quinta-feira, fevereiro 13, 2014

PRECONCEITO: a arma do incapaz

Por Amanda Cristina Souza*
 
 
“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo”
(Raul Seixas)
 
 

O preconceito etimologicamente falando, é uma ideia pré-concebida sobre algo ou alguém, refletindo uma postura de não aceitação e alienação. Os preconceitos mais comuns são sexual, racial, religioso, social, e são produtos da reprodução de ideologias errôneas e de um estereótipo socialmente aceito.

A legitimação do preconceito ocorre através de comportamentos e justificativas que diminuem o outro e intensifica o egocentrismo daquele que acaba por transformar suas raivas e frustrações em agressividade e discriminação, resultando em uma segregação social que torna mais forte ideologias arraigadas e reproduzidas diariamente.

Ter aversão a contextos, situações e/ou pessoas que se “diferenciam” é negar o multiculturalismo existente bem como hostilizar o próximo, significa fragilidade e dependência a crenças que subordinam as manifestações culturais a conservadorismos e aceitações. 

O preconceito social demonstra que em pleno século XXI regredimos gradativamente. Somos julgados pelo que temos e não pelo que somos! A condição financeira, a aparência, as roupas que vestimos, principalmente as marcas que utilizamos determinam quem são os nossos amigos, qual lugar frequentamos, quem será nosso companheiro e a “classe social” a qual pertencemos.

Debochamos do outro quando sem argumentos, apelamos para a sem graça e fatídica brincadeira de falar da aparência alheia. Nas redes sociais, acontece corriqueiramente, utilizando-se a imagem de políticos, apresentadores de TV e principalmente de ex-participantes de reality shows uma ridicularização da imagem que não é apenas a explorada televisivamente, mas a humana.

Um bom exemplo do preconceito social e da ridicularização da imagem, é o caso da professora universitária da (PUC-Rio) Rosa Marina Meyer, que postou em sua rede social facebook o seguinte comentário: "aeroporto ou rodoviária?", a postagem, estava relacionada a imagem de um homem, esperando o seu voo, que por sinal, seria o mesmo da professora. O passageiro, tinha como traje camisa regata, bermuda, um tênis e uma simplicidade no sentar, vestir e ser.

Na sociedade do decadence avec elegance, não é surpresa que desde as pessoas menos instruídas até as mais capacitadas, estejam sujeitas a reprodução do preconceito. Esbravejar por aí “não tenho preconceito”, é o mesmo que assinar a sua própria sentença de morte, pois, como podemos observar, o preconceito pode até escolher o capital financeiro para sua morada, mas atingir o capital simbólico, é o retrato de uma sociedade que nada mais tem a perder.

Somos uma metamorfose ambulante, como diria o grande Raul Seixas, mas ainda assim insistimos que as semelhanças perdurem, retirando a beleza das diferenças que nos tornam tão iguais. 


*Amanda Cristina Souza é estudante de Serviço Social da UFPB, estagiária no NCDH/UFPB, Poeta nas horas vagas e escreve para o www.agorapb.com.br aos domingos.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Direito ao delírio, ao sonho e ao ócio

 Torna-te quem tu és.
Nietzshe

A rotina nos rouba os pequeno prazeres, é uma máquina de moer gente, rouba o físico e o espírito... rouba-nos de nós mesmo.

Nos roubam todos os dias o direito ao delírio, ao sonho... e porque não, ao ócio.

Talvez coisas diferentes, mas que partem de uma possível mesma emergência: a necessidade de ir além do praticismo e de nos poupar da reificação (coisificação) , e claro, da alienação (estranhamento) e mercadorização (consumismo) da vida social. E isso não poderia ser diferente em uma sociedade que resume tudo ao valor prático, ao utilitarismo e ao "necessário", mas pra quem?

Ambos de algum modo, e guardadas as proporções, não favorecem ao "status quo", ou seja lá o nome que damos a quem favoreça essas categorias. Afinal, ter pessoas que sonham, que vão além e que transcendem é perigoso a quem se apropria disso para fins particulares, e no português castiço, privados.

Vejam, não estou aqui partindo para um subjetivismo, ou mesmo para parâmetros filosóficos, não é bem isso (e ao mesmo tempo o é), é mais simples do que se mostra, no caso, a dita necessidade de buscar a também dita "identidade", aqui tendo como parâmetro que esta trata-se da presença dialética da unidade e da luta dos contrários.

É difícil debater esse tema, porque, continuando o raciocínio sobre a quem favorece ou não, historicamente nos foi negado esse "luxo", e sendo assim, debater isso faz com que pessoas se questionem, e ao mesmo tempo negar e afirmar coisas diferentes das "necessárias", e isso interessa a quem no final das "contas"?  Afinal, sempre nos dizem: caia na real. Ou, saia do mundo da fantasia (sic).

Ora, seriam o delírio, o sonho e o ócio antagônicos e negação da alienação? Ou mesmo a sua superação guardadas as proporções? Talvez, a resposta mais adequada a esse questionamento retórico e sem compromisso teórico depende de como seria utilizados esses momentos no processo de construção de uma "nova" consciência, digo em termos "claros": uma consciência libertária, e sim, emancipatória.

Eu queria... (e sei que não posso, por que meu corpo pesa por causa das correntes da alienação) me dar ao "luxo" de um, ou mesmo dois ou talvez algum tempo que não tenha encontrado medida necessária, "períodos sabáticos".

Uma pena esse momento ser um luxo e não um direito...

Assim, a provocação, não de hoje, de Paul Lafargue continua atual.
Ao mundo do trabalho, sim, porquê não? Mas e ócio? 
Há espaço para os dois!


O direito ao delírio, ao sonho e ao ócio nos foi roubado, alerta geral...
peguem esse ladrão, eu quero de volta... e a recompensa é para todos.



Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim - enfim, mas que medo - de mim mesma.

Clarice Lispector.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

"Me ver pobre, preso ou morto já é cultural!" #NegroDrama



Imaginem um homem sendo preso a um poste.
Imaginem esse homem sendo espancado.
Imaginem que ele foi preso com um cadeado de bicicleta.
Imaginem um homem nu preso a este poste.
Imaginem esse homem preso no bairro do Flamengo no Rio de Janeiro.
Imaginem a humilhação deste homem.
Imaginem um homem com a orelha cortada.
Imaginem sua dor.
Imaginem sua humilhação e seu constrangimento.

Fechem os olhos por 5 segundos, e imaginem...





Agora, imaginem esse homem, sendo uma pessoa branca e de olhos azuis...


Bem, não sou especialista, mas me senti no dever político de tentar escrever isto, é um texto que mostra mais uma visão de mundo genérica, e não terá aqui nenhum rigor teórico, pois, pra esse momento, não pretendo aprofundar isso, mas, tenho certeza, que outras pessoas o farão de maneira bem melhor aqui apresentada.

Esse caso, do jovem (negro) amarrado em um poste no Rio de Janeiro, amarrado pelos "justiceiros", mostra, mais uma vez, um forte ranço conservador, racista e colonialista existente na sociedade brasileira, principalmente em tempos de contexto de violência estrutural, que se dá tanto pela sociedade, quanto pelo "Estado penal".

Não se trata aqui, transformar isso em um debate político e/ou partidário, nem tão pouco de ser neutro, mas tentar trazer algumas reflexões importantes.

Em tempos de naturalização de barbáries como essa, vemos que a vida humana - homens/mulheres - não representam praticamente nada nessa sociedade, principalmente quando não ligado ao poder de consumo, a apresenta-se um desvio, mesmo que padrão, da aparência, da cor/etnia, entre outros.

São sim, momentos de valores invertidos nessa sociedade, mas, não como aponta a notável jornalista Rachel Sheherazade. A nossa única medida para nossas ações devria ser a vida humana. Isso, digo no sentido de dever mais profundo da palavra ética, que é no frigir dos ovos a defesa intrasigente da vida humana, e o homem como parâmetro de nossas ações, aqui, o ser humano como figura essencial nas relações social, que é dotado de consciência humana, capacidade teleológica e de se expressar através da linguagem...

