terça-feira, setembro 06, 2011

A tropa da elite nacional.


A tropa da elite nacional

Reproduzem-se na sociedade brasileira pensamentos que, mesmo distantes da realidade e desprovidos de fundamento, vão se disseminando por cansativa repetição, com a calorosa ajuda da grande mídia e acabam por conquistar mentes e corações dos mais desavisados. Ideias encorpadas pela ideologia dominante delegam ao povo brasileiro a responsabilidade por suas próprias dificuldades cotidianas de sobrevivência, invertendo deliberadamente a lógica concreta das coisas.

Ricardo Alvarez

O pior analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê
Mário Quintana

Desde longa data ouve-se nestas terras que o maior problema do Brasil é o próprio brasileiro. O jeitinho para obter vantagens, a malandragem no trato dos negócios, o desrespeito às regras como a única regra a ser respeitada, àquele que fura a fila, faz pequenos subornos sem corar, comete delitos leves e conta vantagem por isso, enfim, um rosário de desvios que acabam por configurar sua fisionomia social e sua relação com o meio social e o poder público.

Seria tolice dizer que tais situações inexistem, ou mesmo que se trata de uma invenção sem fundamento. Ao contrário, elas são reais e se repetem cotidianamente. A cada encontrão que damos com uma delas logo associamos às coisas ao jeito de ser brasileiro, ou pejorativamente falando: “o zé povinho”.

Na rede mundial de computadores, seja por e-mail, redes sociais, ou qualquer outro mecanismo de comunicação, circulam mensagens com este teor.

Será que tais comportamentos expressam um individualismo tosco, apoiado na premissa do “gosto de levar vantagem em tudo, certo?” ou estamos nós diante de uma condição histórica de formação da sociedade brasileira estruturada numa profunda exploração das classes dominantes sobre mais pobres?

Desde tempos imemoriais a sociedade brasileira constituiu-se forjada no caldeirão da miscigenação. Primeiro foram as populações autóctones (indígenas) assoladas pelo capitalismo europeu nascente, ávido de matérias primas e produtos agrícolas que abastecessem seu pujante mercado interno. A chegada dos colonizadores foi acompanhada de ansiosa exploração dos recursos naturais, apoiada na escravização da mão de obra redundando, não sem surpresas, num genocídio anunciado. Apesar disto, a ideologia dominante não cansou de repetir que os índios eram preguiçosos, não gostavam de trabalhar e até bem pouco tempo atrás os livros didáticos de história ainda ensinavam estas lições.

Os povos europeus, ao contrário, eram civilizados e tecnologicamente avançados, superiores e dotados de saber elevado. Porém a realidade era mais dura: as riquezas acumuladas que financiaram seu desenvolvimento posterior disfarçavam a verdadeira fonte das maldades, como o massacre da população local, da exploração e da escravidão. Ouro manchado de sangue.

Esta deve ter sido a primeira forma de mistificação da realidade, de desvio ideológico cujo papel era reduzir os impactos da barbárie que se praticava por aqui. A partir de então a história oficial passou a ser um instrumento de classe.

A segunda fase da exploração e da violência contra povos, em nome dos mercados e do acúmulo de capitais, se deu com o tráfico de escravos africanos para a América. Novamente a ideologia se fez presente. Após centenas de anos de combate aos quilombos, estupro de mulheres, chibatadas e enforcamentos, trabalho forçado, muito sangue derramado e, principalmente, de luta pela independência e liberdade, outra mentira que veio de cima: a abolição da escravatura brota das mãos de uma mulher nobre e branca, de espírito cândido e generoso, não dos enfrentamentos e mortes de muitos contra a opressão e a submissão.

A história oficial brasileira, escrita sempre pelas classes dominantes, ignora as lutas do povo por pão, terra e liberdade. Ao contrário, quando conquistas ocorrem, estas são sempre doações e cessões dos mais ricos, sensibilizados que estavam pelas condições dos mais pobres. Trata-se de uma visão de mundo ancorada no liberalismo, onde a condição do indivíduo sempre determina o movimento da sociedade (esta uma abstração pura) e os movimentos sociais devem ser reprimidos por desviarem o rumo natural das coisas. Aí nasce o "jeitinho brasileiro", resultante de esmolas individuais concedidas pelas classes mais abastadas e seus representantes, no lugar de direitos coletivamente conquistados.

Outra situação de clara inversão de valores, pois o que se apresenta como traço pejorativo da formação de um povo, na verdade consolida um comportamento de servidão e dependência diante dos mais abastados. Se você não consegue ser atendido no hospital o problema é seu, pois o direito ao serviço situa-se num patamar inferior à sua capacidade de ter amigos certos em lugares certos.

O ciclo da manutenção da pobreza passa pelo desrespeito, ou mesmo inexistência, do direito coletivo em detrimento do favor pessoal, resultando em duas grandes vantagens às elites nacionais: a) a perenização de um estruturado sistema de favores e débitos; b) a consolidação da força política e do poder econômico. Se exite um "jeitinho" titpicamente brasileiro, ele o é muito mais produto desta relação de poder estabelecido do que um deslize de índole. Como a culpa recai sobre a vítima, institui-se a máxima que nosso povo é desprovido de ética.

Com tantos exemplos assim, nossas elites se acostumaram a valorizar outros povos na mesma medida em que desvalorizam o seu próprio. A mistura gerada entre negros, índios e europeus criou uma “gentalha” feia, sem glamour e, o que é pior, pobre. O verdadeiro valor está nas coisas feitas por europeus e norte-americanos.

A avenida paulista, em São Paulo, quase não possui mais nenhum casarão da época dos Barões do Café. Estes acumularam grande riqueza durante a vigência do ciclo e escolheram o espigão que separa as bacias dos rios Tamanduateí e Pinheiros para morar. Um século depois parte de nossa história foi demolida junto com estas construções sob a batuta dos novos ricos. Em seu lugar prédios envidraçados sintetizando a modernidade e o progresso. Se a memória da elite vai para o buraco com esta facilidade, o que dizer de vilas operárias e casas populares?

A arquitetura não foge à regra: nos países temperados é preciso aproveitar o máximo de luz em função das características climáticas e de iluminação (grandes vidraças), aqui reproduzimos o modelo partindo da lógica de que o que é bom para eles também o é para nós, como isso gastamos energia aos montes com ar-condicionados para reduzir o abafa dentro dos prédios.

Destruímos nosso patrimônio histórico sem perdão sob o impulso desta fantasia pseudomodernizante que enxerga no novo sempre o melhor. É o reino da mentalidade colonizada, que engtra em êxtase fotografando castelos medievais preservados do feudalismo europeu, ornados com pau-brasil brasileiro, castiçais de prata argentina e luminárias de ouro boliviano, mas refuta sua própria história.

Há cerca de uma centena de anos atrás, diante do cenário que se avizinhava da eclosão da primeira guerra mundial, muitos imigrantes aportaram no Brasil em busca de paz e trabalho. Foram recebidos num país ainda basicamente agrário e exportador, mas com muita generosidade e calor humano. Nada de segregação e repulsão aos novos moradores, ao contrário. Hoje os líderes europeus, com apoio de parte de sua população que se deixa levar pela ladainha do discurso fácil, fecham as portas para os imigrantes, jogando em suas costas a culpa pela crise que enfrentam, apontam seu dedo contra islâmicos e ovacionando a política de combate ao terror dos EUA. Já o fizeram no passado, em momento histórico diferente, mas em circunstâncias parecidas, deu no que deu: o nazismo conquistou corações e mentes, mas deixou um rastro de ódio entre os homens.

O antropólogo Darcy Ribeiro já havia dissertado em belo livro (O Povo Brasileiro) que nossa grande riqueza é justamente esta mistura de gentes em nossas terras, gerando um povo singular e de grande significado cultural. Nossas elites tem ojeriza dele, gostam de coisas importadas e desgostam desta condição miscigenante, preferem a raça pura, se isolam em condomínios fechados, andam em carros blindados, viajam em helicópteros, fazem compras em Miami, endeusam botox, silicone epersonal trainer, curtem academias de ginástica, valorizam o corpo na mesma medida em que interessam pela vida alheia. Mas nada de livros e leitura. Tirando Mindlin e outros casos esporádicos, não me lembro de conhecer burgueses tupiniquins que cultivem bibliotecas, livros e leitura. Nossa elite é assim mesmo: predatória, submissa e pouco culta.

O mais engraçado é que esta mesma elite que cultiva o efêmero e a superficialidade, não se cansa de reafirmar que a condição social de boa parte dos brasileiros resulta de sua própria incompetência e preguiça. O programa Bolsa-Família é o grande alvo neste sentido, porém mal sabem eles que o programa estimula o capitalismo por irrigar com recursos a base da pirâmide, provocando um efeito em cadeia virtuoso em direção ao pico, justamente onde estão os que fazem beicinho contra o programa. Mal sabem também que o Bolsa-Família não veio para mudar a ordem das coisas, as elites não precisam temer que isto ocorrra, senão ele não teria começado no governo do seu digno representante: FHC.

Numa eleição presidencial nos anos 80 o maior líder da indústria paulista, Mario Amato, então presidente da FIESP, declarou que se um determinado candidato ganhasse as eleições ele deixaria o país. É um pensamento representativo de classe, tipificado pela ideia de ganhar sempre. É a mais digna expressão de uma lógica profundamente gananciosa, são verdadeiros piratas de terra, que navegam nas águas da intransigência quando seu direito de tomar champanhe é supostamente ameaçado.

