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domingo, junho 14, 2015

Che Guevara: a imagem mais vista do mundo (14/06/1928 - 09/10/1967)

Ernesto Guevara de la Serna, conhecido como "Che" Guevara 
é com certeza umas das figuras mais conhecidas do século XX. O rosto do revolucionário e guerrilheiro argentino radicado em Cuba é a imagem mais vista, mais popular e conhecida do mundo, ao lado do de Jesus Cristo.




A marca do rosto de Che não é de uma cerveja, nem de uma empresa qualquer, mas da ousadia da juventude. É uma imagem que transcende fronteiras, gerações, partido, que transcende o próprio marketing. Como diz Emir Sader, qual gênio da publicidade poderia reinventar tal fenômeno?



O jovem médico e aventureiro que sai de moto da Argentina (ver o filme Diário de motocicleta) não ficou conhecido todavia por seu exercício profissional, mas sim como um guerrilheiro revolucionário, que ao lado de Fidel Castro derrubou a ditadura cubana de Batista e transformou a ilha a partir das ideias socialistas e revolucionárias:



"Sonha e serás livre de espírito...
luta e serás livre na vida."







Che virou um mito, e antes de ser mito, chegou a ser dirigente do Estado cubano e morreu lutando nas selvas bolivianas. O jovem argentino, quando na sua porta bate a Política, não tem mais como fugir... Ser apenas um médico e aventureiro não contemplava mais seus anseios, e assim, as experiências da Guatemala, Venezuela e México foram fundamentais.


"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."






Uma personsagem fundamental para o pensamento de Che Guevara e pouco citada ou conhecida, é sua esposa Hilda Gadea, com quem se casou e 1955. A mesma tinha uma formação marxista muito mais desenvolvida que a de Che, e assim o influenciou bastante a seguir este caminho.


Assim, a partir da guerrilha de Sierra Maestra é forjado a liderança de um revolucionário que não se contentou apenas com as mudanças em Cuba, e buscou ir em diversos outros países na esperança da guerra de guerrilhas na libertação do povo.




"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira."





Além da vida agitada, da esperança na guera de guerrilhas apoiado pelo povo e na convicção que a juventude é revolucionaria, Che também é o portador mais emblemático do Humanismo revolucionário:


"Deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor..." ("O socialismo e o homem em Cuba)





Em seu pensamento é constante a preocupação com a formação do novo homem e da nova mulher, ou seja, da nova moral, um novo modo de ser, pensar e agir. Isso com certeza traz as dificuldades de se pensar os dilemas de se construir um mundo novo com o homem do mundo velho, e ele mesmo afirma "A nova sociedade em formação tem de competir muito duramente com o passado..."


Assim, se morrem os homens e a matérias e as ideias permanecem, Che Guevara é sem dúvidas um dos maiores exemplos disso da nossa história. E, como lembra o próprio Che Guevara, o guerrilheiro não está em luta para morrer por seus ideais, mas sim, torná-los realidade.

Minha singela homenagem a Che.
Hasta la victoria, siempre.

domingo, fevereiro 23, 2014

Catarse, política e Gramsci

“O termo “catarse”. Pode-se empregar a expressão “catarse” para indicar a passagem do momento meramente econômico (ou egoístico -passional) ao momento ético-político, isto é, elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens. Isto significa, também, a passagem do “objetivo ao subjetivo” e da “necessidade à liberdade”. A estrutura, de força exterior que esmaga o homem, assimilando-o e o tornando passivo, transforma-se em meio de liberdade, em instrumento para criar uma nova forma ético-política, em origem de novas iniciativas. A fixação do momento “catártico” torna-se assim, parece-me, o ponto de partida de toda a filosofia da práxis; o processo catártico coincide com a cadeia de sínteses que resultam do desenvolvimento dialético. (Recordar os dois pontos entre os quais oscila este processo: que nenhuma sociedade se coloca tarefas para cuja solução já não existam, ou estejam em vias de aparecimento, as condições necessárias e suficientes; - e que nenhuma sociedade deixa de existir antes de haver expressado todo o seu conteúdo potencial.).”


GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere, v.1,p.314-5. Civilização Brasileira, 4ª edição, Rio de Janeiro, 2006

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Os valores e os desvios na militância



(texto para debate na comissão de organização do III EIV SP)



A gente deve varrer o chão e lavar o rosto todos os dias, pois, se não fizermos isso, a poeira se acumula.
Mao Tse-Tung
No interior do processo de proletarização do nosso pensamento, da revolução que se processava em nossos hábitos e nossas mentes, o indivíduo foi fundamental. /.../ Na atitude dos nossos combatentes, visualizava-se o homem do futuro.
Che Guevara

Valores são traços da conduta, do comportamento, da postura, do hábito. Os valores são uma necessidade no interior de qualquer projeto de humanidade. No limite, são o objetivo maior do próprio projeto de humanidade. Cada projeto define os seus valores. Para os socialistas, a solidariedade é um valor; para os capitalistas, o individualismo é um valor. Por isso, os anti-valores são desvios: desvios do caminho que se deve seguir. Para todo valor há um desvio correlato: disciplina x indisciplina; solidariedade x individualismo; organização x desorganização etc. Entre um valor e seu correlato, há uma articulação dialética, de modo que a construção de um confunde-se com a desconstrução do outro. Quais são os valores que os socialistas devem cultivar, e quais desvios devem corrigir?
Qual é a origem da conduta? Por que um indivíduo se comporta de uma maneira X e não de uma maneira Y? Ele é “culpado” pelo seu comportamento? O comportamento nasce somente e tão somente da vontade e pronto? Ou, inversamente, o comportamento é fruto de determinações externas, não tendo o indivíduo qualquer responsabilidade sobre ele? A origem do comportamento é um dos maiores mistérios da humanidade. A filosofia discute esse tema desde sua origem. A bem da verdade, esta é uma das grandes polêmicas da filosofia e, mais recentemente, da psicologia. O que se sabe é que os indivíduos são influenciados desde o nascimento e permanentemente pelo ambiente onde vivem, entendido como as condições históricas, sociais, políticas, culturais e psicológicas de sua existência, bem como o ambiente local propriamente dito. O ambiente influencia, condiciona, em alguma medida determina. Nestes termos, a conduta é uma síntese: nela, tanto a vontade como determinações externas estão presentes. Em que medida cada uma opera, em que grau, em que momento... pouco se sabe e muito se especula sobre. O fato é que a conduta não pode ser reduzida nem a determinações externas nem à vontade. Ambas estão presentes, articulando-se dialeticamente. De qualquer forma, é certo que, se não somos culpados pelos desvios em nós, somos responsáveis pela sua correção, mas isso depende de uma motivação interna - Che: “ter essa motivação interna que incita constantemente a observar os próprios defeitos, a buscar os defeitos para tratar de superá-los”. Como despertar no indivíduo essa motivação interna?
A sociedade de classes é um obstáculo à superação dos desvios nos indivíduos; inversamente, os desvios nos indivíduos constituem-se como obstáculo à superação da sociedade de classes. Um e outro formam um ciclo vicioso: a sociedade de classes alimenta os desvios e vice-versa. Do mesmo modo, a correção dos desvios nos indivíduos e a superação da sociedade de classes são aspectos diferentes de um mesmo processo. Entre uma e outra não há etapas, mas uma articulação dialética. No entanto, no bojo do processo, é necessário que haja organizações que sejam capazes de intervir no processo para garantir a justeza de seu rumo. Organizações são feitas de militantes, os quais são indivíduos, que também sofrem influência das condições postas nessa sociedade de classes. Por isso, a conduta dos militantes é um dos pontos mais importantes da conspiração revolucionária. A conduta dos militantes é determinante para o sucesso da ação revolucionária. Podemos dizer que os desvios na militância são um dos maiores empecilhos à práxis revolucionária. Por isso, é necessário corrigir os desvios na militância desde já. Como corrigir os desvios na militância desde já, ou seja, no interior da sociedade de classes?
Os desvios na militância se corrigem pela práxis, desde que se assuma como tarefa identificá-los e corrigi-los, numa ação permanente e planejada, que envolve organização, formação e lutas. Numa organização, os quadros devem ser antes de tudo educadores, guardiões do exercício da critica e da autocrítica, da tarefa permanente de superação dos desvios. O que faz dele um educador é a sua práxis, a sua militância. Ele educa pelo exemplo, muito mais do que pelo discurso. Nós temos nos portado como educadores? Se não, por que não?
Os valores e os desvios expressam-se também no discurso, mas como o discurso foi banalizado – qualquer um fala qualquer coisa, sendo que nem sempre realmente se faz o que se fala –, o discurso deixou de ser critério da verdade. A prática é o critério da verdade, o critério para saber quem de fato cultiva valores e quem não os cultiva, quem de fato se esforça em corrigir os desvios e quem os mantém. Qual é a nossa prática? O que nós temos feito? Que desvios há em nossa prática? Nós os percebemos? Se sim, nós temos nos esforçado por corrigi-los? Se não, por que não?
O movimento estudantil é um ambiente repleto de adversidades à correção dos desvios: a origem de classe dos estudantes; o fato de o movimento estudantil não ser uma organização, mas nele haver organizações em disputa; o fato de a condição de estudante ser passageira e a alta rotatividade dos militantes num curto período de tempo; etc. Essas adversidades não devem ser vistas como limites, entraves intransponíveis. Devemos superar a idéia de que o movimento estudantil possui vícios que não podem ser superados, como se estes vícios fizessem parte da natureza do movimento. Estas adversidades devem ser encaradas como desafios. Nós encaramos estas adversidades como desafios ou como limites? Se como limites, por quê? Se como desafios, nós temos conseguido organizar uma práxis que dê resposta a estes desafios?

