quinta-feira, novembro 04, 2010

UMA ELEIÇÃO, TANTAS FACETAS, ALGUMAS PERGUNTAS...



Alder Júlio Ferreira Calado

            É sabido que as democracias representativas, além de cultuarem o processo eleitoral como um dogma, fazendo nele incidir “a” marca da essência democrática, nelas também as eleições têm características comuns, não importa onde se dêem. Por outro lado, sem prejuízo de seus aspectos comuns, toda eleição tem sua história particular. Foi bem o caso destas de 2010 que, para mim (que já nada aposto nesta via, para a construção de uma nova sociedade), tiveram uma dinâmica especial.
Pela primeira vez, desde que fui convencido, pela natureza da atual conjuntura, a não mais apostar nos embates eleitorais como fator ou como espaço propício à luta por mudança estrutural, seguindo, porém, minha trajetória de militância política nas “correntezas subterrâneas”, eis que me deparei com uma campanha eleitoral que me trouxe várias surpresas e alguns questionamentos. Começo por destacar um certo número de facetas desta campanha, para, em seguida, formular alguns questionamentos, a título de ensinamentos que recolho desta empreitada.

Uma eleição atípica, de múltiplas facetas

            Se, nas anteriores, acompanhava, como sempre o faço, a movimentação geral, sem me envolver mais de perto nessa disputa, desta vez, foi diferente. Embora sem envolvimento orgânico, mas pelo fato de acompanhar debates, noticiários, textos, artigos, depoimentos, etc., devo confessar que as eleições de 2010 me impactaram, de modo muito especial.
            Continuo com dificuldade crescente de entender a lógica que move a esquerda partidária - embora se esforce em dizer o contrário = a apostar tanto nos embates eleitorais, cujo saldo político-pedagógico e cujos frutos concretos não justificam, na minha modesta avaliação, os esforços envidados, o tempo despendido e os investimentos realizados (em certos casos, até implicando endividamento)... Continuo sustentando que seriam bem outros os frutos, se, em vez de seguirem apostando na cada vez mais desgastada via eleitoral, centrassem seus esforços em atividades visando a um enraizamento mais consistente nas lutas sociais do campo e das periferias urbanas, de modo diuturno.
            Como estamos cansados de saber (mas teimando incorrigivelmente em tirar leite de bode...), a logística das campanhas eleitorais só pode favorecer aos candidatos dos partidos ou coligações da ordem. Assim se fez, em relação às candidaturas Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. A candidatura Plínio correu um tanto à margem desse processo, mas sempre implicando alguma vantagem para o sistema, à medida que, assim agindo, o sistema se faz passar como generoso e mais“democrático”...
Sendo assim, o regime nada teria a temer, quem quer que dos três candidatos saísse vitorioso. Até pode ter alguma preferência adjetiva. Mas isto não impediria, como não impediu, generosos financiamentos assegurados por setores privilegiados do sistema aos três candidatos, certos de que, após a eleição, a fatura será honrada, pois “Quem come do pirão, prova do meu cinturão.” Com efeito, de quê mesmo teriam os setores financistas ou o agronegócio que se queixar das candidaturas oficiais?
Bem mais do que em eleições precedentes, foi descomunal o investimento da militância da candidata Dilma Rousseff, principalmente pela via eletrônica. Das demais candidaturas, também. Mas, sobretudo, no segundo turno, envolvendo as candidaturas Dilma Rousseff e José Serra. De fato, foi extraordinário o movimento diário dos correios eletrônicos, prestando-se, de modo eficaz e com excessos de parte a parte, a sensibilizar e a influir sobre uma parcela considerável da população. Com uma vantagem (entre outras): a de tratar-se de um público detentor também de relativo poder de influência para além desta categoria. Um dos pontos mais chocantes foi o recurso abusivo à motivação religiosa, à sórdida manipulação da boa fé de parte considerável da população, numa afronta à desejável laicidade do Estado. Felizmente, tratou-se de uma tática eleitoralmente mal sucedida.
