segunda-feira, janeiro 19, 2015

A Esquerda Fundamentalista

A Esquerda Fundamentalista




Shellen Galdino*


"A revolução proletária é um longuíssimo processo histórico" Gramsci



Fundamentalismo:
 é o termo usado para se referir à crença na interpretação literal dos livros sagrados. Fundamentalistas são encontrados entre religiosos diversos e pregam que os dogmas de seus livros sagrados sejam seguidos à risca.

Em tempos de fundamentalismo religioso exarcebado (que não começou em 2015, para quem não sabe), vale dizer que o fundamentalismo está por todos os lados: na economia, na cultura, na política, na teoria, na religião, nas ideias, no modo de ser etc.

Assim, vale dizer que existe também na esquerda, a que trata-se da Esquerda Fundamentalista.

O que são? Como vivem? O que pensam? Como fazem? Bem, não cabe uma reflexão sobre todos esses elementos aqui (podemos deixar isso para o Globo Repórter), mas cabe dizer que esses xiitas existem e tão por aí disputando ideias (ao menos tentando).

De todo modo, cabe aqui fazer algumas enumerações dessa curiosa parcela da esquerda e suas características principais. Se você ver um desse, não precisa denunciar né.

Mas, antes de tudo, não confundir esse meu texto com sectarismo ou desvio.


1) Esquerdômetro

Esse aparelho foi uma invenção da corrida armamentista da Guerra Fria entre EUA x URSS. Com esse fantástico aparelho (que pode ser adquirido pelo Pollishop) a esquerda fundamentalista detecta quem é ou não de esquerda de VERDADE. Porque a esquerda fundamentalista realizou um Congresso Internacional e se declarou A ESQUERDA OFICIAL. Somente a mesma é capaz de definir se você é ou não de esquerda.

Vale deixar claro que a esquerda fundamentalista também adquiriu no mercado vermelho a patente da esquerda. Não pense que você pode se declarar de esquerda por aí, tem que passar antes pelo crivo dos dirigentes de verdade.


2) Somente a Verdade, nada mais que a Verdade

Isso mesmo, a verdade tem dono. Nem pense que o que você pensa é verdade, pois somente a prática é critério definidor de verdade. A esquerda fundamentalista, por ser privilegiada, conseguiu entrar em contato direito com Karl Marx (via Call center [sic]) e somente ela é capaz de fazer uma interpretação da realidade, tudo que for de fora ou do contra é ilusão burguesa.



3) A culpa é do PT

Isso mesmo, para que falar mais alguma coisa? A frase fala por si só. O governismo, a doença infantil dos petistas. Traidores da classe trabalhadora e agora aliados da burguesia. Pelegos, vendidos, corruptos, enfim, adjetivo não falta. Uma farsa e uma tragédia da história que representam a decadência ideológica da burguesia (mesmo isso ter sido em 1848).


4) Solidariedade, pero no mucho

Solidariedade em tempos da ordem do Capital deve ser moderada. Para a esquerda fundamentalista a ditadura cubana castrista sempre foi uma farsa, e Che Guevara um agente da CIA que nunca leu Marx.

Igualmente ocorre com a Venezuela, Bolívia, Uruguai... são todas falsificações da realidade burguesa, e alidos a CIA, exemplo maior disso é o bolivarianismo. Chavéz nunca foi de esquerda, e sua morte foi uma forma de entregar o petróleo aos Estados Unidos da América contra os trabalhadores.




5) Revolução: amanhã, às 8h.

Se prepare, vista sua roupa, pegue sue fuzil e sua camisa da foice e do martelo porque para a esquerda fundamentalista a revolução tem hora marcada. A revolução tem dia D. Para essa esquerda, a revolução é eminente e notória, só você que ainda não percebeu. Essa esquerda tem o imaginário de que a revolução é uma grande catástrofe que deixa o sistema capitalista em grandes escombros, é algo caótico, nebuloso. Viva a insurreição, ops, digo, viva a revolução. Bem, dá no mesmo para o P.E.F (Partido da Esquerda Fundamentalista).

Com certeza, isso deve ser fruto do blanquismo ou de alguma teoria da conspiração. Em resumo, para eles, revolução é guerra civil, e ocorrerá de forma súbita e violenta.


6) Leia Marx, mas não muito

Isso, tem que ler, mas não tem que necessariamente entender. E se ler, não precisa ler tudo, leia um ou outro. No máximo temos que ler mesmo Stalin ou Moreno. Porque revolucionário não tem tempo de ler, tem que se preparar para a guerrilha, participar de todos os atos, disputar as direções. Basta comprar o livro de Marx e deixar na prateleira. Para o P.E.F, se aprende Marx por osmose ou na prática mesmo.

A teoria do valor/trabalho estava aqui o tempo todo só você não viu. Mas, não generalizarei aqui. Existem alguns que leem de verdade, mas é a minoria “academicista”.


7) Alienado é você

Sim, caso você não compreenda bem o que eles tem a dizer para salvar o mundo da burguesia, o alienado é você. Somente eles conseguiram escapar das correntes da caverna (lembre-se do Mito da Caverna de Platão). Assim, se você acredita nessa grande ilusão burguesa, é um pequeno-burguês ou um alienado. Afinal, não tem nada a ver com um refluxo da luta de classes, uma crise do “socialismo real” ou em uma possível deficiência de organizações coletivas que geralmente eles dirigem. Mas se acalme, eles nos salvará.


8) Valores sagrados

Sim, toda esquerda fundamentalista que se preze tem que ter guardado os seus valores, que garantirá seu lugar ao céu, ops, ao sol.

  • Não consumirás; (não muito)
  • Não pelegarás; (para não ser confundido com o PT traidor)
  • Não dormirá até tarde; (porque a revolução começa logo cedo)
  • Não dê bom dia pro companheiro do outro partido; (porque pode ser confundido com aliança)

Você conseguindo vencer as tentações e ao menos se manter na moral de não cometer os vícios acima estará cada vez mais perto de se tornar um verdadeiro dirigente. Livre-se da culpa cristã, mas não muito. Mas mantenha a luz dos verdadeiros dirigentes capazes, e somente eles, de compreender a real dominação burguesa sobre a massa da população.


*Marxista e de esquerda.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

MODELO de pré-projeto ou anteprojeto de pesquisa para seleção de Mestrado

Como trata-se de um pré-projeto, ou seja, uma proposta para a banca de seleção, só é necessário alguns itens. Mas a depender da banca de seleção, esses itens podem variar, então, é bom ler com bastante atenção o edital da referida seleção.

O modelo aqui apresentado coloca apenas os pontos principais, assim, não trata-se de um projeto completo, mas uma proposta. Aqui, o modelo consta com 12 páginas.






UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA



CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL






ANTEPROJETO DE PESQUISA





TÍTULO:
subtítulo, se houver



NOME COMPLETO



Linha de Pesquisa: Estado, Direitos Sociais e Políticas Sociais (exemplo)








João Pessoa/PB
2014


quarta-feira, janeiro 14, 2015

Filmografia sobre o Nazismo - 10 filmes imperdíveis

Existem diversos filmes: ação, ficção, animação, romance, documentário... mas sem dúvidas, os melhores são aqueles que falam da história da humanidade, de seu lado mais belo e também sombrio.

Tratando-se da temática nazismo, a lista é repleta de bons filmes para compreender esse trágico momento que a humanidade vivenciou. Milhões de pessoas foram brutalmente assassinadas, julgadas, perseguidas por serem judeus, negros, ciganos, homossexuais, comunistas... colocados à margem por serem julgados inferior pelos superiores arianos, no caso no nazismo, sob o comando de Adolf Hitler, na Alemanha.

Segue a lista:

1. A Menina que roubava livros (2014)


Adaptação de A Menina que Roubava Livros, do australiano Markus Zusak, o filme acompanha a história de Liesel Meminger (interpretada pela canadense Sophie Nélisse. Durante a Segunda Guerra Mundial, Liesel e seu irmão são deixados pelos pais e adotados por um casal vivido por Geoffrey Rush e Emily Watson O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. Ela aprende a ler com o incentivo de sua nova família e Max, um judeu refugiado que eles escondem baixo às escada. Para Liesel e Max, o poder das palavras e da imaginação se transformam em escape dos tumultuosos eventos que acontecem ao seu redor. Em meio ao caos, a jovem encontra refúgio na literatura para sobreviver. Ajudada por seu pai adotivo, ela passa a roubar livros e descobrir neles a esperança perdida durante a guerra.





2. O menino do pijama listrado (2008)

Baseado em um best-seller do mesmo nome, a história narra sobre Bruno (Asa Butterfield), que tem 8 anos e é filho de um oficial do exército alemão que assume um posto de extrema importância no interior da Alemanha nos anos 40. Isto faz com que sua família deixe Berlim e se mude para uma área desolada, onde não há muito o que fazer. Em um de seus frequentes passeios, ele conhece Shmuel (Jack Scanlon), um garoto com mesma idade dele e que sempre está com um pijama listrado. Bruno passa a visitá-lo frequentemente, fazendo surgir entre eles uma amizade inesquecível que tocará os corações de todos.