QUAIS SÃO OS DESVIOS QUE DEVEMOS CORRIGIR?
Perante as tarefas:
Voluntarismo – Voluntarista ou espontaneista é aquele companheiro que age por impulso, seja por ingenuidade, por não compreender a importância do planejamento e da organização, seja por má fé, por querer dirigir um processo à força, na marra. Nesse caso, é aquele que nas manifestações age contra a decisão coletiva, que toma uma iniciativa por si só, sem consultar ninguém, e que coloca tudo a perder. O voluntarismo pode ser uma ação pontual, mas pode ser uma postura: nesse caso, o sujeito é voluntarista. Do voluntarista não se pode esperar nada, pois ele faz as coisas que quer e na hora que bem entender. Não se compromete com nada, não gosta de ver nada organizado. E se ele espera isso dos outros, ele resiste à organização e ao planejamento. (Não se deve confundir o voluntarismo com o trabalho voluntário, e que Che pregava com tanto entusiasmo. São coisas bem diferentes. No trabalho voluntário, o “voluntário” é sinônimo de militante. Nele, a organização e o planejamento estão sempre presentes).
Indisciplina – A indisciplina é a postura daquele que não segue a linha definida pelo coletivo, que não entende a diferença entre fazer parte de um coletivo e não fazer parte de um coletivo. Nunca um militante vai concordar com absolutamente tudo que é decidido. Todo aquele que faz parte de um coletivo ocasionalmente diverge de orientações, encaminhamentos, decisões do coletivo, mas, se ele tem disciplina, ele as segue, sem deixar de divergir e expor sua divergência nos espaços adequados. Mas aquele que é indisciplinado não consegue ter essa postura. Se ele diverge, ele faz as coisas da sua cabeça ou simplesmente não cumpre as tarefas que deveria cumprir. E, quando pode, ele sabota o coletivo. Ao contrário do voluntarista, aquele que é indisciplinado segue uma organização e um planejamento, mas aquelas definidas por ele próprio, e não pelo coletivo.
Pessimismo exacerbado e otimismo exacerbado – O pessimismo exacerbado ou o derrotismo é a postura daquele que se sente sempre acha que o que é feito vai dar errado ou que não vai dar em nada. Geralmente é a postura de quem superestima as condições objetivas e subestima a própria capacidade. O otimismo exacerbado é o contrário: é a supersimtação da própria capacidade e a subestimação das condições objetivas. Tanto um como outro são duas formas de subjetivismo, pois surgem da incapacidade de avaliar friamente as condições objetivas e a própria capacidade e de orientar sua ação considerando ambas as variáveis, na justa medida, sem hiperdimensionar uma e subdimensionar a outra.
Desleixo – O desleixo é a desorganização, é a postura daquele que faz as coisas de qualquer jeito, sem cuidado, sem atenção, sem se preocupar se a tarefa está sendo bem feita ou não. O desleixado enxerga as tarefas como meras obrigações, e se preocupa mais em cumprir as obrigações o mais rápido possível do que em garantir que o objetivo da tarefa seja alcançado. Isso quando se preocupa. O desleixo é a falta de cuidado e de atenção em geral. É desleixo não cuidar do espaço físico, da organização das coisas, da limpeza dos espaços, da preservação das coisas. O militante que age assim não percebe a importância da organização das coisas para o trabalho político. A falta de pontualidade também é uma forma de desleixo, que prejudica imensamente o trabalho político. São diversas formas de desleixo, que têm na base a inconsistência no compromisso do militante com a causa no qual está envolvido.
Falta de iniciativa – Na luta pelo socialismo, é necessário que o militante tenha iniciativa. Todas as situações impõem essa postura. Iniciativa de fazer alguma coisa, de pensar alguma coisa, mesmo de tomar decisões, o que não se confunde com voluntarismo. Essa é a postura daquele que se desdobra para cumprir com os objetivos, para garantir que a tarefa seja cumprida fora dos meios previstos originalmente. A falta de iniciativa é a falta de protagonismo, é a postura daquele que se contenta em “fazer a sua parte”, mesmo sabendo que, numa situação, se ele só fizer a sua parte, o que estava previso para ele fazer, a tarefa não será cumprida. A falta de iniciativa é por isso também falta de compromisso com a causa. É a postura daquele que se coloca como se fosse um funcionário de uma empresa capitalista, e não como militante. 
Irresponsabilidade – A irresponsabilidade é a postura daquele que não mede as conseqüências do que faz e do que fala, e que em função de sua irresponsabilidade coloca os objetivos da organização a perder ou compromete outros companheiros. O irresponsável cria situações que atrasam o trabalho político, que desviam o foco, que retrocedem o acumulo alcançado. É irresponsável aquele que age de maneira irresponsável, mas também aquele que se omite de maneira irresponsável.
Comodismo – No atual estágio da luta de classes, um dos desvios mais generalizados entre os socialistas é o comodismo ou o burocratismo. Ao contrário do que prega um certo senso comum, o burocrata não é necessariamente aquele que atua na retaguarda, pois a atuação na retaguarda de uma parte da militância é essencial para o sucesso do trabalho político. O burocrata é o acomodado. Ele pode fazer o discurso mais radical, mas se na prática ele estiver acomodado, ele é um burocrata. O comodismo é a postura daquele que não se preocupa em aperfeiçoar suas tarefas e o modo de executá-las. É aquele para quem do modo como está sendo feito está bom. É a postura daquele que não cria, mas se limita a reproduzir operações padrão, que não toma a iniciativa de procurar melhorar seu trabalho, sua militância. Em última instância e em situações em que se exige mais do militante, é a falta de espírito de sacrifício, quando a luta pelo socialismo exige sacrifícios.
Inconstância – A inconstância é a característica daquele que ora está presente e se compromete com as tarefas, ora está ausente, e neste momento não dá pra contar com ele pra nada. A inconstância é sintoma de inconsistência ideológica, de falta de compromisso real com a organização, de um meio compromisso.
Perante os outros companheiros, as outras organizações e as massas:
Individualismo – O individualista é aquele que só faz as coisas se ele pensar, se ele comandar, não raras vezes se ele fizer sozinho. O individualismo não se confunde com a postura de reserva. Há companheiros que são reservados: falam pouco, guardam sua privacidade etc. Estes companheiros não são individualistas. O individualismo é a postura daquele que quer que as coisas sejam “do seu jeito”, e que as tarefas acumulem não para a organização e para a classe, mas para si, para a sua auto-satisfação. Geralmente o individualista se sente oprimido pelo coletivo. Aliás, o invididualismo é exatamente o oposto do espírito de coletividade.
Sectarismo – O sectarismo é a postura daquele que não sabe lidar com a divergência e a diferença daqueles que compartilham da mesma causa, mas acreditam que os caminhos para alcançá-la são outros. O sectário é aquele que, face à divergência, elege como inimigo aquele que na verdade é adversário. Existem dois tipos de postura sectária. Na primeira, o sectário é ostensivo: ele agride, denuncia, gasta boa parte de seu tempo com patrulhamento ideológico sobre seu adversário. Na segunda, o sectário, despreza totalmente seu adversário, evitando qualquer tipo de diálogo, mesmo a crítica, e quando fala do adversário, evitar falar o nome. Em ambos os casos, o sectarismo envolve um sentimento de superioridade perante o adversário, sentimento esse que precisa ser expresso como mecanismo de auto-proclamação. Em suma, o sectarismo se manifesta quando não se tem a incapacidade de diferenciar o inimigo do adversário. 
Moralismo – O moralismo é a postura daquele que reduz o comportamento à vontade, tanto nos outros como em si mesmo. Geralmente aquele que é moralista em relação aos outros é também em relação a si. O moralista desconsidera as influências do ambiente, da conjuntura, as situações. No lugar disso, ele sempre procura identificar a culpa e a não culpa: “fulano tem culpa”, “ciclano não tem culpa”. É comum o argumento da culpa servir de pretexto para encobrir a realidade e impedir a auto-crítica e a correção dos próprios desvios: “nós não temos culpa”. O moralista acha que tudo é uma questão de vontade. Por isso, geralmente o moralismo vem acompanhado do voluntarismo.
Vanguardismo – A revolução é uma tarefa de milhões. Isso é consenso entre todas as organizações revolucionárias. Só que, quando se entra no mérito da forma de mobilizar estes milhões, há uma grande divergência. Para alguns, o papel dos revolucionários é rebocar as massas. Isso vale no geral, mas também nas frentes de massas, inclusive no movimento estudantil. O vanguardismo é a postura daquele para quem as massas (sejam as massas estudantis, sejam outras) podem ser rebocadas ad infinitum, mesmo fora de uma conjuntura revolucionária. O vanguardista não se preocupa com o nível de consciência das massas. Ele superestima o papel do discurso mobilizador e subestima o papel da educação das massas. Para ele, as condições para a revolução estão dadas, basta aqueles que ocupam o papel da direção agirem da maneira certa que as massas seguirão o caminho. Por isso, o vanguardista desdenha a idéia de acumulo de forças. Por isso, o vanguardista é sempre se isola das massas.
Basismo – O basismo ou o assembleismo é a postura daquele para quem tudo tem sempre que passar por assembléia. Isso vem geralmente de uma rejeição a priori à direção política. Ele acredita que a direção tem sempre uma postura dirigista, autoritária, mesmo quando não há essa postura. Ele sempre acha que a direção quer manipular a base, enganar a base. Entretanto, embora basista, ele desdenha a organização da base, a formação política para a base, pois isso soa como manipulação. Ele quer que a base fale e pronto. Para ele, o importante é que os processos sejam conduzidos pela ação espontânea da base. O caráter espontâneo é essencial. Para ele, se a base fala sob influência da direção, a base está sendo manipulada. Este é o basista autêntico, sincero. Mas existe também o falso basista, ou aquele que é basista por conveniência. Este é basista por má-fé. Isso acontece quando, numa conjuntura de assembléias esvaziadas, mas favoráveis às suas posições, ao invés de se engajar na formação de novos militantes e no trabalho de base, o falso basista insiste que tudo tem que passar por assembléias, caso contrário o encaminhamento não será democrático, será burocrático. Seja ele vanguardista, seja ele direitista e contra o movimento, não importa: se a situação de esvaziamento lhe é favorável, ou seja, se a assembléia esvaziada lhe é favorável, ele se torna um basista. Mas esse basismo não é consistente. A evocação à vontade da base não passa de pretexto. O que está em jogo para o falso basista não é que a base imponha a sua vontade, mas, ao contrário, é que suas posições prevaleçam. Por isso, os falsos basistas combatem toda e qualquer proposta que visa a ampliar a participação.  
Autoritarismo – O autoritarismo é a postura daquele que quer definir as linhas políticas, as ações e o comando dos outros companheiros sozinho, e que enfrenta a resistência dos companheiros quando questionam essa conduta. O autoritário é aquele que no discurso diz valorizar a direção coletiva e a democracia interna, mas que na prática desdenha tanto um como outro e passa por cima de ambos. Existem diversas maneiras de organizar a democracia interna, a ampla participação e a direção coletiva numa organização. Elas dependem de esquemas formais, mas também de uma postura. Numa organização, uma instância pode formalmente ter o direito de tomar uma decisão, mas se não existe uma opinião amadurecida sobre o assunto na base, a direção sabe que a decisão não pode ser tomada, mesmo que formalmente possa. Uma direção autoritária não assume essa postura.
Omissão do exercício da critica e da auto-crítica – Numa organização, qualquer militante é suscetível de cometer erros e ter desvios de conduta, mesmo os mais experientes e coerentes. Por isso, o exercício da crítica e da auto-crítica é essencial, o que não se confunde com policiamento, muito menos com patrulhamento ideológico. Muitas vezes, por vergonha, sentimento de impotência, falta de convicção ou qualquer outro motivo, deixa-se de criticar um companheiro quando é necessário criticar, dizer que ali existem desvios. O mais comum é ou não criticar ou criticar para ofender, humilhar, desmoralizar. Ambas as posturas são um desvio. Assim como o é a falta da auto-crítica. Como sabemos, é raro um militante ter o hábito de fazer a auto-crítica. E, quando vemos um militante fazer auto-crítica, o mais comum é a auto-crítica se resumir ao apontamento de insuficiências: “eu fiz tal coisa, mas foi insuficiente”, “nós fizemos tal tarefa, mas foi insuficiente”. O fato é que a maioria dos companheiros têm um forte bloqueio ao exercício da auto-crítica. Para eles, fazer a auto-crítica é como humilhar a si próprio. Não perceber a importância e o lugar da crítica e da auto-crítica é um desvio dos mais graves, pois a correção de todos os desvios depende exatamente do exercício da crítica e da auto-crítica. Por isso, as organizações revolucionárias devem ter como prioridade educar os militantes ao exercício da crítica e da auto-crítica, instituindo maneiras, momentos e espaços adequados para isso. Por mais dura que seja essa educação.
De grupo:
Auto-suficiência e auto-proclamação – A auto-suficiência e a auto-proclamação são desvios que vêm sempre acompanhados um do outro e que são típicos de grupos (organizações, movimentos, correntes, partidos etc.). É auto-suficiente aquele grupo que considera desnecessário somar forças com outros grupos, ou mesmo que soma forças, mas apenas quando isso lhe fortalece enquanto grupo. O grupo auto-suficiente tem sempre uma postura e um discurso auto-proclamatórios, ou seja, gosta de falar de si como o melhor, o único, a alternativa. 
Aparelhamento – O aparelhamento é também um desvio típico de grupos. Ocorre quando um grupo confunde o coletivo com o privado, e faz do espaço coletivo – geralmente uma entidade – extensão de si. O aparelhamento não é o esforço em tornar coletivo a linha política do grupo. Este esforço é natural. Todo e qualquer grupo almeja difundir suas idéias e propostas. O problema é quando a adoção de uma linha não se dá num processo de debates e apropriação da linha, mas de maneira artificial e burocrática, sem que haja convencimento e sem que seja garantido o espaço democrático de discussão e decisão. Por isso, o aparelhamento acaba sempre sendo uma versão do burocratismo.
De personalidade:
Deslealdade à classe
Personalismo
Oportunismo
Competição
Incoerência
Agressividade
Impaciência
Exibicionismo
Picuinhagem
Dogmatismo
Arrogância