            Ainda que não determinante, contou positivamente, em favor da candidatura Dilma Rousseff, o fato de ser mulher, ao apresentar-se com um traço excepcional: seria a primeira mulher brasileira, a ser eleita presidente do Brasil. Embora deseje, com ardor, ver cada vez mais e melhor reconhecido o lugar das mulheres na sociedade, por outras vias, associo-me a essa comemoração, desse ponto de vista, ainda que tal processo se tenha dado não por só por conquista, também – e em parte considerável – por concessão...
            Fato também atípico quanto inquietante foi a forma (que reputo infeliz) de participação de segmentos da hierarquia das igrejas no processo eleitoral, de modo tão incisivo e escancarado, quando o mais comum tem sido uma participação no plano dos princípios éticos. Desta vez, o comportamento se mostrou escancarado, numa atitude pouco desejável a quem pretenda exercer uma atitude profética perante as instâncias do Mercado ou do Estado. As igrejas cristãs, a meu ver, não saem vitoriosas desse processo. Para dizer o mínimo.
            Chamam a atenção, igualmente, dois fatos intrigantes: o número espetacular de correspondentes eletrônicos, transformados em dedicadíssimos militantes, especialmente da candidatura Dilma Roussef; e, de modo articulado, a espantosa freqüência com que isto se fazia. Eu próprio reccebi incontáveis “mails” de pessoas que, de repente, várias vezes ao dia, se dedicavam, com toda a paixão, a socializar, por meio de vastas listas de contatos, notícias, artigos, textos, abaixo-assinados, depoimentos de personalidades influentes, verdadeiras apologias incondicionais da cantidatura Dilma Rousseff. O lado intrigante do fato é saber se, no caso de boa parte dessa generosa militância, além da motivação em defesa dos pobres, não haveria também – e principalmente! - interesses pessoais em jogo... Sei que de uma pequena parte, não!
            Outro aspecto que sobre todos os demais prevalece, nessas primeiras considerações avaliativas, diz respeito ao apoio incondicional prestado à candidatura Dilma Rousseff por expressivas lideranças do MST e da Via Campesina. É sabido que uma das características mais fortes dos movimentos sociais populares – notadamente naqueles que se apresentam comprometidos com a construção de uma sociabilidade alternativa ao Capitalismo e a qualquer sociedade de classes é o zelo pela sua autonomia diante do Mercado e de seu Estado e respectivos aparelhos. No momento em que um determinado movimento social baixa a guarda ou abre mão desta marca, ameaça sua autonomia, emitindo sinais de fragilidade ou de pouca disposição para o exercício do protagonismo por meio das lutas sociais, como instrumento central de suas conquistas e do seu projeto.
            Não menos inquietante – e isto não é exclusivo destas eleições – é constatar a mudança de atuação profética de figuras de referência que, nos governos anteriores, exercitavam, a justo título, uma crítica/denúncia contundente a diferentes expressões de deslizes ético-políticos (nesse sentido, é farta a literatura produzida por tais figuras, nesse período), enquanto, durante os dois mais recentes períodos de gestão, não apenas abdicaram da crítica a fatos semelhantes protagonizados pelas novas forças governantes, como também passaram a defendê-las, com veemência. O que terá acontecido?