3. A lista de Schindler (1993)

A história real ronda em torno do alemão Oskar Schindler, que viu na mão-de-obra judia uma solução barata e viável para lucrar com negócios durante a guerra. Com sua forte influência dentro do partido nazista, foi fácil conseguir as autorizações e abrir uma fábrica. O que poderia parecer uma atitude de um homem não muito bondoso transformou-se em um dos maiores casos de amor à vida da História, quando este alemão abdicou de toda sua fortuna para salvar a vida de mais de mil judeus, em plena luta contra o extermínio alemão.









4. A vida é bela (1997)


Na Itália dos anos 40, Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.














5. A queda! As últimas horas de Hitler (2004)

Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) trabalhava como secretária de Adolf Hitler (Bruno Ganz) durante a 2ª Guerra Mundial. Ela narra os últimos dias do líder alemão, que estava confinado em um quarto de segurança máxima.
















6. O grande ditador (1940)

Charles Chaplin faz dois personagens: Adenoyd Hynkel, um ditador alemão muito parecido com Hitler; e um barbeiro judeu quase sósia do ditador. A coincidência faz os dois serem confundidos. O filme é principalmente uma paródia sobre Hitler e o nazismo, mas ataca também Mussolini e o fascismo. Com inteligência, Chaplin reveza o humor com tristes imagens de um gueto aterrorizado por tropas inimigas. É aqui que existe a clássica cena de Chaplin/Hynkel brincando com o globo terrestre. 












7.  O diário de Anne Frank (2009)

A história real de Anne Frank, uma garota judia de 13 anos que ficou escondida com a família durante a ocupação nazista da Holanda. A partir de seu diário, acompanhamos a coragem de uma família e de um povo diante da barbárie do Holocausto.















8. O pianista (2002)

O pianista polonês Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody) interpretava peças clássicas em uma rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas caíram sobre a cidade, em 1939. Com a invasão alemã e o início da 2ª Guerra Mundial, começaram também restrições aos judeus poloneses pelos nazistas. Inspirado nas memórias do pianista, o filme mostra o surgimento do Gueto de Varsóvia, quando os alemães construíram muros para encerrar os judeus em algumas áreas, e acompanha a perseguição que levou à captura e envio da família de Szpilman para os campos de concentração. Wladyslaw é o único que consegue fugir e é obrigado a se refugiar em prédios abandonados espalhados pela cidade, até que o pesadelo da guerra acabe.






9. A escolha de Sofia (1982)

Em 1947 Stingo (Peter MacNicol), um jovem aspirante a escritor vindo do sul, vai morar no Brooklyn na casa de Yetta Zimmerman (Rita Karin), que alugava quartos. Lá conhece Sofia Zawistowska (Meryl Streep), sua vizinha do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin Kline), seu namorado, um carismático judeu dono de um temperamento totalmente instável. Em pouco tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a menor idéia dos segredos que Sofia esconde nem da insanidade de Nathan.









10. A Onda (2008)

Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Žižek: Pensar o atentado ao Charlie Hebdo


É agora – quando estamos todos em estado de choque depois da carnificina na sede do Charlie Hebdo – o momento certo para encontrar coragem para pensar. Agora, e não depois, quando as coisas acalmarem, como tentam nos convencer os proponentes da sabedoria barata: o difícil é justamente combinar o calor do momento com o ato de pensar. Pensar quando o rescaldo dos eventos esfriar não gera uma verdade mais balanceada, ela na verdade normaliza a situação de forma a nos permitir evitar as verdades mais afiadas.
Pensar significa ir adiante do pathos da solidariedade universal que explodiu nos dias que sucederam o evento e culminaram no espetáculo de domingo, 11 de janeiro de 2015, de grandes nomes políticos ao redor do globo de mãos dadas, de Cameron a Lavrov, de Netanyahu a Abbas – a imagem mais bem acabada de falsidade hipócrita. O verdadeiro gesto Charlie Hebdo seria ter publicado na capa do semanário uma grande caricatura brutalmente e grosseiramente tirando sarro desse evento, com cartuns de Netanyahu e Abbas, Lavrov e Cameron, e outros casais se abraçando e beijando intensamente enquanto afiam facas por trás de suas costas.
Devemos, é claro, condenar sem ambiguidade os homicídios como um ataque contra a essência da nossa liberdade, e condená-los sem nenhuma ressalva oculta (no estilo de “Charlie Hebdo estava todavia provocando e humilhando os muçulmanos demais da conta”). Devemos também rejeitar toda abordagem calcada no efeito mitigante do apelo ao “contexto mais amplo”: “os irmãos terroristas eram profundamente afetados pelos horrores da ocupação estadunidense do Iraque” (OK, mas então por que não simplesmente atacaram alguma instalação militar norte-americana ao invés de um semanário satírico francês?), ou “muçulmanos são de fato uma minoria explorada e escassamente tolerada” (OK, mas negros afro-descendentes são tudo isso e mais e no entanto não praticam atentados a bomba ou chacinas), etc. etc. O problema com tal evocação do complexo pano de fundo é que ele pode muito bem ser usado a propósito de Hitler: ele também coordenou uma mobilização diante da injustiça do tratado de Versalhes, mas no entanto era completamente justificável combater o regime nazista com todos os meios à nossa disposição. A questão não é se os antecedentes, agravos e ressentimentos que condicionam atos terroristas são verdadeiros ou não, o importante é o projeto político-ideológico que emerge como reação contra injustiças.
Nada disso é suficiente – temos que pensar adiante. E o pensar de que falo não tem absolutamente nada a ver com uma relativização fácil do crime (o mantra do “quem somos nós ocidentais, que cometemos massacres terríveis no terceiro mundo, para condenar atos como estes?”). E tem menos ainda a ver com o medo patológico de tantos esquerdistas liberais ocidentais de sentirem-se culpados de islamofobia. Para estes falsos esquerdistas, qualquer crítica ao Islã é rechaçada como expressão da islamofobia ocidental: Salman Rushdie foi acusado de ter provocado desnecessariamente os muçulmanos, e é portanto responsável (ao menos em parte) pelo fatwa que o condenou à morte etc.
O resultado de tal postura só pode ser esse: o quanto mais os esquerdistas liberais ocidentais mergulham em seu sentimento de culpa, mais são acusados por fundamentalistas muçulmanos de serem hipócritas tentando ocultar seu ódio ao Islã. Esta constelação perfeitamente reproduz o paradoxo do superego: o quanto mais você obedece o que o outro exige de você, mais culpa sentirá. É como se o quanto mais você tolerar o Islã, tanto mais forte será sua pressão em você…
É por isso que também me parecem insuficientes os pedidos de moderação na linha da alegação de Simon Jenkins (no The Guardian de 7 de janeiro) de que nossa tarefa é “não exagerar a reação, não sobre-publicizar o impacto do acontecimento. É tratar cada evento como um acidente passageiro do horror” – o atentado ao Charlie Hebdo não foi um mero “acidente passageiro do horror”. Ele seguiu uma agenda religiosa e política precisa e foi como tal claramente parte de um padrão muito mais amplo. É claro que não devemos nos exaltar – se por isso compreendermos não sucumbir à islamofobia cega – mas devemos implacavelmente analisar este padrão.
O que é muito mais necessário que a demonização dos terroristas como fanáticos suicidas heroicos é um desmascaramento desse mito demoníaco. Muito tempo atrás, Friedrich Nietzsche percebeu como a civilização ocidental estava se movendo na direção do “último homem”, uma criatura apática com nenhuma grande paixão ou comprometimento. Incapaz de sonhar, cansado da vida, ele não assume nenhum risco, buscando apenas o conforto e a segurança, uma expressão de tolerância com os outros: “Um pouquinho de veneno de tempos em tempos: que garante sonhos agradáveis. E muito veneno no final, para uma morte agradável. Eles tem seus pequenos prazeres de dia, e seus pequenos prazeres de noite, mas tem um zelo pela saúde. ‘Descobrimos a felicidade,’ dizem os últimos homens, e piscam.”
Pode efetivamente parecer que a cisão entre o Primeiro Mundo permissivo e a reação fundamentalista a ele passa mais ou menos nas linhas da oposição entre levar uma longa e gratificante vida cheia de riquezas materiais e culturais, e dedicar sua vida a alguma Causa transcendente. Não é esse o antagonismo entre o que Nietzsche denominava niilismo “passivo” e “ativo”? Nós no ocidente somos os “últimos homens” nietzschianos, imersos em prazeres cotidianos banais, enquanto os radicais muçulmanos estão prontos a arriscar tudo, comprometidos com a luta até sua própria autodestruição. O poema “The Second Comming” [O segundo advento], de William Butler Yeats parece perfeitamente resumir nosso predicamento atual: “Os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores são cheios de intensidade apaixonada”. Esta é uma excelente descrição da atual cisão entre liberais anêmicos e fundamentalistas apaixonados. “Os melhores” não são mais capazes de se empenhar inteiramente, enquanto “os piores” se empenham em fanatismo racista, religioso e machista.
No entanto, será que os fundamentalistas religiosos realmente se encaixam nessa descrição? O que obviamente lhes carece é um elemento que é fácil identificar em todos os autênticos fundamentalistas, dos budistas tibetanos aos amistas nos EUA: a ausência de ressentimento e inveja, a profunda indiferença perante o modo de vida dos não-crentes. Se os ditos fundamentalistas de hoje realmente acreditam que encontraram seu caminho à Verdade, por que deveriam se sentir ameaçados por não-crentes, por que deveriam invejá-los? Quando um budista encontra um hedonista ocidental, ele dificilmente o condena. Ele só benevolentemente nota que a busca do hedonista pela felicidade é auto-derrotante. Em contraste com os verdadeiros fundamentalistas, os pseudo-fundamentalistas terroristas são profundamente incomodados, intrigados, fascinados pela vida pecaminosa dos não-crentes. Tem-se a sensação de que, ao lutar contra o outro pecador, eles estão lutando contra sua própria tentação.
É aqui que o diagnóstico de Yeats escapa ao atual predicamento: a intensidade apaixonada dos terroristas evidencia uma falta de verdadeira convicção. O quão frágil a crença de um muçulmano tem de ser para ele se sentir ameaçado por uma caricatura besta em um semanário satírico? O terror islâmico fundamentalistanão é fundado na convicção dos terroristas de sua superioridade e em seu desejo de salvaguardar sua identidade cultural-religiosa da investida da civilização global consumista.
O problema com fundamentalistas não é que consideramos eles inferiores a nós, mas sim que eles próprios secretamente se consideram inferiores. É por isso que nossas reafirmações politicamente corretas condescendentes de que não sentimos superioridade alguma perante a eles só os faz mais furiosos e alimenta seu ressentimento. O problema não é a diferença cultural (seu esforço para preservar sua identidade), mas o fato inverso de que os fundamentalistas já são como nós, que eles secretamente já internalizaram nossas normas e se medem a partir delas. Paradoxalmente, o que os fundamentalistas verdadeiramente carecem é precisamente uma dose daquela convicção verdadeiramente “racista” de sua própria superioridade.
As recentes vicissitudes do fundamentalismo muçulmano confirmam o velhoinsight benjaminiano de que “toda ascensão do fascismo evidencia uma revolução fracassada”: a ascensão do fascismo é a falência da esquerda, mas simultaneamente uma prova de que havia potencial revolucionário, descontentamento, que a esquerda não foi capaz de mobilizar.
E o mesmo não vale para o dito “islamo-fascismo” de hoje? A ascensão do islamismo radical não é exatamente correlativa à desaparição da esquerda secular nos países muçulmanos? Quando, lá na primavera de 2009, o Taliban tomou o vale do Swat no Paquistao, o New York Times publicou que eles arquitetaram uma “revolta de classe que explora profundas fissuras entre um pequeno grupo de proprietários abastados e seus inquilinos sem terra”. Se, no entanto, ao “tirar vantagem” da condição dos camponeses, o Taliban está “chamando atenção para os riscos ao Paquistão, que permanece em grande parte feudal”, o que garante que os democratas liberais no Paquistão, bem como os EUA,  também não “tirem vantagem” dessa condição e procurem ajudar os camponeses sem terra? A triste implicação deste fato é que as forças feudais no Paquistão são os “aliados naturais” da democracia liberal…
Mas como ficam então os valores fundamentais do liberalismo (liberdade, igualdade, etc.)? O paradoxo é que o próprio liberalismo não é forte o suficiente para salvá-los contra a investida fundamentalista. O fundamentalismo é uma reação – uma reação falsa, mistificadora, é claro – contra uma falha real do liberalismo, e é por isso que ele é repetidamente gerado pelo liberalismo. Deixado à própria sorte, o liberalismo lentamente minará a si próprio – a única coisa que pode salvar seus valores originais é uma esquerda renovada. Para que esse legado fundamental sobreviva, o liberalismo precisa da ajuda fraterna da esquerda radical. Essa é a única forma de derrotar o fundamentalismo, varrer o chão sobre seus pés.
Pensar os assassinatos de Paris significa abrir mão da auto-satisfação presunçosa de um liberal permissivo e aceitar que o conflito entre a permissividade liberal e o fundamentalismo é essencialmente um falso conflito – um ciclo vicioso de dois polos gerando e pressupondo um ao outro. O que Max Horkheimer havia dito sobre o Fascismo e o capitalismo já nos anos 1930 – que aqueles que não estiverem dispostos a falar criticamente sobre o capitalismo devem se calar sobre o fascismo – deve ser aplicada também ao fundamentalismo de hoje: quem não estiver disposto a falar criticamente sobre a democracia liberal deve também se calar sobre o fundamentalismo religioso.
* Texto enviado pelo autor ao Blog da Boitempo. A tradução é de Artur Renzo. Uma versão encurtada deste artigo foi publicada em inglês no New Statesman em 10 de janeiro de 2015.

