quinta-feira, agosto 11, 2011

Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social



Principais críticas/argumentos:

1 - A campanha responsabiliza o aluno EAD, como se o mesmo tivesse opção de escolha, e não atinge diretamente a política brasileira de ensino superior e os grandes “barões” da educação/ A campanha é desrespeitosa, preconceituosa e discrimina o aluno EAD/ A campanha contraria o Código de Ética e desconsidera a “inclusão social” (termo repedido por vários alunos):
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, não são fundados no desconhecimento e no preconceito, nem são dirigidos aos/às estudantes e trabalhadores/as do EAD.  Esta campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior, profundamente mercantilizada e discriminatória. Uma política que reforça as desigualdades sociais e regionais do país; que assegura aos ricos o ensino de qualidade e aos que não possuem condições para acessar as poucas instituições de graduação públicas presenciais ou de custear a sua própria formação de qualidade são ofertados os cursos de EAD – expressão máxima da precarização e da mercantilização da educação. Essa expansão não garante acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade.

Nesse sentido, a Campanha se apresenta profundamente afinada com os princípios fundamentais do Código de Ética do/a Assistente Social, visto que nossos argumentos e posicionamentos expressam a defesa da equidade e da justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais – neste caso, a defesa da universalidade de acesso à política social de educação que garanta ensino superior público, presencial e de qualidade; expressam ainda como o nosso projeto profissional está vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero, visto que nossa crítica refere-se à lógica mercantil que tem direcionado a política de educação nosso país e à nossa luta contra-hegemônica numa sociedade que se funda a partir das desigualdades entre os sujeitos. Expressam, sobretudo, o nosso compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população, já que a defesa da formação de qualidade indica maiores possibilidades de qualidade no exercício da profissão. Por fim, faz-se urgente e necessário destacar que nossa campanha não é excludente, nem preconceituosa, nem discriminatória. Ao contrário, nossa defesa é da democratização do acesso, pela via da igualdade de condições e não pela falácia da igualdade de oportunidades, pela via do reconhecimento e materialização da educação como direito e não como mercadoria. O ônus da política educacional mercantilizada que vem sendo feita por sucessivos governos não deve recair sobre os/as estudantes e trabalhadores/as envolvidos/as com EAD, e muito menos sobre as entidades do Serviço Social brasileiro. Nossa tarefa é exigir do Estado a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos/as e a garantia da qualidade da oferta. Trata-se de denunciar quem se beneficia com a educação à distância: de um lado os “tubarões” do ensino, que ficam cada vez mais ricos e que têm um único objetivo - vender uma mercadoria. E de outro lado, o governo, que se desobriga da execução da política pública de educação e acena com a mão do mercado o EAD como única saída. Reafirmamos que reconhecemos a legitimidade da demanda dos/as estudantes de terem acesso ao ensino superior e lutaremos cotidianamente para que este acesso seja gratuito, presencial e de qualidade.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela ABEPSS para conhecerem a direção teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política para os cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO



2) A campanha é pouco fundamentada e generalista, pois diversas faculdades EAD “são boas” e não têm nada a ver com os fatos que apresentamos/ O MEC, como instância máxima da Educação, autoriza estes cursos, portanto, o EAD é legal e não podemos criticá-lo/ O Conjunto (CFESS, CRESS, ABEPSS e ENESSO) deveria fazer uma campanha pela qualidade na formação, inclusive nos cursos EAD, e não para acabar com esta modalidade de ensino/ O Conjunto não “fiscalizou” todas as instituições EAD, por isso, nossa campanha não é válida:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que desde 2000, quando da realização de um Seminário com a participação das três entidades representativas da categoria de Assistentes Sociais para análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, 1996) e suas consequências para o ensino superior, vimos mantendo uma posição crítica à presença das forças de mercado na educação, incorporada largamente pela legislação brasileira, cuja maior expressão são as normas de apoio e incentivo ao Ensino à Distância - EAD. Sendo assim, considerando a necessidade de conhecer melhor a organização e dinâmica de funcionamento dessa modalidade, bem como levantar dados sobre a realidade do ensino de graduação à distância, para o seu conseqüente enfrentamento, que em setembro de 2008, a partir de seu 37º Encontro Nacional, o Conjunto CFESSCRESS constituiu o Grupo de Trabalho e Formação Profissional, formado pelo CFESS, por um/a representante dos CRESS de cada região do país e por um/a representante das direções nacionais da ABEPSS e da ENESSO. Este Grupo de Trabalho teve com o objetivo de construir e monitorar a implementação de um Plano de Lutas em Defesa do Trabalho e da Formação e Contra a Precarização do Ensino Superior, em face das mudanças suscitadas pela promulgação da LDB em 1996. Com a finalização do Plano em abril de 2009, desencadeamos estratégias de colher o máximo de informações sobre a precarização do ensino superior, especialmente sobre a penetração do EAD, no âmbito da graduação em Serviço Social.

O documento intitulado Sobre a incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social tornou públicos os resultados deste trabalho, reunindo dados e análises coletados e produzidos neste período, muitas vezes num esforço conjunto entre os CRESS e as Diretorias Regionais da ABEPSS. Foram produzidos pelos CRESS 14 documentos, retratando a precária situação de oferta de graduação à distância nas cinco regiões do país. Como estratégias para a coleta desses dados, foram realizados diversos procedimentos, desde a pesquisa documental – incluindo documentos disponibilizados pelas próprias Instituições de Ensino, as legislações sobre o EAD, sites, materiais didáticos utilizados pelos cursos – passando pela realização de reuniões com estudantes, tutores/as, assistentes sociais supervisores/as de estágio e coordenadores/as dos pólos, até a realização de visitas em telessalas e núcleos de formação do Ensino à Distância, bem como o levantamento das denúncias que chegaram às Comissões de Orientação e Fiscalização dos CRESS. Todos esses procedimentos - que foram documentados e arquivados nas sedes dos CRESS – consubstanciam nossa veemente defesa de incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social. Ou seja, diante das fragilidades e irregularidades constatadas, também não identificamos, no acúmulo das informações e das análises, a possibilidade de qualificar tais cursos. Os dados identificados sobre o processo global de formação (bibliografias utilizadas, dinâmica pedagógica, avaliações, estágio curricular, perfil dos/as tutores/ as e outros componentes relacionados ao projeto pedagógico) confrontam radicalmente com nossos compromissos e princípios. Colidem, também, com os conteúdos, habilidades e competências estabelecidas nas Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social, e com os instrumentos normativos afetos ao estágio (Lei 11.788/2008, Resolução CFESS 533/2008 e Política Nacional de Estágio/ABEPSS) e, ainda, com as atribuições e competências dos/as assistentes sociais previstas na Lei 8.662/199. Todos esses elementos demonstraram o descompromisso das Instituições de Ensino com a formação profissional substantivamente de qualidade e a falta de controle e acompanhamento sistemático da expansão e prestação de serviços dessas instituições por parte do Ministério da Educação (MEC) – instituição legalmente responsável por realizar a fiscalização dos cursos. O que identificamos foi que o processo de credenciamento junto ao MEC tem ocorrido de maneira superficial, não estabelecendo condicionalidades para a avaliação estatal in loco com vista à confirmação das informações prestadas pelas instituições proponentes, como ocorre nos casos dos cursos de graduação presenciais. Inclusive, existem normativas por parte deste Ministério que reconhece os cursos sem a realização de visita e avaliação.

Nossa tarefa é exigir do Estado a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos/as e a garantia da qualidade da oferta. Trata-se de denunciar quem se beneficia com a educação à distância: de um lado os “tubarões” do ensino, que ficam cada vez mais ricos e que têm um único objetivo - vender uma mercadoria. E de outro lado, o governo, que se desobriga da execução da política pública de educação e acena com a mão do mercado o EAD como única saída. Reafirmamos que reconhecemos a legitimidade da demanda dos/as estudantes de terem acesso ao ensino superior e lutaremos cotidianamente para que este acesso seja gratuito, presencial e de qualidade.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO


3 - A campanha acirra a disputa entre aluno/profissional EAD e presencial de quem é mais qualificado/ Não importa sé é EAD ou presencial, que a formação com qualidade depende do aluno/ O Conjunto está atrasado e não acompanha as novas tendências de ensino, como o EAD:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, não têm como objetivo acirrar a disputa entre os indivíduos, polarizando a discussão entre os estudantes do EAD e os estudantes da modalidade presencial. O debate sobre a formação profissional em Serviço Social não pode ser conduzido por estas ambigüidades rasas, muito pelo contrário, envolve questões complexas e que dizem respeito a toda categoria profissional, ou seja, essa não é uma questão individual, e sim, coletiva.  Esta campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior, profundamente mercantilizada e discriminatória. Uma política que reforça as desigualdades sociais e regionais do país; que assegura aos ricos o ensino de qualidade e aos que não possuem condições para acessar as poucas instituições de graduação públicas presenciais ou de custear a sua própria formação de qualidade são ofertados os cursos de EAD – expressão máxima da precarização e da mercantilização da educação. Essa expansão não garante acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade.