Alguns questionamentos decorrentes desses registros

Arte difícil, a de apreciar criticamente as relações humanas e sociais. Mais complicada e desafiante ainda, quando se trata de fazê-lo sob o calor das paixões, como sucede em tempos de disputas eleitorais. Mesmo sabendo-se que o campo da Política é bem mais amplo e complexo do que sua dimensão estritamente eleitoral, não raro, cometemos o equívoco de pretender esgotar nas disputas eleitorais os meandros da Política. As paixões nos conduzem a isso. Não raro, nos tornamos cegos e arrogantes, além de maniqueístas! "Só há dois lados: o meu com meus aliados (o lado do bem) e o outro, o lado inimigo (o lado do mal)... Não percebemos que o “meu” lado comporta também um certo número de componentes do “outro” lado, enquanto este inclui também gente do “meu” ]ado... Se isto foi assim em tempos mais rígidos, imaginemos nos dias atuais...
A partir daí, pouco ligamos para projetos de sociedade em disputa (confundindo-os, de acordo com as nossas conveniências, com meros estilos de gestão, com seu toque pessoal e partidário). A esse propósito, quantas vezes recebemos textos com títulos do tipo: "Dois projetos em disputa"? No caso da campanha que acaba de encerrar-se, não é complicado entender que a política macro-econômica do Governo Lula manteve os fundamentos da anterior, tendo ampliado sensivelmente o alcance social das políticas compensatórias. No entanto, quantos reconhecem isto? E, ao reconhecê-lo, quem está disposto a socializar suas apreciações, em pleno curso da campanha eleitoral?
Nódoa por todos deplorada: a insânia a que se prestou eficazmente, em especial, a mídia eletrônica, ao fazer circular, sobretudo na campanha relativa ao segundo turno, profuso material de baixaria, com acusações levianas, com factóides, com versões extremamente maniqueístas, entre outras do gênero.
São, com efeito, tantas facetas não-ditas, silenciadas, omitidas do grande público, de parte a parte! Quem se preocupa, por exemplo, com o fato tão corriqueiro quanto abusivo de classificar de "direita" ou de "esquerda" esse ou aquele grupo, mesmo sabendo que, no fundo, no fundo, não é bem assim. As coisas vêm muito mais misturadas, num caso e noutro. Dizer que a candidatura X é de esquerda ou a candidatura Y é de direita, implica omitir que são extremamente heterogêneas as composições de ambos os lados. Isto é uma constatação. Basta ter olhos para ver!
Foi, para mim, a campanha das mais obsessivamente apaixonantes, desses últimos anos. Dela também retiro algumas lições, que compartilho em forma de perguntas:
- Diante de tantas inconsistências praticadas, quais são mesmo os valores que EFETIVAMENTE orientam e dão sentido à nossa existência (individual e coletiva)?
- Para quem tenha orientação cristã, por exemplo, é razoável proclamar-se cristão/ cristã, e contentar-se com uma política de verniz social, sem apreciar criticamente a repartição justa das riquezas, levando em conta a totalidade dos cidadãos e cidadãs, e não apenas aquelas parcelas parcialmente atendidas?
- É razoável contentar-se com essa ou aquela política social que contemple uma pequena parte – ou mesmo expressivas parcelas da população, sem o compromisso efetivo com resolver igual situação de milhões de cidadãos e cidadãs que têm que ficar de fora, à espera da boa vontade dos próximos governantes, tendo certeza de que, bem distribuídas, as riquezas já disponíveis são capazes de atender à satisfação das necessidades básicas (materiais e imateriais!) de TODOS? 
- Eleição vai, eleição vem, e as coisas continuam assim: resolve-se uma coisa aqui, aparecem problemas iguais ali, cobre-se um santo aqui, fica outro lá descoberto. É razoável conformar-se com tal estrutura, sob a cômoda alegação de que "é melhor assim do que nada" ou "é melhor votar no menos ruim"? Será isso mesmo o que inspira o Evangelho ou, mais precisamente, a prática de Jesus de Nazaré? Afinal, são os cristãos, as cristãs vocacionados a contentar-se com o "menos ruim", ou a buscar construir uma sociedade em que TODOS caibam com dignidade, seja do ponto de vista da satisfação das necessidades materiais (trabalho, alimentação, habitação, saneamento, saúde, transporte coletivo, previdência social, etc., seja do ponto de vista da satisfação das necessidades imateriais (formação, lazer, fruição e produção artístico-cultural, relação respeitosa com a Mãe=Natureza, liberdade em sua relação com o Sagrado, etc.)?
- Acostumamo-nos, durante décadas afio, a entender e, sobretudo, a exercitar política, quase tão somente enquanto política eleitoral. Até que ponto tal deformação não ajuda a restringir o campo da POLÍTICO apenas ao exercício do voto, amesquinhando ou mesmo abdicando de nossa condição de cidadãos e cidadãs?