domingo, janeiro 11, 2015

Programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos
Síntese 2014:
Numero total de médicos = 14.462
Desistentes durante ao ano de 2014= 174
Numero de  médicos Brasileiros que participam do programa= 1.846
Desistentes brasileiros = 144 - 7,2% do total da categoria
Intercambistas (estrangeiros ou brasileiros formados no estrangeiro)= 1.187
Intercambista Desistentes = 11- 5,5% do total da categoria
MÉDICOS Intercambistas CUBANOS, através da OPAS = 11.429
Cubanos desistentes = 19 0,16% do total de médicos cubanos.
MUNICÍPIOS brasileiros atendidas= 3.785
População brasileira total atendida no ano= 54,7 milhões (aproximadamente).


Carlos Nelson Coutinho | A dualidade de Poderes

SOBRE O AUTOR

Carlos Nelson Coutinho foi um importante intelectual e ensaísta brasileiro. O mesmo nasceu na Bahia, no ano de 1943. O mesmo concluiu o curso de bacharelado em filosofia pela Universidade Federal da Bahia esse tornou depois professor de livre-docência na Universidade Federal do Rio de Janeiro, estado e se, que ganhou o coração do baiano. Ministrou ao longo de sua carreira cursos de Teoria Política e Formação Social do Brasil, principal no programa de pós-graduação em Serviço Social da UFRJ.

O marxista polêmico, se consagrou através de seus pertinentes ensaios, principalmente através dos estudos do italiano e comunista Antônio Gramsci, sendo um de seus principais tradutores e interpretes no Brasil.

Carlos Nelson, ao sempre trazer uma forma inovadora e crítica do marxismo (sem deixar de ser segundo ele ortodoxo) inovou o pensamento marxista brasileiro, ao lado de diversos outros intelectuais. A sua prioridade era pois, a discussão do marxismo e da política. Pois, segundo o mesmo, trata essa de uma esfera importante da luta de classes, inclusive por sua relativa autonomia.

Além de trazer a forma crítica, propositiva e inovadora do marxismo-gramsciano ao Brasil, sempre aliando esses estudos a proposta luckácsiana, abriu novos caminhos para o pensamento e a teoria social de Marx, assim como, o que ele sempre lembrava, a necessária compreensão do método em sua ortodoxia, mesmo compreendendo o marxismo como uma obra em aberto, e daí, sua atualidade. E o ainda, com pitadas de Poulantzas, além de Marx e Engels, claro.

E não pouco, Carlos Nelson Coutinho trouxe para o marxismo brasileiro a importante tarefa de discutir enfaticamente o que ele chamava de “questão democrática”, no qual ele lucidamente considerava a democracia como valor historicamente universal. Um tema polêmico, e até hoje deixado a revelia por parte da intelectualidade marxista, talvez, por erros metodológicos, e ora, por erros políticos.

Entre suas notáveis obras, destaca-se Gramsci. Um estudo sobre seu pensamento político (1989), Cultura e sociedade no Brasil (1990), Democracia e socialismo: questões de princípios & contexto brasileiro (1992), Estruturalismo e a miséria da razão e Marxismo e politica, em que sem encontra o ensaio aqui estudado, a dualidade de poderes.

No ensaio referido no título, Carlos Nelson traz importantes categorias de análise para a sua necessária renovação (sendo, nas palavras do autor, indissoluvelmente conservação, eliminação e renovação), o que, segundo o autor, Hegel buscou definir pela expressão Aufhebung. Entre elas, nesse ensaio, destaca-se Estado e Revolução, e seus principais conceitos, e a articulação com a questão da transição.

No mais, perdemos esse grande interlocutor, no recente ano de 2012. Segundo Gramsci, vale a pena viver quando se é comunista. Para Carlos Nelson valeu, deixou o seu melhor, um legado e uma história. As ideias nunca morrem, não por acaso, permanece o legado da “hegemonia como contrato”, um projeto, que Jaldes Meneses (2012) entre outros chamaram de “audacioso”, e, não há como negar tal fato. Viva a audácia, ela não nos permite o esquecimento.


SÍNTESE DO ENSAIO

A centralidade do ensaio "A dualidade de poderes" é realizar um “Estado da Arte” sobre a dualidade dos poderes, desde Marx e Engels, passando por Lenin e Trotski, até Gramsci, Togliati e Poulantzas, passando também pelo marxismo austríaco (austro-marxismo).

O objetivo do autor é demostrar como concretamente o Estado se ampliou, e assim as concepções também devem se ampliar, sendo na concepção do mesmo a escola gramsciana e mais precisamente as contribuições de Nicos Poulantzas fundamentais para essa compreensão de Estado, e assim, em consequência de uma estratégia revolucionária condizente com essa ampliação concreta de Estado.