O que dizer daquele grupo de rapazes que espancou uma trabalhadora num ponto de ônibus no Rio de Janeiro, achando que ela era prostituta? Recordo-me da mãe de um deles dizendo que “eles não poderiam ficar presos nas mesmas celas que bandidos”. Interessante seu conceito de bandido, prisão e crime. Há também o índio Pataxó Galdino, que morreu queimado quando dormia num ponto de ônibus, os rapazes que foram atacados na Avenida Paulista por um grupo que os identificou como homossexuais, os ricos de Higienópolis que não querem os diferenciados passando em frente de suas casas com a estação do metrô, enfim, os exemplos de intolerância e incapacidade de convivência com o diferente são abundantes.

Esta é uma visão de mundo que nasce no seio das elites nacionais e reproduz socialmente como verdade, seja através dos grandes meios de comunicação, de seus representantes no parlamento, no executivo, no judiciário, ou mesmo, através dos ensinamentos escolares.

É o exercício diário de quem se recusa a pagar impostos (sobre grandes fortunas ou transmissão de bens por de hereditariedade), que corrompe o poder público em benefícios pessoais, critica qualquer forma de transferência de renda para camadas mais baixas, é contra a participação popular na gestão pública, reifica o “laissez-faire”, aplaudiu de pé as privatizações, que defendem entusiasticamente a tese de que a pobreza resulta de excessos populacionais (como é pouco culta ainda não descobriu que Malthus já está superado), que não se inquieta diante de pobres que morrem em filas de hospitais desprovidos dos direitos mais elementares.

O jeitinho brasileiro não é, neste contexto, o resultado de um “povinho” que gosta de obter vantagens, mas sim uma opção de acesso aos serviços básicos e essenciais que lhe são historicamente negados, é o pedido diário de benção para os senhores do dinheiro, é o beijo na mão para se conseguir o que lhe era de direito. A elite nacional transforma cidadania em favores, para garantir seus privilégios e manter hordas de miseráveis sob seu domínio.

É até compreensível sua ignorância em relação ao mundo absorta que está em sua pequenez de objetivos, mas ela poderia ao menos ter vergonha de apontar o dedo da culpa para àqueles que são justamente a vítima histórica deste país abissalmente desigual e injusto.

Ricardo Alvarez é geógrafo, professor e editor do site Controvérsia
www.controversia.com.br |www.controversia.com.br/blog

segunda-feira, setembro 05, 2011

Revolução 2.0 - Crise do Capitalismo Global.



Revolução 2.0

Professores, advogados e ativistas de Brasil, Espanha, Itália e França debatem a crise do capitalismo global e os novos caminhos virtuais para uma sociedade mais justa.

Helena Aragão

Revolução 2.0

O movimento 15M tem ocupado diversas praças da Espanha, como esta na cidade de Vitoria-Gasteiz. Para Raul Sanchez, da Universidade Nômade de Madri, este é o momento mais importante da democracia do país. (foto: Roberto Hextall/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

Revoltas estouram em diversas partes do globo. Real e virtual compartilham fronteiras cada vez menos nítidas. Governos tentam controlar a internet. Essas são algumas das características de um mundo em transição, desencadeadas pela crise financeira que assombra populações desde o fim da década passada.

Interpretar esses acontecimentos e suas consequências é tarefa complicada diante da velocidade com que novas questões são colocadas. Essa foi uma das constatações compartilhadas pelos participantes do 3º Seminário Internacional Capitalismo Cognitivo, realizado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro.

Para os palestrantes, as redes sociais estão demonstrando necessidade de uma democracia mais participativa

Nos três dias de evento (24-26/8), que nesta edição tratou de “Revolução 2.0: da crise do capitalismo global à constituição do comum”, professores universitários, advogados e ativistas de Brasil, Espanha, Itália e França discutiram os novos caminhos e velhos problemas na busca de uma sociedade mais justa.

Capitalismo cognitivo seria uma espécie de ‘terceira via’ desse modelo econômico, marcado por aspectos intelectuais e imateriais que o diferenciam das vertentes anteriores (mercantil e industrial). Para muitos dos palestrantes, são justamente os valores subjetivos de populações que estão sobressaindo nas redes sociais, demonstrando a necessidade de uma democracia mais participativa.

Abelhas, formigas e nós

“Abelhas e formigas não debatem, mas se organizam e seguem estímulos sensitivos; faço esse paralelo com o que acontece conosco no mundo virtual”, observou Raul Sanchez, integrante da Universidade Nômade de Madri e do movimento 15M , que tem agitado diversas cidades espanholas em respostas às medidas de austeridade do governo.

“Estamos vivendo o movimento mais importante da nossa democracia. No começo, éramos 100 pessoas na Praça do Sol e a polícia resolveu intervir. No dia seguinte, praças de todo o país estavam ocupadas. Foi um movimento consciente? Não. Foi um grito coletivo. As pessoas continuam lá e não param de falar.”

Sal da Praça Tahrir, Sol da praça espanhola e sul da América Latina devem trazer as melhores propostas para o futuro

Para o professor Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há diferentes visões da crise: os neoliberais a atribuem a resíduos do wellfare state, enquanto os Brics – grupo formado pelos emergentes Brasil, Rússia, Índia e China – criticam o excesso de ganância dos mais ricos.

“As melhores propostas devem sair do trabalho coletivo do sal da Praça Tahrir, no Egito, do Sol da praça espanhola e do sul da América Latina”, disse o acadêmico, referindo-se às manifestações populares que marcaram os últimos meses na Europa e no norte da África e à esperança de novos rumos na democracia do nosso continente.

“Eu queria mudar o mundo. Mas não tive acesso ao código”

As manifestações pacíficas na Espanha também foram mencionadas por Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, em apresentação recheada de exemplos de ciberativismo e de frases de efeito como a do subtítulo acima, de autor anônimo.

Preparação para Marcha da Liberdade (SP)

Ativistas preparam cartazes para a Marcha da Liberdade em São Paulo. Manifestações de movimentos sociais foram organizadas em várias cidades do Brasil, mas ficaram restritas à participação da classe média. (foto: Rafael Rolim/ Flickr – CC BY-SA 2.0)

“Não conseguia me desconectar da transmissão ao vivo da Praça do Sol feita pelos próprios manifestantes na internet. Uma informação audiovisual totalmente diferente das imagens que nos chegavam da tragédia do 11 de setembro pelas grandes corporações de TV dez anos atrás”, comparou.

Um dos momentos mais agitados do debate foi motivado pela fala de Bentes sobre as marchas organizadas por movimentos sociais brasileiros neste ano. Diversas pessoas da plateia pediram a palavra para observar que são movimentos de classe média, com pouca participação das periferias. “A separação entre ricos e pobres no Brasil é tão notável que até nesses movimentos ela aparece”, observou um participante.

Produção compartilhada de conhecimento e crise de governança também deram o tom dos outros dias de debate. No último dia (26/8), Sergio Amadeu, da Universidade Federal do ABC, exaltou o ativismo hacker, que busca a transparência de dados dos governos, e Vinicius Wu, do governo do Rio Grande do Sul, fez apresentação complementar mostrando os objetivos do Gabinete Digital, iniciativa que tenta aproximar o governador Tarso Genro da população por meio da internet.

…

Helena Aragão - Ciência Hoje On-line


Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/

domingo, setembro 04, 2011

Aos que ousam lutar!


Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam por anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.”
Bertolt Brecht

Ocupação Manuel Gutierrez 25/08/11 - UEM (Foto: Andressa Modolo)

Eles ocuparam o prédio da reitoria da Universidade Estadual de Maringá em 25.08.2011 e saíram nesta sexta-feira, dia 02 de setembro de 2011. Nestes dias, muito se falou deles. Nas salas dos professores, salas de aulas e corredores da UEM; nas residências, ruas, ônibus, igrejas, shoppings e comércio de Maringá e região; na mídia local e estadual; nos blogs, facebook, etc. Em todos os lugares, eles dividiram opiniões!

Muitos os criticaram, alguns mais exaltados clamaram por repressão. “Baderneiros”, “maconheiros”, “vagabundos”, “vândalos” e outros epítetos foram lançados à face. Ironizaram a pauta de reivindicação, reduzindo-a um ou outro item. Outros críticos, quiçá moderados, quem sabe constrangidos, direcionavam suas farpas aos meios de luta utilizados e ao reiterado argumento da “partidarização” do movimento. O velho discurso da ordem foi brandido, sem a mínima análise crítica do significado desta. O clamor pela restauração da ordem tornou-se histeria na medida em que os dias passavam e os estudantes ousavam ainda mais.

A ousadia dos estudantes forçou o corpo docente a romper o marasmo e a indiferença. Pressionados pelas circunstâncias, muitos tiveram que se posicionar. Nas salas de aula, no campus, a violência simbólica assumiu ares de retórica democrática e o poder professoral revelou-se um fator inibidor do apoio e participação ativa dos alunos no movimento. Posicionar-se é um direito democrático. Não é isto que se questiona, mas sim o agir professoral, ou seja, se o(a) professor(a) exorbita em sua autoridade. Afinal, em sala de aula a relação é de poder!