- No empenho apaixonado em defesa dessa ou daquela candidatura, será que não estamos contribuindo objetivamente para consolidar o que venho chamando de cultura presidencialista (de "praeesse"), por força da qual nos habituamos a pensar sempre no chefe, no líder, que deve tomar sozinho ou em pequeno grupo as decisões que deveriam ser tomadas por todos. de modo participativo e organizado?
- Se já é tão forte no imaginário coletivo do nosso Povo, tal mentalidade não deveria ser pedagogicamente questionada por nós, em vez de contribuir para o seu aprofundamento?
- No caso do vasto público cristão, será que isto não é tanto mais preocupante quanto se dá ainda tão fortemente entre pessoas que tiveram formação cristã na Lina da Teologia da Libertação e do Ecumenismo de base, e no público católico com formação eclesial, em contexto  conciliar (com o reforço de Medellín e Puebla), tendo mais familiaridade com experiências marcadas pelo exercício da colegialidade, da comunhão e participação, com as decisões tomadas comunitariamente, nos ambientes protagonizados pelas gentes das CEBs, da ACR, do MER, do CEBI, da Teologia da Libertação, da PJMP, das pequenas comunidades inseridas no meio popular (PCIs)? Por onde anda ou o que tem sido feito do legado dessas experiências?
- Durante os anos de chumbo e, mais recentemente, durante o Governo de FHC, sempre houve vozes proféticas a denunciarem, a justo título, os desmandos, escândalos e falcatruas do sistema. Eis que, mais recentemente, escassearam ou já não se ouvem tais essas vozes, embora se cometam semelhantes deslizes ético-políticos. Onde estão essas vozes, hoje? Questionamento extensivo a venerandas figuras de intelectuais...
- E no caso das forças de esquerda ou de quem segue dizendo-se identificado com as lutas no horizonte da construção de uma nova sociedade, qual tem sido o critério em conflitos semelhantes: o da fidelidade incondicional aos “de minha casa” ou o critério de fidelidade ao conjunto daqueles e daquelas-que-vivem-do-trabalho?
- Ainda no caso do público cristão politicamente orientado pelos valores da Teologia da Libertação, na busca de resolução dos conflitos internos (com os “de casa”), que critério temos usado efetivamente: o de fidelidade incondicional aos “nossos” (laços de afinidade político-ideológica, laços de ascendência, laços de parentesco, laços de amizade, laços familiares, laços eclesiais, etc.) ou fidelidade à causa do Reino de Deus (que, por vezes, pode suscitar rupturas com o primeiro critério)?
- Ao cedermos à tendência dominante, de modo a contentar-nos com remendos, sob a alegação de que é melhor pouco do que nada, como nos avaliamos diante da radicalidade evangélica que nos convida a irmos além da justiça convencional (“Se a vossa justiça não for além da justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.” (Mt 5, 20)?
- Em defesa de tal radicalidade, como nos comportamos diante das explicações apresentadas pelos governantes, de que as políticas sociais se fazem progressivamente, por etapas, atendendo, hoje, a uma parte, e a outra fica para depois, ou seja, se há um déficit habitacional estimado em 8 milhões de habitações (sempre acho um dado subestimado, quando penso nas “habitações” indignas de gente, e ainda assim, a engordar as estatísticas oficiais...), tal governo se compromete a construir dois milhões, durante oito anos, e o quê fazer com os milhões de Sem-Teto restantes? Isto num país que é a oitava potência do mundo... Nâo dá para dizer que não há recursos para universalizar esta e outras políticas sociais...
- A bocas e ouvidos tão acostumados, nos anos 70 e 80, a palavras geradoras tais como “nós”, “decisões pela base”,“mutirão” e semelhantes, de repente já não lhes parecem estranhos discursos – e, sobretudo, práticas! – com ênfase no “eu” (“Eu vou construir...”; “No meu governo”...). O que terá ocorrido?
- Em entrevista recentíssima de Fábio Konder Comparato, concedida à revista “Caros Amigos”, em edição especial de 25 de novembro de 2010 (disponível em versão eletrônica), ele faz, entre outras reflexões, uma apreciação crítica da personagem política de Lula, avaliando-o como um populista. Ao endossar tal avaliação, o que mais me dói é que tal marca, muito antes de ser de Lula, das principais lideranças petistas e de quase todos os nossos partidos, acha-se profundamente enraizada em nossa cultura presidencialista (de “praeesse”, significando a tendência a dependermos de um chefe, de um pai, de um salvador, que nos aponte o caminho, assim abdicando ao protagonismo de todos... Será que estamos conscientes de nossa parcela de responsabilidade no fortalecimento de tal cultura?
            São apenas alguns questionamentos que recolho do que pude acompanhar, ao longo das recentes eleições, com o propósito de nos ajudar a exercitar uma discussão avaliativa de nossas práticas e concepções, no quadro das campanhas eleitorais. E o faço, com humildade, reconhecendo tratar-se de um ponto de vista entre tantos, e que sei limitado, parcial e provisório, sempre disposto e em busca de dialogar com outros olhares.