Conforme Poulantzas:


O Estado […] não deve ser considerado uma entidade em si, mas - do mesmo modo como, de resto, deve ser feito com o 'capital' – como uma relação; mais exatamente, como a condensação material de uma correlação de forças entre classes e frações de classe, tal como essa se expressa, sempre de modo específico, no seio do Estado. (Poulantzas, 1978 apud Coutinho, 2008, p. 65)

Assim, em resumo o mesmo coloca a problemática da conservação x renovação na transição, ou seja, do papel da dualidade de poderes. Para isso, o autor coloca as duas principais concepções de Estado e Revolução no pensamento marxista. Assim, a forma de conceber o Estado teria em suma concepções mais “restritas” ou “amplas”, e disso partiria a elaboração de diferentes paradigmas de revolução socialista, respectivamente “explosiva” e “processual”.

Está também na questão do debate o papel da democracia na construção do socialismo, desde que se analise e tenha como central a ortodoxia do método em Marx e os próprios limites do liberalismo, e esse movimento deve ser constante de superações dialéticas.

Assim, podemos dizer que a concepção de Carlos Nelson Coutinho, é de que existe a possibilidade de “Dualidade de Poderes”, essa entendida como um misto de democracia representativa e democracia direta, para chegada ao socialismo, tendo em vista a ampliação do Estado e uma concepção processual da Revolução.

O debate central das possibilidades da Dualidade de Poderes em sociedade do tipo “ocidental”, também sustenta a tese do autor de Democracia como valor historicamente universal. E, de uma hipótese, de hegemonia como contrato.1

Assim, o polêmico intelectual brasileiro, dá uma enorme e polêmica contribuição para superação dialética marxiana de análise da realidade, principalmente na análise no que se refere à realidade brasileira, principalmente a partir do legado gramsciano, com outras categorias como revolução passiva, transformismo, bloco histórico, guerra de posição, entre outros.

Entre outros conceitos chaves para Gramsci, destaca-se a questão da hegemonia, e isso envolve relações de força e consenso, entre a sociedade civil e o Estado coerção, que são mais uma separação didática do que concreta na realidade.


As duas funções estatais, de hegemonia ou consenso e de dominação ou coerção, existem em qualquer forma de Estado moderno, mas o fato de que um Estado seja menos coercitivo e mais consensual (ou que se imponha menos pela dominação e mais pela hegemonia) ou vice-versa, isso irá depender sobretudo do grau de autonomia relativa das esferas, bem como da predominância no Estado em questão dos aparelhos pertencentes a uma ou a outra. E essa predominância, por sua vez, depende não apenas do grau de socialização da política alcançado pela sociedade em tela, mas também da correlação de forças entre as classes que disputam a “supremacia” (Coutinho, 2008, p. 57)

De todo modo, se o Estado se ampliou no século XX e XXI, poderíamos permanecer com as mesmas análises do século XIX? Metodologicamente, seria um equívoco. Politicamente, uma derrota. Creio, que essa foi a mensagem principal desse ensaio para o marxismo, principalmente o “marxismo-leninismo”.

Concluindo com uma citação polêmica:

Se as condições mudaram na guerra entre povos, não mudaram menos para a luta de classe. Passou o tempo dos golpes de surpresa, das revoluções executadas por pequenas minorias conscientes à frente das massas inconscientes. Onde quer que se trate de transformar completamente a organização da sociedade, cumpre que as próprias massas nisso cooperem, que já tenham elas próprias compreendido de que se trata, o motivo pelo qual dão seu sangue e sua vida. Mas para que as massas compreendam o que é necessário fazer é preciso um trabalho longo e perseverante (Engels apud Coutinho, p. 26)




1 Ver: Meneses, Jaldes. Carlos Nelson Coutinho: hegemonia como contrato. Serv. Soc. Soc.[online]. 2013, n.116, pp. 675-699. ISSN 0101-6628.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-66282013000400006. 


Cite esta resenha:

GALDINO, S. B. Carlos Nelson Coutinho: a dualidade de poderes (resenha crítica). Disponível em: < http://plaggiado.blogspot.com.br/2015/01/carlos-nelson-coutinho-dualidade-de.html >. Acesso em xdia x mês x ano.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

A tese do sincretismo | Resenha crítica da obra Capitalismo Monopolista e Serviço Social - José Paulo Netto

A tese do sincretismo

NETTO, José Paulo. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2009. 5 ed.


Esse livro trata-se uma obra-prima obrigatória aos estudiosos das ciências humanas, do marxismo, e principalmente do Serviço Social. O consagrado José Paulo Netto neste livro que trata-se de parte da sua tese de doutorado (a outra parte está em Ditadura e Serviço Social) eleva a produção do conhecimento sobre o Serviço Social assim como avança em ideias fundamentais: o sincretismo (na prática, na ideologia e na "ciência"), do papel do Estado, do Capitalismo Monopolista, das políticas sociais e a sua relação com o Serviço Social, assim, trata-se de uma notável contribuição da tradição marxista que extrapola o próprio Serviço Social.


Na primeira parte do livro o autor faz críticas densas e radicais ao Estado e o capitalismo monopolista (Estado, capital interno e capital estrangeiro) que se desenvolve no mundo e no Brasil. Sem dúvidas, com as contribuições de Marx, Engels, Lenin e Lukács (este último do qual é um grande conhecedor, assim como Marx) a crítica ao Estado se torna uma ferramenta fundamental para compreender os marcos da sancionada atuação do Serviço Social na chamada "questão social" e dos próprios limites históricos e sociais da intervenção e de seu "tratamento".


A meu ver, como pertencente ao campo da economia política, a crítica ao Estado se torna um pouco parcial, embora verídica. Nesse sentido, acredito que as funções políticas e a relativa autonomia do Estado e seu impacto na vida concreta do ser social deveria ter sido explorado mais as contradições, principalmente se tivesse ocorrido mais mediações com o capitalismo brasileiro. 


Nesse sentido, destaco a contribuição de Gramsci (a partir das categorias revolução passiva, transformismo etc) e de Carlos Nelson Coutinho no seu polêmico artigo consagrado "A dualidade dos poderes", no qual problematiza algumas análises sobre o Estado, a partir do sue próprio desenvolvimento e ampliação no século XX, e assim no nosso caso, no século XXI. 

Nesse sentido, a contribuição de Nicos Poulantzas é a meu ver bem sintética e problematiza a questão, em que afirma que o Estado é comitê executivo da burguesia, mas não só isso, é também condensação material das forças em presença, assim em relação e “mais exatamente como a condensação material de uma relação de forças entre classes e frações de classe, tal como ele expressa, de maneira sempre específica, no seio do Estado” (1980: 47).

Na segunda parte, José Paulo Netto inicia a sua análise sobre o Serviço Social, a partir da sua tese central da estrutura sincrética dessa profissão. Sem dúvidas, assim como a primeira parte, se trata de uma parte bem densa do livro, no qual é preciso muito cuidado e atenção, inclusive nas diversas notas de roda pé.


A estrutura sincrética para o autor estaria assim em vários âmbitos da profissão, principalmente na prática indiferenciada e se expressaria também como sincretismo ideológico e sincretismo científico.Entre diversas problematizações, é notável a contribuição do autor no que tange a ligação do sincretismo com o ecletismo teórico.


Netto também traça a constituição do Serviço Social no âmbito da modernidade (positivismo e suas reticências) e mesmo da críticas anti-moderna de um dos pilares fundamentais na protoforma dessa instituição: a Igreja Católica. O autor assim analisa os fundamentos do Serviço Social norte-americano (personalismo) e do Serviço Social europeu (caldo restaurador e catolicismo social). Embora em ambas tenha particularidade fulcrais, é notório que em ambos, é perpassado pelo pensamento conservador, e não por acaso, ocorre, guardadas as proporções, amálgamas e simbioses.


De todo modo, principalmente no Brasil, o Serviço Social e a sua aproximação da teoria social de Marx podem significar, nesse época, uma possível ruptura com essa herança. Assim, o autor mesmo deixa claro, essa teoria difere das ciências sociais em si mesmas, recorrendo a Lukács na sua crítica a "decadência ideológica". 


Em suma, uma tese que mobiliza até os dias de hoje a reflexão sobre o Serviço Social mundial e brasileiro, e que de extrema importância para compreensão da realidade. De todo modo, é válido a contribuição crítica de Marilda Iamamoto sobre parte dessa tese em seu livro "Serviço Social em tempos de capital fetiche", no qual além de problematizar a tese de Netto, problematiza outras teses no âmbito do Serviço Social.


Acrescenta-se que a partir da terceira edição, o livro conta com um apêndice fantástico sobre a questão social, com 5 notas sintéticas e de grande riqueza de categorias.