Parece, que tudo isso vira o pó de cocaína que a classe média cheira quando o assunto é o direito a ter direitos. (claro que para a periferia, eles tem que ter direito de falar o que quiserem, e até prenderem e cortar a orelha de alguém, normal né?)

Tudo se naturaliza, colocam e enterram anos de evolução crítica e de capacidade cognitiva e intelectual do ser humano no lixo do MC Donalds... tudo vira um, talvez conto de fadas da bela adormecida, em que sempre foi assim, sempre será e portanto sempre deverá ser... existe uma constante moralização pautada em princípios que lhe são convenientes e de cunho preconceituoso e de julgar o outro, embora NUNCA a si próprio.

São nessas horas de que questões polêmicas entram em cena, dividem o mundo em dois lados: os que simplesmente acreditam que todos seres humanos são detentores de direitos, e assim tem direitos a ter direitos, e o outro lado, que relativiza isso conforme o poder de consumo na sociedade...

É tudo o tempo todo e o tempo inteiro, no suado cotidiano, que isso se apresenta nas abordagens, nos olhares, nos rolezinhos, e claro, cotidianamente, nas mais diversas formas de descriminação e preconceito social.

Falei acima de ética, estaria eu aqui me valendo de um termo filosófico? Bem, talvez.

A ética é uma categoria filófica, uma das mais conhecidas, porém pouco praticada, afinal, não se ensinam isso nas escolas, estamos ocupados aprendendo a raiz de delta ou como escrever corretamente conforme a norma culta da língua, sendo assim, a ética historicamente fica em segundo plano no debate.

Não seria isso o maior dos males, pois ela está ausente no debate, e o pior de tudo: na cultura!

O que vemos por ai, são homens que têm ética, homens que seguem a moral (pelo menos dizem que sim), e logo, a ética se transforma em um status individual, e esquecido no âmbito do coletivo.

Poderia ser diferente? Afinal, ouvimos o dia todo na TV, pela Igreja e cia ilimitada que a ética e a moral são as mesmas coisas, e que defender a ética, é defender interesses (os seus de preferência, e que foda-se o resto da nação, vamos cantar o hino nacional e ser feliz, né?)

O agir humano, se reduz asism, a controlar e regulamentar o comportamento conforme um padrão, bem, esse padrão, imaginem qual é... tudo que fugir disso, é logo errado e do mau, e logo deve ser punido com "justiça" e deve-se assim, esquecer da vida humana e pensar em uma só coisa: o seu lado e pensamento individual.

Desde criancinha, menina BUXUDA em Barbacena, nunca acreditei que liberdade começa quando uma termina, ou sei lá, alguma coisa do tipo, papinho clichê e de senso-comum. Ora, estaríamos assim limitando a própria liberdade, enquanto um não for livre, nenhum de nós seremos, somos interligados, porque somos seres humanos em totalidade, e logo, estamos na pior, enquanto todos tiverem na pior, só que isso é mascarado, muitas vezes, pelo poder de consumo que como mágica e um feitiç de oportunidade umas pessoas tiveram, e outram "porque não quiseram" não o tiveram.

Enfim, agumas reflexões nesse dia intenso de ofensivas a quem defende a vida humana...
Como tenho dúvidas, e ainda bem que têm os poetas e escritores, aqui no caso Racionais, que fizeram essa brilhante letra abaixo colocada. Cabe bem, como uma luva da coco chanel (essa ironia é pro pessoal que vai fazer comprar em Paris e nunca foi ao menos no complexo da maré no Rio de Janeiro).



Negro Drama

Racionais Mc's

Negro drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas
Inveja, luxo, fama
Negro drama
Cabelo crespo
E a pele escura
A ferida, a chaga
À procura da cura
Negro drama
Tenta ver
E não vê nada
A não ser uma estrela
Longe, meio ofuscada
Sente o drama
O preço, a cobrança
No amor, no ódio
A insana vingança
Negro drama
Eu sei quem trama
E quem tá comigo
O trauma que eu carrego
Pra não ser mais um preto fodido
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue
Sirene, choros e vela
Passageiro do Brasil
São Paulo
Agonia que sobrevivem
Em meia às honras e covardias
Periferias, vielas e cortiços
Você deve tá pensando
O que você tem a ver com isso
Desde o início
Por ouro e prata
Olha quem morre
Então veja você quem mata
Recebe o mérito, a farda
Que pratica o mal
Me ver
Pobre, preso ou morto
Já é cultural
Histórias, registros
Escritos
Não é conto
Nem fábula
Lenda ou mito
Não foi sempre dito
Que preto não tem vez
Então olha o castelo e não
Foi você quem fez cuzão
Eu sou irmão
Dos meus trutas de batalha
Eu era a carne
Agora sou a própria navalha
Tin, tin
Um brinde pra mim
Sou exemplo de vitórias
Trajetos e glórias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar
De dentro dele
A favela
São poucos
Que entram em campo pra vencer
A alma guarda
O que a mente tenta esquecer
Olho pra trás
Vejo a estrada que eu trilhei
Mó cota
Quem teve lado a lado
E quem só fico na bota
Entre as frases
Fases e várias etapas
Do quem é quem
Dos mano e das mina fraca
Negro drama de estilo
Pra ser
E se for
Tem que ser
Se temer é milho
Entre o gatilho e a tempestade
Sempre a provar
Que sou homem e não covarde
Que Deus me guarde
Pois eu sei
Que ele não é neutro
Vigia os rico
Mas ama os que vem do gueto
Eu visto preto
Por dentro e por fora
Guerreiro
Poeta entre o tempo e a memória
Hora
Nessa história
Vejo o dólar
E vários quilates
Falo pro mano
Que não morra, e também não mate
O tic-tac
Não espera veja o ponteiro
Essa estrada é venenosa
E cheia de morteiro
Pesadelo
Hum
É um elogio
Pra quem vive na guerra
A paz nunca existiu
Num clima quente
A minha gente sua frio
Vi um pretinho
Seu caderno era um fuzil
Um fuzil
Negro drama
Crime, futebol, música, caraio
Eu também não consegui fugir disso aí
Eu só mais um
Forrest Gump é mato
Eu prefiro conta uma história real
Vô conta a minha
Daria um filme
Uma negra
E uma criança nos braços
Solitária na floresta
De concreto e aço
Veja
Olha outra vez
O rosto na multidão
A multidão é um monstro
Sem rosto e coração
Ei,
São Paulo
Terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne
É a torre de babel
Família brasileira
Dois contra o mundo
Mãe solteira
De um promissor
Vagabundo
Luz
Câmera e ação
Gravando a cena vai
Um bastardo
Mais um filho pardo
Sem pai
Ei,
Senhor de engenho
Eu sei
Bem quem você é
Sozinho, cê num guenta
Sozinho
Cê num entra a pé
Cê disse que era bom
E as favela ouviu, lá
Também tem
Whisky, Red Bull
Tênis Nike e fuzil
Admito
Seus carro é bonito
É
Eu não sei fazê
Internet, videocassete
Os carro loco
Atrasado
Eu tô um pouco sim