segunda-feira, dezembro 20, 2010

TRABALHO DE BASE ENTRE OS ESTUDANTES


Frente Popular Darío Santillán (Argentina)
     Chamamos de trabalho de base a prática de comunicar-se com as pessoas para transmitir para elas nosso projeto político e nossa concepção de mundo. Isso implica duas coisas: por um lado, uma crítica às diferentes formas de opressão sobre as quais se assenta esse sistema hegemônico, que consideramos profundamente desigual e injusto. Por outro, uma proposta a seguir, ou seja, alternativas concretas que apontem para uma construção cotidiana de novas relações entre nós e nossas com a natureza, e dessa maneira a criação das bases para uma sociedade que supere o capitalismo atualmente dominante. Significa, então, percorrer um longo caminho de acumulação de poder popular e de desorganização das bases de poder das pequenas elites sociais, as quais reproduzem seus privilégios à custa da exploração de milhões de pessoas. Tudo isso dito em termos bem gerais. 
Trabalho de Base:
      Em termos mais concretos, o trabalho de base toma diferentes formas de acordo com o setor da sociedade com o qual estamos lidando: trabalhadores desempregados, trabalhadores empregados (ou sindicalizados e não sindicalizados), estudantes, camponeses, etc. Cada setor é uma parte do todo, e o trabalho de quaisquer dos setores só tem sentido quando se busca uma confluência com o resto, de modo que se possa articular um caminho conjunto, e assim ir se reconhecendo mutuamente enquanto sujeito coletivo de transformação.
      Nossa base são os estudantes, e a Universidade é nosso lugar central de construção e disputa. 
Porque disputar a Universidade?
     Entendemos que a Universidade é uma trincheira fundamental nessa luta. Entendemos a importância de questionar e criticar o conhecimento que a Universidade produz, o tipo de profissionais que forma e os interesses e necessidades aos quais essa instituição responde; tudo isso, para avançar na disputa ideológica e na luta por uma Universidade orientada a satisfazer as demandas do povo e para problematizar a respeito da socialização do conhecimento e do papel de uma Universidade que restringe esse processo.
     Para os que pretendem manter a dominação, também, a Universidade é fundamental. Para eles, é uma instituição-chave enquanto formadora de quadros técnicos e intelectuais necessários para a reprodução da sociedade como estabelecida atualmente. Os agrônomos, veterinários, engenheiros, por exemplo, para a direção da produção agropecuária e industrial. Os físicos, biólogos, matemáticos, etc., para a produção científico-tecnológica. Os advogados, que além de sustentar o poder judicial, engrossam as filas das câmaras de deputados e senadores, além de outros postos da direção estatal. Os contadores e economistas para a administração das empresas e o assessoramento técnico. Os jornalistas e intelectuais como formadores de opinião, os professores para o sistema educativo, etc.
     O trabalho de base na Universidade, então, consiste em traçar pontes de comunicação com os estudantes, e também com os docentes e servidores, para transmitir-lhes o que tenhamos a dizer, e escutar o que tenhamos que escutar. E aqui aparece um primeiro conceito forte que defendemos: o trabalho de base é, para nós, um diálogo entre sujeitos, uma ida e volta, e não uma repetição mecânica de um discurso que aprendemos a recitar como papagaios. Não nos dirigimos a uma massa de pessoas, a um rebanho combativo ou a meros votos com corpos de homens e mulheres, mas sim, pelo contrário, nosso trabalho de base está amarrado com a concepção de que qualquer ser humano é capaz de traçar seu próprio destino, de decidir seu caminho na história da humanidade. Isso implica toda uma concepção do “outro”, na qual o receptor não é um quadro em branco, mas sim alguém que opina, que pensa e que interpreta a realidade com categorias de análise que foi construindo ao longo de sua vida. Isso significa que não construímos no vazio: confrontamos com uma bateria de ferramentas com as quais as classes dominantes vão militando sua própria visão de mundo, vão contando as coisas como lhes convêm e vão fazendo a maioria das pessoas acreditarem que elas têm que fazer o que é conveniente para essas classes dominantes. Isso é o que o italiano Antonio Gramsci chamou de “hegemonia”, ou seja, a criação de consensos sociais que legitimem e naturalizem as relações de dominação, que em última instancia se garantirão sempre sobre a base dos aparelhos de coerção estatais ou paraestatais.
     Essas ferramentas com as quais a burguesia constrói sua hegemonia atuam dentro e fora da Universidade: desde os meios massivos de comunicação até os critérios de avaliação nas provas, passando por centenas de estratégias, mais ou menos eficazes.
     E, contra tudo isso, fazemos o nosso próprio trabalho de base. À  militância deles, nós nos contrapomos com nossas próprias estratégias de construção contra-hegemônica. A seu discurso único, totalizador, nos contrapomos com formas de concepções alternativas, com outras formas de nos relacionarmos com o mundo e no mundo, com nossos sonhos e com outra concepção do sujeito, um sujeito que pode decidir por si mesmo e incidir e transformar a realidade; algo completamente contrário ao papel que o capitalismo nos impõe, que oscila entre escolher em quem votar e/ou escolher o que comprar. Nosso trabalho de base busca desenvolver, portanto, uma função essencialmente pedagógica e uma prática libertadora.
 
Três momentos para o trabalho de base
      A efetividade do trabalho de base depende do grau de sistematização com que ele se desenvolve. Nesse sentido, podemos distinguir três momentos diferentes:
  1. Definição de objetivos
  É importante discutir previamente de forma coletiva o que se busca com cada ação, e em função disso avaliar as metodologias mais convenientes. É preciso ter claro os objetivos que se persegue com determinada ação ou metodologia de luta, mas também é necessário medir a correlação de forças de cada conjuntura e estabelecer um diagnóstico da base, ver o que a base está dizendo, não para impor um limite “objetivo” ao nosso discurso, mas sim para tomá-lo como um ponto de partida para a própria definição de objetivos.
  Cada atividade tem características próprias e aponta mais em um sentido ou em outro segundo os diferentes casos:  
Atividades de formação e disputa do conhecimento
      Esse tipo de atividades são as que, tendo bastante clareza de nossos objetivos, nos vão servir para problematizar com o estudante e questionar a formação que nos dá a Universidade, o conteúdo dos planos curriculares e a forma de ensino. São espaços que servem para desenvolver conteúdos alternativos, desde outra perspectiva ideológica e colocá-los em discussão. Da mesma forma, servem pra desenvolver a construção do conhecimento coletivo, em contraposição à “educação bancária”, na qual o aluno é considerado um recipiente vazio que precisa ser preenchido pelos saberes que o professor o transmitirá. É importante não subestimar a potencialidade dessas instâncias, além de fazer um acompanhamento das pessoas que participam, juntar e-mails para fazer uma lista, formar grupos de estudos, convidar para atividades semelhantes ou para ajudar a organizar alguma atividade. Sempre entendendo esse acompanhamento como um processo, no qual é necessário ir medindo concretamente cada caso particular e, com base na relação ou na referencia que cada um possa ter de nós, saber qual vai ser o próximo passo.
      Duas atividades que se podem enquadrar dentro desse grupo são os Estágios Interdisciplinares de Vivência (EIVs), como atividades vivenciais na qual se sensibiliza com a vida no campo e se observa as injustiças que os camponeses enfrentam diariamente; e, por outro lado, a disciplina de “Riquezas Naturais”, que permite problematizar não só a respeito da depredação das riquezas naturais, mas também sobre para quem está orientada a formação universitária que tipo de profissional queremos ser1.   
Atividades de referência massiva
     Servem para criar referência do coletivo no conjunto dos estudantes e para fazer a avaliação da base, de suas necessidades e de suas demandas; essas podem ser atividades de caráter mais corporativo2. É importante definir bem o enfoque do eixo a ser tradado, porque essas atividades podem ser um primeiro passo para o debate e podem ser o ponto de partida na hora de estabelecer pontes para as questões políticas, de caráter mais problematizador. Além disso, essas atividades servem para nos legitimarmos para os momentos que convidaremos às mobilizações, na hora de colocarmos alguns debates ou fazer quaisquer outros tipos de atividades. Por exemplo: desde um boletim eletrônico sobre assuntos da Universidade, passando pela luta pelos direitos dos estudantes, como revisão de provas e ofertas de horários alternativos para uma disciplina obrigatória, até o oferecimento de uma oficina sobre globalização ou qualquer tema mais amplo, que tenha relações com os assuntos estudados na Universidade. 
Metodologia de luta
      Metodologias de luta: é indispensável medir a correlação de forças e fazer uma avaliação da situação da base para tomar como ponto de partida no momento de estabelecer os objetivos que buscamos alcançar com alguma ação concreta. Se não medirmos corretamente a correlação de forças, corremos o risco de embarcarmos em lutas que terminem sendo sustentadas por pequenos grupos sem apoio de ninguém e, portanto, sem perspectivas de vitória. Desta maneira, apesar da legitimidade da reivindicação, nossa ação termina sendo contraproducente, já que contribui com a nossa deslegitimação perante nossa base, ao mesmo tempo em que se difunde um sentimento de derrota que supervaloriza a força do inimigo e enfraquece a confiança em nossas próprias forças.
      Com base nos objetivos definidos, se discute coletivamente qual é  a metodologia mais adequada. Aqui entra em jogo nossa criatividade, assim como na tarefa de difusão e propaganda, através da qual não só convocamos para uma determinada ação, mas também expomos nosso projeto político; por isso, é necessário estabelecer estratégias de comunicação que sejam coerentes com a realidade cotidiana e com a análise que fazemos da situação da base. 
  1. Escolha das metodologias
  Esse é um aspecto fundamental no trabalho de base, e que exige uma grande flexibilidade e atividade criativa, atitudes que lamentavelmente não abundam no âmbito da esquerda universitária. Isso é importantíssimo, porque uma metodologia que dá resultados em uma determinada situação pode deixar de servir posteriormente, o que exige que desenvolvamos sensibilidade que nos permita perceber as mudanças no contexto e que nos anime a oferecer propostas alternativas que venham a preencher os vazios. Isso tanto no que diz respeito às estratégias de difusão e comunicação (panfletos, cartazes, publicações, passadas em salas, nos corredores, correntes de e-mail, etc.), quanto no que diz respeito às próprias ações ou atividades para as quais convocamos. Podem existir, se nos propusermos a isso, outras formas de luta para além da trilogia assembléia / aulas públicas / marchas3. Mas para tudo isso precisamos de imaginação e de iniciativa política.
  Ainda que a escolha das metodologias seja algo que necessariamente tenha que relacionar-se diretamente com a análise de cada situação concreta, existem pelo menos três questões gerais para consideramos:
  1. As possibilidades de pensar os métodos mais convenientes a uma determinada conjuntura específica e de poder levá-las adiante na prática estão diretamente relacionadas com o tempo que tenhamos para fazer tudo isso. Por isso é importante desenvolver a capacidade de prever cenários e conjunturas e em função disso planificar os passos a serem seguidos, dividindo tarefas e responsabilidades entre os companheiros.
  2. Envolver a maior quantidade possível de estudantes independentes na organização das atividades e criar espaços que deixem saldos organizativos para o depois da luta propriamente dita (grupos de estudos, projetos específicos, listas de e-mail, publicações coletivas, etc.).
  3. Não absolutizar os métodos: a claridade nos objetivos permite flexibilidade nas táticas.