Não obstante, o Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” conquistou o apoio ativo de muitos docentes e técnicos – ainda que sejam minoria no campus. O apoio de sindicatos, associações representativas e outras instituições maringaenses também foi importante.

Juliana Ozaí da Silva e a turma do curso de Pedagogia (30.08.2011)

Os estudantes resistiram e deram uma lição de política, de democracia. Eles souberam superar as divergências internas, próprias de um movimento politicamente pluralista, pela prática democrática da autogestão. Organizaram-se em comissões, sem hierarquizações e com a assembléia estudantil como órgão máximo de debate e decisão, a qual todos estavam submetidos, inclusive e principalmente os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Gestão Movimente-se UEM. Eles construíram na prática a unidade que as forças de esquerdas neste país têm se mostrado incapaz de consolidar.

A ironia é que a práxis democrática estudantil teve como locus o símbolo do que em tese representa a comunidade acadêmica, o Conselho Universitário (COU). Foi na sala de reuniões do COU que os estudantes debateram e decidiram os rumos do movimento. De fato, o COU expressa o poder docente (a eleição para os seus membros desconsidera até mesmo o critério da paridade).

Os acadêmicos deram uma demonstração de responsabilidade. Cuidaram do patrimônio público de forma exemplar. Oxalá, todos tivéssemos a mesma consciência em relação àres publica! Eles navegaram na contracorrente de uma certa prática privatista que vê o bem público como se fosse uma dádiva governamental a ser apropriada privadamente, por vias tortuosas ou mesmo sob o verniz burocrático-legal.

Outra lição dos estudantes foi a superação do individualismo. Estamos tão absortos em nossos projetos pessoais, concorrência por editais, cargos burocráticos, etc., que perdemos a dimensão social do nosso trabalho, do que significa ser intelectual, do compromisso da universidade pública com a comunidade e a realidade social que a circunda. Eles agiram por demandas coletivas. As conquistas do movimento contribuem inclusive com o trabalho docente e serão usufruídas pelos futuros estudantes. Eles constroem uma universidade de qualidade de fato

Os espíritos conservadores – às vezes travestidos de liberais ou até mesmo com retórica marxista – horrorizam-se diante da ação real e concreta dos que não apenas estudam a história, mas ousam fazê-la; dos que não se limitam a memorizar textos, conceitos e teorias, mas aceitam o desafio de aprender com a prática e, assim, superar seus próprios mestres. As atitudes dos jovens estudantes desafiam-nos a repensar a nossa práxis docente e a observar com maior acuidade as incoerências existentes entre o discurso e a prática.

Foto: Antonio Ozaí da Silva (30.08.2011)

Todavia, talvez a maior lição dos estudantes seja o ousar lutar. A luta é uma escola de política por excelência. Os que lutaram no passado, mas se acomodaram à mesmice ou se encastelam em cargos burocráticos, talvez possam aprender algo. De qualquer forma, o aprendizado que a luta proporciona aos diretamente envolvidos têm efeitos positivos. A direção aperfeiçoou seu aprendizado político. Pedagogicamente, talvez o mais importante tenha sido a educação política das dezenas de jovens, mulheres e homens, que viveram a experiência da luta concreta. Cresceram intelectual e politicamente, tornando-se seres humanos mais conscientes e críticos. Há quem prefira que os estudantes se restrinjam a estudar e tirar nota – este modelo favorece os mais adaptados. No fundo, porque é cômodo, pois acadêmicos politizados e conscientes dos seus direitos desafiam o poder burocrático e professoral.

Ainda há muito a fazer! É preciso, por exemplo, democratizar pra valer não apenas o COU, mas também o espaço da sala de aula. No entanto, os acadêmicos do Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” deram passos importantes e foram vitoriosos em seus objetivos. Deram-nos lições e estão de parabéns. Nós, professores, podemos nos orgulhar deles e delas!

Ensaios sobre consciência e Emancipação por Mauro iasi

Vai algumas partes bem interessantes =)


"aos que negam as classes, nosso papel é fazer a revolução, e dissolver as classes, ai sim Marx estará ultrapassado." 
"a dialética se expressa no movimento próprio dos conceitos" 

"Para Marx não interessa o fenômeno como forma definida, e sim a lei de sua transformação, de seu desenvolvimento, isto é, a transição de um forma para outra, de uma ordem de relações sociais para outra."

"Se na semente já existe árvores, existem árvores que morrem presas em sementes que não germinam"

"identidade mal resolvida do proletariado, posi está essencialmente no antagonismo capital/trabalho, ele faz parte dessa.... por isso quando só a nega a afirma.. negação da negação "

"Marx frisa a passagem do feudalismo para o capitalismo ...."

"ver o fenômeno em movimento, traço fundamental de quem se pretende dialético"

"Não se trata de definir como funciona uma sociedade dada, mas fundamentalmente como ela se transforma. O que é condicionado pode agir de forma determinante sem que deixe de ser determinado." 

"Uma das ideias da dialética diz que na semente já está contida a árvore."

"continuamos, teimosamente, militando por um mundo sem classes, sem Estado e sem ideologia. Mudaremos o mundo ou morreremos tentando."

"não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência."

"ideologia em marx é inseparável dos seguintes elementos: relação de dominação; inversão da realidade e naturalização das relações de dominação; e apresentação de ideias particulares como sendo universais."

"o termo ideologia surge com o processo final da revolução francesa em 1795, que é uma ciência das ideias ou teoria geral das ideias."

"ideologia: forma particular que a classe dominante elabora e difunde suas visão de mundo, buscando torná-la universal."

"ideologia: forma particular que a classe dominante elabora e difunde suas visão de mundo, buscando torná-la universal."


"os homens fazem a história como podem e não como querem"

"protoforma da práxis humana: trabalho"

"é a ação concreta dos homens que cria sua sociabilidade insociável ou sociável.. emancipação humana em marx é a possibilidade de os seres humanos assumirem o controle da história de maneira consciente e planejada."

"Segundo Marx, não se trara de encontrar uma nova forma para o estado, mas de uma sociedade sem Estado."

"a emancipação pensada por Marx, é a restituição do mundo e das relações humanas aos próprios seres humanos - exige a superação de três mediações essenciais: mercadoria, capital e Estado. Mas, marx não citou a religião, pois pensava que essa seria suprimida"

"na concepção marxista, o Estado assume a necessidade de transformar a sociedade a partir das relações sociais de produção e propriedade e não apenas alterando a forma do Estado"

"formas de mediação que nos faz com que nos torne humano, ex : estado, religiao"
"continuação da obra coletiva, que é a história"
"a consciência nos aponta uma tarefa que transcende nossa vida individual."
"o indivíduo que se torna consciente é um indivíduo em conflito. sujeito de consciência revolucionária vive em contradição. .. é preciso buscar as mediações políticas visto que a realidade não da suporte a transformação objetiva.."

"tomar como sua a história da classe e do muindo, negando a classe em prol de toda a sociedade . negação da negação"

"consciência revolucionária, consciência para si... proletariado cobra do capital aquilo que ele mesmo produz."

"consciência em si... reivindicatória, através do grupo e relações imediatas"

"aquilo que determina e é determinado."

"o ser humano é modelo do ser humano. segundo pablo neruda, quem descobre o que sou descobrirá o quem é."

"o ser humano se aliena em três aspectos: da natureza, de si mesmo e de sua espécia."

"ideologia e alienação não são a mesma coisa"

"primeira forma de consciência: vivencia de relações que já estavam estabelecidas.. ultrageneralização... sempre foi assim e sempre será ... satisfazer necessidades ..."

"alimentação e sexo. da busca do prazer..."

"realidade externa que se interioriza."

"consciência: capacidade cognitiva e intelectual. representação na mente"

"consciência como movimento, e não como algo dado. a consciência não é, ela se torna."

"fé (acreditar sem ver)"

"que os indivíduos possam ver nos outros suas próprias contradições." 

"o movimento da consciência da classe trabalhadora não é um processo linear.. vivemos hoje um triste momento de amoldamento que exige de todos nós uma profunda e séria reflexão teórica e prática."

sábado, setembro 03, 2011

O 11 de Setembro 10 anos depois...

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Resistir.info - [Paul Craig Roberts] Dentro de dias celebrar-se-á o décimo aniversário do 11 de Setembro de 2001. De que forma resistiu o relatório oficial do governo americano ao longo da última década?


Não muito bem. O presidente, o vice-presidente e o principal advogado da Comissão do 11 Setembro escreveram livros distanciando-se parcialmente do relatório da Comissão. Dizem que a administração Bush pôs obstáculos ao seu trabalho, que lhes foi sonegada informação, que o presidente Bush se dispôs a testemunhar apenas na condição de ser acompanhado pelo vice-presidente Cheney e de nenhum dos dois estar sob juramento, que o Pentágono e os oficiais da Administração Federal da Aviação (FAA) mentiram à Comissão e que esta chegou a considerar indicar este falso testemunho para investigação por obstrução à justiça.