A natureza da formação profissional em Serviço Social é incompatível com a graduação à distância, visto que esta modalidade não garante o acompanhamento do estágio obrigatório conforme orientam os instrumentos normativos os instrumentos normativos afetos ao estágio (Lei 11.788/2008, Resolução CFESS 533/2008 e Política Nacional de Estágio/ABEPSS). Não garante a valorização da dimensão investigativa, da integração entre ensino, pesquisa e extensão tão fundamentais ao processo formativo dos assistentes sociais e embasados nos princípios e diretrizes do Projeto Ético-Político Profissional. Não é possível garantir, à distância, uma organização curricular que favoreça a integração entre as disciplinas, bem como o diálogo entre professores e estudantes, entre os estudantes de Serviço Social e entre os estudantes deste curso e das demais graduações. Nesse contexto, a própria organização política coletiva dos estudantes e docentes, tão atuantes na história do Serviço Social brasileiro, encontra-se impossibilitada. Na graduação à distância, centrada no ensino virtual ou mediado por mídias, essa condição é inviabilizada, diante da automização das telessalas e pólos, das vivências individuais do processo de ensino-aprendizagem, que não possibilitam as práticas organizativas e coletivas dos/as estudantes e dos/as trabalhadores/as envolvidos/as. Essa posição não significa, por parte das entidades, uma negação ou a desqualificação do processo de avanços tecnológicos. Técnicas e invenções pedagógicas que combinem tecnologia e interatividade podem e devem ser suporte ao processo de ensino-aprendizagem presencial, mas não substituem, de forma alguma, o diálogo, o encontro, a pesquisa, a extensão, a orientação, a supervisão direta e a organização política dos sujeitos participantes do processo educacional. Além disso, a educação implica processos pessoais e sociais de relação entre o ensinado e o aprendido e a realidade vivida, no contexto cultural situado, produzindo pessoal e coletivamente a existência social e individual. A riqueza que os ambientes universitários podem proporcionar em termos de processos de interação social é difícil de ser reproduzida em ambientes virtuais. O ambiente potencial de convívio e de troca de experiências pessoais e coletivas, do conhecimento tácito, apresenta-se como uma realidade difícil de ser recriada.

O direito ao ensino superior gratuito e de qualidade urge ser materializado em condições de oferecer aos/às estudantes formação crítica que os/as prepare para o exercício profissional e também amplie suas condições de atuar em um mundo cada vez mais complexo, na perspectiva de torná-lo substantivamente igualitário e humano. Exige ainda ser materializado de forma a oferecer aos/às docentes condições de trabalho dignas, com estabilidade e direitos trabalhistas garantidos, com regulamentação do cargo e da jornada, além de salário compatível com a responsabilidade das atribuições que desenvolve. Tutor/a não é professor/a. Tutor/a não é supervisor/a acadêmico/a de estágio. Aula não é tutoria. O processo de ensino-aprendizagem em Serviço Social não se encerra nos conhecimentos específicos da profissão, necessita de um conjunto de outras ciências, sem as quais não conseguimos decifrar a realidade na sua totalidade e complexidade. Logo, a qualidade da formação profissional não pode ser de responsabilidade única do/a estudante. Muitos são os elementos necessários para se alcançar esta qualidade, o compromisso individual do/a estudante é apenas um deles.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO


4 - O Conjunto é contra a expansão do ensino superior no país:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, não são fundados no desconhecimento e no preconceito, nem são dirigidos aos/às estudantes e trabalhadores/as do EAD.  Esta campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior, profundamente mercantilizada e discriminatória. Uma política que reforça as desigualdades sociais e regionais do país; que assegura aos ricos o ensino de qualidade e aos que não possuem condições para acessar as poucas instituições de graduação públicas presenciais ou de custear a sua própria formação de qualidade são ofertados os cursos de EAD – expressão máxima da precarização e da mercantilização da educação. Essa lógica expansionista da educação reflete a perfeita combinação entre os interesses do mercado interno e os interesses políticos governamentais de elevação dos indicadores quantitativos relativos ao ensino superior, para atrair novos investimentos estrangeiros para o país. Essa expansão não garante acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade.

Nota-se que, em detrimento do aumento de vagas em Instituições de Ensino públicas e presenciais ou da criação de cursos de Serviço Social nas Universidades Públicas que ainda não o têm, ocorre a massificação via EAD ou a utilização do fundo público para financiar bolsas de estudos nas Instituições privadas, através da ampliação do PROUNI. Esta é a viva expressão de um projeto de nação que não atende aos interesses das maiorias. No Brasil, o ensino superior é privilégio de poucos. Mais de 80% dos cursos são oferecidos por instituições privadas. O discurso falacioso da democratização pode ser facilmente identificado se observarmos a forma como o governo tem atendido às diferenças regionais de acesso ao ensino superior – na região Norte, por exemplo.

O direito ao ensino superior gratuito e de qualidade urge ser materializado em condições de oferecer aos/às estudantes formação crítica que os/as prepare para o exercício profissional e também amplie suas condições de atuar em um mundo cada vez mais complexo, na perspectiva de torná-lo substantivamente igualitário e humano. Exige ainda ser materializado de forma a oferecer aos/às docentes condições de trabalho dignas, com estabilidade e direitos trabalhistas garantidos, com regulamentação do cargo e da jornada, além de salário compatível com a responsabilidade das atribuições que desenvolve. Tutor/a não é professor/a. Tutor/a não é supervisor/a acadêmico/a de estágio. Aula não é tutoria. O processo de ensino-aprendizagem em Serviço Social não se encerra nos conhecimentos específicos da profissão, necessita de um conjunto de outras ciências, sem as quais não conseguimos decifrar a realidade na sua totalidade e complexidade. Todo este contexto aponta os níveis de desigualdades que atingem o Brasil e nos fazem reforçar uma campanha conduzida pelo Conjunto CFESS-CRESS anos atrás: “O Brasil precisa de Assistentes Sociais”. O que se problematiza neste momento é a “produção” de profissionais em massa e com conteúdos banalizados. É a qualidade do ensino que está sendo oferecido, que não assegura o perfil profissional previsto nas Diretrizes Curriculares. É a educação bancária e mercantilizada que não garante o Serviço Social comprometido com as mudanças que o Brasil precisa para se tornar verdadeiramente democrático e justo. O país precisa de assistentes sociais capacitados/as em uma perspectiva de totalidade e crítica para defender direitos, formular e executar políticas sociais capazes de reduzir as desigualdades e combater a violência em todas as suas expressões. Essa, longe de ser uma posição meramente ideológica, refere-se à firme defesa da densidade teórico-prática e ético-política que deve orientar a formação do/a profissional de qualidade que o país requer.

Nossa tarefa é exigir do Estado a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos/ as e a garantia da qualidade da oferta. Trata-se de denunciar quem se beneficia com a educação à distância: de um lado os “tubarões” do ensino, que ficam cada vez mais ricos e que têm um único objetivo - vender uma mercadoria. E de outro lado, o governo, que se desobriga da execução da política pública de educação e acena com a mão do mercado o EaD como única saída. Desse modo, o ensino de graduação à distância assume a condição de um novo fetiche social, pois, em nível da aparência do fenômeno, apresenta-se como democratização do acesso, o que esconde sua essência mercantil.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO





5 – Resposta para os e-mails de apoio a Campanha:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação. Todo apoio é importante para que possamos ampliar a nossa luta e nos fortalecermos enquanto categoria profissional comprometida com os interesses da classe trabalhadora.
“O tempo escorre pela ampulheta.
É ele o contador da história que construímos.
O tempo que cura saudades, que em mais-valia capitalista
explora cada trabalhador/a na sua labuta.
O tempo é também contradição,
que prepara a luta,
tece a resistência,
da mulher contra sua opressão,
dos/as sem terra contra os latifúndios,
dos/as idosos/as contra a indiferença,
do povo que resiste ao jugo da tirania e barbárie.
O tempo hoje exige emancipação humana.
Não quer mais silenciar, omitir, ignorar, obliterar.
O tempo quer ser outro, quer se escrever em outras páginas,
quer se revelar, ebulir de indignação, denunciar, se revolucionar.
O tempo deve ser o nascedouro da palavra,
do grito sufocado por justiça,
dos amores libertários que há tempos se escondem em guetos.
O tempo prescinde de poesia, música, da prosa, da roda de viola,
deve abrir alas para alegria,
para a diversidade em arco-íris desfilar
em paradas em céu aberto e claro do dia.
Este é o tempo do desejo,
da defesa dos direitos,
de reafirmar atitudes críticas e combativas.
É o tempo da semeadura de sonhos.
Que este tempo que brota da nossa resistência
adormeça a dor, a tristeza, o preconceito, o individualismo
e que possa colorir o cinza das cidades concretadas cheias de
medo,
tão insensíveis às pessoas e à flor que reitera na calçada.
Que este tempo possa renovar a alquimia
de nossas conquistas de cada dia.
E que o tempo que nós vivemos traga na sua outra face
a sonoridade da liberdade, um verde mais vicejante de esperança.
E que em todos os seus versos
tenha a emergência da luta e da resistência,
no tempo em que lutar
é tão necessário quanto viver, respirar...”
Tempo de luta e resistência... - Andréa Lima

Cordialmente,
Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO

6 - Por que nosso exercício profissional exige a formação presencial?
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, vem evidenciar a importância da formação de qualidade e a devida atenção aos princípios fundamentais que sustentam o Serviço Social para um exercício profissional compatível com os desafios de atuar nas diferentes, múltiplas e contraditórias expressões da questão social na realidade brasileira.