Eu acho
Só que tem que
Seu jogo é sujo
E eu não me encaixo
Eu sô problema de montão
De carnaval a carnaval
Eu vim da selva
Sou leão
Sou demais pro seu quintal
Problema com escola
Eu tenho mil
Mil fita
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês
Ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria
Gíria não, dialeto
Esse não é mais seu
Ó,
Subiu
Entrei pelo seu rádio
Tomei
Cê nem viu
Nós é isso ou aquilo
O quê?
Cê não dizia?
Seu filho quer ser preto
Rááá....
Que ironia
Cola o pôster do 2Pac aí
Que tal?
Que cê diz?
Sente o negro drama
Vai
Tenta ser feliz
Ei bacana
Quem te fez tão bom assim?
O que cê deu,
O que cê faz,
O que cê fez por mim?
Eu recebi seu tic
Quer dizer kit
De esgoto a céu aberto
E parede madeirite
De vergonha eu não morri
To firmão
Eis-me aqui
Você, não
Cê não passa
Quando o mar vermelho abrir
Eu sou o mano
Homem duro
Do gueto, Brown
Obá
Aquele louco
Que não pode errar
Aquele que você odeia
Amar nesse instante
Pele parda
Ouço funk
E de onde vem
Os diamantes
Da lama
Valeu mãe
Negro drama
Drama, drama, drama...
Aê, na época dos barracos de pau lá na Pedreira, onde vocês tavam?
O que vocês deram por mim?
O que vocês fizeram por mim?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho
Agora tá de olho no carro que eu dirijo
Demorou, eu quero é mais
Eu quero até sua alma
Aí, o rap fez eu ser o que sou
Ice Blue, Edy Rock e Kl Jay e toda a família
E toda geração que faz o rap
A geração que revolucionou
A geração que vai revolucionar
Anos 90, século 21
É desse jeito
Aê, você sai do gueto, mas o gueto nunca sai de você, morou irmão?
Você tá dirigindo um carro
O mundo todo tá de olho em você, morou?
Sabe por quê?
Pela sua origem, morou irmão?
É desse jeito que você vive
É o negro drama
Eu não li, eu não assisti
Eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama
Eu sou o fruto do negro drama
Aí dona Ana, sem palavras, a senhora é uma rainha, rainha
Mas aê, se tiver que voltar pra favela
Eu vou voltar de cabeça erguida
Porque assim é que é
Renascendo das cinzas
Firme e forte, guerreiro de fé
Vagabundo nato!

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Países unidos pelo bombardeio imperialista

# Qual a semelhança desses países?

- Japão 1945
- China 1945-1946
- Korea 1950-1953
- China 1950-1953
- Guatemala 1954
- Indonesia 1958
- Cuba 1959-1960
- Guatemala 1960
- Belgian Congo 1964
- Guatemala 1964
- Dominican Republic 1965-1966
- Peru 1965
- Laos 1964-1973
- Vietnam 1961-1973
- Cambodia 1969-1970
- Guatemala 1967-1969
- Lebanon 1982-1984
- Grenada 1983-1984
- Libya 1986
- El Salvador 1981-1992
- Nicaragua 1981-1990
- Iran 1987-1988
- Libya 1989
- Panama 1989-1990
- Iraq 1991
- Kuwait 1991
- Somalia 1992-1994
- Bosnia 1995
- Iran, 1998
- Sudan, 1998
- Afghanistan, 1998
- Serbia 1999
- Afghanistan, 2001
- Iraque, 2003
- Libya 2011


Acertou quem disse que todos eles sofreram intervenção a favor da "democracia" por parte dos norte-americanos.
Todos esses países sofreram ataques com bombardeios. Até onde vai o imperialismo estadunidense?

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Sem sentido... é instantâneo!

Fico com medo e triste quando vejo pessoas superficiais que comemoram coisas sem sentido. "Coisas" no sentido mais essencial do termo.

Será que eu sou exigente? Ou essa sociedade realmente só se preocupa com o efêmero e o supérfluo?

Eu queria que a primeira opção estivesse unicamente correta e assim quem sabe, seria puro egoísmo meu, mas... para a minha tristeza, sarcasmo e ironia, a segunda alternativa faz com que a primeira seja necessária e ao mesmo tempo óbvia.

Não tenho paciência para pessoas que se acham melhores do que outras porque possuem um cargo/salário/voz/mídia a mais que outras pessoas, ou acham que sim.

Geralmente, esses coisas bobas e de cunho socialite (digo na busca pelo dito status social), seja ela com o aumento da popularidade, da influência ou mesmo de mais seguidores, contatos, e ainda com a utilização da bajulação para tal...me deixam profundamente irritada com o que possa ser o destino da humanidade.

Tudo se resume numa alienação e profundo consumo: uma coisa só é boa quando nos serve de alguma forma, de preferência algo que seja descartável quando não nos dê mais nada, ou seja, é quase um investimento na bolsa de valores.

Em geral, incorporamos o estilo vampiresco do capitalismo nas próprias relações sociais: somos sangue-sugas, ao mesmo tempo que somos o corpo a ser sugado.

Parece um complexo, e talvez o seja, recheado de multiplos fatores e de totalidade social. Não estou aqui para fazer julgamento moral, nunca fez meu estilo...


Isso colocado, parece que tudo perdeu sentido, tudo é atoa, é instantâneo como um miojo que cozinha em 3 minutos, parece bom, mas faz mal a saúde, e só tem sódio... mas, é rápido e prático, e isso que importa no final das contas.

Sempre que queremos sonhar, ir além do que esta posto, nos dizem: "Cai na real, a vida não é assim".
Como se alguém soubesse o que ela verdadeiramente é, filosófos tentaram, mas falam e falam, e nada faz sentido, porque não é pra fazer... É melhor e mais cômodo ficar assim, na inércia da ignorância.

Ai, num passe de mágica, só que não, a solução para as nossas carência e vaidades sociais parecem ser resolvidas com a superficilidade e na simplicidade, não a simplicidade de descomplecizar algo, mas no sentido de não ser saturado, ser vazio... ser, pobre de determinações.

Talvez seja mais um texto hipócrita, mas talvez não. Eu não perderia meu precioso tempo tentando apontar isso para a minha rede facebookiana. E sei que muitos compartilham disso. Talvez seja uma agústia, talvez um desabafo, mas se foi feito, é porque é necessário.

Por enquanto, é isso.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

O combate ao uso indevido de drogas: operação braços abertos na cracolândia de SP