Não copie esse artigo, plagiar é ilegal e é crime, além de pegar super mal, não é? Coloque a fonte, caso utilize:

GALDINO, S. B. A tese do sincretismo: resenha crítica da obra Capitalismo Monopolista e Serviço Social - José Paulo Netto. Disponível em: < http://plaggiado.blogspot.com.br/2015/01/a-tese-do-sincretismo-resenha-critica.html >  Acesso em: xdia  xmês e xano.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

A Esquerda Fundamentalista

A Esquerda Fundamentalista




Shellen Galdino*


"A revolução proletária é um longuíssimo processo histórico" Gramsci



Fundamentalismo:
 é o termo usado para se referir à crença na interpretação literal dos livros sagrados. Fundamentalistas são encontrados entre religiosos diversos e pregam que os dogmas de seus livros sagrados sejam seguidos à risca.

Em tempos de fundamentalismo religioso exarcebado (que não começou em 2015, para quem não sabe), vale dizer que o fundamentalismo está por todos os lados: na economia, na cultura, na política, na teoria, na religião, nas ideias, no modo de ser etc.

Assim, vale dizer que existe também na esquerda, a que trata-se da Esquerda Fundamentalista.

O que são? Como vivem? O que pensam? Como fazem? Bem, não cabe uma reflexão sobre todos esses elementos aqui (podemos deixar isso para o Globo Repórter), mas cabe dizer que esses xiitas existem e tão por aí disputando ideias (ao menos tentando).

De todo modo, cabe aqui fazer algumas enumerações dessa curiosa parcela da esquerda e suas características principais. Se você ver um desse, não precisa denunciar né.

Mas, antes de tudo, não confundir esse meu texto com sectarismo ou desvio.


1) Esquerdômetro

Esse aparelho foi uma invenção da corrida armamentista da Guerra Fria entre EUA x URSS. Com esse fantástico aparelho (que pode ser adquirido pelo Pollishop) a esquerda fundamentalista detecta quem é ou não de esquerda de VERDADE. Porque a esquerda fundamentalista realizou um Congresso Internacional e se declarou A ESQUERDA OFICIAL. Somente a mesma é capaz de definir se você é ou não de esquerda.

Vale deixar claro que a esquerda fundamentalista também adquiriu no mercado vermelho a patente da esquerda. Não pense que você pode se declarar de esquerda por aí, tem que passar antes pelo crivo dos dirigentes de verdade.


2) Somente a Verdade, nada mais que a Verdade

Isso mesmo, a verdade tem dono. Nem pense que o que você pensa é verdade, pois somente a prática é critério definidor de verdade. A esquerda fundamentalista, por ser privilegiada, conseguiu entrar em contato direito com Karl Marx (via Call center [sic]) e somente ela é capaz de fazer uma interpretação da realidade, tudo que for de fora ou do contra é ilusão burguesa.



3) A culpa é do PT

Isso mesmo, para que falar mais alguma coisa? A frase fala por si só. O governismo, a doença infantil dos petistas. Traidores da classe trabalhadora e agora aliados da burguesia. Pelegos, vendidos, corruptos, enfim, adjetivo não falta. Uma farsa e uma tragédia da história que representam a decadência ideológica da burguesia (mesmo isso ter sido em 1848).


4) Solidariedade, pero no mucho

Solidariedade em tempos da ordem do Capital deve ser moderada. Para a esquerda fundamentalista a ditadura cubana castrista sempre foi uma farsa, e Che Guevara um agente da CIA que nunca leu Marx.

Igualmente ocorre com a Venezuela, Bolívia, Uruguai... são todas falsificações da realidade burguesa, e alidos a CIA, exemplo maior disso é o bolivarianismo. Chavéz nunca foi de esquerda, e sua morte foi uma forma de entregar o petróleo aos Estados Unidos da América contra os trabalhadores.




5) Revolução: amanhã, às 8h.

Se prepare, vista sua roupa, pegue sue fuzil e sua camisa da foice e do martelo porque para a esquerda fundamentalista a revolução tem hora marcada. A revolução tem dia D. Para essa esquerda, a revolução é eminente e notória, só você que ainda não percebeu. Essa esquerda tem o imaginário de que a revolução é uma grande catástrofe que deixa o sistema capitalista em grandes escombros, é algo caótico, nebuloso. Viva a insurreição, ops, digo, viva a revolução. Bem, dá no mesmo para o P.E.F (Partido da Esquerda Fundamentalista).

Com certeza, isso deve ser fruto do blanquismo ou de alguma teoria da conspiração. Em resumo, para eles, revolução é guerra civil, e ocorrerá de forma súbita e violenta.


6) Leia Marx, mas não muito

Isso, tem que ler, mas não tem que necessariamente entender. E se ler, não precisa ler tudo, leia um ou outro. No máximo temos que ler mesmo Stalin ou Moreno. Porque revolucionário não tem tempo de ler, tem que se preparar para a guerrilha, participar de todos os atos, disputar as direções. Basta comprar o livro de Marx e deixar na prateleira. Para o P.E.F, se aprende Marx por osmose ou na prática mesmo.

A teoria do valor/trabalho estava aqui o tempo todo só você não viu. Mas, não generalizarei aqui. Existem alguns que leem de verdade, mas é a minoria “academicista”.


7) Alienado é você

Sim, caso você não compreenda bem o que eles tem a dizer para salvar o mundo da burguesia, o alienado é você. Somente eles conseguiram escapar das correntes da caverna (lembre-se do Mito da Caverna de Platão). Assim, se você acredita nessa grande ilusão burguesa, é um pequeno-burguês ou um alienado. Afinal, não tem nada a ver com um refluxo da luta de classes, uma crise do “socialismo real” ou em uma possível deficiência de organizações coletivas que geralmente eles dirigem. Mas se acalme, eles nos salvará.


8) Valores sagrados

Sim, toda esquerda fundamentalista que se preze tem que ter guardado os seus valores, que garantirá seu lugar ao céu, ops, ao sol.

  • Não consumirás; (não muito)
  • Não pelegarás; (para não ser confundido com o PT traidor)
  • Não dormirá até tarde; (porque a revolução começa logo cedo)
  • Não dê bom dia pro companheiro do outro partido; (porque pode ser confundido com aliança)

Você conseguindo vencer as tentações e ao menos se manter na moral de não cometer os vícios acima estará cada vez mais perto de se tornar um verdadeiro dirigente. Livre-se da culpa cristã, mas não muito. Mas mantenha a luz dos verdadeiros dirigentes capazes, e somente eles, de compreender a real dominação burguesa sobre a massa da população.


*Marxista e de esquerda.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

MODELO de pré-projeto ou anteprojeto de pesquisa para seleção de Mestrado

Como trata-se de um pré-projeto, ou seja, uma proposta para a banca de seleção, só é necessário alguns itens. Mas a depender da banca de seleção, esses itens podem variar, então, é bom ler com bastante atenção o edital da referida seleção.

O modelo aqui apresentado coloca apenas os pontos principais, assim, não trata-se de um projeto completo, mas uma proposta. Aqui, o modelo consta com 12 páginas.






UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA



CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL






ANTEPROJETO DE PESQUISA





TÍTULO:
subtítulo, se houver



NOME COMPLETO



Linha de Pesquisa: Estado, Direitos Sociais e Políticas Sociais (exemplo)








João Pessoa/PB
2014


quarta-feira, janeiro 14, 2015

Filmografia sobre o Nazismo - 10 filmes imperdíveis

Existem diversos filmes: ação, ficção, animação, romance, documentário... mas sem dúvidas, os melhores são aqueles que falam da história da humanidade, de seu lado mais belo e também sombrio.

Tratando-se da temática nazismo, a lista é repleta de bons filmes para compreender esse trágico momento que a humanidade vivenciou. Milhões de pessoas foram brutalmente assassinadas, julgadas, perseguidas por serem judeus, negros, ciganos, homossexuais, comunistas... colocados à margem por serem julgados inferior pelos superiores arianos, no caso no nazismo, sob o comando de Adolf Hitler, na Alemanha.

Segue a lista:

1. A Menina que roubava livros (2014)


Adaptação de A Menina que Roubava Livros, do australiano Markus Zusak, o filme acompanha a história de Liesel Meminger (interpretada pela canadense Sophie Nélisse. Durante a Segunda Guerra Mundial, Liesel e seu irmão são deixados pelos pais e adotados por um casal vivido por Geoffrey Rush e Emily Watson O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. Ela aprende a ler com o incentivo de sua nova família e Max, um judeu refugiado que eles escondem baixo às escada. Para Liesel e Max, o poder das palavras e da imaginação se transformam em escape dos tumultuosos eventos que acontecem ao seu redor. Em meio ao caos, a jovem encontra refúgio na literatura para sobreviver. Ajudada por seu pai adotivo, ela passa a roubar livros e descobrir neles a esperança perdida durante a guerra.





2. O menino do pijama listrado (2008)

Baseado em um best-seller do mesmo nome, a história narra sobre Bruno (Asa Butterfield), que tem 8 anos e é filho de um oficial do exército alemão que assume um posto de extrema importância no interior da Alemanha nos anos 40. Isto faz com que sua família deixe Berlim e se mude para uma área desolada, onde não há muito o que fazer. Em um de seus frequentes passeios, ele conhece Shmuel (Jack Scanlon), um garoto com mesma idade dele e que sempre está com um pijama listrado. Bruno passa a visitá-lo frequentemente, fazendo surgir entre eles uma amizade inesquecível que tocará os corações de todos.