Assim, de acordo com as Diretrizes Curriculares, a formação profissional deve viabilizar uma capacitação teórico-metodológica e ético-política, como requisito fundamental para o exercício de atividades técnico-operativas, com vistas à apreensão crítica dos processos sociais numa perspectiva de totalidade.

Para isso, cabe desenvolver durante a formação a capacidade de análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo no país, considerando as particularidades regionais. Esse movimento pressupõe a inserção dos sujeitos nesta realidade local, com aproximação teórico-prática nas diversas disciplinas, articulando ensino, pesquisa e extensão (atividades eminentemente orientadas e realizadas presencialmente).

As Diretrizes indicam ainda a necessidade do rigoroso trato teórico, histórico e metodológico da realidade social e do Serviço Social, que possibilite a compreensão dos problemas e desafios com os quais o profissional se defronta no universo da produção e reprodução da vida social, o que pressupõe a vivência dos estudantes no ambiente acadêmico, com interação com outras áreas do conhecimento, sujeitos sociais, cultura, organização política, dentre outras experiências do cotidiano universitário que completam uma formação de qualidade.

A lógica curricular aponta para a importância da articulação entre as disciplinas, promovidas por meio de atividades que integrem o ensino, a pesquisa e a extensão, baseadas em demandas e problemas da realidade sócio-econômica que envolve a dinâmica social que os sujeitos estão inseridos, uma vez que esta realidade não deve ser vista de forma fragmentada e desconectada das reais demandas da população usuária e seus interesses. A adoção de uma teoria social crítica que possibilite a apreensão da totalidade social em suas dimensões de universalidade, particularidade e singularidade. Desse modo, exige-se o estabelecimento das dimensões investigativa e interpretativa como princípios formativos e condição central da formação profissional e da relação teoria e realidade. Tal processo de aprendizado indica novamente, a urgência de aproximações cotidianas e coletivas dos formandos no ambiente presencial, onde tais desafios podem ser repensados pelos diversos sujeitos que estão envolvidos no processo formativo.

Deve-se destacar no rol das exigências para a formação de qualidade o cumprimento do Estágio Supervisionado, atividade eminentemente presencial, com a necessária indissociabilidade no acompanhamento das atividades do estudante, entre a supervisão acadêmica e profissional (ambos assistentes sociais registrados) na atividade de estágio, que deve ser realizada em ambiente sócio-institucional cadastrado, apto a receber estudantes em processo de formação. Além de um conjunto de exigências presentes na regulamentação de estágio (Lei 11.788/2008, resolução CFESS 533/2008 e Política Nacional de Estágio- PNE). A disciplina estágio supervisionado, componente curricular obrigatório deve ser presencial, com carga horária compatível com o período de realização das atividades de campo (mínimo 03 horas semanais), dada as implicações éticas e técnicas da intervenção junto aos usuários, suas diversas demandas e complexidade das situações que envolvem o exercício da profissão. Esse processo requer tanto do profissional, quanto da instituição e do estudante o compromisso assegurado aos usuários de um atendimento digno e profissional na direção do projeto ético político de compromisso com os interesses da classe trabalhadora.

Assim, as atividades que envolvem a formação e o exercício da profissão, se realizam na vida concreta dos sujeitos na dinâmica da vida social, concreticidade que só pode se construída, compreendida e reformulada na vivência e ação direta entre os partícipes desse processo. Não cabe abstrações ou suposições pré-concebidas em ambiente virtual para situações emergentes e contraditórias, que tem repercussão direta e rápida na vida dos usuários. Certamente, no ambiente presencial, ainda que com suas limitações, garante-se o direito aos estudantes de orientação responsável para seu futuro exercício pautado no projeto ético-político do serviço social, cumprindo as competências e atribuições previstas na Legislação Profissional em vigor.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO

Teologia da libertação

A teologia da libertação é um movimento de muita importância e relevância no mundo e principalmente na América Latina. Principalmente no que diz respeito a REVOLUÇÃO POPULAR NA AMÉRICA LATINA.


A leitura marxista de Michael Lowy é fundamental para seu entendimento.

Michael Lowy faz uma ótima discussão sobre a religião na década de 90. A
posição metodológica de M. Lowy é a desfazer equívocos e ratificar acertos na critica marxista da religião. Vale ressaltar que Lowy é ateu.

A teologia da libertação é expressão de um movimento, que envolve principalmente a práxis. O termo teologia não importa muito e fica submisso ao termo LIBERTAÇÃO. A teologia da libertação vem questionar a vanguarda da Igreja, mas não só dela, até dos próprios militantes de esquerda, por que ela implica um certo basimo e olhar sobre as massas, implica um aproximamento mais da classe.
A teologiada libertação já nasce com uma consciência latina, por exemplo sua influência na revolução de caráter popular na Nicarágua e até em Cuba.
Um grande exemplo da Teologia foi Dom Pedro Casaldáliga.

A religião, como tudo na vida, abriga suas contradições, por ser produto das relações sociais, afinal nenhuma religião cai do céu, é o homem que faz a religião.

O que vale destacar nesse curto texto é que o cristianismo na América Latina tem uma importância crucial para os processos revolucionários. Podemos citar as CEB's (Comunidades Eclesiais de Base) que fizeram um movimento de resistência a ditadura militar e empenho na construção de uma outra sociedade. Estudos sobre o cristianismo primitivo são de extrema importância para reavivar a chama cristã revolucionária, Engels e Kautsky fizeram estudos sobre o cristianismo primitivo e seus valores.

Existem análises que afirmam que a teologia da libertação faz um crítica romântica ao capitalismo, mas é bom deixar claro que o próprio Lowy afirma existir dois tipos de romantismo: o reacionário e o revolucionário.

A teologia da libertação teve muita influência no MST, através da mística, rituais, cultiva da memória revolucionária. E de certa forma questionou e contrapôs o marxismo arrogante e dogmático.


FILMES:- Pé na caminhada
- Anel de Tucum
- A igreja dos oprimidos
- Dom Helder. O santo rebelde& lt; br />- At o de fé

BIBLIOGRAFIA
BOSI
, Alfredo. Da esquerda cristã à teologia da libertação. In: As utopias de Michael Lowy: reflexões sobre um marxista insubordinado. São Paulo: Boitempo, 2007.

CALADO
, Alder Júlio Ferreira. Memória histórica e movimentos sociais: ecos libertários de heresias medievais na contemporaneidade. João Pessoa: Idéia editora, 1999.

CRISTIANISMO EM QUESTÃO
. Rio de Janeiro: Revista Paz e terra, N. 06, Editora Civilização Brasileira 1968. 

GUTIÉRREZ
, Gustavo. A força histórica dos pobres. Petrópolis: Vozes, 1981.

LOWY
, Michael. Redenção e utopia: o judaísmo libertário na Europa central. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
____________. Romantismo e messianismo. São Paulo: Perspectiva, 1990.
____________. Marxismo e teologia da libertação. São Paulo: Co rtez, 1 991.
ROMANO, Roberto. Brasil: Igreja contra estado (crítica ao populismo católico). São Paulo: Kairós, 1979.

WANDERLEY, Luiz Eduardo. Utopia e uma visão da teologia de libertação. In: As utopias de Michael Lowy: reflexões sobre um marxista insubordinado. São Paulo: Boitempo, 2007.

Algumas partes do Livro Identidade e luta de classes de Ademar Bogo


Algumas partes do livro do Bogo que chamaram atenção:




"Cada vez mais o ser humano se aliena da natureza" 

"As epidemias como parte da cultura: o como qualquer ser humano, a terra também adoece e morre."
"A dependência química da terra como parte da cultura criminosa: a saída encontrada pelas empresas capitalista para o "cansaço" da terra não foi a de revitalizá-la naturalmente, mas sim a de viciá-la e enfraquecê-la ainda mais, tornando-a dependente de "remédios" químicos conhecidos pela fórmula de N-P-K (nitrogênio, fósforo e potássio), além disso, modificaram as sementes, tonando-as híbridas, para que pudessem se adaptar aos solos desgastados."

"apenas 40 mil grandes proprietários controlam mais de 400 milhões de hectares de terra, o que significa uma média de 10 mil hectares por família."

"o egoísmo do latifundiário impõe identidade do latifúndio: antissocial, antiprodutivo e antissolidário. A terra presa pelas cercas, aguarda o dia da chegada de seus libertadores, que a ajudarão a tirar de cima de si esta carga de perversidades. Já podemos anterver que chegará o dia em que água se tornará propriedade, assim como a terra, e alguns poucos senhores tornar-se-ão seus donos, que terão o poder total sobre a própria existência da vida."

"a terra é húmus.... humanus, em latim, homem, aquele que vem da terra e tem a natureza amável, afetuosa, benevolente, clemente, humanitária."