  1. Momento de avaliação
  As atividades devem terminar com um balanço coletivo do que foi feito. É preciso assumir isso com a maior capacidade de sistematização possível, porque é isso que nos permite tirar conclusões concretas sobre os acertos e os erros de determinada ação. É preciso reservar um tempo para o balanço das atividades e registrar isso de forma escrita, de maneira que se possa utilizar as conclusões no futuro. A aprendizagem valiosa que se consegue através do acúmulo de experiência requer a incorporação de duas coisas à nossa prática militante: primeiro a de sistematizar as conclusões e depois a de recorrer a elas sempre que necessário (não serve para nada registrar saberes se não recorrermos a eles no momento de tomarmos decisões a respeito das novas conjunturas que se apresentam). 
Vícios
- O militante separado do estudante
      Esse é um problema recorrente na militância universitária. Isso tem a ver com toda uma cultura e uma concepção instalada de que a “política” é algo afastado das pessoas comuns. É uma concepção completamente conveniente às classes dominantes e por isso devemos combatê-la. Mas também tem a ver com vícios próprios à militância, que reproduzimos ano após ano e que contribuem com esse distanciamento. Alguns desses vícios são:
  1. Falar em uma linguagem que ninguém entende
   Na vida cotidiana das organizações e nas discussões com companheiros de distintos setores os militantes vão aprendendo categorias de análises e criando uma série de jargões e códigos próprios. É muito comum naturalizar certas formas de expressão e esquecer-se que nem todo mundo entende o mesmo com relação a certas palavras ou categorias (por exemplo: “burocratização”, “capismo”, etc.).
  1. Pressupor conhecimentos que os estudantes não têm
   Muitas vezes escrevemos panfletos ou fazemos passagens em salas sem nos preocuparmos muito com a relação que existe entre o que dizemos e o nível de informação ou as possibilidades de compreensão que os sujeitos aos quais queremos nos direcionar. Assim, por exemplo, falamos da importância do “Diretório Central dos Estudantes” ou da participação nos “Conselhos de Entidades de Base” sem explicar o que são cada uma dessas coisas.
  1. Pleitear questões absolutamente alheias à realidade da base
Essa é uma questão chave e bastante complexa. Por um lado, é um erro convocar os estudantes a discutirem ou se mobilizarem por coisas que não lhes interessam sequer minimamente: não só seria como falar com as paredes, mas além disso contribuiríamos com a deslegitimação das razões de nossa luta. Nossa tarefa enquanto militantes populares é, por outro lado, problematizar coisas que no âmbito do senso comum não se questiona, que estão naturalizadas a respeito das quais não se vê, a princípio, nenhuma perspectiva de mudança. Dessa forma, às vezes é necessário falar de temas que não necessariamente importam imediatamente à maioria, e para isso é necessário saber gerar o interesse e a atenção dos estudantes aos quais nos dirigimos. Duas atitudes muito comuns atuam de forma contrária a esse objetivo: a ansiedade e a arrogância. Aqui é justamente onde está centrada a qualidade do trabalho de base: na sua dimensão pedagógica e criatividade com a que exercemos esse trabalho.
- Burocratização do trabalho de base: ações rotineiras sem objetivos claros
Às vezes existe uma tendência a reduzir o trabalho de base a uma série de passos rotineiros que se desenvolvem mais ou menos mecanicamente. Pregar cartazes no início do dia, panfletar durante os intervalos, passar em sala anunciando alguma atividade ou ficar no centro acadêmico esperando pelos estudantes para responder perguntas ou questões sobre carteirinhas de estudantes. Isso, por si só, não tem nada de errado, já que tudo depende dos objetivos que guiem essas práticas. Em momentos nos quais não estão claros coletivamente os objetivos de uma agrupação política, quando não existe uma apropriação do conjunto dos militantes a respeito do sentido do trabalho de base, surge uma concepção de “movimento de escritório”: são horas no centro acadêmico que se precisa cumprir, como um turno de trabalho, ou cumprir a passagem em sala em um número “x” de salas. O importante deixa de ser convocar para uma atividade ou transmitir uma idéia, e toda a intenção do militante passa a ser a de cumprir determinados objetivos mecânicos estabelecidos previamente. Nesse caso, o trabalho de base fica desvirtuado, porque ele fica deslocado do desejo do militante. Por isso, é muito importante ter clareza no sentido dos debates propostos e das atividades, e também que os processos de definição de objetivos gerem uma apropriação a nível coletivo.
- Menosprezar a sala de aula e o âmbito acadêmico como espaços de construção
     Dentro das salas de aula existem relações de poder e lógicas de transmissão e produção do conhecimento que nós, militantes, em geral conseguimos desnaturalizar e questionar. Entretanto, não podemos esquecer nunca que é o âmbito acadêmico o grande estruturante da socialização e da vida cotidiana dentro de cada faculdade. O interesse dos estudantes está posto principalmente em questões acadêmicas, as formas de reconhecimento estão regidas por parâmetros acadêmicos, ou seja, existe toda uma cultura acadêmica que organiza a vida universitária e que não podemos ignorar se queremos desenvolver uma construção política com inserção real na base.
  1. O militante que não estuda corre em enorme desvantagem para o trabalho de base
     Quanto maior é a mediocridade acadêmica, menor é a legitimidade que o militante tem entre seus colegas, e menor é sua credibilidade e capacidade de aproximação. Levar a sério o estudo (como parte da atividade militante, e não como um aspecto de sua vida privada) é uma condição básica para ter inserção entre os seus colegas. Isso tem a ver com as formas de reconhecimento que operam dentro da cultura acadêmica hegemônica, e vai para além dos conteúdos dos currículos (se são mais ou menos populares, mais ou menos progressistas, etc.). é o mesmo caso dos dirigentes sindicais: os que não são bons trabalhadores podem falar muito nas assembléias, mas não terão nenhuma capacidade de aproximação com os seus colegas (e isso apesar de que em uma fábrica capitalista trabalhar bem implica em aumentar a taxa de lucro do patrão).
  1. A mediocridade acadêmica dos militantes implica uma debilidade estratégica para a construção
Subestimar a disputa acadêmica significa abandonar a luta ideológica dentro da Universidade. A produção do conhecimento é a razão estratégica pela qual a classe dominante pretende controlar as Universidades, e para disputar os conteúdos dos planos curriculares é necessário formar-se: primeiro para saber o que se está criticando, e segundo para saber o que propor como alternativa. Se esse plano da construção não é sólido, o resto dos planos perdem o sentido: lutar para que entrem mais estudantes na Universidade sem se preocupar pelo tipo de formação que eles receberão implica deixar as coisas como estão; além disso, pode-se lutar pela democratização dos espaços institucionais, mas só conseguiríamos outorgar mais legitimidade a um sistema que produziria conhecimento em função dos mesmos interesses das classes dominantes.


segunda-feira, novembro 01, 2010

Eleições 2010 - 2° turno

           Nesse 1° de novembro o Brasil acordou diferente... Pela primeira vez na história do país, uma mulher é eleita presidenta! Como diz Lula "Nunca antes na história desse País". Bom, é cedo ainda pra comentar as atitudes dela nos próximas quatro anos. Mas algo que é bom fazer uma ressalva, é que essas eleições, em seu primeiro turno, mostrou que o Brasil está cansado dessa polarização  PSDB x PT. O que mostra isso é o grande número de abstenções, votos nulos e brancos, e os cerca de 20 milhões de votos da Marina Silva, que chegou quetinha, pequenininha e magrinha, mas que nas próximas eleições pode nos surpreender novamente. Creio que o Brasil, aos poucos, aos poucos mesmo, vai passando por um processo de amadurecimento, no mais tardar estaremos nas ruas gritando e lutando pelo voto facultativo, para que a "Democracia brasileira" seja um pouquinho melhor, pelo poder de escolha, do POVO.
          Aqui na Paraíba nada de tão novo, a vinte anos que estamos nessa polarização acirrada entre Maranhão x Cássio, Cássio x Maranhão e assim vai. A Paraíba é rachada literalmente. Com a vitória de Ricardo Coutinho, do PSB que surpreendeu os brasileiros esse ano, fica claro um novo ar que vamos poder respirar. Mas a bens que vem para os males, salvo engano! É fato que Ricardo Coutinho só se elegeu Governador da Paraíba devido a sua coligação e o apoio de Cássio Cunha Lima, que por sinal é extremamente contraditória e incoerente politicamente, sendo formada pelos Partidos: PSB, PSDB, DEM, PDT, PPS, PTC, PV, PTN e PRP. Ai fica uma pergunta que não quer calar: Ricardo recebeu "apoio" ou patrocínio? Até que ponto ele "vendeu sua alma" ao PSDB / DEM ? Só o tempo nos dirá.

quarta-feira, outubro 20, 2010

O diabo trapaceou Serra: tomou-lhe a alma sem dar nada em troca

ESCRITO POR CELSO LUNGARETTI   
19-OUT-2010

Após o insosso debate entre os presidenciáveis que a Rede TV e a Folha de S. Paulo promoveram no último domingo, fiquei com a impressão de que 2006 se repetiria: um grande esforço de última hora da mídia golpista evitando que a candidatura oficial decidisse a parada logo no 1º turno, mas não sendo suficiente para reverter o resultado anunciado.

Como Alckmin daquela vez, Serra não encontrou o mapa da mina. Marina Silva e o PIG lhe proporcionaram uma sobrevida, mas aproveitá-la para decolar são outros quinhentos.

Com carisma zero, não consegue fazer seus castelos nas nuvens valerem mais do que uma realidade palpável: as condições de vida dos pobres e dos muito pobres melhoraram sob o governo atual.

Então, independentemente de posturas ideológicas, o que deixa Serra num beco sem saída são a aprovação e popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A percepção do eleitor despolitizado é de que o Brasil evoluiu, daí ele encarar a tempestade de som e fúria dos demotucanos como tentativas de encontrarem pêlo num ovo que está dando certo. Portanto, significando nada.

Trata-se de uma sinuca de bico: não há factóide, propaganda enganosa e alarmismo que façam os eleitores  pés no chão mudarem seu voto.

O desejo da Veja, erigido em matéria de capa (!), é o de que a eleição fosse decidida em Minas Gerais, com Aécio Neves como fiel da balança. Dia 31 a revista aprenderá que jornalismo é algo mais do que expressão de desejos.

Uma mudança surpreendente do quadro só seria possível se Serra fosse um personagem eletrizante; mas, seu estilo é de quem está sempre explicando o óbvio a estudantes burrinhos. Não empolga ninguém.

Ora parece um mestre-escola alongando-se em repetições desnecessárias para martelar as lições na cabeça dos alunos, ora um guarda-livros a detalhar uma contabilidade que ele considera interessante e os demais, nem um pouco. Enfim, um chato de galochas, como se dizia antigamente.

O aborto (a palavra aqui cai muito bem...) da hipotética virada já começa a se evidenciar nas pesquisas eleitorais: a última do Datafolha mostrara um quadro estático e a nova do Vox Populi flagra subida de Dilma.

Pior que a derrota será a decepção causada por Serra àqueles que ainda acreditavam nele.

Aceitar o apoio e beneficiar-se da baixaria das correntes virtuais ultradireitistas, fazer promessas demagógicas como a do salário mínimo de R$ 600 e colocar uma questão religiosa no centro da campanha o deixou com a imagem de quem pisa até no pescoço da mãe para chegar à presidência.

O último a projetar tal imagem acabou morrendo na praia. E, convenhamos, fazia bem mais por merecer o ambicionado troféu.

Celso Lungaretti é jornalista e escritor.

sábado, outubro 16, 2010

Esta é Verdadeira ética do candidato José Serra. O Brasil precisa saber.

Que tal lembrar do currículo onde o Sr. José Serra (o novo Maluf) se diz engenheiro?http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/08/um-dos-curriculos-com-dados-falsos-de.html
Outro do alto escalão do governo José Serra cai na malha da Operação Castelo de Areia http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/12/outro-do-alto-escalao-do-governo-jose.html

José Serra já gastou mais de 1 BILHÃO em campanhas eleitorais

Bandalheira no Instituto Butantan em São Paulo (governo Serra)

O legado do José Serra na segurança pública de São Paulo http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/05/o-legado-do-jose-serra-na-seguranca.html


SP: policiais pagam do próprio bolso para delegacia ter internet http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/05/sp-policiais-pagam-do-proprio-bolso.html

Delegado de polícia relata método de gerenciamento do Serra na polícia http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/02/delegado-de-policia-relata-metodo-de.html

Mais podridão do governo Serra: quem disse que a corregedoria do estado de São Paulo não trabalha? http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/08/mais-podridao-do-governo-serra-quem.html

O verdadeiro caráter do Sr. José Serra revelado http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/01/o-verdadeiro-carater-do-sr-jose-serra.html




Sr. José Serra: obras mal feitas caem ou estragam rápido http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/11/sr-jose-serra-obras-mal-feitas-caem-ou.html


A boquinha do marido da deputada Célia Leão ( PSDB - Campinas ) no governo José Serra http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/07/boquinha-do-marido-da-deputada-celia.html

Educação: São Paulo no modesto 1.962º - o retrato da destruição do Serra/Kassab dos projetos da ex-prefeita Marta http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/07/educacao-sao-paulo-no-modesto-1962-o.html

A máfia da merenda escolarhttp://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/a-mafia-da-merenda-escolar/

Compare os investimentos em educação em São Paulo e no Brasilhttp://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/03/compare-os-investimentos-em-educacao-em.html


Como Serra e o PSDB pretendiam destruir a Petrobras para justificar a privatizaçãohttp://fatosedados.blogspetrobras.com.br/?p=30722

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domingo, junho 14, 2015

Che Guevara: a imagem mais vista do mundo (14/06/1928 - 09/10/1967)

Ernesto Guevara de la Serna, conhecido como "Che" Guevara 
é com certeza umas das figuras mais conhecidas do século XX. O rosto do revolucionário e guerrilheiro argentino radicado em Cuba é a imagem mais vista, mais popular e conhecida do mundo, ao lado do de Jesus Cristo.