3. A lista de Schindler (1993)

A história real ronda em torno do alemão Oskar Schindler, que viu na mão-de-obra judia uma solução barata e viável para lucrar com negócios durante a guerra. Com sua forte influência dentro do partido nazista, foi fácil conseguir as autorizações e abrir uma fábrica. O que poderia parecer uma atitude de um homem não muito bondoso transformou-se em um dos maiores casos de amor à vida da História, quando este alemão abdicou de toda sua fortuna para salvar a vida de mais de mil judeus, em plena luta contra o extermínio alemão.









4. A vida é bela (1997)


Na Itália dos anos 40, Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.














5. A queda! As últimas horas de Hitler (2004)

Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) trabalhava como secretária de Adolf Hitler (Bruno Ganz) durante a 2ª Guerra Mundial. Ela narra os últimos dias do líder alemão, que estava confinado em um quarto de segurança máxima.
















6. O grande ditador (1940)

Charles Chaplin faz dois personagens: Adenoyd Hynkel, um ditador alemão muito parecido com Hitler; e um barbeiro judeu quase sósia do ditador. A coincidência faz os dois serem confundidos. O filme é principalmente uma paródia sobre Hitler e o nazismo, mas ataca também Mussolini e o fascismo. Com inteligência, Chaplin reveza o humor com tristes imagens de um gueto aterrorizado por tropas inimigas. É aqui que existe a clássica cena de Chaplin/Hynkel brincando com o globo terrestre. 












7.  O diário de Anne Frank (2009)

A história real de Anne Frank, uma garota judia de 13 anos que ficou escondida com a família durante a ocupação nazista da Holanda. A partir de seu diário, acompanhamos a coragem de uma família e de um povo diante da barbárie do Holocausto.















8. O pianista (2002)

O pianista polonês Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody) interpretava peças clássicas em uma rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas caíram sobre a cidade, em 1939. Com a invasão alemã e o início da 2ª Guerra Mundial, começaram também restrições aos judeus poloneses pelos nazistas. Inspirado nas memórias do pianista, o filme mostra o surgimento do Gueto de Varsóvia, quando os alemães construíram muros para encerrar os judeus em algumas áreas, e acompanha a perseguição que levou à captura e envio da família de Szpilman para os campos de concentração. Wladyslaw é o único que consegue fugir e é obrigado a se refugiar em prédios abandonados espalhados pela cidade, até que o pesadelo da guerra acabe.






9. A escolha de Sofia (1982)

Em 1947 Stingo (Peter MacNicol), um jovem aspirante a escritor vindo do sul, vai morar no Brooklyn na casa de Yetta Zimmerman (Rita Karin), que alugava quartos. Lá conhece Sofia Zawistowska (Meryl Streep), sua vizinha do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin Kline), seu namorado, um carismático judeu dono de um temperamento totalmente instável. Em pouco tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a menor idéia dos segredos que Sofia esconde nem da insanidade de Nathan.









10. A Onda (2008)

Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Žižek: Pensar o atentado ao Charlie Hebdo


É agora – quando estamos todos em estado de choque depois da carnificina na sede do Charlie Hebdo – o momento certo para encontrar coragem para pensar. Agora, e não depois, quando as coisas acalmarem, como tentam nos convencer os proponentes da sabedoria barata: o difícil é justamente combinar o calor do momento com o ato de pensar. Pensar quando o rescaldo dos eventos esfriar não gera uma verdade mais balanceada, ela na verdade normaliza a situação de forma a nos permitir evitar as verdades mais afiadas.
Pensar significa ir adiante do pathos da solidariedade universal que explodiu nos dias que sucederam o evento e culminaram no espetáculo de domingo, 11 de janeiro de 2015, de grandes nomes políticos ao redor do globo de mãos dadas, de Cameron a Lavrov, de Netanyahu a Abbas – a imagem mais bem acabada de falsidade hipócrita. O verdadeiro gesto Charlie Hebdo seria ter publicado na capa do semanário uma grande caricatura brutalmente e grosseiramente tirando sarro desse evento, com cartuns de Netanyahu e Abbas, Lavrov e Cameron, e outros casais se abraçando e beijando intensamente enquanto afiam facas por trás de suas costas.
Devemos, é claro, condenar sem ambiguidade os homicídios como um ataque contra a essência da nossa liberdade, e condená-los sem nenhuma ressalva oculta (no estilo de “Charlie Hebdo estava todavia provocando e humilhando os muçulmanos demais da conta”). Devemos também rejeitar toda abordagem calcada no efeito mitigante do apelo ao “contexto mais amplo”: “os irmãos terroristas eram profundamente afetados pelos horrores da ocupação estadunidense do Iraque” (OK, mas então por que não simplesmente atacaram alguma instalação militar norte-americana ao invés de um semanário satírico francês?), ou “muçulmanos são de fato uma minoria explorada e escassamente tolerada” (OK, mas negros afro-descendentes são tudo isso e mais e no entanto não praticam atentados a bomba ou chacinas), etc. etc. O problema com tal evocação do complexo pano de fundo é que ele pode muito bem ser usado a propósito de Hitler: ele também coordenou uma mobilização diante da injustiça do tratado de Versalhes, mas no entanto era completamente justificável combater o regime nazista com todos os meios à nossa disposição. A questão não é se os antecedentes, agravos e ressentimentos que condicionam atos terroristas são verdadeiros ou não, o importante é o projeto político-ideológico que emerge como reação contra injustiças.
Nada disso é suficiente – temos que pensar adiante. E o pensar de que falo não tem absolutamente nada a ver com uma relativização fácil do crime (o mantra do “quem somos nós ocidentais, que cometemos massacres terríveis no terceiro mundo, para condenar atos como estes?”). E tem menos ainda a ver com o medo patológico de tantos esquerdistas liberais ocidentais de sentirem-se culpados de islamofobia. Para estes falsos esquerdistas, qualquer crítica ao Islã é rechaçada como expressão da islamofobia ocidental: Salman Rushdie foi acusado de ter provocado desnecessariamente os muçulmanos, e é portanto responsável (ao menos em parte) pelo fatwa que o condenou à morte etc.
O resultado de tal postura só pode ser esse: o quanto mais os esquerdistas liberais ocidentais mergulham em seu sentimento de culpa, mais são acusados por fundamentalistas muçulmanos de serem hipócritas tentando ocultar seu ódio ao Islã. Esta constelação perfeitamente reproduz o paradoxo do superego: o quanto mais você obedece o que o outro exige de você, mais culpa sentirá. É como se o quanto mais você tolerar o Islã, tanto mais forte será sua pressão em você…
É por isso que também me parecem insuficientes os pedidos de moderação na linha da alegação de Simon Jenkins (no The Guardian de 7 de janeiro) de que nossa tarefa é “não exagerar a reação, não sobre-publicizar o impacto do acontecimento. É tratar cada evento como um acidente passageiro do horror” – o atentado ao Charlie Hebdo não foi um mero “acidente passageiro do horror”. Ele seguiu uma agenda religiosa e política precisa e foi como tal claramente parte de um padrão muito mais amplo. É claro que não devemos nos exaltar – se por isso compreendermos não sucumbir à islamofobia cega – mas devemos implacavelmente analisar este padrão.
O que é muito mais necessário que a demonização dos terroristas como fanáticos suicidas heroicos é um desmascaramento desse mito demoníaco. Muito tempo atrás, Friedrich Nietzsche percebeu como a civilização ocidental estava se movendo na direção do “último homem”, uma criatura apática com nenhuma grande paixão ou comprometimento. Incapaz de sonhar, cansado da vida, ele não assume nenhum risco, buscando apenas o conforto e a segurança, uma expressão de tolerância com os outros: “Um pouquinho de veneno de tempos em tempos: que garante sonhos agradáveis. E muito veneno no final, para uma morte agradável. Eles tem seus pequenos prazeres de dia, e seus pequenos prazeres de noite, mas tem um zelo pela saúde. ‘Descobrimos a felicidade,’ dizem os últimos homens, e piscam.”
Pode efetivamente parecer que a cisão entre o Primeiro Mundo permissivo e a reação fundamentalista a ele passa mais ou menos nas linhas da oposição entre levar uma longa e gratificante vida cheia de riquezas materiais e culturais, e dedicar sua vida a alguma Causa transcendente. Não é esse o antagonismo entre o que Nietzsche denominava niilismo “passivo” e “ativo”? Nós no ocidente somos os “últimos homens” nietzschianos, imersos em prazeres cotidianos banais, enquanto os radicais muçulmanos estão prontos a arriscar tudo, comprometidos com a luta até sua própria autodestruição. O poema “The Second Comming” [O segundo advento], de William Butler Yeats parece perfeitamente resumir nosso predicamento atual: “Os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores são cheios de intensidade apaixonada”. Esta é uma excelente descrição da atual cisão entre liberais anêmicos e fundamentalistas apaixonados. “Os melhores” não são mais capazes de se empenhar inteiramente, enquanto “os piores” se empenham em fanatismo racista, religioso e machista.
No entanto, será que os fundamentalistas religiosos realmente se encaixam nessa descrição? O que obviamente lhes carece é um elemento que é fácil identificar em todos os autênticos fundamentalistas, dos budistas tibetanos aos amistas nos EUA: a ausência de ressentimento e inveja, a profunda indiferença perante o modo de vida dos não-crentes. Se os ditos fundamentalistas de hoje realmente acreditam que encontraram seu caminho à Verdade, por que deveriam se sentir ameaçados por não-crentes, por que deveriam invejá-los? Quando um budista encontra um hedonista ocidental, ele dificilmente o condena. Ele só benevolentemente nota que a busca do hedonista pela felicidade é auto-derrotante. Em contraste com os verdadeiros fundamentalistas, os pseudo-fundamentalistas terroristas são profundamente incomodados, intrigados, fascinados pela vida pecaminosa dos não-crentes. Tem-se a sensação de que, ao lutar contra o outro pecador, eles estão lutando contra sua própria tentação.
É aqui que o diagnóstico de Yeats escapa ao atual predicamento: a intensidade apaixonada dos terroristas evidencia uma falta de verdadeira convicção. O quão frágil a crença de um muçulmano tem de ser para ele se sentir ameaçado por uma caricatura besta em um semanário satírico? O terror islâmico fundamentalistanão é fundado na convicção dos terroristas de sua superioridade e em seu desejo de salvaguardar sua identidade cultural-religiosa da investida da civilização global consumista.
O problema com fundamentalistas não é que consideramos eles inferiores a nós, mas sim que eles próprios secretamente se consideram inferiores. É por isso que nossas reafirmações politicamente corretas condescendentes de que não sentimos superioridade alguma perante a eles só os faz mais furiosos e alimenta seu ressentimento. O problema não é a diferença cultural (seu esforço para preservar sua identidade), mas o fato inverso de que os fundamentalistas já são como nós, que eles secretamente já internalizaram nossas normas e se medem a partir delas. Paradoxalmente, o que os fundamentalistas verdadeiramente carecem é precisamente uma dose daquela convicção verdadeiramente “racista” de sua própria superioridade.
As recentes vicissitudes do fundamentalismo muçulmano confirmam o velhoinsight benjaminiano de que “toda ascensão do fascismo evidencia uma revolução fracassada”: a ascensão do fascismo é a falência da esquerda, mas simultaneamente uma prova de que havia potencial revolucionário, descontentamento, que a esquerda não foi capaz de mobilizar.
E o mesmo não vale para o dito “islamo-fascismo” de hoje? A ascensão do islamismo radical não é exatamente correlativa à desaparição da esquerda secular nos países muçulmanos? Quando, lá na primavera de 2009, o Taliban tomou o vale do Swat no Paquistao, o New York Times publicou que eles arquitetaram uma “revolta de classe que explora profundas fissuras entre um pequeno grupo de proprietários abastados e seus inquilinos sem terra”. Se, no entanto, ao “tirar vantagem” da condição dos camponeses, o Taliban está “chamando atenção para os riscos ao Paquistão, que permanece em grande parte feudal”, o que garante que os democratas liberais no Paquistão, bem como os EUA,  também não “tirem vantagem” dessa condição e procurem ajudar os camponeses sem terra? A triste implicação deste fato é que as forças feudais no Paquistão são os “aliados naturais” da democracia liberal…
Mas como ficam então os valores fundamentais do liberalismo (liberdade, igualdade, etc.)? O paradoxo é que o próprio liberalismo não é forte o suficiente para salvá-los contra a investida fundamentalista. O fundamentalismo é uma reação – uma reação falsa, mistificadora, é claro – contra uma falha real do liberalismo, e é por isso que ele é repetidamente gerado pelo liberalismo. Deixado à própria sorte, o liberalismo lentamente minará a si próprio – a única coisa que pode salvar seus valores originais é uma esquerda renovada. Para que esse legado fundamental sobreviva, o liberalismo precisa da ajuda fraterna da esquerda radical. Essa é a única forma de derrotar o fundamentalismo, varrer o chão sobre seus pés.
Pensar os assassinatos de Paris significa abrir mão da auto-satisfação presunçosa de um liberal permissivo e aceitar que o conflito entre a permissividade liberal e o fundamentalismo é essencialmente um falso conflito – um ciclo vicioso de dois polos gerando e pressupondo um ao outro. O que Max Horkheimer havia dito sobre o Fascismo e o capitalismo já nos anos 1930 – que aqueles que não estiverem dispostos a falar criticamente sobre o capitalismo devem se calar sobre o fascismo – deve ser aplicada também ao fundamentalismo de hoje: quem não estiver disposto a falar criticamente sobre a democracia liberal deve também se calar sobre o fundamentalismo religioso.
* Texto enviado pelo autor ao Blog da Boitempo. A tradução é de Artur Renzo. Uma versão encurtada deste artigo foi publicada em inglês no New Statesman em 10 de janeiro de 2015.