No seu livro, o Presidente e o Vice-Presidente, respectivamente Thomas Kean e Lee Hamilton, escreveram que a Comissão de Investigação do 11 de Setembro foi "feita para falhar". O advogado da comissão, John Farmer Jr. escreveu que o governo americano tomou "a decisão de não contar a verdade acerca do que aconteceu" e que as cassetes do Comando Americano de Defesa Aeroespacial (NORAD) "contam uma história radicalmente diferente daquela que nos foi contada e tornada pública". Ken disse que: "Até hoje não sabemos porque é que a NORAD nos disse o que disse, estando tão longe da verdade"

A maioria das questões levantadas pelas famílias das vítimas ficou sem resposta. Testemunhas importantes não foram chamadas. A Comissão apenas ouviu aqueles que subscreviam a versão do governo. A Comissão foi uma operação politicamente controlada e não uma investigação baseada em provas e acontecimentos reais. Os seus membros eram ex-políticos. Nenhum especialista foi nomeado para a Comissão.

Outro membro da comissão, o senador Max Cleland, respondeu desta forma às restrições impostas à Comissão pela Casa Branca: "Se estas decisões se mantiverem, eu, enquanto membro da Comissão, não poderei olhar nenhum americano nos olhos, especialmente os familiares das vítimas, e afirmar que a comissão teve carta branca. Esta investigação está, de agora em diante, comprometida". Cleland preferiu demitir-se a ver a sua integridade igualmente comprometida.

Para ser claro, nem Cleland nem qualquer outro membro da comissão sugeriu que o 11 de Setembro fosse um golpe montado a partir do interior do governo e destinado a promover uma agenda belicista. Porém, nem o Congresso nem os media perguntaram, pelo menos não em voz alta, porque é que o presidente Bush não desejou apresentar-se à comissão sob juramento ou sem Cheney, porque é que o Pentágono e os oficiais da FAA mentiram à Comissão, ou, se não mentiram, porque é que a Comissão ficou com a impressão de que eles mentiram, ou ainda porque é que a Casa Branca resistiu durante tanto tempo à criação de uma qualquer Comissão de Investigação, mesmo que esta estivesse sob o seu controle.

Seria legítimo pensar que, se um grupo de árabes tivesse conseguido enganar não apenas a CIA e o FBI, mas todas as 16 agências de informação americanas e todas as agências de informação dos nossos aliados, incluindo a Mossad, o Conselho Nacional de Segurança, o Departamento de Estado, a NORAD, a segurança do aeroporto quatro vezes numa manhã, o controlo aéreo, etc, o Presidente, o Congresso e os media gostariam de saber como foi possível que um evento tão improvável se produzisse. Pelo contrário, a Casa Branca mostrou grande resistência a que tal fosse descoberto e tanto o Congresso como os media mostraram um interesse diminuto.

Durante a última década, numerosas associações apelando a que se diga a verdade sobre o 11 de Setembro foram organizadas. Temos os Arquitectos e Engenheiros pela verdade do 11/9, os Bombeiros, os Pilotos, os Professores, a Associação de Memória do Edifício 7 e o Grupo de Nova York, que inclui os familiares das vítimas. Estes grupos apelam a que seja feita uma verdadeira investigação.

David Ray Griffen escreveu 10 livros, fruto de uma cuidada pesquisa, documentando problemas do relatório governamental. Os cientistas notaram que o governo não tem explicação para o aço fundido. O Instituto Nacional de Normas e Tecnologia (NIST) foi forçado a admitir que o World Trade Center 7 (WTC) estava em queda livre durante parte do seu declínio e uma equipa de cientistas liderado por um professor de nano-química da Universidade de Copenhaga anunciou ter encontrado vestígios de nanomateriais intermoleculares meta-estáveis [nanothermites ou NIM] na poeira dos edifícios.

Larry Silverstein, locador dos edifícios do World Trade Center, disse, numa emissão da PBS, que a decisão de "derrubar" o edifício 7 tinha sido tomada nessa mesma tarde de 11 de Setembro. O chefe dos bombeiros disse que não foi feita nenhuma investigação forense à destruição dos edifícios e que a ausência de tal investigação constituía uma violação da lei.

Têm sido feitos alguns esforços no sentido de explicar algumas das provas que contradizem a versão oficial, mas a maioria dessas provas são simplesmente ignoradas. Resta que o cepticismo de diversos especialistas não parece ter tido qualquer efeito na posição do governo, para além da sugestão feita por um membro da administração Obama segundo a qual o governo deve infiltrar as organizações para a verdade sobre o 11 de Setembro no sentido de as descredibilizar.

A prática tem sido a de estigmatizar como "teóricos da conspiração" todos os especialistas que manifestem dúvidas em relação à versão oficial. Mas, evidentemente, a própria versão do governo é uma teoria da conspiração, que se torna ainda menos crível quando nos apercebemos da extensão dos erros de informação e segurança necessários à sua verificação. As falhas sugeridas são incrivelmente extensas; no entanto, ninguém foi ainda responsabilizado.

Além disso, o que têm a ganhar 1500 arquitectos e engenheiros em serem ridicularizados como "teóricos da conspiração"? Certamente nunca voltarão a executar nenhuma obra pública e seguramente perderam negócios devido à sua atitude "anti-americana". A concorrência deve ter ganho com as suas dúvidas anti-patrióticas. Com efeito, a minha recompensa por vos informar acerca do que é importante uma década depois será correio a dizer-me que eu odeio tanto a América que deveria mudar-me para Cuba.

Os cientistas têm ainda menos vantagens em exprimir as suas dúvidas, o que sem dúvida explica porque é que não são 1500. Muito poucos físicos têm carreiras independentes de contratos ou bolsas do Estado. Foi um professor de Física de uma Escola Secundária que forçou a NIST a abandonar a sua versão do desaparecimento do Edifício 7. O físico Stephen Jones, que foi o primeiro a anunciar ter encontrado vestígios de explosivos, viu a sua posição académica privilegiada (tenure) ser-lhe retirada pela Universidade de Brigham, sem dúvida por pressão governamental.

Podemos descartar todas as provas contrárias como coincidências e erros e concluir que só o governo compreendeu tudo bem, o mesmo governo que compreendeu mal tudo o resto.

Mas, na realidade, o governo não explicou absolutamente nada. O relatório da NIST é uma mera simulação daquilo que poderá ter levado à queda das torres no caso de as suposições programadas no seu computador estarem correctas. Mas a NIST não fornece qualquer evidência de que tais suposições estejam correctas.

O Edifício 7 não é mencionado no relatório da Comissão e muitos americanos desconhecem até hoje que três edifícios caíram no dia 11 de Setembro.

Deixem-me ser claro sobre o assunto. Eu não estou a dizer que um qualquer grupo neo-conservador operando secretamente no seio da administração Bush explodiu as torres com o intuito de fazer progredir a sua agenda para a guerra no Médio Oriente. Mesmo que haja provas de que algo está a ser encoberto, pode tratar-se do governo a encobrir a sua incompetência e não a sua cumplicidade. Mesmo que houvesse provas definitivas de cumplicidade governamental, é duvidoso que os americanos o aceitassem. Os arquitectos, engenheiros e cientistas vivem no seio de uma comunidade que se baseia em factos. Mas, para a maioria das pessoas, os factos não conseguem competir com as emoções.

O que quero sublinhar é o quão displicente o poder executivo, incluindo as agências de segurança, o Congresso, os media e largas camadas da nossa população, tem sido em relação à investigação do momento chave do nosso tempo.

Não há dúvida de que o 11 de Setembro é um acontecimento determinante. Levou a uma década de guerras em constante expansão, ao espezinhar da Constituição e a um estado policial. No passado dia 22 de Agosto, Justin Raimondo fez saber que ele e o seu sítio web Antiwar.com estavam sob vigilância da Unidade de Análise de Comunicações Electrónicas do FBI no sentido de determinar se o Antiwar.com é "uma ameaça à segurança nacional" a trabalhar "no interesse de uma potência estrangeira".

Francis A. Boyle, um professor internacionalmente conhecido e advogado especializado em direito internacional, fez saber que, quando recusou uma oferta conjunta da CIA e do FBI para violar o sigilo profissional e tornar-se uma fonte de informações dos seus clientes árabes americanos, foi colocado na lista de vigilância anti-terrorista.

Boyle tem sido um crítico da estratégia do governo americano no mundo muçulmano, mas Raimondo nunca levantou, nem permitiu que qualquer colaborador levantasse, qualquer dúvida no que diz respeito a uma cumplicidade do governo americano no 11 de Setembro. Raimondo limita-se a estar contra a guerra e isso chega ao FBI para concluir que ele precisa de ser vigiado como uma possível ameaça à segurança do estado.

A versão governamental dos acontecimentos de 11 de Setembro é o fundamento de guerras sem fim à vista, que estão a exaurir os recursos dos EUA e a destruir a sua reputação, e é, internamente, o fundamento de um estado policial que irá acabar por calar toda e qualquer oposição à guerra. Os americanos encontram-se reduzidos à versão do 11 de Setembro como ataque terrorista muçulmano porque é ela que justifica o massacre das populações civis em vários países muçulmanos, bem como, internamente, um estado policial apresentado como o único meio de nos proteger dos terroristas, que já se transformaram em "extremistas internos", tais como ambientalistas, grupos de defesa dos direitos dos animais e activistas anti-guerra.

Se hoje os Americanos não estão seguros, não é por causa dos terroristas ou dos extremistas internos, mas sim porque perderam as suas liberdades civis e não têm qualquer protecção contra um inexplicável poder governamental. Seria legítimo pensar que a forma como tudo isto começou seria digna de um debate público e de audiências no Congresso.

24/Agosto/2011

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26174 . Tradução de MQ.



terça-feira, setembro 06, 2011

A tropa da elite nacional.