A secretaria nacional de política sobre drogas do Governo Federal vinha agindo há um tempinho, mas com medidas tímidas, numa tentativa de alavancar a política de redução de danos no Brasil, isso pra mim é mais visível principalmente a partir dos CAPS-AD (anti-drogas).
A nível federal, existia ao longo do tempo a tentativa de construir um agenda nacional para tentar resolver esse problema, também do ponto de vista da segurança pública. Acredito que, por existir ainda uma forte militarização da vida social e até mesmo por falta de prioridade no assunto dos estados e municípios isso não ganhou corpo.
Confesso que fiquei surpresa com a atitude do governo municipal de São Paulo. Já tinha ouvido antes que o Haddad condenava as práticas de repressão policial e do higienismo social promovido pela internação compulsória, mas ele falava isso de maneira muito “medida” para tentar não gerar polêmica, e culpava a ação por causar estranhamento entre as eferas do poder. O fato da secretária, Luciana Temer, não ser também lá essas coisas, pode ter surpreendido mais.
Acontece que o fato das drogas, e mais precisamente da cracolândia, é um calo há muito tempo para o governo e a sociedade paulistana, então buscar resolver isso cedo ou mais tarde ia ter que entrar na agenda da gestão.
Politicamente, o governo do Haddad em São Paulo não estava “bem visto” lá, quando fui lá em outubro, mesmo após as manifestações, exisita uma grande incerteza sobre os rumos do governo e sobre a candidatua a governadoria em São Paulo, via Padilha. No tocante ao andamento da gestão municipal, isso é até compreensível, afinal, o governo anterior do PSDB também estava mal, e não teríamos como mudar a correlação de forças de uma hora para a outra, principalmente com problemas na composição do governo.
A meu ver hoje, as gestões do PT em São Paulo, e no Rio Grande do Sul representam o fôlego do PT nos governos municipais e estaduais, fora isso, estamos desgastados, exemplo disso é nossa situação no nordeste, principalmente na Bahia.
Especificando sobre para a execução da política na cracolândia... O fato é que temos um problema, o uso indevido de drogas e a condição desses territórios e sua vulnerabilidade social...
Quando tentou-se fazer isso via internação compulsória e ainda com repressão policial o óbvio veio a tona: se tratava de mais uma atitude higienista e pontual, que não ia na essência, e portanto, não resolveria, seria uma “política” para “inglês ver”. Era uma atitude mais fácil, a da imposição... gerou bastante polêmica e diversos grupos dos direitos humanos e da saúde mental foram terminantemente contra, inclusive os órgãos de categorias de classe.
Com essa atitude da operação Braços Abertos, mostra-se e percebe-se que é bem ousada e diferente, busca-se o diálogo com aqueles que segundo muitos, são imprestáveis e “vagabundos” para a cidade. E também, tenta-se construir a política de uma forma mais transversal, eu diria, é uma mediação de um conflito existente.
Agora, esse “conflito” se dá tanto de maneira entre sujeitos, mas também de maneira psíquica, pois sabemos dos danos que uma droga pesada com o crack pode causar. Sendo assim, é preciso de uma olhar também clínico.
Acredito que o diferencial será se o trabalho permanecer o tempo todo de maneira intersetorial, e acho que isso já começou bem, pelo que percebi de longe.
É preciso acompanhamento de equipe multidisciplinar e acionar a rede de serviços existentes, principalmente do SUS e SUAS, mais precisamente entre os CRAS, CREAS e CAPS, e também as USF.
Não sei como está a situação mais específica sobre a política nacional anti-drogas em São Paulo, mas é necesessário articular isso com a participação da comunidade, seja via a criação de um conselho municipal sobre drogas, assim como de conselhos locais, e de inserir e fortalecer tais discussões através da educação e da saúde, e  claro, em diálogo com os movimentos sociais e ONGs que já atuam na área.
Agora, se isso também não buscar uma mediação com os meios de comunicação e com a nossa base de apoio, para a formação da opinião pública, pode ser um tiro pela culatra caso dê "algum problema".
Outro ponto que devemos problematizar é, que essa ação deve avançar no sentido de se tornar um programa, e quem se sabe se materialize em uma política municipal de combate a drogas, garantindo assim a sua institucionalização e assim provável garantia.
Se ficar somentes nessas ações atuais por muito tempo, é provável que se esgotará rapidamente na minha avaliação. É preciso inserir para esses sujeitos uma forma mais planejada da política de emprego e renda, seja via economia solidária, ou mesmo, nos serviços públicos, como já acontece em alguns caos de adolescentes em cumprimento de medidas sócio-educativas...
Enfim, temos que apostar, é preciso uma saída concreta...
Isso também deve, sem purismo, vir acompanhado de um combate ao tráfico, ai, não sei até que ponto o município tem governabilidade para tal... Mas, acho que terá que pedir apoio ao governo federal em todos os sentidos, principalmente no repasse de orçamento e de construção de uma política em caráter permanente, e que seja referência nacional, já que os municípios estão sem ter o que fazer diante disso, na minha realidade mesmo, não vejo nenhuma ação do tipo, salvo os consultórios de rua (saúde) e alguns programas governamentais como o Ruartes (assistência social), que são de pequeno impacto mediante a formação das equipes e do financiamento.
Enfim, acho que para início do debate são essas reflexões. Sobre a logística de como será esse controle do trabalho de zeladoria, e do funcionamento do hotel não tenho informações mais precisas, e nenhuma fonte desses jornais são confiáveis... Vou tentar assim que possível entrar em contato com um colega meu que é Assistente Social da área lá.
Vale ressaltar que o conservadorismo paulistano está com ódio e raivoso, falando que estatizamos o tráfico via o "bolsa crack".
Achei esse vídeo interessante: http://tvt.org.br/watch.php?id=15508

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Rolezinho sim, ora pois...

  • Esse movimento e fatos como este tem se tornado comum na atualidade, ora explícito e ora mais velado, principalmente em tempos que a cidade se tornam o próprio cerne de movimentos, principalmente no tocante ao seu usufruto. 



  • O que ocorre é que existe uma apropriação dos espaços de uso coletivo por parte da então "classe média", representada principalmente pela figura da família consumidora, que quer controlar esses espaços através da aparência e estilo de uma determinada tribo, e depois, isso se revela principalmente na exclusão de jovens da periferia. 
  • Esse fato mostra que a juventude no Brasil carece de espaços de exercer sua cultura livremente, os equipamentos públicos para a juventude praticamente não existem... e isso acaba se tornando um problema para os jovens que querem sair, se divertir e ter lazer... quando o shopping se torna o único espaço, quem o utiliza historicamente de forma mais tradicional (famílias com poder de consumo e de classe média) se sentem incomodadas pelo usufruto de camadas mais pobres, que aparentemente não possuem o "direito de consumir" e apela-se para, digamos, uma higienização de um espaço que não deveria ser para todos, apenas para quem tem poder de consumo elevado, mesmo que dividido 10x no visa ou mastercard.
  • No tocante a resposta, seja sociológica ou prática ao fato ocorrido em Sâo Paulo, se trata de uma explicitação de algo que vinha ocorrendo não de hoje. Porque jovens universitários podem ir ao Shopping e os da "favela" não? Isso é uma violação dos direitos humanos, e isso não teria como não ter reação por quem atua na área.
    O que ocorreu em São Paulo, e recentemente em João Pessoa/PB (no ano ainda de 2013), mostra a realidade da segurança pública, que no cotidiano, assassina jovens e negros na periferia.
  • Aqui em João Pessoa, a manifestação (ocorrida em 2013) teve rebordosas do ponto de vista da "militarização". Na manifestação que teve, foi o caso inclusive para a justiça, e o processo está em andamento, sendo que foi o segurança do shopping (que era por coincidência também policial) que denunciou primeiramente os jovens, e a partir disso, os jovens foram e denunciaram o policial, pois além de exercer a função de segurança privado, ele cometeu abuso de poder e discriminação.
  • Hoje, quem frequenta o Shopping Tambiá ou mesmo outros shoppings de mais "alto nível" percebe que existe mais "fiscalização", principalmente se a pessoa apresentar um esteriótipo do que chamam aqui de "môfis" (termo criado pela mídia e de caráter pejorativo). Os jovens vivem sobre o olhar punitivo do segurança, é uma constante ameaça.
  • A realidade em João Pessoa, independente dos shopping, é dura com a juventude negra. Aqui é a cidade do Brasil que mais mata jovens negros e pobres, números que são quase de uma guerra civil (ver mapa da violência). Isso é resultado da falta de políticas públicas e de acesso a direitos sociais, e de um poder paralelo (milicial) que existe na cidade, como em outros cidades acirradas pelo poder do tráfico x poder de polícia x poder do estado x políticas públicas, que é uma relação paradoxa e ao mesmo tempo muito complexa.
  • Sobre as mudanças necessárias, se trata de um processo longo. Temos um país de base escravocrata, e de forte poder da classe média branca. A realidade deve ser mudada com investimentos em políticas públicas, que envolvam educação, saúde, transporte, juventude e cultura. A política de juventude é recente no Brasil, o Estatuto e o Sistema Nacional datam do ano passado, temos muito a avançar.
  • A juventude precisa de educação, lazer, cultura e saúde, além de tudo, de emprego e trabalho digno. 
  • É fácil para quem vem de um histórico médio de consumo ter uma vida relativamente estável, principalmente ao dizer de forma equivocada "porque não dar um rolezinho na biblioteca"? É muito "fácil" que historicamente teve relativa oportunidade. Já para quem vive nas periferias, a situação é mais complicada, com uma diária negação de direitos.
  • Por mais que não pareça, essa sociedade é dividida e preconceituosa. Existe conforme o documentário abaixo, um hiato. Precisamos manter a juventude viva, longe dessas barbáries e assassinados, e isso se faz com acesso a direitos, educação, emprego, cultura e lazer.
  • Infelizmente, a nossa sociedade branca, é difícil engolir negros nos espaços historicamente brancos, por isso ainda resistem as cotas, não querem largar o osso, ora.
  • Indicação de leitura:
- http://mariafro.com/2014/01/13/a-classe-c-da-era-lula-vai-ao-shopping-a-burguesia-reage-e-a-pm-capitao-do-mato-faz-o-servico-sob-a-protecao-da-justica/

-http://www.viomundo.com.br/denuncias/antonio-david-8.html?fb_action_ids=10202777518827156&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B202393879950615%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D



Para ter uma noção sobre o processo, vale assistir o documentário Hiato, que segue abaixo. Este é um documentário dos anos 2000, sobre uma ocupação no Shopping de uma bairro nobre do Rio de Janeiro, o Botafogo. Notem as reações à presença "dos que não podem comprar"... parece que a história realmente se repete, seja como tragédia, seja como farsa, como já nos disse Marx.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

PRECONCEITO: a arma do incapaz

Por Amanda Cristina Souza*
 
 
“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo”
(Raul Seixas)
 
 

O preconceito etimologicamente falando, é uma ideia pré-concebida sobre algo ou alguém, refletindo uma postura de não aceitação e alienação. Os preconceitos mais comuns são sexual, racial, religioso, social, e são produtos da reprodução de ideologias errôneas e de um estereótipo socialmente aceito.