domingo, janeiro 11, 2015

Programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos
Síntese 2014:
Numero total de médicos = 14.462
Desistentes durante ao ano de 2014= 174
Numero de  médicos Brasileiros que participam do programa= 1.846
Desistentes brasileiros = 144 - 7,2% do total da categoria
Intercambistas (estrangeiros ou brasileiros formados no estrangeiro)= 1.187
Intercambista Desistentes = 11- 5,5% do total da categoria
MÉDICOS Intercambistas CUBANOS, através da OPAS = 11.429
Cubanos desistentes = 19 0,16% do total de médicos cubanos.
MUNICÍPIOS brasileiros atendidas= 3.785
População brasileira total atendida no ano= 54,7 milhões (aproximadamente).


Carlos Nelson Coutinho | A dualidade de Poderes

SOBRE O AUTOR

Carlos Nelson Coutinho foi um importante intelectual e ensaísta brasileiro. O mesmo nasceu na Bahia, no ano de 1943. O mesmo concluiu o curso de bacharelado em filosofia pela Universidade Federal da Bahia esse tornou depois professor de livre-docência na Universidade Federal do Rio de Janeiro, estado e se, que ganhou o coração do baiano. Ministrou ao longo de sua carreira cursos de Teoria Política e Formação Social do Brasil, principal no programa de pós-graduação em Serviço Social da UFRJ.

O marxista polêmico, se consagrou através de seus pertinentes ensaios, principalmente através dos estudos do italiano e comunista Antônio Gramsci, sendo um de seus principais tradutores e interpretes no Brasil.

Carlos Nelson, ao sempre trazer uma forma inovadora e crítica do marxismo (sem deixar de ser segundo ele ortodoxo) inovou o pensamento marxista brasileiro, ao lado de diversos outros intelectuais. A sua prioridade era pois, a discussão do marxismo e da política. Pois, segundo o mesmo, trata essa de uma esfera importante da luta de classes, inclusive por sua relativa autonomia.

Além de trazer a forma crítica, propositiva e inovadora do marxismo-gramsciano ao Brasil, sempre aliando esses estudos a proposta luckácsiana, abriu novos caminhos para o pensamento e a teoria social de Marx, assim como, o que ele sempre lembrava, a necessária compreensão do método em sua ortodoxia, mesmo compreendendo o marxismo como uma obra em aberto, e daí, sua atualidade. E o ainda, com pitadas de Poulantzas, além de Marx e Engels, claro.

E não pouco, Carlos Nelson Coutinho trouxe para o marxismo brasileiro a importante tarefa de discutir enfaticamente o que ele chamava de “questão democrática”, no qual ele lucidamente considerava a democracia como valor historicamente universal. Um tema polêmico, e até hoje deixado a revelia por parte da intelectualidade marxista, talvez, por erros metodológicos, e ora, por erros políticos.

Entre suas notáveis obras, destaca-se Gramsci. Um estudo sobre seu pensamento político (1989), Cultura e sociedade no Brasil (1990), Democracia e socialismo: questões de princípios & contexto brasileiro (1992), Estruturalismo e a miséria da razão e Marxismo e politica, em que sem encontra o ensaio aqui estudado, a dualidade de poderes.

No ensaio referido no título, Carlos Nelson traz importantes categorias de análise para a sua necessária renovação (sendo, nas palavras do autor, indissoluvelmente conservação, eliminação e renovação), o que, segundo o autor, Hegel buscou definir pela expressão Aufhebung. Entre elas, nesse ensaio, destaca-se Estado e Revolução, e seus principais conceitos, e a articulação com a questão da transição.

No mais, perdemos esse grande interlocutor, no recente ano de 2012. Segundo Gramsci, vale a pena viver quando se é comunista. Para Carlos Nelson valeu, deixou o seu melhor, um legado e uma história. As ideias nunca morrem, não por acaso, permanece o legado da “hegemonia como contrato”, um projeto, que Jaldes Meneses (2012) entre outros chamaram de “audacioso”, e, não há como negar tal fato. Viva a audácia, ela não nos permite o esquecimento.


SÍNTESE DO ENSAIO

A centralidade do ensaio "A dualidade de poderes" é realizar um “Estado da Arte” sobre a dualidade dos poderes, desde Marx e Engels, passando por Lenin e Trotski, até Gramsci, Togliati e Poulantzas, passando também pelo marxismo austríaco (austro-marxismo).

O objetivo do autor é demostrar como concretamente o Estado se ampliou, e assim as concepções também devem se ampliar, sendo na concepção do mesmo a escola gramsciana e mais precisamente as contribuições de Nicos Poulantzas fundamentais para essa compreensão de Estado, e assim, em consequência de uma estratégia revolucionária condizente com essa ampliação concreta de Estado.