"atualmente, o mercado mundial de água movimenta um trilhão de dólares por ano. os dados denunciam que quase 2 bilhões de pessoas já sofrem com a falta de água potável."
"É a existência da cultura que possibilita o parecimento da identidade"
"Todo ser social é um ser cultural incompleto. Nos disse Gramsci "A história é um contínuo fazer-se""
"é a concentração de riqueza que gera a fome e miséria."
"Disse Tomás Morus que a sociedade continua fabricando os ladrões que, a seguir, enforca. Mas o importante é notar que a forca do passado ganhou requintes científicos."
"Identidades ameaçadas... pesar de dotado de inteligência, o ser humano tornou-se o principal problema e uma grande ameaça ao planeta."
"No Brasil, três períodos complementares no projeto de classe dominante brasileira: o agroexportador, de 1500 a 1930; o d substituição de importações pela via da industrialização interna, de 1930 a 1980; e o período neoliberal, de 1980 em diante.Vivemos agora a formação de um novo período que é a predominância do capital financeiro, produtivo e especulativo."
"A mídia divulga um padrão de beleza humana, praticamente inexistente, produzido pela propaganda e que, portanto, precisa ser fabricado. A indústria da estética corporal cria sua própria ética para forjar uma identidade física QUE SÓ O DINHEIRO PODE COMPRAR."
"Verifica Marx que: para a economia política, o burlão, o ladrão, o pedinte, o desempregado, o faminto, o miserável e o criminoso são figuras inexistentes"
"Tripé das perversidades do capital: a exploração, a dominação e a alienação"

"identidade como a presença dialética da unidade e da luta dos contrários"
"Existe relações de interdependência entre as espécies distribuídas nos cinco reinos existentes: monera, protista, fungi, vegetal e animal. A matéria químic aque form s células é constituída por átomos formados pelos mesmos elementos: carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e, em menor quantidade, fósforo e enxofre."
"Marx e Engels: as coisas estão em constante transformação pelo movimento das contradições existentes na matéria e na história da sociedade, onde ocorrem conflitos entre as classes sociais."
"tudo o que existe tende para um vir a ser, mesmo que não saibamos o que será."
"Na cultura ocidental o primeiro a abordar o tema identidade foi Parmênides : "tudo o que é, é""
"unidade e luta dos contrários"
"a história é uma construção coletiva 24"
"Ou o proletário faz a revolução e se emancipa, ou perecerá na barbárie."
"Conhecer é o primeiro passo para decidir. Desafio colocado por Nietzshe "torna-te que tu és""
"A militância, essa prática milenar de resistência das pessoas que acreditam numa ordem social igualitária não pereceu."
"Ao mesmo tempo em que se expande, o capital cria novas condições que se desenvolvem como forças contrárias, assim, burguesia produz sua própria negação."
"Comprar é hoje um verdadeiro prazer"
"O mundo está dominado pelo consumo do supérfluo de mercadoria, as práticas não possuem reflexão."
"pós-modernos induzidos pelo processo de individualização humana."

Fotografia parcial da educação brasileira



Só vamos romper com esse atraso educacional quando algumas providências forem tomadas.
 
25/07/2011
Otaviano Helene
 
São muitos os problemas da educação brasileira. E para apontar os possíveis caminhos que devemos seguir para corrigi-los e, também, para entender como e quanto eles contribuem para o agravamento de outros problemas nacionais, tais como a concentração de renda, a pouca qualificação da força de trabalho, a falta de perspectivas de grande parte da nossa juventude ou o nosso atraso social, seria necessário analisá-los detalhadamente.
Entretanto, na impossibilidade de sequer citar todos os problemas do nosso sistema educacional em um curto artigo, uma visão geral do ensino fundamental pode fornecer uma fotografia que, embora parcial, ilustra bem nossa situação. Vejamos. Atualmente, cerca da terça parte das nossas crianças é excluída do sistema  educacional antes mesmo do final do ensino fundamental. Isso corresponde a cerca de um milhão de pessoas abandonando, a cada ano e em definitivo, o sistema  educacional. (Até o final do ensino médio a exclusão já terá atingido perto da metade das pessoas.) Além disso, boa parte daqueles que concluem o ensino fundamental o faz com enormes deficiências no aprendizado, como revelam os muitos testes e exames de desempenho estudantil.
A gravidade dessa situação é enorme, pois esses que hoje deixam o sistema escolar prematuramente estarão ativos, em termos econômicos e sociais, por cinco ou mais décadas. Se já hoje o ensino fundamental é insuficiente para a compreensão do mundo, para garantir plenamente os direitos de cidadania e para a formação adequada da força de trabalho, não podemos ter qualquer dúvida de como será o futuro do país e as perspectivas desses enormes contingentes de pessoas excluídas e  subescolarizadas.
Vale inclusive observar que nossos indicadores educacionais, como o analfabetismo juvenil (na faixa dos 15 aos 24 anos), a evasão escolar antes do término do ensino fundamental e as taxas de inclusão no ensino superior, nos colocam entre os países em pior situação na América do Sul. Estamos lado a lado – ou mesmo abaixo – de países com características bem menos favoráveis para o desenvolvimento escolar, tais como a existência de duas ou mais línguas nacionais faladas por grandes contingentes da população, marcantes diferenças culturais e de atividades econômicas dos grupos populacionais e grande parte da população vivendo longe de centros urbanos. Nenhuma dessas características existe entre nós, pelo menos na proporção que existe naqueles outros países sul-americanos, o que permite concluir que nosso atraso educacional é fruto de políticas de exclusão sistematicamente adotadas ao longo de muitas décadas e cujo resultado foi nos trazer à atual situação.
Só vamos romper com esse atraso educacional quando algumas providências forem tomadas. Entre elas estão o aumento significativo dos recursos públicos destinados à educação, a melhoria das condições de estudo e trabalho nas escolas e o respeito aos ideais republicanos e democráticos, inclusive quanto à “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”, como reza nossa Constituição. Para que tenhamos um real rompimento com a situação atual, devemos atuar desde a educação infantil até a pós-graduação. Devemos, também, fazer com que a educação seja um instrumento de superação das desigualdades – e não de sua reprodução, como ocorre hoje – e recuperar o espaço público, em especial no ensino superior, apoderado por instituições privadas mercantis, com a conivência e o apoio, inclusive financeiro, dos governos.
Além dessas, muitas outras tarefas são necessárias para que o Brasil tome os mesmos rumos que tomaram os países que superaram as barreiras do atraso e da submissão. Há muito trabalho pela frente se queremos oferecer algumas perspectivas otimistas para o país: afinal, o perfil futuro do país é dado pelo perfil atual de seus jovens. E só teremos um país soberano, desenvolvido em termos econômicos, culturais e sociais, e capaz de garantir a todos os plenos direitos de cidadania se construirmos um sistema educacional inclusivo, democrático, igualitário e republicano.
 
Otaviano Helene é professor associado do Instituto de Física, presidiu a Adusp (Associação de Docentes da Universidade de São Paulo) de julho de 2007 a junho de 2009.
Texto publicado originalmente na edição 435 do Jornal Brasil de Fato

Crise terminal do capitalismo?

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.


A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

 
Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Folha baba ódio contra o MST

Ter, 09 de Agosto de 2011
Por Altamiro Borges

A mídia burguesa nunca gostou dos movimentos sociais. Ou omite suas lutas ou as criminaliza. Quando eclode uma greve, ela fala em congestionamento do trânsito – jogando a sociedade contra os grevistas. Ocorre um ato ou passeata popular e ela sataniza os manifestantes. O MST, um dos principais movimentos sociais brasileiros, é um dos alvos prediletos desta manipulação midiática.

A torcida histérica

Prova deste ódio de classe foi o editorial da Folha de domingo (7) contra os sem terra. Os adjetivos são raivosos, hidrófobos. Com base em dados sobre a redução do número de acampados, o jornalão da famiglia Frias atira: “Nos termos do vocabulário leninista que alimenta o delírio autoritário de seus líderes, é possível dizer que a ‘vanguarda de luta’ do MST corre risco de fenecer”.

Para o jornal, o MST é “o arauto de uma utopia regressiva, inimigo do agronegócio e da geração de riquezas no campo” e estaria em “declínio político” por se opor ao “progresso” capitalista. Não há uma palavra contra a concentração de terras no país, contra o trabalho escravo ou contra o uso de jagunços pelo latifúndio. A torcida pela extinção do MST é explícita, quase histérica:

Um jornal decadente, decrépito

“Em marcha inexorável, o movimento encolhe. Reverte ao núcleo do que nunca deixou de ser: um grupo de cristãos de esquerda adepto de açõescriminosas, como invasão e destruição de propriedades, e hábil na mobilização de excluídos para exercer pressão sobre o Estado e extorquir-lhe os recursos - desapropriações e verbas - que mantêm o movimento artificialmente vivo”.

Depois a Folha ainda afirma que é um jornal “plural e independente”. Porta-voz dos ruralistas e da direita golpista, o jornalão deveria ficar preocupado com o seu “declínio inexorável” – expresso na queda das suas tiragens de quase 1 milhão de exemplares nos anos 1980 para menos de 300 mil nos dias atuais. Ela sim representa a “utopia regressiva” do deus-mercado.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social



Principais críticas/argumentos:

1 - A campanha responsabiliza o aluno EAD, como se o mesmo tivesse opção de escolha, e não atinge diretamente a política brasileira de ensino superior e os grandes “barões” da educação/ A campanha é desrespeitosa, preconceituosa e discrimina o aluno EAD/ A campanha contraria o Código de Ética e desconsidera a “inclusão social” (termo repedido por vários alunos):
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, não são fundados no desconhecimento e no preconceito, nem são dirigidos aos/às estudantes e trabalhadores/as do EAD.  Esta campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior, profundamente mercantilizada e discriminatória. Uma política que reforça as desigualdades sociais e regionais do país; que assegura aos ricos o ensino de qualidade e aos que não possuem condições para acessar as poucas instituições de graduação públicas presenciais ou de custear a sua própria formação de qualidade são ofertados os cursos de EAD – expressão máxima da precarização e da mercantilização da educação. Essa expansão não garante acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade.