A tropa da elite nacional

Reproduzem-se na sociedade brasileira pensamentos que, mesmo distantes da realidade e desprovidos de fundamento, vão se disseminando por cansativa repetição, com a calorosa ajuda da grande mídia e acabam por conquistar mentes e corações dos mais desavisados. Ideias encorpadas pela ideologia dominante delegam ao povo brasileiro a responsabilidade por suas próprias dificuldades cotidianas de sobrevivência, invertendo deliberadamente a lógica concreta das coisas.

Ricardo Alvarez

O pior analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê
Mário Quintana

Desde longa data ouve-se nestas terras que o maior problema do Brasil é o próprio brasileiro. O jeitinho para obter vantagens, a malandragem no trato dos negócios, o desrespeito às regras como a única regra a ser respeitada, àquele que fura a fila, faz pequenos subornos sem corar, comete delitos leves e conta vantagem por isso, enfim, um rosário de desvios que acabam por configurar sua fisionomia social e sua relação com o meio social e o poder público.

Seria tolice dizer que tais situações inexistem, ou mesmo que se trata de uma invenção sem fundamento. Ao contrário, elas são reais e se repetem cotidianamente. A cada encontrão que damos com uma delas logo associamos às coisas ao jeito de ser brasileiro, ou pejorativamente falando: “o zé povinho”.

Na rede mundial de computadores, seja por e-mail, redes sociais, ou qualquer outro mecanismo de comunicação, circulam mensagens com este teor.

Será que tais comportamentos expressam um individualismo tosco, apoiado na premissa do “gosto de levar vantagem em tudo, certo?” ou estamos nós diante de uma condição histórica de formação da sociedade brasileira estruturada numa profunda exploração das classes dominantes sobre mais pobres?

Desde tempos imemoriais a sociedade brasileira constituiu-se forjada no caldeirão da miscigenação. Primeiro foram as populações autóctones (indígenas) assoladas pelo capitalismo europeu nascente, ávido de matérias primas e produtos agrícolas que abastecessem seu pujante mercado interno. A chegada dos colonizadores foi acompanhada de ansiosa exploração dos recursos naturais, apoiada na escravização da mão de obra redundando, não sem surpresas, num genocídio anunciado. Apesar disto, a ideologia dominante não cansou de repetir que os índios eram preguiçosos, não gostavam de trabalhar e até bem pouco tempo atrás os livros didáticos de história ainda ensinavam estas lições.

Os povos europeus, ao contrário, eram civilizados e tecnologicamente avançados, superiores e dotados de saber elevado. Porém a realidade era mais dura: as riquezas acumuladas que financiaram seu desenvolvimento posterior disfarçavam a verdadeira fonte das maldades, como o massacre da população local, da exploração e da escravidão. Ouro manchado de sangue.

Esta deve ter sido a primeira forma de mistificação da realidade, de desvio ideológico cujo papel era reduzir os impactos da barbárie que se praticava por aqui. A partir de então a história oficial passou a ser um instrumento de classe.

A segunda fase da exploração e da violência contra povos, em nome dos mercados e do acúmulo de capitais, se deu com o tráfico de escravos africanos para a América. Novamente a ideologia se fez presente. Após centenas de anos de combate aos quilombos, estupro de mulheres, chibatadas e enforcamentos, trabalho forçado, muito sangue derramado e, principalmente, de luta pela independência e liberdade, outra mentira que veio de cima: a abolição da escravatura brota das mãos de uma mulher nobre e branca, de espírito cândido e generoso, não dos enfrentamentos e mortes de muitos contra a opressão e a submissão.

A história oficial brasileira, escrita sempre pelas classes dominantes, ignora as lutas do povo por pão, terra e liberdade. Ao contrário, quando conquistas ocorrem, estas são sempre doações e cessões dos mais ricos, sensibilizados que estavam pelas condições dos mais pobres. Trata-se de uma visão de mundo ancorada no liberalismo, onde a condição do indivíduo sempre determina o movimento da sociedade (esta uma abstração pura) e os movimentos sociais devem ser reprimidos por desviarem o rumo natural das coisas. Aí nasce o "jeitinho brasileiro", resultante de esmolas individuais concedidas pelas classes mais abastadas e seus representantes, no lugar de direitos coletivamente conquistados.

Outra situação de clara inversão de valores, pois o que se apresenta como traço pejorativo da formação de um povo, na verdade consolida um comportamento de servidão e dependência diante dos mais abastados. Se você não consegue ser atendido no hospital o problema é seu, pois o direito ao serviço situa-se num patamar inferior à sua capacidade de ter amigos certos em lugares certos.

O ciclo da manutenção da pobreza passa pelo desrespeito, ou mesmo inexistência, do direito coletivo em detrimento do favor pessoal, resultando em duas grandes vantagens às elites nacionais: a) a perenização de um estruturado sistema de favores e débitos; b) a consolidação da força política e do poder econômico. Se exite um "jeitinho" titpicamente brasileiro, ele o é muito mais produto desta relação de poder estabelecido do que um deslize de índole. Como a culpa recai sobre a vítima, institui-se a máxima que nosso povo é desprovido de ética.

Com tantos exemplos assim, nossas elites se acostumaram a valorizar outros povos na mesma medida em que desvalorizam o seu próprio. A mistura gerada entre negros, índios e europeus criou uma “gentalha” feia, sem glamour e, o que é pior, pobre. O verdadeiro valor está nas coisas feitas por europeus e norte-americanos.

A avenida paulista, em São Paulo, quase não possui mais nenhum casarão da época dos Barões do Café. Estes acumularam grande riqueza durante a vigência do ciclo e escolheram o espigão que separa as bacias dos rios Tamanduateí e Pinheiros para morar. Um século depois parte de nossa história foi demolida junto com estas construções sob a batuta dos novos ricos. Em seu lugar prédios envidraçados sintetizando a modernidade e o progresso. Se a memória da elite vai para o buraco com esta facilidade, o que dizer de vilas operárias e casas populares?

A arquitetura não foge à regra: nos países temperados é preciso aproveitar o máximo de luz em função das características climáticas e de iluminação (grandes vidraças), aqui reproduzimos o modelo partindo da lógica de que o que é bom para eles também o é para nós, como isso gastamos energia aos montes com ar-condicionados para reduzir o abafa dentro dos prédios.

Destruímos nosso patrimônio histórico sem perdão sob o impulso desta fantasia pseudomodernizante que enxerga no novo sempre o melhor. É o reino da mentalidade colonizada, que engtra em êxtase fotografando castelos medievais preservados do feudalismo europeu, ornados com pau-brasil brasileiro, castiçais de prata argentina e luminárias de ouro boliviano, mas refuta sua própria história.

Há cerca de uma centena de anos atrás, diante do cenário que se avizinhava da eclosão da primeira guerra mundial, muitos imigrantes aportaram no Brasil em busca de paz e trabalho. Foram recebidos num país ainda basicamente agrário e exportador, mas com muita generosidade e calor humano. Nada de segregação e repulsão aos novos moradores, ao contrário. Hoje os líderes europeus, com apoio de parte de sua população que se deixa levar pela ladainha do discurso fácil, fecham as portas para os imigrantes, jogando em suas costas a culpa pela crise que enfrentam, apontam seu dedo contra islâmicos e ovacionando a política de combate ao terror dos EUA. Já o fizeram no passado, em momento histórico diferente, mas em circunstâncias parecidas, deu no que deu: o nazismo conquistou corações e mentes, mas deixou um rastro de ódio entre os homens.

O antropólogo Darcy Ribeiro já havia dissertado em belo livro (O Povo Brasileiro) que nossa grande riqueza é justamente esta mistura de gentes em nossas terras, gerando um povo singular e de grande significado cultural. Nossas elites tem ojeriza dele, gostam de coisas importadas e desgostam desta condição miscigenante, preferem a raça pura, se isolam em condomínios fechados, andam em carros blindados, viajam em helicópteros, fazem compras em Miami, endeusam botox, silicone epersonal trainer, curtem academias de ginástica, valorizam o corpo na mesma medida em que interessam pela vida alheia. Mas nada de livros e leitura. Tirando Mindlin e outros casos esporádicos, não me lembro de conhecer burgueses tupiniquins que cultivem bibliotecas, livros e leitura. Nossa elite é assim mesmo: predatória, submissa e pouco culta.

O mais engraçado é que esta mesma elite que cultiva o efêmero e a superficialidade, não se cansa de reafirmar que a condição social de boa parte dos brasileiros resulta de sua própria incompetência e preguiça. O programa Bolsa-Família é o grande alvo neste sentido, porém mal sabem eles que o programa estimula o capitalismo por irrigar com recursos a base da pirâmide, provocando um efeito em cadeia virtuoso em direção ao pico, justamente onde estão os que fazem beicinho contra o programa. Mal sabem também que o Bolsa-Família não veio para mudar a ordem das coisas, as elites não precisam temer que isto ocorrra, senão ele não teria começado no governo do seu digno representante: FHC.

Numa eleição presidencial nos anos 80 o maior líder da indústria paulista, Mario Amato, então presidente da FIESP, declarou que se um determinado candidato ganhasse as eleições ele deixaria o país. É um pensamento representativo de classe, tipificado pela ideia de ganhar sempre. É a mais digna expressão de uma lógica profundamente gananciosa, são verdadeiros piratas de terra, que navegam nas águas da intransigência quando seu direito de tomar champanhe é supostamente ameaçado.

