eu liguei-.
-Então porque? Me diga rápido, e depois me deixe em paz -Bem-, ela hesitou.
-Bota pra fora, Rosalie. Você tem dez segundos-.
-Eu acho que você devia voltar pra casa-, Rosalie disse com pressa. -Eu estou cansada desse pesar de Esme e de Carlisle que não sorri nunca. Você devia se envergonhar muito do que fez com eles. Emmett sente a sua falta o tempo todo e isso já está me deixando nervosa. Você tem uma família. Vê se cresce e pensa em alguém além de si mesmo-.
-Conselho interessante, Rosalie. Me deixe te contar uma historinha sobre um espelho...-
-Eu estou pensando neles, diferente de você. Será que você não se importa nem um pouquinho com o que está fazendo com Esme, se não com os outros? Ela ama mais você do que o resto de nós, você sabe disso. Venha pra casa-.
Eu não respondi.
-Eu pensei que quando essa coisa de Forks estivesse resolvida, você ia superar tudo-.
-Forks nunca foi o problema, Rosalie-, eu disse, tentando ser paciente. O que ela disse sobre Carlisle e Esme tinha atingido uma veia. -Só porque Bella- - era difícil dizer o nome dela em voz alta - -se mudou para a Flórida, isso não significa que eu sou capaz de... Olha, Rosalie.
Eu realmente lamento muito, mas, confie em mim, eu não faria ninguém mais feliz se eu estivesse aí-.
-Umm-
Lá estava, a hesitação nervosa de novo.
-O que é que você não está me contando, Rosalie. Esme está bem? Carlisle está -- -Eles estão bem. É só que... bem, eu não disse que Bella havia se mudado-.
Eu não falei. Eu repassei a conversa na minha cabeça. Sim, Rosalie havia dito que Bella tinha se mudado. Ela tinha dito:... Você só tinha nos avisado pra ficar longe de Bella, certo. O resto de Forks não importa. E depois:Eu pensei que quando essa coisa de Forks estivesse resolvida... Então Bella não estava em Forks. O que ela queria dizer com, Bella não havia se mudado?
Então Rosalie se apressou nas palavras de novo, as dizendo quase com raiva dessa vez. -Eles não quiseram te dizer, mas eu acho isso estúpido. Quanto mais rápido você superar isso, mais cedo as coisas vão voltar ao normal. Pra que deixar você feito um palerma nos esquinas escuras do mundo quando não existe necessidade pra isso?
Você pode voltar pra casa agora. Nós podemos ser uma família de novo. Está acabado-. Minha mente parecia estar se quebrando. Eu não conseguia entender o sentido das palavras dela. Era como se houvesse alguma coisa muito, muito óbvia que ela estava me dizendo, mas eu não tinha idéia do que era.
Meu cérebro brincou com a informação, fazendo estranhos padrões com ela. Sem sentido. -Edward?-
-Eu não entendo o que você está tentando me dizer, Rosalie-.
Uma longa pausa, a duração de algumas batidas de coração humano.
-Ela está morta Edward-.
Uma pausa mais longa.
-Eu... lamento. Porém, você tinha o direito de saber, eu acho. Bella... se jogou de um penhasco há dois dias atrás. Alice viu, mas era tarde demais pra fazer alguma coisa. Mas eu acho que ela teria ajudado, quebrado a palavra dela, se houvesse tido tempo.
Ela voltou pra fazer o que podia por Charlie. Você sabe como ela sempre se importou por ele --
O telefone ficou mudo. Eu levei alguns segundos pra perceber que havia desligado o telefone.
Eu me sentei na escuridão poeirenta com um tempo longo, congelado. Era como se o tempo tivesse acabado. Como se o universo tivesse parado.
Lentamente, me movendo como um homem velho, eu liguei o telefone de novo e liguei para o único número que eu prometi a mim mesmo que nunca ligaria de novo.
Se ela atendesse, eu ia desligar. Se fosse Charlie, eu ia pegar a informação que precisava por algum subterfúgio. Eu ia provar que a piadinha doentia de Rosalie estava errada, e depois ia voltar para o meu vazio.
-Residência dos Swan-, atendeu uma voz que eu nunca tinha ouvido antes. Uma voz de homem rouca, profunda, mas ainda jovem.
Eu não parei pra pensar nas implicações disso.