Nesse sentido, a Campanha se apresenta profundamente afinada com os princípios fundamentais do Código de Ética do/a Assistente Social, visto que nossos argumentos e posicionamentos expressam a defesa da equidade e da justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais – neste caso, a defesa da universalidade de acesso à política social de educação que garanta ensino superior público, presencial e de qualidade; expressam ainda como o nosso projeto profissional está vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero, visto que nossa crítica refere-se à lógica mercantil que tem direcionado a política de educação nosso país e à nossa luta contra-hegemônica numa sociedade que se funda a partir das desigualdades entre os sujeitos. Expressam, sobretudo, o nosso compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população, já que a defesa da formação de qualidade indica maiores possibilidades de qualidade no exercício da profissão. Por fim, faz-se urgente e necessário destacar que nossa campanha não é excludente, nem preconceituosa, nem discriminatória. Ao contrário, nossa defesa é da democratização do acesso, pela via da igualdade de condições e não pela falácia da igualdade de oportunidades, pela via do reconhecimento e materialização da educação como direito e não como mercadoria. O ônus da política educacional mercantilizada que vem sendo feita por sucessivos governos não deve recair sobre os/as estudantes e trabalhadores/as envolvidos/as com EAD, e muito menos sobre as entidades do Serviço Social brasileiro. Nossa tarefa é exigir do Estado a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos/as e a garantia da qualidade da oferta. Trata-se de denunciar quem se beneficia com a educação à distância: de um lado os “tubarões” do ensino, que ficam cada vez mais ricos e que têm um único objetivo - vender uma mercadoria. E de outro lado, o governo, que se desobriga da execução da política pública de educação e acena com a mão do mercado o EAD como única saída. Reafirmamos que reconhecemos a legitimidade da demanda dos/as estudantes de terem acesso ao ensino superior e lutaremos cotidianamente para que este acesso seja gratuito, presencial e de qualidade.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela ABEPSS para conhecerem a direção teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política para os cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO



2) A campanha é pouco fundamentada e generalista, pois diversas faculdades EAD “são boas” e não têm nada a ver com os fatos que apresentamos/ O MEC, como instância máxima da Educação, autoriza estes cursos, portanto, o EAD é legal e não podemos criticá-lo/ O Conjunto (CFESS, CRESS, ABEPSS e ENESSO) deveria fazer uma campanha pela qualidade na formação, inclusive nos cursos EAD, e não para acabar com esta modalidade de ensino/ O Conjunto não “fiscalizou” todas as instituições EAD, por isso, nossa campanha não é válida:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que desde 2000, quando da realização de um Seminário com a participação das três entidades representativas da categoria de Assistentes Sociais para análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, 1996) e suas consequências para o ensino superior, vimos mantendo uma posição crítica à presença das forças de mercado na educação, incorporada largamente pela legislação brasileira, cuja maior expressão são as normas de apoio e incentivo ao Ensino à Distância - EAD. Sendo assim, considerando a necessidade de conhecer melhor a organização e dinâmica de funcionamento dessa modalidade, bem como levantar dados sobre a realidade do ensino de graduação à distância, para o seu conseqüente enfrentamento, que em setembro de 2008, a partir de seu 37º Encontro Nacional, o Conjunto CFESSCRESS constituiu o Grupo de Trabalho e Formação Profissional, formado pelo CFESS, por um/a representante dos CRESS de cada região do país e por um/a representante das direções nacionais da ABEPSS e da ENESSO. Este Grupo de Trabalho teve com o objetivo de construir e monitorar a implementação de um Plano de Lutas em Defesa do Trabalho e da Formação e Contra a Precarização do Ensino Superior, em face das mudanças suscitadas pela promulgação da LDB em 1996. Com a finalização do Plano em abril de 2009, desencadeamos estratégias de colher o máximo de informações sobre a precarização do ensino superior, especialmente sobre a penetração do EAD, no âmbito da graduação em Serviço Social.

O documento intitulado Sobre a incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social tornou públicos os resultados deste trabalho, reunindo dados e análises coletados e produzidos neste período, muitas vezes num esforço conjunto entre os CRESS e as Diretorias Regionais da ABEPSS. Foram produzidos pelos CRESS 14 documentos, retratando a precária situação de oferta de graduação à distância nas cinco regiões do país. Como estratégias para a coleta desses dados, foram realizados diversos procedimentos, desde a pesquisa documental – incluindo documentos disponibilizados pelas próprias Instituições de Ensino, as legislações sobre o EAD, sites, materiais didáticos utilizados pelos cursos – passando pela realização de reuniões com estudantes, tutores/as, assistentes sociais supervisores/as de estágio e coordenadores/as dos pólos, até a realização de visitas em telessalas e núcleos de formação do Ensino à Distância, bem como o levantamento das denúncias que chegaram às Comissões de Orientação e Fiscalização dos CRESS. Todos esses procedimentos - que foram documentados e arquivados nas sedes dos CRESS – consubstanciam nossa veemente defesa de incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social. Ou seja, diante das fragilidades e irregularidades constatadas, também não identificamos, no acúmulo das informações e das análises, a possibilidade de qualificar tais cursos. Os dados identificados sobre o processo global de formação (bibliografias utilizadas, dinâmica pedagógica, avaliações, estágio curricular, perfil dos/as tutores/ as e outros componentes relacionados ao projeto pedagógico) confrontam radicalmente com nossos compromissos e princípios. Colidem, também, com os conteúdos, habilidades e competências estabelecidas nas Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social, e com os instrumentos normativos afetos ao estágio (Lei 11.788/2008, Resolução CFESS 533/2008 e Política Nacional de Estágio/ABEPSS) e, ainda, com as atribuições e competências dos/as assistentes sociais previstas na Lei 8.662/199. Todos esses elementos demonstraram o descompromisso das Instituições de Ensino com a formação profissional substantivamente de qualidade e a falta de controle e acompanhamento sistemático da expansão e prestação de serviços dessas instituições por parte do Ministério da Educação (MEC) – instituição legalmente responsável por realizar a fiscalização dos cursos. O que identificamos foi que o processo de credenciamento junto ao MEC tem ocorrido de maneira superficial, não estabelecendo condicionalidades para a avaliação estatal in loco com vista à confirmação das informações prestadas pelas instituições proponentes, como ocorre nos casos dos cursos de graduação presenciais. Inclusive, existem normativas por parte deste Ministério que reconhece os cursos sem a realização de visita e avaliação.

Nossa tarefa é exigir do Estado a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos/as e a garantia da qualidade da oferta. Trata-se de denunciar quem se beneficia com a educação à distância: de um lado os “tubarões” do ensino, que ficam cada vez mais ricos e que têm um único objetivo - vender uma mercadoria. E de outro lado, o governo, que se desobriga da execução da política pública de educação e acena com a mão do mercado o EAD como única saída. Reafirmamos que reconhecemos a legitimidade da demanda dos/as estudantes de terem acesso ao ensino superior e lutaremos cotidianamente para que este acesso seja gratuito, presencial e de qualidade.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO


3 - A campanha acirra a disputa entre aluno/profissional EAD e presencial de quem é mais qualificado/ Não importa sé é EAD ou presencial, que a formação com qualidade depende do aluno/ O Conjunto está atrasado e não acompanha as novas tendências de ensino, como o EAD:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, não têm como objetivo acirrar a disputa entre os indivíduos, polarizando a discussão entre os estudantes do EAD e os estudantes da modalidade presencial. O debate sobre a formação profissional em Serviço Social não pode ser conduzido por estas ambigüidades rasas, muito pelo contrário, envolve questões complexas e que dizem respeito a toda categoria profissional, ou seja, essa não é uma questão individual, e sim, coletiva.  Esta campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior, profundamente mercantilizada e discriminatória. Uma política que reforça as desigualdades sociais e regionais do país; que assegura aos ricos o ensino de qualidade e aos que não possuem condições para acessar as poucas instituições de graduação públicas presenciais ou de custear a sua própria formação de qualidade são ofertados os cursos de EAD – expressão máxima da precarização e da mercantilização da educação. Essa expansão não garante acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade.