A legitimação do preconceito ocorre através de comportamentos e justificativas que diminuem o outro e intensifica o egocentrismo daquele que acaba por transformar suas raivas e frustrações em agressividade e discriminação, resultando em uma segregação social que torna mais forte ideologias arraigadas e reproduzidas diariamente.

Ter aversão a contextos, situações e/ou pessoas que se “diferenciam” é negar o multiculturalismo existente bem como hostilizar o próximo, significa fragilidade e dependência a crenças que subordinam as manifestações culturais a conservadorismos e aceitações. 

O preconceito social demonstra que em pleno século XXI regredimos gradativamente. Somos julgados pelo que temos e não pelo que somos! A condição financeira, a aparência, as roupas que vestimos, principalmente as marcas que utilizamos determinam quem são os nossos amigos, qual lugar frequentamos, quem será nosso companheiro e a “classe social” a qual pertencemos.

Debochamos do outro quando sem argumentos, apelamos para a sem graça e fatídica brincadeira de falar da aparência alheia. Nas redes sociais, acontece corriqueiramente, utilizando-se a imagem de políticos, apresentadores de TV e principalmente de ex-participantes de reality shows uma ridicularização da imagem que não é apenas a explorada televisivamente, mas a humana.

Um bom exemplo do preconceito social e da ridicularização da imagem, é o caso da professora universitária da (PUC-Rio) Rosa Marina Meyer, que postou em sua rede social facebook o seguinte comentário: "aeroporto ou rodoviária?", a postagem, estava relacionada a imagem de um homem, esperando o seu voo, que por sinal, seria o mesmo da professora. O passageiro, tinha como traje camisa regata, bermuda, um tênis e uma simplicidade no sentar, vestir e ser.

Na sociedade do decadence avec elegance, não é surpresa que desde as pessoas menos instruídas até as mais capacitadas, estejam sujeitas a reprodução do preconceito. Esbravejar por aí “não tenho preconceito”, é o mesmo que assinar a sua própria sentença de morte, pois, como podemos observar, o preconceito pode até escolher o capital financeiro para sua morada, mas atingir o capital simbólico, é o retrato de uma sociedade que nada mais tem a perder.

Somos uma metamorfose ambulante, como diria o grande Raul Seixas, mas ainda assim insistimos que as semelhanças perdurem, retirando a beleza das diferenças que nos tornam tão iguais. 


*Amanda Cristina Souza é estudante de Serviço Social da UFPB, estagiária no NCDH/UFPB, Poeta nas horas vagas e escreve para o www.agorapb.com.br aos domingos.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Direito ao delírio, ao sonho e ao ócio

 Torna-te quem tu és.
Nietzshe

A rotina nos rouba os pequeno prazeres, é uma máquina de moer gente, rouba o físico e o espírito... rouba-nos de nós mesmo.

Nos roubam todos os dias o direito ao delírio, ao sonho... e porque não, ao ócio.

Talvez coisas diferentes, mas que partem de uma possível mesma emergência: a necessidade de ir além do praticismo e de nos poupar da reificação (coisificação) , e claro, da alienação (estranhamento) e mercadorização (consumismo) da vida social. E isso não poderia ser diferente em uma sociedade que resume tudo ao valor prático, ao utilitarismo e ao "necessário", mas pra quem?

Ambos de algum modo, e guardadas as proporções, não favorecem ao "status quo", ou seja lá o nome que damos a quem favoreça essas categorias. Afinal, ter pessoas que sonham, que vão além e que transcendem é perigoso a quem se apropria disso para fins particulares, e no português castiço, privados.

Vejam, não estou aqui partindo para um subjetivismo, ou mesmo para parâmetros filosóficos, não é bem isso (e ao mesmo tempo o é), é mais simples do que se mostra, no caso, a dita necessidade de buscar a também dita "identidade", aqui tendo como parâmetro que esta trata-se da presença dialética da unidade e da luta dos contrários.

É difícil debater esse tema, porque, continuando o raciocínio sobre a quem favorece ou não, historicamente nos foi negado esse "luxo", e sendo assim, debater isso faz com que pessoas se questionem, e ao mesmo tempo negar e afirmar coisas diferentes das "necessárias", e isso interessa a quem no final das "contas"?  Afinal, sempre nos dizem: caia na real. Ou, saia do mundo da fantasia (sic).

Ora, seriam o delírio, o sonho e o ócio antagônicos e negação da alienação? Ou mesmo a sua superação guardadas as proporções? Talvez, a resposta mais adequada a esse questionamento retórico e sem compromisso teórico depende de como seria utilizados esses momentos no processo de construção de uma "nova" consciência, digo em termos "claros": uma consciência libertária, e sim, emancipatória.

Eu queria... (e sei que não posso, por que meu corpo pesa por causa das correntes da alienação) me dar ao "luxo" de um, ou mesmo dois ou talvez algum tempo que não tenha encontrado medida necessária, "períodos sabáticos".

Uma pena esse momento ser um luxo e não um direito...

Assim, a provocação, não de hoje, de Paul Lafargue continua atual.
Ao mundo do trabalho, sim, porquê não? Mas e ócio? 
Há espaço para os dois!


O direito ao delírio, ao sonho e ao ócio nos foi roubado, alerta geral...
peguem esse ladrão, eu quero de volta... e a recompensa é para todos.



Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim - enfim, mas que medo - de mim mesma.

Clarice Lispector.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

"Me ver pobre, preso ou morto já é cultural!" #NegroDrama



Imaginem um homem sendo preso a um poste.
Imaginem esse homem sendo espancado.
Imaginem que ele foi preso com um cadeado de bicicleta.
Imaginem um homem nu preso a este poste.
Imaginem esse homem preso no bairro do Flamengo no Rio de Janeiro.
Imaginem a humilhação deste homem.
Imaginem um homem com a orelha cortada.
Imaginem sua dor.
Imaginem sua humilhação e seu constrangimento.

Fechem os olhos por 5 segundos, e imaginem...





Agora, imaginem esse homem, sendo uma pessoa branca e de olhos azuis...


Bem, não sou especialista, mas me senti no dever político de tentar escrever isto, é um texto que mostra mais uma visão de mundo genérica, e não terá aqui nenhum rigor teórico, pois, pra esse momento, não pretendo aprofundar isso, mas, tenho certeza, que outras pessoas o farão de maneira bem melhor aqui apresentada.

Esse caso, do jovem (negro) amarrado em um poste no Rio de Janeiro, amarrado pelos "justiceiros", mostra, mais uma vez, um forte ranço conservador, racista e colonialista existente na sociedade brasileira, principalmente em tempos de contexto de violência estrutural, que se dá tanto pela sociedade, quanto pelo "Estado penal".

Não se trata aqui, transformar isso em um debate político e/ou partidário, nem tão pouco de ser neutro, mas tentar trazer algumas reflexões importantes.

Em tempos de naturalização de barbáries como essa, vemos que a vida humana - homens/mulheres - não representam praticamente nada nessa sociedade, principalmente quando não ligado ao poder de consumo, a apresenta-se um desvio, mesmo que padrão, da aparência, da cor/etnia, entre outros.

São sim, momentos de valores invertidos nessa sociedade, mas, não como aponta a notável jornalista Rachel Sheherazade. A nossa única medida para nossas ações devria ser a vida humana. Isso, digo no sentido de dever mais profundo da palavra ética, que é no frigir dos ovos a defesa intrasigente da vida humana, e o homem como parâmetro de nossas ações, aqui, o ser humano como figura essencial nas relações social, que é dotado de consciência humana, capacidade teleológica e de se expressar através da linguagem...