A marca do rosto de Che não é de uma cerveja, nem de uma empresa qualquer, mas da ousadia da juventude. É uma imagem que transcende fronteiras, gerações, partido, que transcende o próprio marketing. Como diz Emir Sader, qual gênio da publicidade poderia reinventar tal fenômeno?



O jovem médico e aventureiro que sai de moto da Argentina (ver o filme Diário de motocicleta) não ficou conhecido todavia por seu exercício profissional, mas sim como um guerrilheiro revolucionário, que ao lado de Fidel Castro derrubou a ditadura cubana de Batista e transformou a ilha a partir das ideias socialistas e revolucionárias:



"Sonha e serás livre de espírito...
luta e serás livre na vida."







Che virou um mito, e antes de ser mito, chegou a ser dirigente do Estado cubano e morreu lutando nas selvas bolivianas. O jovem argentino, quando na sua porta bate a Política, não tem mais como fugir... Ser apenas um médico e aventureiro não contemplava mais seus anseios, e assim, as experiências da Guatemala, Venezuela e México foram fundamentais.


"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."






Uma personsagem fundamental para o pensamento de Che Guevara e pouco citada ou conhecida, é sua esposa Hilda Gadea, com quem se casou e 1955. A mesma tinha uma formação marxista muito mais desenvolvida que a de Che, e assim o influenciou bastante a seguir este caminho.


Assim, a partir da guerrilha de Sierra Maestra é forjado a liderança de um revolucionário que não se contentou apenas com as mudanças em Cuba, e buscou ir em diversos outros países na esperança da guerra de guerrilhas na libertação do povo.




"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira."





Além da vida agitada, da esperança na guera de guerrilhas apoiado pelo povo e na convicção que a juventude é revolucionaria, Che também é o portador mais emblemático do Humanismo revolucionário:


"Deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor..." ("O socialismo e o homem em Cuba)





Em seu pensamento é constante a preocupação com a formação do novo homem e da nova mulher, ou seja, da nova moral, um novo modo de ser, pensar e agir. Isso com certeza traz as dificuldades de se pensar os dilemas de se construir um mundo novo com o homem do mundo velho, e ele mesmo afirma "A nova sociedade em formação tem de competir muito duramente com o passado..."


Assim, se morrem os homens e a matérias e as ideias permanecem, Che Guevara é sem dúvidas um dos maiores exemplos disso da nossa história. E, como lembra o próprio Che Guevara, o guerrilheiro não está em luta para morrer por seus ideais, mas sim, torná-los realidade.

Minha singela homenagem a Che.
Hasta la victoria, siempre.

domingo, fevereiro 23, 2014

Catarse, política e Gramsci

“O termo “catarse”. Pode-se empregar a expressão “catarse” para indicar a passagem do momento meramente econômico (ou egoístico -passional) ao momento ético-político, isto é, elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens. Isto significa, também, a passagem do “objetivo ao subjetivo” e da “necessidade à liberdade”. A estrutura, de força exterior que esmaga o homem, assimilando-o e o tornando passivo, transforma-se em meio de liberdade, em instrumento para criar uma nova forma ético-política, em origem de novas iniciativas. A fixação do momento “catártico” torna-se assim, parece-me, o ponto de partida de toda a filosofia da práxis; o processo catártico coincide com a cadeia de sínteses que resultam do desenvolvimento dialético. (Recordar os dois pontos entre os quais oscila este processo: que nenhuma sociedade se coloca tarefas para cuja solução já não existam, ou estejam em vias de aparecimento, as condições necessárias e suficientes; - e que nenhuma sociedade deixa de existir antes de haver expressado todo o seu conteúdo potencial.).”


GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere, v.1,p.314-5. Civilização Brasileira, 4ª edição, Rio de Janeiro, 2006

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Os valores e os desvios na militância



(texto para debate na comissão de organização do III EIV SP)



A gente deve varrer o chão e lavar o rosto todos os dias, pois, se não fizermos isso, a poeira se acumula.
Mao Tse-Tung
No interior do processo de proletarização do nosso pensamento, da revolução que se processava em nossos hábitos e nossas mentes, o indivíduo foi fundamental. /.../ Na atitude dos nossos combatentes, visualizava-se o homem do futuro.
Che Guevara

Valores são traços da conduta, do comportamento, da postura, do hábito. Os valores são uma necessidade no interior de qualquer projeto de humanidade. No limite, são o objetivo maior do próprio projeto de humanidade. Cada projeto define os seus valores. Para os socialistas, a solidariedade é um valor; para os capitalistas, o individualismo é um valor. Por isso, os anti-valores são desvios: desvios do caminho que se deve seguir. Para todo valor há um desvio correlato: disciplina x indisciplina; solidariedade x individualismo; organização x desorganização etc. Entre um valor e seu correlato, há uma articulação dialética, de modo que a construção de um confunde-se com a desconstrução do outro. Quais são os valores que os socialistas devem cultivar, e quais desvios devem corrigir?
Qual é a origem da conduta? Por que um indivíduo se comporta de uma maneira X e não de uma maneira Y? Ele é “culpado” pelo seu comportamento? O comportamento nasce somente e tão somente da vontade e pronto? Ou, inversamente, o comportamento é fruto de determinações externas, não tendo o indivíduo qualquer responsabilidade sobre ele? A origem do comportamento é um dos maiores mistérios da humanidade. A filosofia discute esse tema desde sua origem. A bem da verdade, esta é uma das grandes polêmicas da filosofia e, mais recentemente, da psicologia. O que se sabe é que os indivíduos são influenciados desde o nascimento e permanentemente pelo ambiente onde vivem, entendido como as condições históricas, sociais, políticas, culturais e psicológicas de sua existência, bem como o ambiente local propriamente dito. O ambiente influencia, condiciona, em alguma medida determina. Nestes termos, a conduta é uma síntese: nela, tanto a vontade como determinações externas estão presentes. Em que medida cada uma opera, em que grau, em que momento... pouco se sabe e muito se especula sobre. O fato é que a conduta não pode ser reduzida nem a determinações externas nem à vontade. Ambas estão presentes, articulando-se dialeticamente. De qualquer forma, é certo que, se não somos culpados pelos desvios em nós, somos responsáveis pela sua correção, mas isso depende de uma motivação interna - Che: “ter essa motivação interna que incita constantemente a observar os próprios defeitos, a buscar os defeitos para tratar de superá-los”. Como despertar no indivíduo essa motivação interna?
A sociedade de classes é um obstáculo à superação dos desvios nos indivíduos; inversamente, os desvios nos indivíduos constituem-se como obstáculo à superação da sociedade de classes. Um e outro formam um ciclo vicioso: a sociedade de classes alimenta os desvios e vice-versa. Do mesmo modo, a correção dos desvios nos indivíduos e a superação da sociedade de classes são aspectos diferentes de um mesmo processo. Entre uma e outra não há etapas, mas uma articulação dialética. No entanto, no bojo do processo, é necessário que haja organizações que sejam capazes de intervir no processo para garantir a justeza de seu rumo. Organizações são feitas de militantes, os quais são indivíduos, que também sofrem influência das condições postas nessa sociedade de classes. Por isso, a conduta dos militantes é um dos pontos mais importantes da conspiração revolucionária. A conduta dos militantes é determinante para o sucesso da ação revolucionária. Podemos dizer que os desvios na militância são um dos maiores empecilhos à práxis revolucionária. Por isso, é necessário corrigir os desvios na militância desde já. Como corrigir os desvios na militância desde já, ou seja, no interior da sociedade de classes?
Os desvios na militância se corrigem pela práxis, desde que se assuma como tarefa identificá-los e corrigi-los, numa ação permanente e planejada, que envolve organização, formação e lutas. Numa organização, os quadros devem ser antes de tudo educadores, guardiões do exercício da critica e da autocrítica, da tarefa permanente de superação dos desvios. O que faz dele um educador é a sua práxis, a sua militância. Ele educa pelo exemplo, muito mais do que pelo discurso. Nós temos nos portado como educadores? Se não, por que não?
Os valores e os desvios expressam-se também no discurso, mas como o discurso foi banalizado – qualquer um fala qualquer coisa, sendo que nem sempre realmente se faz o que se fala –, o discurso deixou de ser critério da verdade. A prática é o critério da verdade, o critério para saber quem de fato cultiva valores e quem não os cultiva, quem de fato se esforça em corrigir os desvios e quem os mantém. Qual é a nossa prática? O que nós temos feito? Que desvios há em nossa prática? Nós os percebemos? Se sim, nós temos nos esforçado por corrigi-los? Se não, por que não?
O movimento estudantil é um ambiente repleto de adversidades à correção dos desvios: a origem de classe dos estudantes; o fato de o movimento estudantil não ser uma organização, mas nele haver organizações em disputa; o fato de a condição de estudante ser passageira e a alta rotatividade dos militantes num curto período de tempo; etc. Essas adversidades não devem ser vistas como limites, entraves intransponíveis. Devemos superar a idéia de que o movimento estudantil possui vícios que não podem ser superados, como se estes vícios fizessem parte da natureza do movimento. Estas adversidades devem ser encaradas como desafios. Nós encaramos estas adversidades como desafios ou como limites? Se como limites, por quê? Se como desafios, nós temos conseguido organizar uma práxis que dê resposta a estes desafios?