O que dizer daquele grupo de rapazes que espancou uma trabalhadora num ponto de ônibus no Rio de Janeiro, achando que ela era prostituta? Recordo-me da mãe de um deles dizendo que “eles não poderiam ficar presos nas mesmas celas que bandidos”. Interessante seu conceito de bandido, prisão e crime. Há também o índio Pataxó Galdino, que morreu queimado quando dormia num ponto de ônibus, os rapazes que foram atacados na Avenida Paulista por um grupo que os identificou como homossexuais, os ricos de Higienópolis que não querem os diferenciados passando em frente de suas casas com a estação do metrô, enfim, os exemplos de intolerância e incapacidade de convivência com o diferente são abundantes.

Esta é uma visão de mundo que nasce no seio das elites nacionais e reproduz socialmente como verdade, seja através dos grandes meios de comunicação, de seus representantes no parlamento, no executivo, no judiciário, ou mesmo, através dos ensinamentos escolares.

É o exercício diário de quem se recusa a pagar impostos (sobre grandes fortunas ou transmissão de bens por de hereditariedade), que corrompe o poder público em benefícios pessoais, critica qualquer forma de transferência de renda para camadas mais baixas, é contra a participação popular na gestão pública, reifica o “laissez-faire”, aplaudiu de pé as privatizações, que defendem entusiasticamente a tese de que a pobreza resulta de excessos populacionais (como é pouco culta ainda não descobriu que Malthus já está superado), que não se inquieta diante de pobres que morrem em filas de hospitais desprovidos dos direitos mais elementares.

O jeitinho brasileiro não é, neste contexto, o resultado de um “povinho” que gosta de obter vantagens, mas sim uma opção de acesso aos serviços básicos e essenciais que lhe são historicamente negados, é o pedido diário de benção para os senhores do dinheiro, é o beijo na mão para se conseguir o que lhe era de direito. A elite nacional transforma cidadania em favores, para garantir seus privilégios e manter hordas de miseráveis sob seu domínio.

É até compreensível sua ignorância em relação ao mundo absorta que está em sua pequenez de objetivos, mas ela poderia ao menos ter vergonha de apontar o dedo da culpa para àqueles que são justamente a vítima histórica deste país abissalmente desigual e injusto.

Ricardo Alvarez é geógrafo, professor e editor do site Controvérsia
www.controversia.com.br |www.controversia.com.br/blog

segunda-feira, setembro 05, 2011

Revolução 2.0 - Crise do Capitalismo Global.



Revolução 2.0

Professores, advogados e ativistas de Brasil, Espanha, Itália e França debatem a crise do capitalismo global e os novos caminhos virtuais para uma sociedade mais justa.

Helena Aragão

Revolução 2.0

O movimento 15M tem ocupado diversas praças da Espanha, como esta na cidade de Vitoria-Gasteiz. Para Raul Sanchez, da Universidade Nômade de Madri, este é o momento mais importante da democracia do país. (foto: Roberto Hextall/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

Revoltas estouram em diversas partes do globo. Real e virtual compartilham fronteiras cada vez menos nítidas. Governos tentam controlar a internet. Essas são algumas das características de um mundo em transição, desencadeadas pela crise financeira que assombra populações desde o fim da década passada.

Interpretar esses acontecimentos e suas consequências é tarefa complicada diante da velocidade com que novas questões são colocadas. Essa foi uma das constatações compartilhadas pelos participantes do 3º Seminário Internacional Capitalismo Cognitivo, realizado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro.

Para os palestrantes, as redes sociais estão demonstrando necessidade de uma democracia mais participativa

Nos três dias de evento (24-26/8), que nesta edição tratou de “Revolução 2.0: da crise do capitalismo global à constituição do comum”, professores universitários, advogados e ativistas de Brasil, Espanha, Itália e França discutiram os novos caminhos e velhos problemas na busca de uma sociedade mais justa.

Capitalismo cognitivo seria uma espécie de ‘terceira via’ desse modelo econômico, marcado por aspectos intelectuais e imateriais que o diferenciam das vertentes anteriores (mercantil e industrial). Para muitos dos palestrantes, são justamente os valores subjetivos de populações que estão sobressaindo nas redes sociais, demonstrando a necessidade de uma democracia mais participativa.

Abelhas, formigas e nós

“Abelhas e formigas não debatem, mas se organizam e seguem estímulos sensitivos; faço esse paralelo com o que acontece conosco no mundo virtual”, observou Raul Sanchez, integrante da Universidade Nômade de Madri e do movimento 15M , que tem agitado diversas cidades espanholas em respostas às medidas de austeridade do governo.

“Estamos vivendo o movimento mais importante da nossa democracia. No começo, éramos 100 pessoas na Praça do Sol e a polícia resolveu intervir. No dia seguinte, praças de todo o país estavam ocupadas. Foi um movimento consciente? Não. Foi um grito coletivo. As pessoas continuam lá e não param de falar.”

Sal da Praça Tahrir, Sol da praça espanhola e sul da América Latina devem trazer as melhores propostas para o futuro

Para o professor Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há diferentes visões da crise: os neoliberais a atribuem a resíduos do wellfare state, enquanto os Brics – grupo formado pelos emergentes Brasil, Rússia, Índia e China – criticam o excesso de ganância dos mais ricos.

“As melhores propostas devem sair do trabalho coletivo do sal da Praça Tahrir, no Egito, do Sol da praça espanhola e do sul da América Latina”, disse o acadêmico, referindo-se às manifestações populares que marcaram os últimos meses na Europa e no norte da África e à esperança de novos rumos na democracia do nosso continente.

“Eu queria mudar o mundo. Mas não tive acesso ao código”

As manifestações pacíficas na Espanha também foram mencionadas por Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, em apresentação recheada de exemplos de ciberativismo e de frases de efeito como a do subtítulo acima, de autor anônimo.

Preparação para Marcha da Liberdade (SP)

Ativistas preparam cartazes para a Marcha da Liberdade em São Paulo. Manifestações de movimentos sociais foram organizadas em várias cidades do Brasil, mas ficaram restritas à participação da classe média. (foto: Rafael Rolim/ Flickr – CC BY-SA 2.0)

“Não conseguia me desconectar da transmissão ao vivo da Praça do Sol feita pelos próprios manifestantes na internet. Uma informação audiovisual totalmente diferente das imagens que nos chegavam da tragédia do 11 de setembro pelas grandes corporações de TV dez anos atrás”, comparou.

Um dos momentos mais agitados do debate foi motivado pela fala de Bentes sobre as marchas organizadas por movimentos sociais brasileiros neste ano. Diversas pessoas da plateia pediram a palavra para observar que são movimentos de classe média, com pouca participação das periferias. “A separação entre ricos e pobres no Brasil é tão notável que até nesses movimentos ela aparece”, observou um participante.

Produção compartilhada de conhecimento e crise de governança também deram o tom dos outros dias de debate. No último dia (26/8), Sergio Amadeu, da Universidade Federal do ABC, exaltou o ativismo hacker, que busca a transparência de dados dos governos, e Vinicius Wu, do governo do Rio Grande do Sul, fez apresentação complementar mostrando os objetivos do Gabinete Digital, iniciativa que tenta aproximar o governador Tarso Genro da população por meio da internet.

…

Helena Aragão - Ciência Hoje On-line


Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/

domingo, setembro 04, 2011

Aos que ousam lutar!


Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam por anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.”
Bertolt Brecht

Ocupação Manuel Gutierrez 25/08/11 - UEM (Foto: Andressa Modolo)

Eles ocuparam o prédio da reitoria da Universidade Estadual de Maringá em 25.08.2011 e saíram nesta sexta-feira, dia 02 de setembro de 2011. Nestes dias, muito se falou deles. Nas salas dos professores, salas de aulas e corredores da UEM; nas residências, ruas, ônibus, igrejas, shoppings e comércio de Maringá e região; na mídia local e estadual; nos blogs, facebook, etc. Em todos os lugares, eles dividiram opiniões!

Muitos os criticaram, alguns mais exaltados clamaram por repressão. “Baderneiros”, “maconheiros”, “vagabundos”, “vândalos” e outros epítetos foram lançados à face. Ironizaram a pauta de reivindicação, reduzindo-a um ou outro item. Outros críticos, quiçá moderados, quem sabe constrangidos, direcionavam suas farpas aos meios de luta utilizados e ao reiterado argumento da “partidarização” do movimento. O velho discurso da ordem foi brandido, sem a mínima análise crítica do significado desta. O clamor pela restauração da ordem tornou-se histeria na medida em que os dias passavam e os estudantes ousavam ainda mais.

A ousadia dos estudantes forçou o corpo docente a romper o marasmo e a indiferença. Pressionados pelas circunstâncias, muitos tiveram que se posicionar. Nas salas de aula, no campus, a violência simbólica assumiu ares de retórica democrática e o poder professoral revelou-se um fator inibidor do apoio e participação ativa dos alunos no movimento. Posicionar-se é um direito democrático. Não é isto que se questiona, mas sim o agir professoral, ou seja, se o(a) professor(a) exorbita em sua autoridade. Afinal, em sala de aula a relação é de poder!