Parece, que tudo isso vira o pó de cocaína que a classe média cheira quando o assunto é o direito a ter direitos. (claro que para a periferia, eles tem que ter direito de falar o que quiserem, e até prenderem e cortar a orelha de alguém, normal né?)

Tudo se naturaliza, colocam e enterram anos de evolução crítica e de capacidade cognitiva e intelectual do ser humano no lixo do MC Donalds... tudo vira um, talvez conto de fadas da bela adormecida, em que sempre foi assim, sempre será e portanto sempre deverá ser... existe uma constante moralização pautada em princípios que lhe são convenientes e de cunho preconceituoso e de julgar o outro, embora NUNCA a si próprio.

São nessas horas de que questões polêmicas entram em cena, dividem o mundo em dois lados: os que simplesmente acreditam que todos seres humanos são detentores de direitos, e assim tem direitos a ter direitos, e o outro lado, que relativiza isso conforme o poder de consumo na sociedade...

É tudo o tempo todo e o tempo inteiro, no suado cotidiano, que isso se apresenta nas abordagens, nos olhares, nos rolezinhos, e claro, cotidianamente, nas mais diversas formas de descriminação e preconceito social.

Falei acima de ética, estaria eu aqui me valendo de um termo filosófico? Bem, talvez.

A ética é uma categoria filófica, uma das mais conhecidas, porém pouco praticada, afinal, não se ensinam isso nas escolas, estamos ocupados aprendendo a raiz de delta ou como escrever corretamente conforme a norma culta da língua, sendo assim, a ética historicamente fica em segundo plano no debate.

Não seria isso o maior dos males, pois ela está ausente no debate, e o pior de tudo: na cultura!

O que vemos por ai, são homens que têm ética, homens que seguem a moral (pelo menos dizem que sim), e logo, a ética se transforma em um status individual, e esquecido no âmbito do coletivo.

Poderia ser diferente? Afinal, ouvimos o dia todo na TV, pela Igreja e cia ilimitada que a ética e a moral são as mesmas coisas, e que defender a ética, é defender interesses (os seus de preferência, e que foda-se o resto da nação, vamos cantar o hino nacional e ser feliz, né?)

O agir humano, se reduz asism, a controlar e regulamentar o comportamento conforme um padrão, bem, esse padrão, imaginem qual é... tudo que fugir disso, é logo errado e do mau, e logo deve ser punido com "justiça" e deve-se assim, esquecer da vida humana e pensar em uma só coisa: o seu lado e pensamento individual.

Desde criancinha, menina BUXUDA em Barbacena, nunca acreditei que liberdade começa quando uma termina, ou sei lá, alguma coisa do tipo, papinho clichê e de senso-comum. Ora, estaríamos assim limitando a própria liberdade, enquanto um não for livre, nenhum de nós seremos, somos interligados, porque somos seres humanos em totalidade, e logo, estamos na pior, enquanto todos tiverem na pior, só que isso é mascarado, muitas vezes, pelo poder de consumo que como mágica e um feitiç de oportunidade umas pessoas tiveram, e outram "porque não quiseram" não o tiveram.

Enfim, agumas reflexões nesse dia intenso de ofensivas a quem defende a vida humana...
Como tenho dúvidas, e ainda bem que têm os poetas e escritores, aqui no caso Racionais, que fizeram essa brilhante letra abaixo colocada. Cabe bem, como uma luva da coco chanel (essa ironia é pro pessoal que vai fazer comprar em Paris e nunca foi ao menos no complexo da maré no Rio de Janeiro).



Negro Drama

Racionais Mc's

Negro drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas
Inveja, luxo, fama
Negro drama
Cabelo crespo
E a pele escura
A ferida, a chaga
À procura da cura
Negro drama
Tenta ver
E não vê nada
A não ser uma estrela
Longe, meio ofuscada
Sente o drama
O preço, a cobrança
No amor, no ódio
A insana vingança
Negro drama
Eu sei quem trama
E quem tá comigo
O trauma que eu carrego
Pra não ser mais um preto fodido
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue
Sirene, choros e vela
Passageiro do Brasil
São Paulo
Agonia que sobrevivem
Em meia às honras e covardias
Periferias, vielas e cortiços
Você deve tá pensando
O que você tem a ver com isso
Desde o início
Por ouro e prata
Olha quem morre
Então veja você quem mata
Recebe o mérito, a farda
Que pratica o mal
Me ver
Pobre, preso ou morto
Já é cultural
Histórias, registros
Escritos
Não é conto
Nem fábula
Lenda ou mito
Não foi sempre dito
Que preto não tem vez
Então olha o castelo e não
Foi você quem fez cuzão
Eu sou irmão
Dos meus trutas de batalha
Eu era a carne
Agora sou a própria navalha
Tin, tin
Um brinde pra mim
Sou exemplo de vitórias
Trajetos e glórias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar
De dentro dele
A favela
São poucos
Que entram em campo pra vencer
A alma guarda
O que a mente tenta esquecer
Olho pra trás
Vejo a estrada que eu trilhei
Mó cota
Quem teve lado a lado
E quem só fico na bota
Entre as frases
Fases e várias etapas
Do quem é quem
Dos mano e das mina fraca
Negro drama de estilo
Pra ser
E se for
Tem que ser
Se temer é milho
Entre o gatilho e a tempestade
Sempre a provar
Que sou homem e não covarde
Que Deus me guarde
Pois eu sei
Que ele não é neutro
Vigia os rico
Mas ama os que vem do gueto
Eu visto preto
Por dentro e por fora
Guerreiro
Poeta entre o tempo e a memória
Hora
Nessa história
Vejo o dólar
E vários quilates
Falo pro mano
Que não morra, e também não mate
O tic-tac
Não espera veja o ponteiro
Essa estrada é venenosa
E cheia de morteiro
Pesadelo
Hum
É um elogio
Pra quem vive na guerra
A paz nunca existiu
Num clima quente
A minha gente sua frio
Vi um pretinho
Seu caderno era um fuzil
Um fuzil
Negro drama
Crime, futebol, música, caraio
Eu também não consegui fugir disso aí
Eu só mais um
Forrest Gump é mato
Eu prefiro conta uma história real
Vô conta a minha
Daria um filme
Uma negra
E uma criança nos braços
Solitária na floresta
De concreto e aço
Veja
Olha outra vez
O rosto na multidão
A multidão é um monstro
Sem rosto e coração
Ei,
São Paulo
Terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne
É a torre de babel
Família brasileira
Dois contra o mundo
Mãe solteira
De um promissor
Vagabundo
Luz
Câmera e ação
Gravando a cena vai
Um bastardo
Mais um filho pardo
Sem pai
Ei,
Senhor de engenho
Eu sei
Bem quem você é
Sozinho, cê num guenta
Sozinho
Cê num entra a pé
Cê disse que era bom
E as favela ouviu, lá
Também tem
Whisky, Red Bull
Tênis Nike e fuzil
Admito
Seus carro é bonito
É
Eu não sei fazê
Internet, videocassete
Os carro loco
Atrasado
Eu tô um pouco sim