-Aqui é o Dr. Carlisle Cullen-, eu disse, imitando perfeitamente a voz de meu pai. -Será que eu poderia por favor falar com Charlie?-
-Ele não está aqui-, a voz disse, e eu fiquei levemente surpreso pela raiva contida nela. As palavras foram quase um rugido. Mas isso não importava.
-Bem, onde ele está então?-, eu quis saber, ficando impaciente.
Houve uma curta pausa, como se o estranho estivesse tentando esconder a informação de mim.
-Ele está no funeral-, o garoto finalmente respondeu.
Eu desliguei o telefone de novo.

NEW MOON - Erro de Calculo
Um pequeno murmúrio de som - não aqui, á umas centenas de metros ao norte - me fez pular. Minha mão agarrou automaticamente o telefone, trazendo o telefone mais pra perto e escondendo ele com o mesmo movimento.
Eu joguei meu cabelo por cima do ombro, dando uma olhadinha para as altas janelas que davam para a floresta. O dia estava escuro e sombrio; o meu próprio reflexo era mais claro do que as árvores e as nuvens. Eu olhei para os meus olhos arregalados, alarmados, os meus lábios estavam curvados pra baixo nos cantos, havia uma pequena ruga vertical entre as minhas sobrancelhas...
Eu fiz uma carranca, apagando a expressão de culpa e colocando uma de escárnio em seu lugar. Um escárnio atraente.
Ausentemente eu reparei o quanto aquela expressão furiosa combinava com o meu rosto, contrastando muito bem com o dourado benigno dos meus cachos grossos. Ao mesmo tempo, os meus olhos rastreavam a floresta vazia do Alaska, e eu fiquei aliviada de ver que eu ainda estava sozinha. O som não era nada - um pássaro ou a brisa.
Não havia motivo para alívio, eu disse pra mim mesma. Não há motivo para culpa. Eu não havia feito nada de errado.
Será que os outros estavam planejando nunca contar a verdade a Edward? Deixá-lo chafurdar na angústia em uma favela suja pra sempre, enquanto Esme vivia pesarosa e Carlisle ficava tentando adivinhar todos os seus passos e a alegria natural da existência de Emmett ia se secando junto com a sua solidão?
Como isso era justo?
Além do mais, não tinha jeito de esconder segredos de Edward por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde ele teria vindo nos encontrar, pra ver Alice ou Carlisle por algum motivo, e aí ele iria descobrir a verdade. Será que ele ia nos agradecer por termos mentido pra ele com o nosso silêncio? Dificilmente. Edward sempre tinha que saber de tudo; ele vivia por aquele sentido de onisciência. Ele teria um enorme acesso de fúria, e isso ia ficar ainda pior pelo fato de termos escondido a morte de Bella dele.
Quando ele se acalmasse e superasse toda essa bagunça, ele provavelmente ia me agradecer por ter sido a única a corajosa o suficiente pra ser honesta com ele. A quilômetros de distância, um gavião gritou; o som me fez pular e eu olhei para a janela de novo. Meu rosto continuava com a mesma expressão de raiva de antes, e eu rosnei pra mim mesma no vidro.
Tudo bem, então eu tinha a minha própria agenda. Será que era uma coisa tão ruim querer que a minha família estivesse junta de novo? Será que era tão egoísta sentia falta da paz de todos os dias, da alegria subjacente que eu já considerava garantida, a alegria que Edward havia levado com ele naquele avião?
Eu só queria as coisas do jeito como elas eram antes. O que havia de errado? Não parecia tão horrível. Afinal, eu não havia feito isso somente por mim, mas por todos. Esme e Carlisle e Emmett. Não tanto por Alice, apesar de eu ter pensado... Mas Alice tinha estado tão certa da forma como as coisas terminariam no final - que Edward seria incapaz de ficar longe da sua namoradinha humana - que ela nem se incomodou em lamentar. Alice sempre funcionou de um jeito diferente do resto de nós, trancada em sua realidade que estava sempre mudando. Já que Edward era o único que podia participar da sua realidade, eu pensei que a ausência dele seria mais difícil pra ela. Mas ela estava segura como sempre, vivendo o futuro, com sua mente em um tempo onde o seu corpo não podia alcançá-la. Sempre tão calma. No entanto, ela ficou frenética o suficiente quando viu Bella pular...
Será que eu havia sido muito impaciente? Agido rápido demais?
Eu precisava ser honesta comigo mesma, porque Edward veria cada pedacinho da petulância na minha decisão assim que ele chegasse em casa. Eu precisava saber das minhas más motivações e aceitá-las agora.