A natureza da formação profissional em Serviço Social é incompatível com a graduação à distância, visto que esta modalidade não garante o acompanhamento do estágio obrigatório conforme orientam os instrumentos normativos os instrumentos normativos afetos ao estágio (Lei 11.788/2008, Resolução CFESS 533/2008 e Política Nacional de Estágio/ABEPSS). Não garante a valorização da dimensão investigativa, da integração entre ensino, pesquisa e extensão tão fundamentais ao processo formativo dos assistentes sociais e embasados nos princípios e diretrizes do Projeto Ético-Político Profissional. Não é possível garantir, à distância, uma organização curricular que favoreça a integração entre as disciplinas, bem como o diálogo entre professores e estudantes, entre os estudantes de Serviço Social e entre os estudantes deste curso e das demais graduações. Nesse contexto, a própria organização política coletiva dos estudantes e docentes, tão atuantes na história do Serviço Social brasileiro, encontra-se impossibilitada. Na graduação à distância, centrada no ensino virtual ou mediado por mídias, essa condição é inviabilizada, diante da automização das telessalas e pólos, das vivências individuais do processo de ensino-aprendizagem, que não possibilitam as práticas organizativas e coletivas dos/as estudantes e dos/as trabalhadores/as envolvidos/as. Essa posição não significa, por parte das entidades, uma negação ou a desqualificação do processo de avanços tecnológicos. Técnicas e invenções pedagógicas que combinem tecnologia e interatividade podem e devem ser suporte ao processo de ensino-aprendizagem presencial, mas não substituem, de forma alguma, o diálogo, o encontro, a pesquisa, a extensão, a orientação, a supervisão direta e a organização política dos sujeitos participantes do processo educacional. Além disso, a educação implica processos pessoais e sociais de relação entre o ensinado e o aprendido e a realidade vivida, no contexto cultural situado, produzindo pessoal e coletivamente a existência social e individual. A riqueza que os ambientes universitários podem proporcionar em termos de processos de interação social é difícil de ser reproduzida em ambientes virtuais. O ambiente potencial de convívio e de troca de experiências pessoais e coletivas, do conhecimento tácito, apresenta-se como uma realidade difícil de ser recriada.

O direito ao ensino superior gratuito e de qualidade urge ser materializado em condições de oferecer aos/às estudantes formação crítica que os/as prepare para o exercício profissional e também amplie suas condições de atuar em um mundo cada vez mais complexo, na perspectiva de torná-lo substantivamente igualitário e humano. Exige ainda ser materializado de forma a oferecer aos/às docentes condições de trabalho dignas, com estabilidade e direitos trabalhistas garantidos, com regulamentação do cargo e da jornada, além de salário compatível com a responsabilidade das atribuições que desenvolve. Tutor/a não é professor/a. Tutor/a não é supervisor/a acadêmico/a de estágio. Aula não é tutoria. O processo de ensino-aprendizagem em Serviço Social não se encerra nos conhecimentos específicos da profissão, necessita de um conjunto de outras ciências, sem as quais não conseguimos decifrar a realidade na sua totalidade e complexidade. Logo, a qualidade da formação profissional não pode ser de responsabilidade única do/a estudante. Muitos são os elementos necessários para se alcançar esta qualidade, o compromisso individual do/a estudante é apenas um deles.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO


4 - O Conjunto é contra a expansão do ensino superior no país:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, não são fundados no desconhecimento e no preconceito, nem são dirigidos aos/às estudantes e trabalhadores/as do EAD.  Esta campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior, profundamente mercantilizada e discriminatória. Uma política que reforça as desigualdades sociais e regionais do país; que assegura aos ricos o ensino de qualidade e aos que não possuem condições para acessar as poucas instituições de graduação públicas presenciais ou de custear a sua própria formação de qualidade são ofertados os cursos de EAD – expressão máxima da precarização e da mercantilização da educação. Essa lógica expansionista da educação reflete a perfeita combinação entre os interesses do mercado interno e os interesses políticos governamentais de elevação dos indicadores quantitativos relativos ao ensino superior, para atrair novos investimentos estrangeiros para o país. Essa expansão não garante acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade.

Nota-se que, em detrimento do aumento de vagas em Instituições de Ensino públicas e presenciais ou da criação de cursos de Serviço Social nas Universidades Públicas que ainda não o têm, ocorre a massificação via EAD ou a utilização do fundo público para financiar bolsas de estudos nas Instituições privadas, através da ampliação do PROUNI. Esta é a viva expressão de um projeto de nação que não atende aos interesses das maiorias. No Brasil, o ensino superior é privilégio de poucos. Mais de 80% dos cursos são oferecidos por instituições privadas. O discurso falacioso da democratização pode ser facilmente identificado se observarmos a forma como o governo tem atendido às diferenças regionais de acesso ao ensino superior – na região Norte, por exemplo.

O direito ao ensino superior gratuito e de qualidade urge ser materializado em condições de oferecer aos/às estudantes formação crítica que os/as prepare para o exercício profissional e também amplie suas condições de atuar em um mundo cada vez mais complexo, na perspectiva de torná-lo substantivamente igualitário e humano. Exige ainda ser materializado de forma a oferecer aos/às docentes condições de trabalho dignas, com estabilidade e direitos trabalhistas garantidos, com regulamentação do cargo e da jornada, além de salário compatível com a responsabilidade das atribuições que desenvolve. Tutor/a não é professor/a. Tutor/a não é supervisor/a acadêmico/a de estágio. Aula não é tutoria. O processo de ensino-aprendizagem em Serviço Social não se encerra nos conhecimentos específicos da profissão, necessita de um conjunto de outras ciências, sem as quais não conseguimos decifrar a realidade na sua totalidade e complexidade. Todo este contexto aponta os níveis de desigualdades que atingem o Brasil e nos fazem reforçar uma campanha conduzida pelo Conjunto CFESS-CRESS anos atrás: “O Brasil precisa de Assistentes Sociais”. O que se problematiza neste momento é a “produção” de profissionais em massa e com conteúdos banalizados. É a qualidade do ensino que está sendo oferecido, que não assegura o perfil profissional previsto nas Diretrizes Curriculares. É a educação bancária e mercantilizada que não garante o Serviço Social comprometido com as mudanças que o Brasil precisa para se tornar verdadeiramente democrático e justo. O país precisa de assistentes sociais capacitados/as em uma perspectiva de totalidade e crítica para defender direitos, formular e executar políticas sociais capazes de reduzir as desigualdades e combater a violência em todas as suas expressões. Essa, longe de ser uma posição meramente ideológica, refere-se à firme defesa da densidade teórico-prática e ético-política que deve orientar a formação do/a profissional de qualidade que o país requer.

Nossa tarefa é exigir do Estado a igualdade de acesso ao ensino superior presencial para todos/ as e a garantia da qualidade da oferta. Trata-se de denunciar quem se beneficia com a educação à distância: de um lado os “tubarões” do ensino, que ficam cada vez mais ricos e que têm um único objetivo - vender uma mercadoria. E de outro lado, o governo, que se desobriga da execução da política pública de educação e acena com a mão do mercado o EaD como única saída. Desse modo, o ensino de graduação à distância assume a condição de um novo fetiche social, pois, em nível da aparência do fenômeno, apresenta-se como democratização do acesso, o que esconde sua essência mercantil.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO





5 – Resposta para os e-mails de apoio a Campanha:
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação. Todo apoio é importante para que possamos ampliar a nossa luta e nos fortalecermos enquanto categoria profissional comprometida com os interesses da classe trabalhadora.
“O tempo escorre pela ampulheta.
É ele o contador da história que construímos.
O tempo que cura saudades, que em mais-valia capitalista
explora cada trabalhador/a na sua labuta.
O tempo é também contradição,
que prepara a luta,
tece a resistência,
da mulher contra sua opressão,
dos/as sem terra contra os latifúndios,
dos/as idosos/as contra a indiferença,
do povo que resiste ao jugo da tirania e barbárie.
O tempo hoje exige emancipação humana.
Não quer mais silenciar, omitir, ignorar, obliterar.
O tempo quer ser outro, quer se escrever em outras páginas,
quer se revelar, ebulir de indignação, denunciar, se revolucionar.
O tempo deve ser o nascedouro da palavra,
do grito sufocado por justiça,
dos amores libertários que há tempos se escondem em guetos.
O tempo prescinde de poesia, música, da prosa, da roda de viola,
deve abrir alas para alegria,
para a diversidade em arco-íris desfilar
em paradas em céu aberto e claro do dia.
Este é o tempo do desejo,
da defesa dos direitos,
de reafirmar atitudes críticas e combativas.
É o tempo da semeadura de sonhos.
Que este tempo que brota da nossa resistência
adormeça a dor, a tristeza, o preconceito, o individualismo
e que possa colorir o cinza das cidades concretadas cheias de
medo,
tão insensíveis às pessoas e à flor que reitera na calçada.
Que este tempo possa renovar a alquimia
de nossas conquistas de cada dia.
E que o tempo que nós vivemos traga na sua outra face
a sonoridade da liberdade, um verde mais vicejante de esperança.
E que em todos os seus versos
tenha a emergência da luta e da resistência,
no tempo em que lutar
é tão necessário quanto viver, respirar...”
Tempo de luta e resistência... - Andréa Lima

Cordialmente,
Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO

6 - Por que nosso exercício profissional exige a formação presencial?
Prezado/a,
Ao cumprimentá-lo/a de forma cordial, agradecemos seu contato e manifestação, todavia faz-se necessário esclarecer que os posicionamentos do Conjunto CFESS/CRESS, da ABEPSS e da ENESSO expressos na Campanha Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social, vem evidenciar a importância da formação de qualidade e a devida atenção aos princípios fundamentais que sustentam o Serviço Social para um exercício profissional compatível com os desafios de atuar nas diferentes, múltiplas e contraditórias expressões da questão social na realidade brasileira.