Eu acho
Só que tem que
Seu jogo é sujo
E eu não me encaixo
Eu sô problema de montão
De carnaval a carnaval
Eu vim da selva
Sou leão
Sou demais pro seu quintal
Problema com escola
Eu tenho mil
Mil fita
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês
Ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria
Gíria não, dialeto
Esse não é mais seu
Ó,
Subiu
Entrei pelo seu rádio
Tomei
Cê nem viu
Nós é isso ou aquilo
O quê?
Cê não dizia?
Seu filho quer ser preto
Rááá....
Que ironia
Cola o pôster do 2Pac aí
Que tal?
Que cê diz?
Sente o negro drama
Vai
Tenta ser feliz
Ei bacana
Quem te fez tão bom assim?
O que cê deu,
O que cê faz,
O que cê fez por mim?
Eu recebi seu tic
Quer dizer kit
De esgoto a céu aberto
E parede madeirite
De vergonha eu não morri
To firmão
Eis-me aqui
Você, não
Cê não passa
Quando o mar vermelho abrir
Eu sou o mano
Homem duro
Do gueto, Brown
Obá
Aquele louco
Que não pode errar
Aquele que você odeia
Amar nesse instante
Pele parda
Ouço funk
E de onde vem
Os diamantes
Da lama
Valeu mãe
Negro drama
Drama, drama, drama...
Aê, na época dos barracos de pau lá na Pedreira, onde vocês tavam?
O que vocês deram por mim?
O que vocês fizeram por mim?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho
Agora tá de olho no carro que eu dirijo
Demorou, eu quero é mais
Eu quero até sua alma
Aí, o rap fez eu ser o que sou
Ice Blue, Edy Rock e Kl Jay e toda a família
E toda geração que faz o rap
A geração que revolucionou
A geração que vai revolucionar
Anos 90, século 21
É desse jeito
Aê, você sai do gueto, mas o gueto nunca sai de você, morou irmão?
Você tá dirigindo um carro
O mundo todo tá de olho em você, morou?
Sabe por quê?
Pela sua origem, morou irmão?
É desse jeito que você vive
É o negro drama
Eu não li, eu não assisti
Eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama
Eu sou o fruto do negro drama
Aí dona Ana, sem palavras, a senhora é uma rainha, rainha
Mas aê, se tiver que voltar pra favela
Eu vou voltar de cabeça erguida
Porque assim é que é
Renascendo das cinzas
Firme e forte, guerreiro de fé
Vagabundo nato!

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Países unidos pelo bombardeio imperialista

# Qual a semelhança desses países?

- Japão 1945
- China 1945-1946
- Korea 1950-1953
- China 1950-1953
- Guatemala 1954
- Indonesia 1958
- Cuba 1959-1960
- Guatemala 1960
- Belgian Congo 1964
- Guatemala 1964
- Dominican Republic 1965-1966
- Peru 1965
- Laos 1964-1973
- Vietnam 1961-1973
- Cambodia 1969-1970
- Guatemala 1967-1969
- Lebanon 1982-1984
- Grenada 1983-1984
- Libya 1986
- El Salvador 1981-1992
- Nicaragua 1981-1990
- Iran 1987-1988
- Libya 1989
- Panama 1989-1990
- Iraq 1991
- Kuwait 1991
- Somalia 1992-1994
- Bosnia 1995
- Iran, 1998
- Sudan, 1998
- Afghanistan, 1998
- Serbia 1999
- Afghanistan, 2001
- Iraque, 2003
- Libya 2011


Acertou quem disse que todos eles sofreram intervenção a favor da "democracia" por parte dos norte-americanos.
Todos esses países sofreram ataques com bombardeios. Até onde vai o imperialismo estadunidense?

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Sem sentido... é instantâneo!

Fico com medo e triste quando vejo pessoas superficiais que comemoram coisas sem sentido. "Coisas" no sentido mais essencial do termo.

Será que eu sou exigente? Ou essa sociedade realmente só se preocupa com o efêmero e o supérfluo?

Eu queria que a primeira opção estivesse unicamente correta e assim quem sabe, seria puro egoísmo meu, mas... para a minha tristeza, sarcasmo e ironia, a segunda alternativa faz com que a primeira seja necessária e ao mesmo tempo óbvia.

Não tenho paciência para pessoas que se acham melhores do que outras porque possuem um cargo/salário/voz/mídia a mais que outras pessoas, ou acham que sim.

Geralmente, esses coisas bobas e de cunho socialite (digo na busca pelo dito status social), seja ela com o aumento da popularidade, da influência ou mesmo de mais seguidores, contatos, e ainda com a utilização da bajulação para tal...me deixam profundamente irritada com o que possa ser o destino da humanidade.

Tudo se resume numa alienação e profundo consumo: uma coisa só é boa quando nos serve de alguma forma, de preferência algo que seja descartável quando não nos dê mais nada, ou seja, é quase um investimento na bolsa de valores.

Em geral, incorporamos o estilo vampiresco do capitalismo nas próprias relações sociais: somos sangue-sugas, ao mesmo tempo que somos o corpo a ser sugado.

Parece um complexo, e talvez o seja, recheado de multiplos fatores e de totalidade social. Não estou aqui para fazer julgamento moral, nunca fez meu estilo...


Isso colocado, parece que tudo perdeu sentido, tudo é atoa, é instantâneo como um miojo que cozinha em 3 minutos, parece bom, mas faz mal a saúde, e só tem sódio... mas, é rápido e prático, e isso que importa no final das contas.

Sempre que queremos sonhar, ir além do que esta posto, nos dizem: "Cai na real, a vida não é assim".
Como se alguém soubesse o que ela verdadeiramente é, filosófos tentaram, mas falam e falam, e nada faz sentido, porque não é pra fazer... É melhor e mais cômodo ficar assim, na inércia da ignorância.

Ai, num passe de mágica, só que não, a solução para as nossas carência e vaidades sociais parecem ser resolvidas com a superficilidade e na simplicidade, não a simplicidade de descomplecizar algo, mas no sentido de não ser saturado, ser vazio... ser, pobre de determinações.

Talvez seja mais um texto hipócrita, mas talvez não. Eu não perderia meu precioso tempo tentando apontar isso para a minha rede facebookiana. E sei que muitos compartilham disso. Talvez seja uma agústia, talvez um desabafo, mas se foi feito, é porque é necessário.

Por enquanto, é isso.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

O combate ao uso indevido de drogas: operação braços abertos na cracolândia de SP