QUAIS SÃO OS DESVIOS QUE DEVEMOS CORRIGIR?
Perante as tarefas:
Voluntarismo – Voluntarista ou espontaneista é aquele companheiro que age por impulso, seja por ingenuidade, por não compreender a importância do planejamento e da organização, seja por má fé, por querer dirigir um processo à força, na marra. Nesse caso, é aquele que nas manifestações age contra a decisão coletiva, que toma uma iniciativa por si só, sem consultar ninguém, e que coloca tudo a perder. O voluntarismo pode ser uma ação pontual, mas pode ser uma postura: nesse caso, o sujeito é voluntarista. Do voluntarista não se pode esperar nada, pois ele faz as coisas que quer e na hora que bem entender. Não se compromete com nada, não gosta de ver nada organizado. E se ele espera isso dos outros, ele resiste à organização e ao planejamento. (Não se deve confundir o voluntarismo com o trabalho voluntário, e que Che pregava com tanto entusiasmo. São coisas bem diferentes. No trabalho voluntário, o “voluntário” é sinônimo de militante. Nele, a organização e o planejamento estão sempre presentes).
Indisciplina – A indisciplina é a postura daquele que não segue a linha definida pelo coletivo, que não entende a diferença entre fazer parte de um coletivo e não fazer parte de um coletivo. Nunca um militante vai concordar com absolutamente tudo que é decidido. Todo aquele que faz parte de um coletivo ocasionalmente diverge de orientações, encaminhamentos, decisões do coletivo, mas, se ele tem disciplina, ele as segue, sem deixar de divergir e expor sua divergência nos espaços adequados. Mas aquele que é indisciplinado não consegue ter essa postura. Se ele diverge, ele faz as coisas da sua cabeça ou simplesmente não cumpre as tarefas que deveria cumprir. E, quando pode, ele sabota o coletivo. Ao contrário do voluntarista, aquele que é indisciplinado segue uma organização e um planejamento, mas aquelas definidas por ele próprio, e não pelo coletivo.
Pessimismo exacerbado e otimismo exacerbado – O pessimismo exacerbado ou o derrotismo é a postura daquele que se sente sempre acha que o que é feito vai dar errado ou que não vai dar em nada. Geralmente é a postura de quem superestima as condições objetivas e subestima a própria capacidade. O otimismo exacerbado é o contrário: é a supersimtação da própria capacidade e a subestimação das condições objetivas. Tanto um como outro são duas formas de subjetivismo, pois surgem da incapacidade de avaliar friamente as condições objetivas e a própria capacidade e de orientar sua ação considerando ambas as variáveis, na justa medida, sem hiperdimensionar uma e subdimensionar a outra.
Desleixo – O desleixo é a desorganização, é a postura daquele que faz as coisas de qualquer jeito, sem cuidado, sem atenção, sem se preocupar se a tarefa está sendo bem feita ou não. O desleixado enxerga as tarefas como meras obrigações, e se preocupa mais em cumprir as obrigações o mais rápido possível do que em garantir que o objetivo da tarefa seja alcançado. Isso quando se preocupa. O desleixo é a falta de cuidado e de atenção em geral. É desleixo não cuidar do espaço físico, da organização das coisas, da limpeza dos espaços, da preservação das coisas. O militante que age assim não percebe a importância da organização das coisas para o trabalho político. A falta de pontualidade também é uma forma de desleixo, que prejudica imensamente o trabalho político. São diversas formas de desleixo, que têm na base a inconsistência no compromisso do militante com a causa no qual está envolvido.
Falta de iniciativa – Na luta pelo socialismo, é necessário que o militante tenha iniciativa. Todas as situações impõem essa postura. Iniciativa de fazer alguma coisa, de pensar alguma coisa, mesmo de tomar decisões, o que não se confunde com voluntarismo. Essa é a postura daquele que se desdobra para cumprir com os objetivos, para garantir que a tarefa seja cumprida fora dos meios previstos originalmente. A falta de iniciativa é a falta de protagonismo, é a postura daquele que se contenta em “fazer a sua parte”, mesmo sabendo que, numa situação, se ele só fizer a sua parte, o que estava previso para ele fazer, a tarefa não será cumprida. A falta de iniciativa é por isso também falta de compromisso com a causa. É a postura daquele que se coloca como se fosse um funcionário de uma empresa capitalista, e não como militante. 
Irresponsabilidade – A irresponsabilidade é a postura daquele que não mede as conseqüências do que faz e do que fala, e que em função de sua irresponsabilidade coloca os objetivos da organização a perder ou compromete outros companheiros. O irresponsável cria situações que atrasam o trabalho político, que desviam o foco, que retrocedem o acumulo alcançado. É irresponsável aquele que age de maneira irresponsável, mas também aquele que se omite de maneira irresponsável.
Comodismo – No atual estágio da luta de classes, um dos desvios mais generalizados entre os socialistas é o comodismo ou o burocratismo. Ao contrário do que prega um certo senso comum, o burocrata não é necessariamente aquele que atua na retaguarda, pois a atuação na retaguarda de uma parte da militância é essencial para o sucesso do trabalho político. O burocrata é o acomodado. Ele pode fazer o discurso mais radical, mas se na prática ele estiver acomodado, ele é um burocrata. O comodismo é a postura daquele que não se preocupa em aperfeiçoar suas tarefas e o modo de executá-las. É aquele para quem do modo como está sendo feito está bom. É a postura daquele que não cria, mas se limita a reproduzir operações padrão, que não toma a iniciativa de procurar melhorar seu trabalho, sua militância. Em última instância e em situações em que se exige mais do militante, é a falta de espírito de sacrifício, quando a luta pelo socialismo exige sacrifícios.
Inconstância – A inconstância é a característica daquele que ora está presente e se compromete com as tarefas, ora está ausente, e neste momento não dá pra contar com ele pra nada. A inconstância é sintoma de inconsistência ideológica, de falta de compromisso real com a organização, de um meio compromisso.
Perante os outros companheiros, as outras organizações e as massas:
Individualismo – O individualista é aquele que só faz as coisas se ele pensar, se ele comandar, não raras vezes se ele fizer sozinho. O individualismo não se confunde com a postura de reserva. Há companheiros que são reservados: falam pouco, guardam sua privacidade etc. Estes companheiros não são individualistas. O individualismo é a postura daquele que quer que as coisas sejam “do seu jeito”, e que as tarefas acumulem não para a organização e para a classe, mas para si, para a sua auto-satisfação. Geralmente o individualista se sente oprimido pelo coletivo. Aliás, o invididualismo é exatamente o oposto do espírito de coletividade.
Sectarismo – O sectarismo é a postura daquele que não sabe lidar com a divergência e a diferença daqueles que compartilham da mesma causa, mas acreditam que os caminhos para alcançá-la são outros. O sectário é aquele que, face à divergência, elege como inimigo aquele que na verdade é adversário. Existem dois tipos de postura sectária. Na primeira, o sectário é ostensivo: ele agride, denuncia, gasta boa parte de seu tempo com patrulhamento ideológico sobre seu adversário. Na segunda, o sectário, despreza totalmente seu adversário, evitando qualquer tipo de diálogo, mesmo a crítica, e quando fala do adversário, evitar falar o nome. Em ambos os casos, o sectarismo envolve um sentimento de superioridade perante o adversário, sentimento esse que precisa ser expresso como mecanismo de auto-proclamação. Em suma, o sectarismo se manifesta quando não se tem a incapacidade de diferenciar o inimigo do adversário. 
Moralismo – O moralismo é a postura daquele que reduz o comportamento à vontade, tanto nos outros como em si mesmo. Geralmente aquele que é moralista em relação aos outros é também em relação a si. O moralista desconsidera as influências do ambiente, da conjuntura, as situações. No lugar disso, ele sempre procura identificar a culpa e a não culpa: “fulano tem culpa”, “ciclano não tem culpa”. É comum o argumento da culpa servir de pretexto para encobrir a realidade e impedir a auto-crítica e a correção dos próprios desvios: “nós não temos culpa”. O moralista acha que tudo é uma questão de vontade. Por isso, geralmente o moralismo vem acompanhado do voluntarismo.
Vanguardismo – A revolução é uma tarefa de milhões. Isso é consenso entre todas as organizações revolucionárias. Só que, quando se entra no mérito da forma de mobilizar estes milhões, há uma grande divergência. Para alguns, o papel dos revolucionários é rebocar as massas. Isso vale no geral, mas também nas frentes de massas, inclusive no movimento estudantil. O vanguardismo é a postura daquele para quem as massas (sejam as massas estudantis, sejam outras) podem ser rebocadas ad infinitum, mesmo fora de uma conjuntura revolucionária. O vanguardista não se preocupa com o nível de consciência das massas. Ele superestima o papel do discurso mobilizador e subestima o papel da educação das massas. Para ele, as condições para a revolução estão dadas, basta aqueles que ocupam o papel da direção agirem da maneira certa que as massas seguirão o caminho. Por isso, o vanguardista desdenha a idéia de acumulo de forças. Por isso, o vanguardista é sempre se isola das massas.
Basismo – O basismo ou o assembleismo é a postura daquele para quem tudo tem sempre que passar por assembléia. Isso vem geralmente de uma rejeição a priori à direção política. Ele acredita que a direção tem sempre uma postura dirigista, autoritária, mesmo quando não há essa postura. Ele sempre acha que a direção quer manipular a base, enganar a base. Entretanto, embora basista, ele desdenha a organização da base, a formação política para a base, pois isso soa como manipulação. Ele quer que a base fale e pronto. Para ele, o importante é que os processos sejam conduzidos pela ação espontânea da base. O caráter espontâneo é essencial. Para ele, se a base fala sob influência da direção, a base está sendo manipulada. Este é o basista autêntico, sincero. Mas existe também o falso basista, ou aquele que é basista por conveniência. Este é basista por má-fé. Isso acontece quando, numa conjuntura de assembléias esvaziadas, mas favoráveis às suas posições, ao invés de se engajar na formação de novos militantes e no trabalho de base, o falso basista insiste que tudo tem que passar por assembléias, caso contrário o encaminhamento não será democrático, será burocrático. Seja ele vanguardista, seja ele direitista e contra o movimento, não importa: se a situação de esvaziamento lhe é favorável, ou seja, se a assembléia esvaziada lhe é favorável, ele se torna um basista. Mas esse basismo não é consistente. A evocação à vontade da base não passa de pretexto. O que está em jogo para o falso basista não é que a base imponha a sua vontade, mas, ao contrário, é que suas posições prevaleçam. Por isso, os falsos basistas combatem toda e qualquer proposta que visa a ampliar a participação.  
Autoritarismo – O autoritarismo é a postura daquele que quer definir as linhas políticas, as ações e o comando dos outros companheiros sozinho, e que enfrenta a resistência dos companheiros quando questionam essa conduta. O autoritário é aquele que no discurso diz valorizar a direção coletiva e a democracia interna, mas que na prática desdenha tanto um como outro e passa por cima de ambos. Existem diversas maneiras de organizar a democracia interna, a ampla participação e a direção coletiva numa organização. Elas dependem de esquemas formais, mas também de uma postura. Numa organização, uma instância pode formalmente ter o direito de tomar uma decisão, mas se não existe uma opinião amadurecida sobre o assunto na base, a direção sabe que a decisão não pode ser tomada, mesmo que formalmente possa. Uma direção autoritária não assume essa postura.
Omissão do exercício da critica e da auto-crítica – Numa organização, qualquer militante é suscetível de cometer erros e ter desvios de conduta, mesmo os mais experientes e coerentes. Por isso, o exercício da crítica e da auto-crítica é essencial, o que não se confunde com policiamento, muito menos com patrulhamento ideológico. Muitas vezes, por vergonha, sentimento de impotência, falta de convicção ou qualquer outro motivo, deixa-se de criticar um companheiro quando é necessário criticar, dizer que ali existem desvios. O mais comum é ou não criticar ou criticar para ofender, humilhar, desmoralizar. Ambas as posturas são um desvio. Assim como o é a falta da auto-crítica. Como sabemos, é raro um militante ter o hábito de fazer a auto-crítica. E, quando vemos um militante fazer auto-crítica, o mais comum é a auto-crítica se resumir ao apontamento de insuficiências: “eu fiz tal coisa, mas foi insuficiente”, “nós fizemos tal tarefa, mas foi insuficiente”. O fato é que a maioria dos companheiros têm um forte bloqueio ao exercício da auto-crítica. Para eles, fazer a auto-crítica é como humilhar a si próprio. Não perceber a importância e o lugar da crítica e da auto-crítica é um desvio dos mais graves, pois a correção de todos os desvios depende exatamente do exercício da crítica e da auto-crítica. Por isso, as organizações revolucionárias devem ter como prioridade educar os militantes ao exercício da crítica e da auto-crítica, instituindo maneiras, momentos e espaços adequados para isso. Por mais dura que seja essa educação.
De grupo:
Auto-suficiência e auto-proclamação – A auto-suficiência e a auto-proclamação são desvios que vêm sempre acompanhados um do outro e que são típicos de grupos (organizações, movimentos, correntes, partidos etc.). É auto-suficiente aquele grupo que considera desnecessário somar forças com outros grupos, ou mesmo que soma forças, mas apenas quando isso lhe fortalece enquanto grupo. O grupo auto-suficiente tem sempre uma postura e um discurso auto-proclamatórios, ou seja, gosta de falar de si como o melhor, o único, a alternativa. 
Aparelhamento – O aparelhamento é também um desvio típico de grupos. Ocorre quando um grupo confunde o coletivo com o privado, e faz do espaço coletivo – geralmente uma entidade – extensão de si. O aparelhamento não é o esforço em tornar coletivo a linha política do grupo. Este esforço é natural. Todo e qualquer grupo almeja difundir suas idéias e propostas. O problema é quando a adoção de uma linha não se dá num processo de debates e apropriação da linha, mas de maneira artificial e burocrática, sem que haja convencimento e sem que seja garantido o espaço democrático de discussão e decisão. Por isso, o aparelhamento acaba sempre sendo uma versão do burocratismo.
De personalidade:
Deslealdade à classe
Personalismo
Oportunismo
Competição
Incoerência
Agressividade
Impaciência
Exibicionismo
Picuinhagem
Dogmatismo
Arrogância