Não obstante, o Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” conquistou o apoio ativo de muitos docentes e técnicos – ainda que sejam minoria no campus. O apoio de sindicatos, associações representativas e outras instituições maringaenses também foi importante.

Juliana Ozaí da Silva e a turma do curso de Pedagogia (30.08.2011)

Os estudantes resistiram e deram uma lição de política, de democracia. Eles souberam superar as divergências internas, próprias de um movimento politicamente pluralista, pela prática democrática da autogestão. Organizaram-se em comissões, sem hierarquizações e com a assembléia estudantil como órgão máximo de debate e decisão, a qual todos estavam submetidos, inclusive e principalmente os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Gestão Movimente-se UEM. Eles construíram na prática a unidade que as forças de esquerdas neste país têm se mostrado incapaz de consolidar.

A ironia é que a práxis democrática estudantil teve como locus o símbolo do que em tese representa a comunidade acadêmica, o Conselho Universitário (COU). Foi na sala de reuniões do COU que os estudantes debateram e decidiram os rumos do movimento. De fato, o COU expressa o poder docente (a eleição para os seus membros desconsidera até mesmo o critério da paridade).

Os acadêmicos deram uma demonstração de responsabilidade. Cuidaram do patrimônio público de forma exemplar. Oxalá, todos tivéssemos a mesma consciência em relação àres publica! Eles navegaram na contracorrente de uma certa prática privatista que vê o bem público como se fosse uma dádiva governamental a ser apropriada privadamente, por vias tortuosas ou mesmo sob o verniz burocrático-legal.

Outra lição dos estudantes foi a superação do individualismo. Estamos tão absortos em nossos projetos pessoais, concorrência por editais, cargos burocráticos, etc., que perdemos a dimensão social do nosso trabalho, do que significa ser intelectual, do compromisso da universidade pública com a comunidade e a realidade social que a circunda. Eles agiram por demandas coletivas. As conquistas do movimento contribuem inclusive com o trabalho docente e serão usufruídas pelos futuros estudantes. Eles constroem uma universidade de qualidade de fato

Os espíritos conservadores – às vezes travestidos de liberais ou até mesmo com retórica marxista – horrorizam-se diante da ação real e concreta dos que não apenas estudam a história, mas ousam fazê-la; dos que não se limitam a memorizar textos, conceitos e teorias, mas aceitam o desafio de aprender com a prática e, assim, superar seus próprios mestres. As atitudes dos jovens estudantes desafiam-nos a repensar a nossa práxis docente e a observar com maior acuidade as incoerências existentes entre o discurso e a prática.

Foto: Antonio Ozaí da Silva (30.08.2011)

Todavia, talvez a maior lição dos estudantes seja o ousar lutar. A luta é uma escola de política por excelência. Os que lutaram no passado, mas se acomodaram à mesmice ou se encastelam em cargos burocráticos, talvez possam aprender algo. De qualquer forma, o aprendizado que a luta proporciona aos diretamente envolvidos têm efeitos positivos. A direção aperfeiçoou seu aprendizado político. Pedagogicamente, talvez o mais importante tenha sido a educação política das dezenas de jovens, mulheres e homens, que viveram a experiência da luta concreta. Cresceram intelectual e politicamente, tornando-se seres humanos mais conscientes e críticos. Há quem prefira que os estudantes se restrinjam a estudar e tirar nota – este modelo favorece os mais adaptados. No fundo, porque é cômodo, pois acadêmicos politizados e conscientes dos seus direitos desafiam o poder burocrático e professoral.

Ainda há muito a fazer! É preciso, por exemplo, democratizar pra valer não apenas o COU, mas também o espaço da sala de aula. No entanto, os acadêmicos do Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” deram passos importantes e foram vitoriosos em seus objetivos. Deram-nos lições e estão de parabéns. Nós, professores, podemos nos orgulhar deles e delas!

Ensaios sobre consciência e Emancipação por Mauro iasi

Vai algumas partes bem interessantes =)


"aos que negam as classes, nosso papel é fazer a revolução, e dissolver as classes, ai sim Marx estará ultrapassado." 
"a dialética se expressa no movimento próprio dos conceitos" 

"Para Marx não interessa o fenômeno como forma definida, e sim a lei de sua transformação, de seu desenvolvimento, isto é, a transição de um forma para outra, de uma ordem de relações sociais para outra."

"Se na semente já existe árvores, existem árvores que morrem presas em sementes que não germinam"

"identidade mal resolvida do proletariado, posi está essencialmente no antagonismo capital/trabalho, ele faz parte dessa.... por isso quando só a nega a afirma.. negação da negação "

"Marx frisa a passagem do feudalismo para o capitalismo ...."

"ver o fenômeno em movimento, traço fundamental de quem se pretende dialético"

"Não se trata de definir como funciona uma sociedade dada, mas fundamentalmente como ela se transforma. O que é condicionado pode agir de forma determinante sem que deixe de ser determinado." 

"Uma das ideias da dialética diz que na semente já está contida a árvore."

"continuamos, teimosamente, militando por um mundo sem classes, sem Estado e sem ideologia. Mudaremos o mundo ou morreremos tentando."

"não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência."

"ideologia em marx é inseparável dos seguintes elementos: relação de dominação; inversão da realidade e naturalização das relações de dominação; e apresentação de ideias particulares como sendo universais."

"o termo ideologia surge com o processo final da revolução francesa em 1795, que é uma ciência das ideias ou teoria geral das ideias."

"ideologia: forma particular que a classe dominante elabora e difunde suas visão de mundo, buscando torná-la universal."

"ideologia: forma particular que a classe dominante elabora e difunde suas visão de mundo, buscando torná-la universal."


"os homens fazem a história como podem e não como querem"

"protoforma da práxis humana: trabalho"

"é a ação concreta dos homens que cria sua sociabilidade insociável ou sociável.. emancipação humana em marx é a possibilidade de os seres humanos assumirem o controle da história de maneira consciente e planejada."

"Segundo Marx, não se trara de encontrar uma nova forma para o estado, mas de uma sociedade sem Estado."

"a emancipação pensada por Marx, é a restituição do mundo e das relações humanas aos próprios seres humanos - exige a superação de três mediações essenciais: mercadoria, capital e Estado. Mas, marx não citou a religião, pois pensava que essa seria suprimida"

"na concepção marxista, o Estado assume a necessidade de transformar a sociedade a partir das relações sociais de produção e propriedade e não apenas alterando a forma do Estado"

"formas de mediação que nos faz com que nos torne humano, ex : estado, religiao"
"continuação da obra coletiva, que é a história"
"a consciência nos aponta uma tarefa que transcende nossa vida individual."
"o indivíduo que se torna consciente é um indivíduo em conflito. sujeito de consciência revolucionária vive em contradição. .. é preciso buscar as mediações políticas visto que a realidade não da suporte a transformação objetiva.."

"tomar como sua a história da classe e do muindo, negando a classe em prol de toda a sociedade . negação da negação"

"consciência revolucionária, consciência para si... proletariado cobra do capital aquilo que ele mesmo produz."

"consciência em si... reivindicatória, através do grupo e relações imediatas"

"aquilo que determina e é determinado."

"o ser humano é modelo do ser humano. segundo pablo neruda, quem descobre o que sou descobrirá o quem é."

"o ser humano se aliena em três aspectos: da natureza, de si mesmo e de sua espécia."

"ideologia e alienação não são a mesma coisa"

"primeira forma de consciência: vivencia de relações que já estavam estabelecidas.. ultrageneralização... sempre foi assim e sempre será ... satisfazer necessidades ..."

"alimentação e sexo. da busca do prazer..."

"realidade externa que se interioriza."

"consciência: capacidade cognitiva e intelectual. representação na mente"

"consciência como movimento, e não como algo dado. a consciência não é, ela se torna."

"fé (acreditar sem ver)"

"que os indivíduos possam ver nos outros suas próprias contradições." 

"o movimento da consciência da classe trabalhadora não é um processo linear.. vivemos hoje um triste momento de amoldamento que exige de todos nós uma profunda e séria reflexão teórica e prática."

sábado, setembro 03, 2011

O 11 de Setembro 10 anos depois...

030911_pentagono

Resistir.info - [Paul Craig Roberts] Dentro de dias celebrar-se-á o décimo aniversário do 11 de Setembro de 2001. De que forma resistiu o relatório oficial do governo americano ao longo da última década?


Não muito bem. O presidente, o vice-presidente e o principal advogado da Comissão do 11 Setembro escreveram livros distanciando-se parcialmente do relatório da Comissão. Dizem que a administração Bush pôs obstáculos ao seu trabalho, que lhes foi sonegada informação, que o presidente Bush se dispôs a testemunhar apenas na condição de ser acompanhado pelo vice-presidente Cheney e de nenhum dos dois estar sob juramento, que o Pentágono e os oficiais da Administração Federal da Aviação (FAA) mentiram à Comissão e que esta chegou a considerar indicar este falso testemunho para investigação por obstrução à justiça.