Assim, de acordo com as Diretrizes Curriculares, a formação profissional deve viabilizar uma capacitação teórico-metodológica e ético-política, como requisito fundamental para o exercício de atividades técnico-operativas, com vistas à apreensão crítica dos processos sociais numa perspectiva de totalidade.

Para isso, cabe desenvolver durante a formação a capacidade de análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo no país, considerando as particularidades regionais. Esse movimento pressupõe a inserção dos sujeitos nesta realidade local, com aproximação teórico-prática nas diversas disciplinas, articulando ensino, pesquisa e extensão (atividades eminentemente orientadas e realizadas presencialmente).

As Diretrizes indicam ainda a necessidade do rigoroso trato teórico, histórico e metodológico da realidade social e do Serviço Social, que possibilite a compreensão dos problemas e desafios com os quais o profissional se defronta no universo da produção e reprodução da vida social, o que pressupõe a vivência dos estudantes no ambiente acadêmico, com interação com outras áreas do conhecimento, sujeitos sociais, cultura, organização política, dentre outras experiências do cotidiano universitário que completam uma formação de qualidade.

A lógica curricular aponta para a importância da articulação entre as disciplinas, promovidas por meio de atividades que integrem o ensino, a pesquisa e a extensão, baseadas em demandas e problemas da realidade sócio-econômica que envolve a dinâmica social que os sujeitos estão inseridos, uma vez que esta realidade não deve ser vista de forma fragmentada e desconectada das reais demandas da população usuária e seus interesses. A adoção de uma teoria social crítica que possibilite a apreensão da totalidade social em suas dimensões de universalidade, particularidade e singularidade. Desse modo, exige-se o estabelecimento das dimensões investigativa e interpretativa como princípios formativos e condição central da formação profissional e da relação teoria e realidade. Tal processo de aprendizado indica novamente, a urgência de aproximações cotidianas e coletivas dos formandos no ambiente presencial, onde tais desafios podem ser repensados pelos diversos sujeitos que estão envolvidos no processo formativo.

Deve-se destacar no rol das exigências para a formação de qualidade o cumprimento do Estágio Supervisionado, atividade eminentemente presencial, com a necessária indissociabilidade no acompanhamento das atividades do estudante, entre a supervisão acadêmica e profissional (ambos assistentes sociais registrados) na atividade de estágio, que deve ser realizada em ambiente sócio-institucional cadastrado, apto a receber estudantes em processo de formação. Além de um conjunto de exigências presentes na regulamentação de estágio (Lei 11.788/2008, resolução CFESS 533/2008 e Política Nacional de Estágio- PNE). A disciplina estágio supervisionado, componente curricular obrigatório deve ser presencial, com carga horária compatível com o período de realização das atividades de campo (mínimo 03 horas semanais), dada as implicações éticas e técnicas da intervenção junto aos usuários, suas diversas demandas e complexidade das situações que envolvem o exercício da profissão. Esse processo requer tanto do profissional, quanto da instituição e do estudante o compromisso assegurado aos usuários de um atendimento digno e profissional na direção do projeto ético político de compromisso com os interesses da classe trabalhadora.

Assim, as atividades que envolvem a formação e o exercício da profissão, se realizam na vida concreta dos sujeitos na dinâmica da vida social, concreticidade que só pode se construída, compreendida e reformulada na vivência e ação direta entre os partícipes desse processo. Não cabe abstrações ou suposições pré-concebidas em ambiente virtual para situações emergentes e contraditórias, que tem repercussão direta e rápida na vida dos usuários. Certamente, no ambiente presencial, ainda que com suas limitações, garante-se o direito aos estudantes de orientação responsável para seu futuro exercício pautado no projeto ético-político do serviço social, cumprindo as competências e atribuições previstas na Legislação Profissional em vigor.

Assim, convidamos todos/as para que leiam atentamente os documentos já produzidos pelas entidades acerca da graduação à distância em Serviço Social para que se possa conhecer com mais profundidade os nossos principais argumentos e defesas – http://www.educacaofastfood.com.br/relatorios.php#page-content. Leiam também as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social formuladas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social para conhecerem as orientações para a construção da organização curricular dos cursos de Serviço Social: http://www.abepss.org.br/documentos.php.

Desejamos que esta luta conquiste novos sujeitos!

Cordialmente,

Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO

Teologia da libertação

A teologia da libertação é um movimento de muita importância e relevância no mundo e principalmente na América Latina. Principalmente no que diz respeito a REVOLUÇÃO POPULAR NA AMÉRICA LATINA.


A leitura marxista de Michael Lowy é fundamental para seu entendimento.

Michael Lowy faz uma ótima discussão sobre a religião na década de 90. A
posição metodológica de M. Lowy é a desfazer equívocos e ratificar acertos na critica marxista da religião. Vale ressaltar que Lowy é ateu.

A teologia da libertação é expressão de um movimento, que envolve principalmente a práxis. O termo teologia não importa muito e fica submisso ao termo LIBERTAÇÃO. A teologia da libertação vem questionar a vanguarda da Igreja, mas não só dela, até dos próprios militantes de esquerda, por que ela implica um certo basimo e olhar sobre as massas, implica um aproximamento mais da classe.
A teologiada libertação já nasce com uma consciência latina, por exemplo sua influência na revolução de caráter popular na Nicarágua e até em Cuba.
Um grande exemplo da Teologia foi Dom Pedro Casaldáliga.

A religião, como tudo na vida, abriga suas contradições, por ser produto das relações sociais, afinal nenhuma religião cai do céu, é o homem que faz a religião.

O que vale destacar nesse curto texto é que o cristianismo na América Latina tem uma importância crucial para os processos revolucionários. Podemos citar as CEB's (Comunidades Eclesiais de Base) que fizeram um movimento de resistência a ditadura militar e empenho na construção de uma outra sociedade. Estudos sobre o cristianismo primitivo são de extrema importância para reavivar a chama cristã revolucionária, Engels e Kautsky fizeram estudos sobre o cristianismo primitivo e seus valores.

Existem análises que afirmam que a teologia da libertação faz um crítica romântica ao capitalismo, mas é bom deixar claro que o próprio Lowy afirma existir dois tipos de romantismo: o reacionário e o revolucionário.

A teologia da libertação teve muita influência no MST, através da mística, rituais, cultiva da memória revolucionária. E de certa forma questionou e contrapôs o marxismo arrogante e dogmático.


FILMES:- Pé na caminhada
- Anel de Tucum
- A igreja dos oprimidos
- Dom Helder. O santo rebelde& lt; br />- At o de fé

BIBLIOGRAFIA
BOSI
, Alfredo. Da esquerda cristã à teologia da libertação. In: As utopias de Michael Lowy: reflexões sobre um marxista insubordinado. São Paulo: Boitempo, 2007.

CALADO
, Alder Júlio Ferreira. Memória histórica e movimentos sociais: ecos libertários de heresias medievais na contemporaneidade. João Pessoa: Idéia editora, 1999.

CRISTIANISMO EM QUESTÃO
. Rio de Janeiro: Revista Paz e terra, N. 06, Editora Civilização Brasileira 1968. 

GUTIÉRREZ
, Gustavo. A força histórica dos pobres. Petrópolis: Vozes, 1981.

LOWY
, Michael. Redenção e utopia: o judaísmo libertário na Europa central. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
____________. Romantismo e messianismo. São Paulo: Perspectiva, 1990.
____________. Marxismo e teologia da libertação. São Paulo: Co rtez, 1 991.
ROMANO, Roberto. Brasil: Igreja contra estado (crítica ao populismo católico). São Paulo: Kairós, 1979.

WANDERLEY, Luiz Eduardo. Utopia e uma visão da teologia de libertação. In: As utopias de Michael Lowy: reflexões sobre um marxista insubordinado. São Paulo: Boitempo, 2007.

Algumas partes do Livro Identidade e luta de classes de Ademar Bogo


Algumas partes do livro do Bogo que chamaram atenção:




"Cada vez mais o ser humano se aliena da natureza" 

"As epidemias como parte da cultura: o como qualquer ser humano, a terra também adoece e morre."
"A dependência química da terra como parte da cultura criminosa: a saída encontrada pelas empresas capitalista para o "cansaço" da terra não foi a de revitalizá-la naturalmente, mas sim a de viciá-la e enfraquecê-la ainda mais, tornando-a dependente de "remédios" químicos conhecidos pela fórmula de N-P-K (nitrogênio, fósforo e potássio), além disso, modificaram as sementes, tonando-as híbridas, para que pudessem se adaptar aos solos desgastados."

"apenas 40 mil grandes proprietários controlam mais de 400 milhões de hectares de terra, o que significa uma média de 10 mil hectares por família."

"o egoísmo do latifundiário impõe identidade do latifúndio: antissocial, antiprodutivo e antissolidário. A terra presa pelas cercas, aguarda o dia da chegada de seus libertadores, que a ajudarão a tirar de cima de si esta carga de perversidades. Já podemos anterver que chegará o dia em que água se tornará propriedade, assim como a terra, e alguns poucos senhores tornar-se-ão seus donos, que terão o poder total sobre a própria existência da vida."

"a terra é húmus.... humanus, em latim, homem, aquele que vem da terra e tem a natureza amável, afetuosa, benevolente, clemente, humanitária."