segunda-feira, dezembro 20, 2010

TRABALHO DE BASE ENTRE OS ESTUDANTES


Frente Popular Darío Santillán (Argentina)
     Chamamos de trabalho de base a prática de comunicar-se com as pessoas para transmitir para elas nosso projeto político e nossa concepção de mundo. Isso implica duas coisas: por um lado, uma crítica às diferentes formas de opressão sobre as quais se assenta esse sistema hegemônico, que consideramos profundamente desigual e injusto. Por outro, uma proposta a seguir, ou seja, alternativas concretas que apontem para uma construção cotidiana de novas relações entre nós e nossas com a natureza, e dessa maneira a criação das bases para uma sociedade que supere o capitalismo atualmente dominante. Significa, então, percorrer um longo caminho de acumulação de poder popular e de desorganização das bases de poder das pequenas elites sociais, as quais reproduzem seus privilégios à custa da exploração de milhões de pessoas. Tudo isso dito em termos bem gerais. 
Trabalho de Base:
      Em termos mais concretos, o trabalho de base toma diferentes formas de acordo com o setor da sociedade com o qual estamos lidando: trabalhadores desempregados, trabalhadores empregados (ou sindicalizados e não sindicalizados), estudantes, camponeses, etc. Cada setor é uma parte do todo, e o trabalho de quaisquer dos setores só tem sentido quando se busca uma confluência com o resto, de modo que se possa articular um caminho conjunto, e assim ir se reconhecendo mutuamente enquanto sujeito coletivo de transformação.
      Nossa base são os estudantes, e a Universidade é nosso lugar central de construção e disputa. 
Porque disputar a Universidade?
     Entendemos que a Universidade é uma trincheira fundamental nessa luta. Entendemos a importância de questionar e criticar o conhecimento que a Universidade produz, o tipo de profissionais que forma e os interesses e necessidades aos quais essa instituição responde; tudo isso, para avançar na disputa ideológica e na luta por uma Universidade orientada a satisfazer as demandas do povo e para problematizar a respeito da socialização do conhecimento e do papel de uma Universidade que restringe esse processo.
     Para os que pretendem manter a dominação, também, a Universidade é fundamental. Para eles, é uma instituição-chave enquanto formadora de quadros técnicos e intelectuais necessários para a reprodução da sociedade como estabelecida atualmente. Os agrônomos, veterinários, engenheiros, por exemplo, para a direção da produção agropecuária e industrial. Os físicos, biólogos, matemáticos, etc., para a produção científico-tecnológica. Os advogados, que além de sustentar o poder judicial, engrossam as filas das câmaras de deputados e senadores, além de outros postos da direção estatal. Os contadores e economistas para a administração das empresas e o assessoramento técnico. Os jornalistas e intelectuais como formadores de opinião, os professores para o sistema educativo, etc.
     O trabalho de base na Universidade, então, consiste em traçar pontes de comunicação com os estudantes, e também com os docentes e servidores, para transmitir-lhes o que tenhamos a dizer, e escutar o que tenhamos que escutar. E aqui aparece um primeiro conceito forte que defendemos: o trabalho de base é, para nós, um diálogo entre sujeitos, uma ida e volta, e não uma repetição mecânica de um discurso que aprendemos a recitar como papagaios. Não nos dirigimos a uma massa de pessoas, a um rebanho combativo ou a meros votos com corpos de homens e mulheres, mas sim, pelo contrário, nosso trabalho de base está amarrado com a concepção de que qualquer ser humano é capaz de traçar seu próprio destino, de decidir seu caminho na história da humanidade. Isso implica toda uma concepção do “outro”, na qual o receptor não é um quadro em branco, mas sim alguém que opina, que pensa e que interpreta a realidade com categorias de análise que foi construindo ao longo de sua vida. Isso significa que não construímos no vazio: confrontamos com uma bateria de ferramentas com as quais as classes dominantes vão militando sua própria visão de mundo, vão contando as coisas como lhes convêm e vão fazendo a maioria das pessoas acreditarem que elas têm que fazer o que é conveniente para essas classes dominantes. Isso é o que o italiano Antonio Gramsci chamou de “hegemonia”, ou seja, a criação de consensos sociais que legitimem e naturalizem as relações de dominação, que em última instancia se garantirão sempre sobre a base dos aparelhos de coerção estatais ou paraestatais.
     Essas ferramentas com as quais a burguesia constrói sua hegemonia atuam dentro e fora da Universidade: desde os meios massivos de comunicação até os critérios de avaliação nas provas, passando por centenas de estratégias, mais ou menos eficazes.
     E, contra tudo isso, fazemos o nosso próprio trabalho de base. À  militância deles, nós nos contrapomos com nossas próprias estratégias de construção contra-hegemônica. A seu discurso único, totalizador, nos contrapomos com formas de concepções alternativas, com outras formas de nos relacionarmos com o mundo e no mundo, com nossos sonhos e com outra concepção do sujeito, um sujeito que pode decidir por si mesmo e incidir e transformar a realidade; algo completamente contrário ao papel que o capitalismo nos impõe, que oscila entre escolher em quem votar e/ou escolher o que comprar. Nosso trabalho de base busca desenvolver, portanto, uma função essencialmente pedagógica e uma prática libertadora.
 
Três momentos para o trabalho de base
      A efetividade do trabalho de base depende do grau de sistematização com que ele se desenvolve. Nesse sentido, podemos distinguir três momentos diferentes:
  1. Definição de objetivos
  É importante discutir previamente de forma coletiva o que se busca com cada ação, e em função disso avaliar as metodologias mais convenientes. É preciso ter claro os objetivos que se persegue com determinada ação ou metodologia de luta, mas também é necessário medir a correlação de forças de cada conjuntura e estabelecer um diagnóstico da base, ver o que a base está dizendo, não para impor um limite “objetivo” ao nosso discurso, mas sim para tomá-lo como um ponto de partida para a própria definição de objetivos.
  Cada atividade tem características próprias e aponta mais em um sentido ou em outro segundo os diferentes casos:  
Atividades de formação e disputa do conhecimento
      Esse tipo de atividades são as que, tendo bastante clareza de nossos objetivos, nos vão servir para problematizar com o estudante e questionar a formação que nos dá a Universidade, o conteúdo dos planos curriculares e a forma de ensino. São espaços que servem para desenvolver conteúdos alternativos, desde outra perspectiva ideológica e colocá-los em discussão. Da mesma forma, servem pra desenvolver a construção do conhecimento coletivo, em contraposição à “educação bancária”, na qual o aluno é considerado um recipiente vazio que precisa ser preenchido pelos saberes que o professor o transmitirá. É importante não subestimar a potencialidade dessas instâncias, além de fazer um acompanhamento das pessoas que participam, juntar e-mails para fazer uma lista, formar grupos de estudos, convidar para atividades semelhantes ou para ajudar a organizar alguma atividade. Sempre entendendo esse acompanhamento como um processo, no qual é necessário ir medindo concretamente cada caso particular e, com base na relação ou na referencia que cada um possa ter de nós, saber qual vai ser o próximo passo.
      Duas atividades que se podem enquadrar dentro desse grupo são os Estágios Interdisciplinares de Vivência (EIVs), como atividades vivenciais na qual se sensibiliza com a vida no campo e se observa as injustiças que os camponeses enfrentam diariamente; e, por outro lado, a disciplina de “Riquezas Naturais”, que permite problematizar não só a respeito da depredação das riquezas naturais, mas também sobre para quem está orientada a formação universitária que tipo de profissional queremos ser1.   
Atividades de referência massiva
     Servem para criar referência do coletivo no conjunto dos estudantes e para fazer a avaliação da base, de suas necessidades e de suas demandas; essas podem ser atividades de caráter mais corporativo2. É importante definir bem o enfoque do eixo a ser tradado, porque essas atividades podem ser um primeiro passo para o debate e podem ser o ponto de partida na hora de estabelecer pontes para as questões políticas, de caráter mais problematizador. Além disso, essas atividades servem para nos legitimarmos para os momentos que convidaremos às mobilizações, na hora de colocarmos alguns debates ou fazer quaisquer outros tipos de atividades. Por exemplo: desde um boletim eletrônico sobre assuntos da Universidade, passando pela luta pelos direitos dos estudantes, como revisão de provas e ofertas de horários alternativos para uma disciplina obrigatória, até o oferecimento de uma oficina sobre globalização ou qualquer tema mais amplo, que tenha relações com os assuntos estudados na Universidade. 
Metodologia de luta
      Metodologias de luta: é indispensável medir a correlação de forças e fazer uma avaliação da situação da base para tomar como ponto de partida no momento de estabelecer os objetivos que buscamos alcançar com alguma ação concreta. Se não medirmos corretamente a correlação de forças, corremos o risco de embarcarmos em lutas que terminem sendo sustentadas por pequenos grupos sem apoio de ninguém e, portanto, sem perspectivas de vitória. Desta maneira, apesar da legitimidade da reivindicação, nossa ação termina sendo contraproducente, já que contribui com a nossa deslegitimação perante nossa base, ao mesmo tempo em que se difunde um sentimento de derrota que supervaloriza a força do inimigo e enfraquece a confiança em nossas próprias forças.
      Com base nos objetivos definidos, se discute coletivamente qual é  a metodologia mais adequada. Aqui entra em jogo nossa criatividade, assim como na tarefa de difusão e propaganda, através da qual não só convocamos para uma determinada ação, mas também expomos nosso projeto político; por isso, é necessário estabelecer estratégias de comunicação que sejam coerentes com a realidade cotidiana e com a análise que fazemos da situação da base. 
  1. Escolha das metodologias
  Esse é um aspecto fundamental no trabalho de base, e que exige uma grande flexibilidade e atividade criativa, atitudes que lamentavelmente não abundam no âmbito da esquerda universitária. Isso é importantíssimo, porque uma metodologia que dá resultados em uma determinada situação pode deixar de servir posteriormente, o que exige que desenvolvamos sensibilidade que nos permita perceber as mudanças no contexto e que nos anime a oferecer propostas alternativas que venham a preencher os vazios. Isso tanto no que diz respeito às estratégias de difusão e comunicação (panfletos, cartazes, publicações, passadas em salas, nos corredores, correntes de e-mail, etc.), quanto no que diz respeito às próprias ações ou atividades para as quais convocamos. Podem existir, se nos propusermos a isso, outras formas de luta para além da trilogia assembléia / aulas públicas / marchas3. Mas para tudo isso precisamos de imaginação e de iniciativa política.
  Ainda que a escolha das metodologias seja algo que necessariamente tenha que relacionar-se diretamente com a análise de cada situação concreta, existem pelo menos três questões gerais para consideramos:
  1. As possibilidades de pensar os métodos mais convenientes a uma determinada conjuntura específica e de poder levá-las adiante na prática estão diretamente relacionadas com o tempo que tenhamos para fazer tudo isso. Por isso é importante desenvolver a capacidade de prever cenários e conjunturas e em função disso planificar os passos a serem seguidos, dividindo tarefas e responsabilidades entre os companheiros.
  2. Envolver a maior quantidade possível de estudantes independentes na organização das atividades e criar espaços que deixem saldos organizativos para o depois da luta propriamente dita (grupos de estudos, projetos específicos, listas de e-mail, publicações coletivas, etc.).
  3. Não absolutizar os métodos: a claridade nos objetivos permite flexibilidade nas táticas.