João Pessoa, 3 de novembro de 2010
  

quarta-feira, novembro 03, 2010

Os Derrotados.



info derrotados3 Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

Marco Antonio Araujo

Dilma derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos. Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

1) O discurso da intolerância

Essa turma toda que saiu derrotada da eleição pode buscar algum refúgio espiritual em Silas Malafaia, o pastor que usou seu programa de TV para, ilegalmente, conclamar seus fiéis a votarem em Serra. Ou pedir a benção do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que mandou imprimir 2 milhões de cópias do panfleto anti-Dilma “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”. Aquilo, sim, foi apelação!

malafaia  Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

Na calada da Band, Malafaia bradou argumentos homofóbicos contra Dilma. E julgou Serra “mais preparado”. Foi apressado demais e, no dia seguinte, o tucano deu seu apoio à união civil entre homossexuais. Vergonha alheia. Malafaia apoiou Marina Silva até onde deu. Os dois são integrantes do mesmo grupo evangélico. Só que, passado um tempo, foi seduzido por sua santidade, o Serra. E aí caiu em tentação de vez: se uniu com orgulho aos padres e cardeais católicos contra Dilma. Foi para a campanha de Serra de corpo e alma.

Quando surgiram as boatarias criminosas na internet contra Dilma, Malafaia fez cara de santo.Uma delas espalhava que a candidata do PT havia dito que nem Deus tiraria sua vitória. Depois, a imprensa denunciou uma central para comprar pastores no centro de São Paulo. O pastor entrega os votos do seu rebanho e, em troca, leva um trocado. Malafaia mais uma vez posou de santo. Imaculado Malafaia.

O bispo católico Bergonzini também jogou pesado. A Polícia Federal apreendeu mais de 1 milhão de panfletos ilegais em uma gráfica de tucanos. Era uma encomenda da Diocese de Guarulhos. Crime eleitoral. Isso é exemplo que se dê ao rebanho?

A História está cheia de exemplos macabros de onde isso vai parar. Não por acaso, enquanto Malafaia e Bergonzini excomungavam Dilma, dos olhos deles saiam labaredas de ódio. Lembravam fogueiras. O fato é que esse discurso da intolerância foi derrotado nas urnas. O país amadureceu, e a liberdade de culto saiu fortalecida. Os falsos profetas se deram mal.

2) As organizações Globo

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República. Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista. O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice. Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

3) A Veja, que não forma mais opinião

Das 42 capas da revista em 2010, até as vésperas do segundo turno, 18 continham ataques a Lula, Dilma e o PT. Quase metade da existência da Veja é dedicada a montar palanque contra o governo federal e espalhar pânico e ódio.

Ainda reclamam que não há liberdade de imprensa neste país. Terrorismo jornalístico: é isso que faz a semanal da família Civita. A edição de 10 de julho ilustra perfeitamente essa demonização:

veja 10 07 10 227x300 Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

É uma publicação que poderia ter a honestidade de se assumir como oráculo do que há de mais reacionário e perverso na direita deste país. Mas tem essa mania feia de se travestir de revista de informação. Só se for distorcida, tendenciosa. Não fazem reportagens; fazem editoriais. Por isso é que não forma mais opinião; causa tédio. E desprezo.

E há os soldados da Editora Abril. Ou capangas, a ver. Os rancorosos Diogo Mainardi, Lauro Jardim, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Escribas a soldo que insinuam termos um presidente alcoólatra, menos interessante que um “vaso sanitário”. E que chamam distribuição de renda de Esmola-Família. Logo eles, que devem fechar o vidro do carro quando veem um pobre. Bem feito. Foram derrotados por essa gentinha que não assina Veja.

4) A Folha

Otávio Frias Filho e sua Folha se esforçaram de forma comovente. Trabalho árduo ser uma usina de denúncias inúteis. Nos 30 dias que antecederam o primeiro turno, em 23 deles a Folha estampou em sua primeira página manchetes garrafais sobre escândalos envolvendo a candidata Dilma. Uma verdadeira obsessão patológica.