A secretaria nacional de política sobre drogas do Governo Federal vinha agindo há um tempinho, mas com medidas tímidas, numa tentativa de alavancar a política de redução de danos no Brasil, isso pra mim é mais visível principalmente a partir dos CAPS-AD (anti-drogas).
A nível federal, existia ao longo do tempo a tentativa de construir um agenda nacional para tentar resolver esse problema, também do ponto de vista da segurança pública. Acredito que, por existir ainda uma forte militarização da vida social e até mesmo por falta de prioridade no assunto dos estados e municípios isso não ganhou corpo.
Confesso que fiquei surpresa com a atitude do governo municipal de São Paulo. Já tinha ouvido antes que o Haddad condenava as práticas de repressão policial e do higienismo social promovido pela internação compulsória, mas ele falava isso de maneira muito “medida” para tentar não gerar polêmica, e culpava a ação por causar estranhamento entre as eferas do poder. O fato da secretária, Luciana Temer, não ser também lá essas coisas, pode ter surpreendido mais.
Acontece que o fato das drogas, e mais precisamente da cracolândia, é um calo há muito tempo para o governo e a sociedade paulistana, então buscar resolver isso cedo ou mais tarde ia ter que entrar na agenda da gestão.
Politicamente, o governo do Haddad em São Paulo não estava “bem visto” lá, quando fui lá em outubro, mesmo após as manifestações, exisita uma grande incerteza sobre os rumos do governo e sobre a candidatua a governadoria em São Paulo, via Padilha. No tocante ao andamento da gestão municipal, isso é até compreensível, afinal, o governo anterior do PSDB também estava mal, e não teríamos como mudar a correlação de forças de uma hora para a outra, principalmente com problemas na composição do governo.
A meu ver hoje, as gestões do PT em São Paulo, e no Rio Grande do Sul representam o fôlego do PT nos governos municipais e estaduais, fora isso, estamos desgastados, exemplo disso é nossa situação no nordeste, principalmente na Bahia.
Especificando sobre para a execução da política na cracolândia... O fato é que temos um problema, o uso indevido de drogas e a condição desses territórios e sua vulnerabilidade social...
Quando tentou-se fazer isso via internação compulsória e ainda com repressão policial o óbvio veio a tona: se tratava de mais uma atitude higienista e pontual, que não ia na essência, e portanto, não resolveria, seria uma “política” para “inglês ver”. Era uma atitude mais fácil, a da imposição... gerou bastante polêmica e diversos grupos dos direitos humanos e da saúde mental foram terminantemente contra, inclusive os órgãos de categorias de classe.
Com essa atitude da operação Braços Abertos, mostra-se e percebe-se que é bem ousada e diferente, busca-se o diálogo com aqueles que segundo muitos, são imprestáveis e “vagabundos” para a cidade. E também, tenta-se construir a política de uma forma mais transversal, eu diria, é uma mediação de um conflito existente.
Agora, esse “conflito” se dá tanto de maneira entre sujeitos, mas também de maneira psíquica, pois sabemos dos danos que uma droga pesada com o crack pode causar. Sendo assim, é preciso de uma olhar também clínico.
Acredito que o diferencial será se o trabalho permanecer o tempo todo de maneira intersetorial, e acho que isso já começou bem, pelo que percebi de longe.
É preciso acompanhamento de equipe multidisciplinar e acionar a rede de serviços existentes, principalmente do SUS e SUAS, mais precisamente entre os CRAS, CREAS e CAPS, e também as USF.
Não sei como está a situação mais específica sobre a política nacional anti-drogas em São Paulo, mas é necesessário articular isso com a participação da comunidade, seja via a criação de um conselho municipal sobre drogas, assim como de conselhos locais, e de inserir e fortalecer tais discussões através da educação e da saúde, e  claro, em diálogo com os movimentos sociais e ONGs que já atuam na área.
Agora, se isso também não buscar uma mediação com os meios de comunicação e com a nossa base de apoio, para a formação da opinião pública, pode ser um tiro pela culatra caso dê "algum problema".
Outro ponto que devemos problematizar é, que essa ação deve avançar no sentido de se tornar um programa, e quem se sabe se materialize em uma política municipal de combate a drogas, garantindo assim a sua institucionalização e assim provável garantia.
Se ficar somentes nessas ações atuais por muito tempo, é provável que se esgotará rapidamente na minha avaliação. É preciso inserir para esses sujeitos uma forma mais planejada da política de emprego e renda, seja via economia solidária, ou mesmo, nos serviços públicos, como já acontece em alguns caos de adolescentes em cumprimento de medidas sócio-educativas...
Enfim, temos que apostar, é preciso uma saída concreta...
Isso também deve, sem purismo, vir acompanhado de um combate ao tráfico, ai, não sei até que ponto o município tem governabilidade para tal... Mas, acho que terá que pedir apoio ao governo federal em todos os sentidos, principalmente no repasse de orçamento e de construção de uma política em caráter permanente, e que seja referência nacional, já que os municípios estão sem ter o que fazer diante disso, na minha realidade mesmo, não vejo nenhuma ação do tipo, salvo os consultórios de rua (saúde) e alguns programas governamentais como o Ruartes (assistência social), que são de pequeno impacto mediante a formação das equipes e do financiamento.
Enfim, acho que para início do debate são essas reflexões. Sobre a logística de como será esse controle do trabalho de zeladoria, e do funcionamento do hotel não tenho informações mais precisas, e nenhuma fonte desses jornais são confiáveis... Vou tentar assim que possível entrar em contato com um colega meu que é Assistente Social da área lá.
Vale ressaltar que o conservadorismo paulistano está com ódio e raivoso, falando que estatizamos o tráfico via o "bolsa crack".
Achei esse vídeo interessante: http://tvt.org.br/watch.php?id=15508

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Rolezinho sim, ora pois...

  • Esse movimento e fatos como este tem se tornado comum na atualidade, ora explícito e ora mais velado, principalmente em tempos que a cidade se tornam o próprio cerne de movimentos, principalmente no tocante ao seu usufruto. 



  • O que ocorre é que existe uma apropriação dos espaços de uso coletivo por parte da então "classe média", representada principalmente pela figura da família consumidora, que quer controlar esses espaços através da aparência e estilo de uma determinada tribo, e depois, isso se revela principalmente na exclusão de jovens da periferia. 
  • Esse fato mostra que a juventude no Brasil carece de espaços de exercer sua cultura livremente, os equipamentos públicos para a juventude praticamente não existem... e isso acaba se tornando um problema para os jovens que querem sair, se divertir e ter lazer... quando o shopping se torna o único espaço, quem o utiliza historicamente de forma mais tradicional (famílias com poder de consumo e de classe média) se sentem incomodadas pelo usufruto de camadas mais pobres, que aparentemente não possuem o "direito de consumir" e apela-se para, digamos, uma higienização de um espaço que não deveria ser para todos, apenas para quem tem poder de consumo elevado, mesmo que dividido 10x no visa ou mastercard.
  • No tocante a resposta, seja sociológica ou prática ao fato ocorrido em Sâo Paulo, se trata de uma explicitação de algo que vinha ocorrendo não de hoje. Porque jovens universitários podem ir ao Shopping e os da "favela" não? Isso é uma violação dos direitos humanos, e isso não teria como não ter reação por quem atua na área.
    O que ocorreu em São Paulo, e recentemente em João Pessoa/PB (no ano ainda de 2013), mostra a realidade da segurança pública, que no cotidiano, assassina jovens e negros na periferia.
  • Aqui em João Pessoa, a manifestação (ocorrida em 2013) teve rebordosas do ponto de vista da "militarização". Na manifestação que teve, foi o caso inclusive para a justiça, e o processo está em andamento, sendo que foi o segurança do shopping (que era por coincidência também policial) que denunciou primeiramente os jovens, e a partir disso, os jovens foram e denunciaram o policial, pois além de exercer a função de segurança privado, ele cometeu abuso de poder e discriminação.
  • Hoje, quem frequenta o Shopping Tambiá ou mesmo outros shoppings de mais "alto nível" percebe que existe mais "fiscalização", principalmente se a pessoa apresentar um esteriótipo do que chamam aqui de "môfis" (termo criado pela mídia e de caráter pejorativo). Os jovens vivem sobre o olhar punitivo do segurança, é uma constante ameaça.
  • A realidade em João Pessoa, independente dos shopping, é dura com a juventude negra. Aqui é a cidade do Brasil que mais mata jovens negros e pobres, números que são quase de uma guerra civil (ver mapa da violência). Isso é resultado da falta de políticas públicas e de acesso a direitos sociais, e de um poder paralelo (milicial) que existe na cidade, como em outros cidades acirradas pelo poder do tráfico x poder de polícia x poder do estado x políticas públicas, que é uma relação paradoxa e ao mesmo tempo muito complexa.
  • Sobre as mudanças necessárias, se trata de um processo longo. Temos um país de base escravocrata, e de forte poder da classe média branca. A realidade deve ser mudada com investimentos em políticas públicas, que envolvam educação, saúde, transporte, juventude e cultura. A política de juventude é recente no Brasil, o Estatuto e o Sistema Nacional datam do ano passado, temos muito a avançar.
  • A juventude precisa de educação, lazer, cultura e saúde, além de tudo, de emprego e trabalho digno. 
  • É fácil para quem vem de um histórico médio de consumo ter uma vida relativamente estável, principalmente ao dizer de forma equivocada "porque não dar um rolezinho na biblioteca"? É muito "fácil" que historicamente teve relativa oportunidade. Já para quem vive nas periferias, a situação é mais complicada, com uma diária negação de direitos.
  • Por mais que não pareça, essa sociedade é dividida e preconceituosa. Existe conforme o documentário abaixo, um hiato. Precisamos manter a juventude viva, longe dessas barbáries e assassinados, e isso se faz com acesso a direitos, educação, emprego, cultura e lazer.
  • Infelizmente, a nossa sociedade branca, é difícil engolir negros nos espaços historicamente brancos, por isso ainda resistem as cotas, não querem largar o osso, ora.
  • Indicação de leitura:
- http://mariafro.com/2014/01/13/a-classe-c-da-era-lula-vai-ao-shopping-a-burguesia-reage-e-a-pm-capitao-do-mato-faz-o-servico-sob-a-protecao-da-justica/

-http://www.viomundo.com.br/denuncias/antonio-david-8.html?fb_action_ids=10202777518827156&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B202393879950615%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D



Para ter uma noção sobre o processo, vale assistir o documentário Hiato, que segue abaixo. Este é um documentário dos anos 2000, sobre uma ocupação no Shopping de uma bairro nobre do Rio de Janeiro, o Botafogo. Notem as reações à presença "dos que não podem comprar"... parece que a história realmente se repete, seja como tragédia, seja como farsa, como já nos disse Marx.