  1. Momento de avaliação
  As atividades devem terminar com um balanço coletivo do que foi feito. É preciso assumir isso com a maior capacidade de sistematização possível, porque é isso que nos permite tirar conclusões concretas sobre os acertos e os erros de determinada ação. É preciso reservar um tempo para o balanço das atividades e registrar isso de forma escrita, de maneira que se possa utilizar as conclusões no futuro. A aprendizagem valiosa que se consegue através do acúmulo de experiência requer a incorporação de duas coisas à nossa prática militante: primeiro a de sistematizar as conclusões e depois a de recorrer a elas sempre que necessário (não serve para nada registrar saberes se não recorrermos a eles no momento de tomarmos decisões a respeito das novas conjunturas que se apresentam). 
Vícios
- O militante separado do estudante
      Esse é um problema recorrente na militância universitária. Isso tem a ver com toda uma cultura e uma concepção instalada de que a “política” é algo afastado das pessoas comuns. É uma concepção completamente conveniente às classes dominantes e por isso devemos combatê-la. Mas também tem a ver com vícios próprios à militância, que reproduzimos ano após ano e que contribuem com esse distanciamento. Alguns desses vícios são:
  1. Falar em uma linguagem que ninguém entende
   Na vida cotidiana das organizações e nas discussões com companheiros de distintos setores os militantes vão aprendendo categorias de análises e criando uma série de jargões e códigos próprios. É muito comum naturalizar certas formas de expressão e esquecer-se que nem todo mundo entende o mesmo com relação a certas palavras ou categorias (por exemplo: “burocratização”, “capismo”, etc.).
  1. Pressupor conhecimentos que os estudantes não têm
   Muitas vezes escrevemos panfletos ou fazemos passagens em salas sem nos preocuparmos muito com a relação que existe entre o que dizemos e o nível de informação ou as possibilidades de compreensão que os sujeitos aos quais queremos nos direcionar. Assim, por exemplo, falamos da importância do “Diretório Central dos Estudantes” ou da participação nos “Conselhos de Entidades de Base” sem explicar o que são cada uma dessas coisas.
  1. Pleitear questões absolutamente alheias à realidade da base
Essa é uma questão chave e bastante complexa. Por um lado, é um erro convocar os estudantes a discutirem ou se mobilizarem por coisas que não lhes interessam sequer minimamente: não só seria como falar com as paredes, mas além disso contribuiríamos com a deslegitimação das razões de nossa luta. Nossa tarefa enquanto militantes populares é, por outro lado, problematizar coisas que no âmbito do senso comum não se questiona, que estão naturalizadas a respeito das quais não se vê, a princípio, nenhuma perspectiva de mudança. Dessa forma, às vezes é necessário falar de temas que não necessariamente importam imediatamente à maioria, e para isso é necessário saber gerar o interesse e a atenção dos estudantes aos quais nos dirigimos. Duas atitudes muito comuns atuam de forma contrária a esse objetivo: a ansiedade e a arrogância. Aqui é justamente onde está centrada a qualidade do trabalho de base: na sua dimensão pedagógica e criatividade com a que exercemos esse trabalho.
- Burocratização do trabalho de base: ações rotineiras sem objetivos claros
Às vezes existe uma tendência a reduzir o trabalho de base a uma série de passos rotineiros que se desenvolvem mais ou menos mecanicamente. Pregar cartazes no início do dia, panfletar durante os intervalos, passar em sala anunciando alguma atividade ou ficar no centro acadêmico esperando pelos estudantes para responder perguntas ou questões sobre carteirinhas de estudantes. Isso, por si só, não tem nada de errado, já que tudo depende dos objetivos que guiem essas práticas. Em momentos nos quais não estão claros coletivamente os objetivos de uma agrupação política, quando não existe uma apropriação do conjunto dos militantes a respeito do sentido do trabalho de base, surge uma concepção de “movimento de escritório”: são horas no centro acadêmico que se precisa cumprir, como um turno de trabalho, ou cumprir a passagem em sala em um número “x” de salas. O importante deixa de ser convocar para uma atividade ou transmitir uma idéia, e toda a intenção do militante passa a ser a de cumprir determinados objetivos mecânicos estabelecidos previamente. Nesse caso, o trabalho de base fica desvirtuado, porque ele fica deslocado do desejo do militante. Por isso, é muito importante ter clareza no sentido dos debates propostos e das atividades, e também que os processos de definição de objetivos gerem uma apropriação a nível coletivo.
- Menosprezar a sala de aula e o âmbito acadêmico como espaços de construção
     Dentro das salas de aula existem relações de poder e lógicas de transmissão e produção do conhecimento que nós, militantes, em geral conseguimos desnaturalizar e questionar. Entretanto, não podemos esquecer nunca que é o âmbito acadêmico o grande estruturante da socialização e da vida cotidiana dentro de cada faculdade. O interesse dos estudantes está posto principalmente em questões acadêmicas, as formas de reconhecimento estão regidas por parâmetros acadêmicos, ou seja, existe toda uma cultura acadêmica que organiza a vida universitária e que não podemos ignorar se queremos desenvolver uma construção política com inserção real na base.
  1. O militante que não estuda corre em enorme desvantagem para o trabalho de base
     Quanto maior é a mediocridade acadêmica, menor é a legitimidade que o militante tem entre seus colegas, e menor é sua credibilidade e capacidade de aproximação. Levar a sério o estudo (como parte da atividade militante, e não como um aspecto de sua vida privada) é uma condição básica para ter inserção entre os seus colegas. Isso tem a ver com as formas de reconhecimento que operam dentro da cultura acadêmica hegemônica, e vai para além dos conteúdos dos currículos (se são mais ou menos populares, mais ou menos progressistas, etc.). é o mesmo caso dos dirigentes sindicais: os que não são bons trabalhadores podem falar muito nas assembléias, mas não terão nenhuma capacidade de aproximação com os seus colegas (e isso apesar de que em uma fábrica capitalista trabalhar bem implica em aumentar a taxa de lucro do patrão).
  1. A mediocridade acadêmica dos militantes implica uma debilidade estratégica para a construção
Subestimar a disputa acadêmica significa abandonar a luta ideológica dentro da Universidade. A produção do conhecimento é a razão estratégica pela qual a classe dominante pretende controlar as Universidades, e para disputar os conteúdos dos planos curriculares é necessário formar-se: primeiro para saber o que se está criticando, e segundo para saber o que propor como alternativa. Se esse plano da construção não é sólido, o resto dos planos perdem o sentido: lutar para que entrem mais estudantes na Universidade sem se preocupar pelo tipo de formação que eles receberão implica deixar as coisas como estão; além disso, pode-se lutar pela democratização dos espaços institucionais, mas só conseguiríamos outorgar mais legitimidade a um sistema que produziria conhecimento em função dos mesmos interesses das classes dominantes.


segunda-feira, novembro 01, 2010

Eleições 2010 - 2° turno

           Nesse 1° de novembro o Brasil acordou diferente... Pela primeira vez na história do país, uma mulher é eleita presidenta! Como diz Lula "Nunca antes na história desse País". Bom, é cedo ainda pra comentar as atitudes dela nos próximas quatro anos. Mas algo que é bom fazer uma ressalva, é que essas eleições, em seu primeiro turno, mostrou que o Brasil está cansado dessa polarização  PSDB x PT. O que mostra isso é o grande número de abstenções, votos nulos e brancos, e os cerca de 20 milhões de votos da Marina Silva, que chegou quetinha, pequenininha e magrinha, mas que nas próximas eleições pode nos surpreender novamente. Creio que o Brasil, aos poucos, aos poucos mesmo, vai passando por um processo de amadurecimento, no mais tardar estaremos nas ruas gritando e lutando pelo voto facultativo, para que a "Democracia brasileira" seja um pouquinho melhor, pelo poder de escolha, do POVO.
          Aqui na Paraíba nada de tão novo, a vinte anos que estamos nessa polarização acirrada entre Maranhão x Cássio, Cássio x Maranhão e assim vai. A Paraíba é rachada literalmente. Com a vitória de Ricardo Coutinho, do PSB que surpreendeu os brasileiros esse ano, fica claro um novo ar que vamos poder respirar. Mas a bens que vem para os males, salvo engano! É fato que Ricardo Coutinho só se elegeu Governador da Paraíba devido a sua coligação e o apoio de Cássio Cunha Lima, que por sinal é extremamente contraditória e incoerente politicamente, sendo formada pelos Partidos: PSB, PSDB, DEM, PDT, PPS, PTC, PV, PTN e PRP. Ai fica uma pergunta que não quer calar: Ricardo recebeu "apoio" ou patrocínio? Até que ponto ele "vendeu sua alma" ao PSDB / DEM ? Só o tempo nos dirá.

quarta-feira, outubro 20, 2010

O diabo trapaceou Serra: tomou-lhe a alma sem dar nada em troca

ESCRITO POR CELSO LUNGARETTI   
19-OUT-2010

Após o insosso debate entre os presidenciáveis que a Rede TV e a Folha de S. Paulo promoveram no último domingo, fiquei com a impressão de que 2006 se repetiria: um grande esforço de última hora da mídia golpista evitando que a candidatura oficial decidisse a parada logo no 1º turno, mas não sendo suficiente para reverter o resultado anunciado.

Como Alckmin daquela vez, Serra não encontrou o mapa da mina. Marina Silva e o PIG lhe proporcionaram uma sobrevida, mas aproveitá-la para decolar são outros quinhentos.

Com carisma zero, não consegue fazer seus castelos nas nuvens valerem mais do que uma realidade palpável: as condições de vida dos pobres e dos muito pobres melhoraram sob o governo atual.

Então, independentemente de posturas ideológicas, o que deixa Serra num beco sem saída são a aprovação e popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A percepção do eleitor despolitizado é de que o Brasil evoluiu, daí ele encarar a tempestade de som e fúria dos demotucanos como tentativas de encontrarem pêlo num ovo que está dando certo. Portanto, significando nada.

Trata-se de uma sinuca de bico: não há factóide, propaganda enganosa e alarmismo que façam os eleitores  pés no chão mudarem seu voto.

O desejo da Veja, erigido em matéria de capa (!), é o de que a eleição fosse decidida em Minas Gerais, com Aécio Neves como fiel da balança. Dia 31 a revista aprenderá que jornalismo é algo mais do que expressão de desejos.

Uma mudança surpreendente do quadro só seria possível se Serra fosse um personagem eletrizante; mas, seu estilo é de quem está sempre explicando o óbvio a estudantes burrinhos. Não empolga ninguém.

Ora parece um mestre-escola alongando-se em repetições desnecessárias para martelar as lições na cabeça dos alunos, ora um guarda-livros a detalhar uma contabilidade que ele considera interessante e os demais, nem um pouco. Enfim, um chato de galochas, como se dizia antigamente.

O aborto (a palavra aqui cai muito bem...) da hipotética virada já começa a se evidenciar nas pesquisas eleitorais: a última do Datafolha mostrara um quadro estático e a nova do Vox Populi flagra subida de Dilma.

Pior que a derrota será a decepção causada por Serra àqueles que ainda acreditavam nele.

Aceitar o apoio e beneficiar-se da baixaria das correntes virtuais ultradireitistas, fazer promessas demagógicas como a do salário mínimo de R$ 600 e colocar uma questão religiosa no centro da campanha o deixou com a imagem de quem pisa até no pescoço da mãe para chegar à presidência.

O último a projetar tal imagem acabou morrendo na praia. E, convenhamos, fazia bem mais por merecer o ambicionado troféu.

Celso Lungaretti é jornalista e escritor.

sábado, outubro 16, 2010

Esta é Verdadeira ética do candidato José Serra. O Brasil precisa saber.

Que tal lembrar do currículo onde o Sr. José Serra (o novo Maluf) se diz engenheiro?http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/08/um-dos-curriculos-com-dados-falsos-de.html
Outro do alto escalão do governo José Serra cai na malha da Operação Castelo de Areia http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/12/outro-do-alto-escalao-do-governo-jose.html

José Serra já gastou mais de 1 BILHÃO em campanhas eleitorais

Bandalheira no Instituto Butantan em São Paulo (governo Serra)

O legado do José Serra na segurança pública de São Paulo http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/05/o-legado-do-jose-serra-na-seguranca.html


SP: policiais pagam do próprio bolso para delegacia ter internet http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/05/sp-policiais-pagam-do-proprio-bolso.html

Delegado de polícia relata método de gerenciamento do Serra na polícia http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/02/delegado-de-policia-relata-metodo-de.html

Mais podridão do governo Serra: quem disse que a corregedoria do estado de São Paulo não trabalha? http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/08/mais-podridao-do-governo-serra-quem.html

O verdadeiro caráter do Sr. José Serra revelado http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/01/o-verdadeiro-carater-do-sr-jose-serra.html




Sr. José Serra: obras mal feitas caem ou estragam rápido http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/11/sr-jose-serra-obras-mal-feitas-caem-ou.html


A boquinha do marido da deputada Célia Leão ( PSDB - Campinas ) no governo José Serra http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/07/boquinha-do-marido-da-deputada-celia.html

Educação: São Paulo no modesto 1.962º - o retrato da destruição do Serra/Kassab dos projetos da ex-prefeita Marta http://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/07/educacao-sao-paulo-no-modesto-1962-o.html

A máfia da merenda escolarhttp://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/a-mafia-da-merenda-escolar/

Compare os investimentos em educação em São Paulo e no Brasilhttp://chicaodoispassos.blogspot.com/2010/03/compare-os-investimentos-em-educacao-em.html


Como Serra e o PSDB pretendiam destruir a Petrobras para justificar a privatizaçãohttp://fatosedados.blogspetrobras.com.br/?p=30722