"atualmente, o mercado mundial de água movimenta um trilhão de dólares por ano. os dados denunciam que quase 2 bilhões de pessoas já sofrem com a falta de água potável."
"É a existência da cultura que possibilita o parecimento da identidade"
"Todo ser social é um ser cultural incompleto. Nos disse Gramsci "A história é um contínuo fazer-se""
"é a concentração de riqueza que gera a fome e miséria."
"Disse Tomás Morus que a sociedade continua fabricando os ladrões que, a seguir, enforca. Mas o importante é notar que a forca do passado ganhou requintes científicos."
"Identidades ameaçadas... pesar de dotado de inteligência, o ser humano tornou-se o principal problema e uma grande ameaça ao planeta."
"No Brasil, três períodos complementares no projeto de classe dominante brasileira: o agroexportador, de 1500 a 1930; o d substituição de importações pela via da industrialização interna, de 1930 a 1980; e o período neoliberal, de 1980 em diante.Vivemos agora a formação de um novo período que é a predominância do capital financeiro, produtivo e especulativo."
"A mídia divulga um padrão de beleza humana, praticamente inexistente, produzido pela propaganda e que, portanto, precisa ser fabricado. A indústria da estética corporal cria sua própria ética para forjar uma identidade física QUE SÓ O DINHEIRO PODE COMPRAR."
"Verifica Marx que: para a economia política, o burlão, o ladrão, o pedinte, o desempregado, o faminto, o miserável e o criminoso são figuras inexistentes"
"Tripé das perversidades do capital: a exploração, a dominação e a alienação"

"identidade como a presença dialética da unidade e da luta dos contrários"
"Existe relações de interdependência entre as espécies distribuídas nos cinco reinos existentes: monera, protista, fungi, vegetal e animal. A matéria químic aque form s células é constituída por átomos formados pelos mesmos elementos: carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e, em menor quantidade, fósforo e enxofre."
"Marx e Engels: as coisas estão em constante transformação pelo movimento das contradições existentes na matéria e na história da sociedade, onde ocorrem conflitos entre as classes sociais."
"tudo o que existe tende para um vir a ser, mesmo que não saibamos o que será."
"Na cultura ocidental o primeiro a abordar o tema identidade foi Parmênides : "tudo o que é, é""
"unidade e luta dos contrários"
"a história é uma construção coletiva 24"
"Ou o proletário faz a revolução e se emancipa, ou perecerá na barbárie."
"Conhecer é o primeiro passo para decidir. Desafio colocado por Nietzshe "torna-te que tu és""
"A militância, essa prática milenar de resistência das pessoas que acreditam numa ordem social igualitária não pereceu."
"Ao mesmo tempo em que se expande, o capital cria novas condições que se desenvolvem como forças contrárias, assim, burguesia produz sua própria negação."
"Comprar é hoje um verdadeiro prazer"
"O mundo está dominado pelo consumo do supérfluo de mercadoria, as práticas não possuem reflexão."
"pós-modernos induzidos pelo processo de individualização humana."

Fotografia parcial da educação brasileira



Só vamos romper com esse atraso educacional quando algumas providências forem tomadas.
 
25/07/2011
Otaviano Helene
 
São muitos os problemas da educação brasileira. E para apontar os possíveis caminhos que devemos seguir para corrigi-los e, também, para entender como e quanto eles contribuem para o agravamento de outros problemas nacionais, tais como a concentração de renda, a pouca qualificação da força de trabalho, a falta de perspectivas de grande parte da nossa juventude ou o nosso atraso social, seria necessário analisá-los detalhadamente.
Entretanto, na impossibilidade de sequer citar todos os problemas do nosso sistema educacional em um curto artigo, uma visão geral do ensino fundamental pode fornecer uma fotografia que, embora parcial, ilustra bem nossa situação. Vejamos. Atualmente, cerca da terça parte das nossas crianças é excluída do sistema  educacional antes mesmo do final do ensino fundamental. Isso corresponde a cerca de um milhão de pessoas abandonando, a cada ano e em definitivo, o sistema  educacional. (Até o final do ensino médio a exclusão já terá atingido perto da metade das pessoas.) Além disso, boa parte daqueles que concluem o ensino fundamental o faz com enormes deficiências no aprendizado, como revelam os muitos testes e exames de desempenho estudantil.
A gravidade dessa situação é enorme, pois esses que hoje deixam o sistema escolar prematuramente estarão ativos, em termos econômicos e sociais, por cinco ou mais décadas. Se já hoje o ensino fundamental é insuficiente para a compreensão do mundo, para garantir plenamente os direitos de cidadania e para a formação adequada da força de trabalho, não podemos ter qualquer dúvida de como será o futuro do país e as perspectivas desses enormes contingentes de pessoas excluídas e  subescolarizadas.
Vale inclusive observar que nossos indicadores educacionais, como o analfabetismo juvenil (na faixa dos 15 aos 24 anos), a evasão escolar antes do término do ensino fundamental e as taxas de inclusão no ensino superior, nos colocam entre os países em pior situação na América do Sul. Estamos lado a lado – ou mesmo abaixo – de países com características bem menos favoráveis para o desenvolvimento escolar, tais como a existência de duas ou mais línguas nacionais faladas por grandes contingentes da população, marcantes diferenças culturais e de atividades econômicas dos grupos populacionais e grande parte da população vivendo longe de centros urbanos. Nenhuma dessas características existe entre nós, pelo menos na proporção que existe naqueles outros países sul-americanos, o que permite concluir que nosso atraso educacional é fruto de políticas de exclusão sistematicamente adotadas ao longo de muitas décadas e cujo resultado foi nos trazer à atual situação.
Só vamos romper com esse atraso educacional quando algumas providências forem tomadas. Entre elas estão o aumento significativo dos recursos públicos destinados à educação, a melhoria das condições de estudo e trabalho nas escolas e o respeito aos ideais republicanos e democráticos, inclusive quanto à “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”, como reza nossa Constituição. Para que tenhamos um real rompimento com a situação atual, devemos atuar desde a educação infantil até a pós-graduação. Devemos, também, fazer com que a educação seja um instrumento de superação das desigualdades – e não de sua reprodução, como ocorre hoje – e recuperar o espaço público, em especial no ensino superior, apoderado por instituições privadas mercantis, com a conivência e o apoio, inclusive financeiro, dos governos.
Além dessas, muitas outras tarefas são necessárias para que o Brasil tome os mesmos rumos que tomaram os países que superaram as barreiras do atraso e da submissão. Há muito trabalho pela frente se queremos oferecer algumas perspectivas otimistas para o país: afinal, o perfil futuro do país é dado pelo perfil atual de seus jovens. E só teremos um país soberano, desenvolvido em termos econômicos, culturais e sociais, e capaz de garantir a todos os plenos direitos de cidadania se construirmos um sistema educacional inclusivo, democrático, igualitário e republicano.
 
Otaviano Helene é professor associado do Instituto de Física, presidiu a Adusp (Associação de Docentes da Universidade de São Paulo) de julho de 2007 a junho de 2009.
Texto publicado originalmente na edição 435 do Jornal Brasil de Fato

Crise terminal do capitalismo?

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.


A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

 
Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Folha baba ódio contra o MST

Ter, 09 de Agosto de 2011
Por Altamiro Borges

A mídia burguesa nunca gostou dos movimentos sociais. Ou omite suas lutas ou as criminaliza. Quando eclode uma greve, ela fala em congestionamento do trânsito – jogando a sociedade contra os grevistas. Ocorre um ato ou passeata popular e ela sataniza os manifestantes. O MST, um dos principais movimentos sociais brasileiros, é um dos alvos prediletos desta manipulação midiática.

A torcida histérica

Prova deste ódio de classe foi o editorial da Folha de domingo (7) contra os sem terra. Os adjetivos são raivosos, hidrófobos. Com base em dados sobre a redução do número de acampados, o jornalão da famiglia Frias atira: “Nos termos do vocabulário leninista que alimenta o delírio autoritário de seus líderes, é possível dizer que a ‘vanguarda de luta’ do MST corre risco de fenecer”.

Para o jornal, o MST é “o arauto de uma utopia regressiva, inimigo do agronegócio e da geração de riquezas no campo” e estaria em “declínio político” por se opor ao “progresso” capitalista. Não há uma palavra contra a concentração de terras no país, contra o trabalho escravo ou contra o uso de jagunços pelo latifúndio. A torcida pela extinção do MST é explícita, quase histérica:

Um jornal decadente, decrépito

“Em marcha inexorável, o movimento encolhe. Reverte ao núcleo do que nunca deixou de ser: um grupo de cristãos de esquerda adepto de açõescriminosas, como invasão e destruição de propriedades, e hábil na mobilização de excluídos para exercer pressão sobre o Estado e extorquir-lhe os recursos - desapropriações e verbas - que mantêm o movimento artificialmente vivo”.

Depois a Folha ainda afirma que é um jornal “plural e independente”. Porta-voz dos ruralistas e da direita golpista, o jornalão deveria ficar preocupado com o seu “declínio inexorável” – expresso na queda das suas tiragens de quase 1 milhão de exemplares nos anos 1980 para menos de 300 mil nos dias atuais. Ela sim representa a “utopia regressiva” do deus-mercado.