Sim, eu tinha inveja do jeito que Alice se sentia em relação á Bella. Será que Alice ia sair correndo com tanta pressa, tão louca de pânico, se ela tivesse visto que era eu pulando de um penhasco?
Será que ela precisava amar aquela garota humana comum tão mais do que a mim? Mas a inveja era só uma coisinha pequena. Eu posso ter apressado a minha decisão, mas não foi isso o que me controlou. Eu teria ligado pra Edward da mesma maneira.
Eu tinha certeza de que ele preferia a minha honestidade cega do que a decepção mais gentil dos outros. A bondade deles estava condenada desde o início; Edward ia ter que voltar pra casa eventualmente.
E agora ele ia voltar pra casa mais cedo.
Não era só da felicidade da minha família que eu sentia falta.
Honestamente eu tinha saudades de Edward também. Eu sentia falta das observações agudas dele, o humor negro que estava mais em sintonia com o meu próprio, do que o espírito ensolarado, e as piadas de Emmett. Eu sentia falta da música - o som dele no volume mais alto no seu estúdio improvisado, e do piano, o som de Edward tecendo os seus pensamentos geralmente remotos e deixando-os transparentes através da música. Eu sentia falta dele sussurrando na garagem ao meu lado enquanto tunávamos os carros, o único momento em que estávamos em perfeita sintonia.
Eu sentia falta do meu irmão. Certamente ele não me julgaria muito mal quando visse isso nos meus pensamentos.
Seria desconfortável por um tempo, eu sabia disso. Mas quanto mais cedo ele voltasse pra casa, mais cedo as coisas voltariam ao normal de novo...
Eu procurei em minha mente algum pesar por Bella, e fiquei satisfeita de ver que eu lamentava pela garota. Um pouco. Pelo menos, isso: ela fez Edward feliz de um jeito que eu nunca o havia visto antes. É claro, ela também o deixou mais infeliz do que qualquer outra coisa em seu século de vida. Mas eu ia sentir falta da paz que ela deu pra ele durante aqueles poucos meses. Eu realmente lamentava a perda dela.
Esse pensamento fez eu me sentir melhor em relação a mim mesma, complacente. Eu sorri para o meu próprio rosto no vidro, cercado pelos meus cabelos dourados e as paredes vermelhas da sala de estar longa, confortável de Tânia, e aproveitei a vista.
Quando eu sorria, não havia mulher ou homem nesse planeta, mortal ou imortal, que pudesse se comparar a mim em padrões de beleza. Esse era um pensamento confortante. Talvez eu não fosse a pessoa mais fácil pra se conviver. Talvez eu fosse superficial e egoísta. Talvez eu tivesse um caráter melhor se tivesse nascido com um rosto comum e um corpo sem graça. Talvez eu fosse mais feliz dessa forma. Mas isso era impossível de comprovar. Eu tinha a minha beleza; era uma coisa com a qual eu podia contar. Meu sorriso aumentou.
O telefone tocou e eu automaticamente apertei minha mão, apesar do som ter vindo da cozinha, não do meu pulso.
Eu soube imediatamente que era Edward. Ligando pra checar a informação que eu tinha dado. Ele não confiava em mim. Aparentemente, ele me achava cruel o suficiente pra fazer piada com isso. Eu fiz uma carranca enquanto me movimentava para a cozinha pra atender o telefone de Tânia.
O telefone estava bem na pontinha do longo balcão de açougue. Eu o peguei antes que o toque acabasse, e me virei para olhar para as portas Francesas enquanto atendia. Eu não queria admitir, mas eu sabia que estava esperando a volta de Emmett e Jasper. Eu não queria que eles me ouvissem falando com Edward. Eles iam ficar com raiva...
-Sim?-, eu respondi
-Rose, eu preciso falar com Carlisle agora-, Alice disparou.
-Oh, Alice! Carlisle está caçando. O que - ?-
-Tudo bem, assim que ele voltar-.
-O que é? Eu vou procurar por ele agora mesmo e pedir pra ele te ligar -- -Não-, Alice interrompeu de novo. -Eu vou estar num avião. Olha, você teve alguma notícia de Edward?-
Foi estranha a forma como o meu estômago revirou, ele pareceu descer no meu abdômen. O sentimento veio com um estranho dejá vu, uma fraca pontada de uma memória humana perdida a muito tempo.
Náusea...
-Bem, sim, Alice. Na verdade. Eu falei com Edward. Há apenas alguns minutos-. Por um breve segundo eu brinquei com a idéia de fingir que Edward tinha me ligado, só uma coincidência ocasional.