Conforme Poulantzas:


O Estado […] não deve ser considerado uma entidade em si, mas - do mesmo modo como, de resto, deve ser feito com o 'capital' – como uma relação; mais exatamente, como a condensação material de uma correlação de forças entre classes e frações de classe, tal como essa se expressa, sempre de modo específico, no seio do Estado. (Poulantzas, 1978 apud Coutinho, 2008, p. 65)

Assim, em resumo o mesmo coloca a problemática da conservação x renovação na transição, ou seja, do papel da dualidade de poderes. Para isso, o autor coloca as duas principais concepções de Estado e Revolução no pensamento marxista. Assim, a forma de conceber o Estado teria em suma concepções mais “restritas” ou “amplas”, e disso partiria a elaboração de diferentes paradigmas de revolução socialista, respectivamente “explosiva” e “processual”.

Está também na questão do debate o papel da democracia na construção do socialismo, desde que se analise e tenha como central a ortodoxia do método em Marx e os próprios limites do liberalismo, e esse movimento deve ser constante de superações dialéticas.

Assim, podemos dizer que a concepção de Carlos Nelson Coutinho, é de que existe a possibilidade de “Dualidade de Poderes”, essa entendida como um misto de democracia representativa e democracia direta, para chegada ao socialismo, tendo em vista a ampliação do Estado e uma concepção processual da Revolução.

O debate central das possibilidades da Dualidade de Poderes em sociedade do tipo “ocidental”, também sustenta a tese do autor de Democracia como valor historicamente universal. E, de uma hipótese, de hegemonia como contrato.1

Assim, o polêmico intelectual brasileiro, dá uma enorme e polêmica contribuição para superação dialética marxiana de análise da realidade, principalmente na análise no que se refere à realidade brasileira, principalmente a partir do legado gramsciano, com outras categorias como revolução passiva, transformismo, bloco histórico, guerra de posição, entre outros.

Entre outros conceitos chaves para Gramsci, destaca-se a questão da hegemonia, e isso envolve relações de força e consenso, entre a sociedade civil e o Estado coerção, que são mais uma separação didática do que concreta na realidade.


As duas funções estatais, de hegemonia ou consenso e de dominação ou coerção, existem em qualquer forma de Estado moderno, mas o fato de que um Estado seja menos coercitivo e mais consensual (ou que se imponha menos pela dominação e mais pela hegemonia) ou vice-versa, isso irá depender sobretudo do grau de autonomia relativa das esferas, bem como da predominância no Estado em questão dos aparelhos pertencentes a uma ou a outra. E essa predominância, por sua vez, depende não apenas do grau de socialização da política alcançado pela sociedade em tela, mas também da correlação de forças entre as classes que disputam a “supremacia” (Coutinho, 2008, p. 57)

De todo modo, se o Estado se ampliou no século XX e XXI, poderíamos permanecer com as mesmas análises do século XIX? Metodologicamente, seria um equívoco. Politicamente, uma derrota. Creio, que essa foi a mensagem principal desse ensaio para o marxismo, principalmente o “marxismo-leninismo”.

Concluindo com uma citação polêmica:

Se as condições mudaram na guerra entre povos, não mudaram menos para a luta de classe. Passou o tempo dos golpes de surpresa, das revoluções executadas por pequenas minorias conscientes à frente das massas inconscientes. Onde quer que se trate de transformar completamente a organização da sociedade, cumpre que as próprias massas nisso cooperem, que já tenham elas próprias compreendido de que se trata, o motivo pelo qual dão seu sangue e sua vida. Mas para que as massas compreendam o que é necessário fazer é preciso um trabalho longo e perseverante (Engels apud Coutinho, p. 26)




1 Ver: Meneses, Jaldes. Carlos Nelson Coutinho: hegemonia como contrato. Serv. Soc. Soc.[online]. 2013, n.116, pp. 675-699. ISSN 0101-6628.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-66282013000400006. 


Cite esta resenha:

GALDINO, S. B. Carlos Nelson Coutinho: a dualidade de poderes (resenha crítica). Disponível em: < http://plaggiado.blogspot.com.br/2015/01/carlos-nelson-coutinho-dualidade-de.html >. Acesso em xdia x mês x ano.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

A tese do sincretismo | Resenha crítica da obra Capitalismo Monopolista e Serviço Social - José Paulo Netto

A tese do sincretismo

NETTO, José Paulo. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2009. 5 ed.


Esse livro trata-se uma obra-prima obrigatória aos estudiosos das ciências humanas, do marxismo, e principalmente do Serviço Social. O consagrado José Paulo Netto neste livro que trata-se de parte da sua tese de doutorado (a outra parte está em Ditadura e Serviço Social) eleva a produção do conhecimento sobre o Serviço Social assim como avança em ideias fundamentais: o sincretismo (na prática, na ideologia e na "ciência"), do papel do Estado, do Capitalismo Monopolista, das políticas sociais e a sua relação com o Serviço Social, assim, trata-se de uma notável contribuição da tradição marxista que extrapola o próprio Serviço Social.


Na primeira parte do livro o autor faz críticas densas e radicais ao Estado e o capitalismo monopolista (Estado, capital interno e capital estrangeiro) que se desenvolve no mundo e no Brasil. Sem dúvidas, com as contribuições de Marx, Engels, Lenin e Lukács (este último do qual é um grande conhecedor, assim como Marx) a crítica ao Estado se torna uma ferramenta fundamental para compreender os marcos da sancionada atuação do Serviço Social na chamada "questão social" e dos próprios limites históricos e sociais da intervenção e de seu "tratamento".


A meu ver, como pertencente ao campo da economia política, a crítica ao Estado se torna um pouco parcial, embora verídica. Nesse sentido, acredito que as funções políticas e a relativa autonomia do Estado e seu impacto na vida concreta do ser social deveria ter sido explorado mais as contradições, principalmente se tivesse ocorrido mais mediações com o capitalismo brasileiro. 


Nesse sentido, destaco a contribuição de Gramsci (a partir das categorias revolução passiva, transformismo etc) e de Carlos Nelson Coutinho no seu polêmico artigo consagrado "A dualidade dos poderes", no qual problematiza algumas análises sobre o Estado, a partir do sue próprio desenvolvimento e ampliação no século XX, e assim no nosso caso, no século XXI. 

Nesse sentido, a contribuição de Nicos Poulantzas é a meu ver bem sintética e problematiza a questão, em que afirma que o Estado é comitê executivo da burguesia, mas não só isso, é também condensação material das forças em presença, assim em relação e “mais exatamente como a condensação material de uma relação de forças entre classes e frações de classe, tal como ele expressa, de maneira sempre específica, no seio do Estado” (1980: 47).

Na segunda parte, José Paulo Netto inicia a sua análise sobre o Serviço Social, a partir da sua tese central da estrutura sincrética dessa profissão. Sem dúvidas, assim como a primeira parte, se trata de uma parte bem densa do livro, no qual é preciso muito cuidado e atenção, inclusive nas diversas notas de roda pé.


A estrutura sincrética para o autor estaria assim em vários âmbitos da profissão, principalmente na prática indiferenciada e se expressaria também como sincretismo ideológico e sincretismo científico.Entre diversas problematizações, é notável a contribuição do autor no que tange a ligação do sincretismo com o ecletismo teórico.


Netto também traça a constituição do Serviço Social no âmbito da modernidade (positivismo e suas reticências) e mesmo da críticas anti-moderna de um dos pilares fundamentais na protoforma dessa instituição: a Igreja Católica. O autor assim analisa os fundamentos do Serviço Social norte-americano (personalismo) e do Serviço Social europeu (caldo restaurador e catolicismo social). Embora em ambas tenha particularidade fulcrais, é notório que em ambos, é perpassado pelo pensamento conservador, e não por acaso, ocorre, guardadas as proporções, amálgamas e simbioses.


De todo modo, principalmente no Brasil, o Serviço Social e a sua aproximação da teoria social de Marx podem significar, nesse época, uma possível ruptura com essa herança. Assim, o autor mesmo deixa claro, essa teoria difere das ciências sociais em si mesmas, recorrendo a Lukács na sua crítica a "decadência ideológica". 


Em suma, uma tese que mobiliza até os dias de hoje a reflexão sobre o Serviço Social mundial e brasileiro, e que de extrema importância para compreensão da realidade. De todo modo, é válido a contribuição crítica de Marilda Iamamoto sobre parte dessa tese em seu livro "Serviço Social em tempos de capital fetiche", no qual além de problematizar a tese de Netto, problematiza outras teses no âmbito do Serviço Social.


Acrescenta-se que a partir da terceira edição, o livro conta com um apêndice fantástico sobre a questão social, com 5 notas sintéticas e de grande riqueza de categorias.


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GALDINO, S. B. A tese do sincretismo: resenha crítica da obra Capitalismo Monopolista e Serviço Social - José Paulo Netto. Disponível em: < http://plaggiado.blogspot.com.br/2015/01/a-tese-do-sincretismo-resenha-critica.html >  Acesso em: xdia  xmês e xano.