No seu livro, o Presidente e o Vice-Presidente, respectivamente Thomas Kean e Lee Hamilton, escreveram que a Comissão de Investigação do 11 de Setembro foi "feita para falhar". O advogado da comissão, John Farmer Jr. escreveu que o governo americano tomou "a decisão de não contar a verdade acerca do que aconteceu" e que as cassetes do Comando Americano de Defesa Aeroespacial (NORAD) "contam uma história radicalmente diferente daquela que nos foi contada e tornada pública". Ken disse que: "Até hoje não sabemos porque é que a NORAD nos disse o que disse, estando tão longe da verdade"

A maioria das questões levantadas pelas famílias das vítimas ficou sem resposta. Testemunhas importantes não foram chamadas. A Comissão apenas ouviu aqueles que subscreviam a versão do governo. A Comissão foi uma operação politicamente controlada e não uma investigação baseada em provas e acontecimentos reais. Os seus membros eram ex-políticos. Nenhum especialista foi nomeado para a Comissão.

Outro membro da comissão, o senador Max Cleland, respondeu desta forma às restrições impostas à Comissão pela Casa Branca: "Se estas decisões se mantiverem, eu, enquanto membro da Comissão, não poderei olhar nenhum americano nos olhos, especialmente os familiares das vítimas, e afirmar que a comissão teve carta branca. Esta investigação está, de agora em diante, comprometida". Cleland preferiu demitir-se a ver a sua integridade igualmente comprometida.

Para ser claro, nem Cleland nem qualquer outro membro da comissão sugeriu que o 11 de Setembro fosse um golpe montado a partir do interior do governo e destinado a promover uma agenda belicista. Porém, nem o Congresso nem os media perguntaram, pelo menos não em voz alta, porque é que o presidente Bush não desejou apresentar-se à comissão sob juramento ou sem Cheney, porque é que o Pentágono e os oficiais da FAA mentiram à Comissão, ou, se não mentiram, porque é que a Comissão ficou com a impressão de que eles mentiram, ou ainda porque é que a Casa Branca resistiu durante tanto tempo à criação de uma qualquer Comissão de Investigação, mesmo que esta estivesse sob o seu controle.

Seria legítimo pensar que, se um grupo de árabes tivesse conseguido enganar não apenas a CIA e o FBI, mas todas as 16 agências de informação americanas e todas as agências de informação dos nossos aliados, incluindo a Mossad, o Conselho Nacional de Segurança, o Departamento de Estado, a NORAD, a segurança do aeroporto quatro vezes numa manhã, o controlo aéreo, etc, o Presidente, o Congresso e os media gostariam de saber como foi possível que um evento tão improvável se produzisse. Pelo contrário, a Casa Branca mostrou grande resistência a que tal fosse descoberto e tanto o Congresso como os media mostraram um interesse diminuto.

Durante a última década, numerosas associações apelando a que se diga a verdade sobre o 11 de Setembro foram organizadas. Temos os Arquitectos e Engenheiros pela verdade do 11/9, os Bombeiros, os Pilotos, os Professores, a Associação de Memória do Edifício 7 e o Grupo de Nova York, que inclui os familiares das vítimas. Estes grupos apelam a que seja feita uma verdadeira investigação.

David Ray Griffen escreveu 10 livros, fruto de uma cuidada pesquisa, documentando problemas do relatório governamental. Os cientistas notaram que o governo não tem explicação para o aço fundido. O Instituto Nacional de Normas e Tecnologia (NIST) foi forçado a admitir que o World Trade Center 7 (WTC) estava em queda livre durante parte do seu declínio e uma equipa de cientistas liderado por um professor de nano-química da Universidade de Copenhaga anunciou ter encontrado vestígios de nanomateriais intermoleculares meta-estáveis [nanothermites ou NIM] na poeira dos edifícios.

Larry Silverstein, locador dos edifícios do World Trade Center, disse, numa emissão da PBS, que a decisão de "derrubar" o edifício 7 tinha sido tomada nessa mesma tarde de 11 de Setembro. O chefe dos bombeiros disse que não foi feita nenhuma investigação forense à destruição dos edifícios e que a ausência de tal investigação constituía uma violação da lei.

Têm sido feitos alguns esforços no sentido de explicar algumas das provas que contradizem a versão oficial, mas a maioria dessas provas são simplesmente ignoradas. Resta que o cepticismo de diversos especialistas não parece ter tido qualquer efeito na posição do governo, para além da sugestão feita por um membro da administração Obama segundo a qual o governo deve infiltrar as organizações para a verdade sobre o 11 de Setembro no sentido de as descredibilizar.

A prática tem sido a de estigmatizar como "teóricos da conspiração" todos os especialistas que manifestem dúvidas em relação à versão oficial. Mas, evidentemente, a própria versão do governo é uma teoria da conspiração, que se torna ainda menos crível quando nos apercebemos da extensão dos erros de informação e segurança necessários à sua verificação. As falhas sugeridas são incrivelmente extensas; no entanto, ninguém foi ainda responsabilizado.

Além disso, o que têm a ganhar 1500 arquitectos e engenheiros em serem ridicularizados como "teóricos da conspiração"? Certamente nunca voltarão a executar nenhuma obra pública e seguramente perderam negócios devido à sua atitude "anti-americana". A concorrência deve ter ganho com as suas dúvidas anti-patrióticas. Com efeito, a minha recompensa por vos informar acerca do que é importante uma década depois será correio a dizer-me que eu odeio tanto a América que deveria mudar-me para Cuba.

Os cientistas têm ainda menos vantagens em exprimir as suas dúvidas, o que sem dúvida explica porque é que não são 1500. Muito poucos físicos têm carreiras independentes de contratos ou bolsas do Estado. Foi um professor de Física de uma Escola Secundária que forçou a NIST a abandonar a sua versão do desaparecimento do Edifício 7. O físico Stephen Jones, que foi o primeiro a anunciar ter encontrado vestígios de explosivos, viu a sua posição académica privilegiada (tenure) ser-lhe retirada pela Universidade de Brigham, sem dúvida por pressão governamental.

Podemos descartar todas as provas contrárias como coincidências e erros e concluir que só o governo compreendeu tudo bem, o mesmo governo que compreendeu mal tudo o resto.

Mas, na realidade, o governo não explicou absolutamente nada. O relatório da NIST é uma mera simulação daquilo que poderá ter levado à queda das torres no caso de as suposições programadas no seu computador estarem correctas. Mas a NIST não fornece qualquer evidência de que tais suposições estejam correctas.

O Edifício 7 não é mencionado no relatório da Comissão e muitos americanos desconhecem até hoje que três edifícios caíram no dia 11 de Setembro.

Deixem-me ser claro sobre o assunto. Eu não estou a dizer que um qualquer grupo neo-conservador operando secretamente no seio da administração Bush explodiu as torres com o intuito de fazer progredir a sua agenda para a guerra no Médio Oriente. Mesmo que haja provas de que algo está a ser encoberto, pode tratar-se do governo a encobrir a sua incompetência e não a sua cumplicidade. Mesmo que houvesse provas definitivas de cumplicidade governamental, é duvidoso que os americanos o aceitassem. Os arquitectos, engenheiros e cientistas vivem no seio de uma comunidade que se baseia em factos. Mas, para a maioria das pessoas, os factos não conseguem competir com as emoções.

O que quero sublinhar é o quão displicente o poder executivo, incluindo as agências de segurança, o Congresso, os media e largas camadas da nossa população, tem sido em relação à investigação do momento chave do nosso tempo.

Não há dúvida de que o 11 de Setembro é um acontecimento determinante. Levou a uma década de guerras em constante expansão, ao espezinhar da Constituição e a um estado policial. No passado dia 22 de Agosto, Justin Raimondo fez saber que ele e o seu sítio web Antiwar.com estavam sob vigilância da Unidade de Análise de Comunicações Electrónicas do FBI no sentido de determinar se o Antiwar.com é "uma ameaça à segurança nacional" a trabalhar "no interesse de uma potência estrangeira".

Francis A. Boyle, um professor internacionalmente conhecido e advogado especializado em direito internacional, fez saber que, quando recusou uma oferta conjunta da CIA e do FBI para violar o sigilo profissional e tornar-se uma fonte de informações dos seus clientes árabes americanos, foi colocado na lista de vigilância anti-terrorista.

Boyle tem sido um crítico da estratégia do governo americano no mundo muçulmano, mas Raimondo nunca levantou, nem permitiu que qualquer colaborador levantasse, qualquer dúvida no que diz respeito a uma cumplicidade do governo americano no 11 de Setembro. Raimondo limita-se a estar contra a guerra e isso chega ao FBI para concluir que ele precisa de ser vigiado como uma possível ameaça à segurança do estado.

A versão governamental dos acontecimentos de 11 de Setembro é o fundamento de guerras sem fim à vista, que estão a exaurir os recursos dos EUA e a destruir a sua reputação, e é, internamente, o fundamento de um estado policial que irá acabar por calar toda e qualquer oposição à guerra. Os americanos encontram-se reduzidos à versão do 11 de Setembro como ataque terrorista muçulmano porque é ela que justifica o massacre das populações civis em vários países muçulmanos, bem como, internamente, um estado policial apresentado como o único meio de nos proteger dos terroristas, que já se transformaram em "extremistas internos", tais como ambientalistas, grupos de defesa dos direitos dos animais e activistas anti-guerra.

Se hoje os Americanos não estão seguros, não é por causa dos terroristas ou dos extremistas internos, mas sim porque perderam as suas liberdades civis e não têm qualquer protecção contra um inexplicável poder governamental. Seria legítimo pensar que a forma como tudo isto começou seria digna de um debate público e de audiências no Congresso.

24/Agosto/2011

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26174 . Tradução de MQ.