Mas é claro que não havia nenhuma necessidade de mentir. Edward ia me dar problemas quando voltasse pra casa.
Meu estômago começou a se apertar estranhamente, mas eu o ignorei. Eu decidi ficar com raiva. Alice não devia agir desse jeito comigo. Edward não queria mentiras; ele queria a verdade. Ele me apoiaria nisso quando voltasse pra casa.
-Você e Carlisle estavam errados-, eu disse. -Edward não ia gostar de ser enganado. Ele queria a verdade. Queria sim. Então eu a dei pra ele. Eu liguei pra ele... Eu o liguei muito-, eu admiti. -Até que ele atendeu. Deixar uma mensagem teria sido... errado-.
-Porque?-, Alice asfixiou. -Porque você faria isso, Rosalie?-
-Porque quando mais cedo ele se acostumar com isso, mais cedo as coisas voltarão ao normal. As coisas não iam se facilitar com o tempo, então pra que atrasar? O tempo não vai mudar nada. Bella está morta. Edward irá se lamentar e depois ele vai superar. É melhor ele começar agora do que mais tarde-.
-Bem, no entanto, você está errada das duas formas, Rosalie, então isso seria um problema, você não acha?-, Alice perguntou num tom furioso, violento.
Errada das duas formas? Eu pisquei rapidamente, tentando entender.
-Bella ainda está viva?-, eu sussurrei, sem acreditar nas palavras. Só tentando descobrir a que formas Alice estava se referindo.
-Sim, é isso mesmo. Ela está absolutamente bem --
-Bem? Você viu ela pulando de um penhasco!-
-Eu estava errada-
As palavras pareciam tão estranhas na voz de Alice. Alice, que nunca estava errada, que nunca era pega de surpresa...
-Como?-, eu cochichei.
-É uma longa história-.
Alice estava errada. Bella estava viva. E eu tinha dito...
-Bem, você fez uma tremenda confusão-, eu rosnei, transformando o meu pesar em acusação. -Edward vai ficar furioso quando voltar pra casa-.
-Mas você está errada sobre essa parte também-, Alice disse. Eu podia notar que ela estava falando por entre os dentes. -É por isso que eu estou ligando...-
-Errada sobre o que? Edward voltar pra casa? É claro que ele vai-, eu ri de zombaria.
-O que? Você acha que ele vai dar uma de Romeu? Ha! Como algum estúpido, romântico -- -Sim-, Alice assobiou, a voz dela estava como gelo. -Foi exatamente isso o que eu vi-.
A dura convicção das palavras dela fizeram os meus joelhos ficarem esquisitamente instáveis. Eu me agarrei ao suporte de madeira da parede pra ter apoio - apoio que o meu corpo duro como diamante não precisava. -Não. Ele não é tão estúpido. Ele - ele deve se dar conta disso - -
Mas eu não consegui terminar o resto da frase, porque eu podia na minha cabeça, uma visão de mim mesma. Uma visão de mim. Uma visão impensável da minha vida se Emmett deixasse de existir. Eu estremeci horrorizada pela idéia.
Não - não havia comparação. Bella era só uma humana. Edward não queria que ela fosse imortal, então não era o mesmo. Edward não podia sentir o mesmo!
-Eu - eu não queria que as coisas fossem assim, Alice! Eu só queria que ele voltasse pra casa!-, minha voz era quase um uivo.
-É um pouco tarde pra isso, Rose-, Alice disse, mais dura e mais fria do que antes. -Guarde o seu remorso pra alguém que acredite nele-.
Houve um click, e depois o som da linha.
-Não-, eu sussurrei. Eu balancei minha cabeça lentamente por um momento. -Edward tem que voltar pra casa-.
Eu olhei para o meu rosto no painel de vidro das portas Francesas, mas eu não conseguia mais vê-lo. Era só um vulto sem forma de branco e dourado.
Depois, apesar de tudo, á distância na mata, uma enorme árvore desabou erraticamente, fora de contexto com o resto da floresta. Emmett.
Eu arranquei a porta pra fora do meu caminho. Ela fez um barulho agudo contra a parede, mas o som estava muito atrás de mim enquanto eu corria em direção ao verde. -Emmett!-, eu gritei. -Emmett, socorro!-

A AUTORA NÃO PUBLICOU CENAS OU CAPÍTULOS DE ECLIPSE NEM DE BREAKING DAWN.

Um comentário :

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