Ela foi acusada até de ter causado prejuízo de R$ 1 BILHÃO a consumidores de luz. Factoide patético. Em nenhum único dia apareceu algo negativo sobre José Serra. Nem unzinho sequer. Até a ombudsman do jornal acusou a Folha de ser parcial na cobertura da campanha.

ombudman sobre dilma folha papel 300x253 Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

Tivesse Dilma Rousseff ligado para um ministro do Supremo Tribunal Federal para solicitar favores, assim como fez José Serra, seria o fim do estado democrático de direito. Mas, para a Folha, não passou de marolinha tucana.

Amaury Ribeiro Jr., repórter que serviu ao O Estado de Minas investigando Serra, pode espernear e uivar em protesto, mas será um espião petista até o fim dos dias. A verdade que vá às favas. Quando viram a casa caindo, avisados pelas pesquisas que a eleição já estava decidida, a redação da Folha correu e noticiou a fraude na concorrência do Metrô em São Paulo. Afinal, para alguma coisa o DataFolha tem de servir (além de aos próprios interesses).

Não é fácil posar de apartidário, independente e ruralista. Ou algo parecido. Principalmente quando não se é. O fracasso lhes subiu à cabeça.

Fonte: O Provocador

Frases célebres de Homer Simpson


  • "Se a culpa é minha eu coloco em quem eu quiser."
  • "Chorar não vai trazer de volta seu cão, a não ser que suas lágrimas tenham cheiro de ração."
  • "Sei que nunca fui um homem muito religioso mas, se estiver aí em cima, por favor, me salve Super-Homem"
  • "Se algo é difícil de fazer, então não vale a pena ser feito!"
  • "Eu não estava mentindo! Estava escrevendo ficção com a boca."
  • "Álcool...A causa e solução de todos os problemas."
  • "Eu nunca peço desculpas. Me desculpe, mais eu sou assim."
  • Nunca diga qualquer coisa a não ser que tenha certeza que todo mundo pensa o mesmo.
  • A TV me respeita. Ela ri comigo e não de mim.
  • O amor é feito só para pessoas jovens e bonitas!
  • Não bebam agua os peixes tranzam nela
  • Por que colocar meias se eu vou ter que tirá-las daqui a uma semana
  • Fantasmas não existem isso são só uma daquelas coisas que o adultos inventaram para botar medo nas crianças, como o lobisomem,o monstro do armário, o michael jackson.
  • passei a detestar minha propria criaçao, agora sei como Deus se sente
  • Cala a boca, pensamento, ou te enfio uma faca
  • Existem 3 frases curtas que levarão sua vida adiante: 'Não diga que fui eu!','Oh, boa idéia chefe!' e 'Já estava assim quando cheguei'.
  • Existem três jeitos de fazer as coisas: o jeito certo, o jeito errado, e o meu jeito, que é igual ao jeito errado, só que mais rápido."
  • se não pode ajudar, atrapalhe! o importante é participar.
  • “Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas há algo que jamais poderá comprar: um dinossauro!”
  • "existem 3 tipos de pessoas... as que sabem contar e as que não sabem contar..."

terça-feira, novembro 02, 2010

O que é socialismo


O que é socialismo


Henrique Canary de São Paulo (SP)

• Está no Youtube para quem quiser assistir. Ana Maria Braga, apresentadora da Rede Globo, pergunta a Petkovic, atacante do Flamengo, sobre a Iugoslávia: “Como foi nascer num país com tantas dificuldades?”. Petkovic: “Quando eu nasci não tinha dificuldade nenhuma. Era um país-maravilha, vivíamos num regime socialista, todo mundo bem, todo mundo trabalhando, tinham salário. Os problemas aconteceram depois dos anos 1980”. 

A câmera corta de repente o entrevistado e volta para Ana Maria Braga, completamente perdida diante da inesperada declaração de apoio ao socialismo, feita ao vivo para todo o Brasil por um ídolo do esporte.

Sejamos claros: apesar das inúmeras conquistas sociais, fruto da expropriação da burguesia em 1945, a antiga Iugoslávia não era um país-maravilha. Os conflitos sangrentos dos anos 1990 não surgiram do nada. Foram preparados pela burocracia dirigente com décadas de divisão e isolamento de um dos países mais pobres da Europa. 

Mas a declaração de Petkovic nos ensina algo importante: o ideal socialista, apesar de todas as mentiras e injúrias sofridas, vive e pulsa no coração de milhões. Vez por outra ele se anuncia, em palavras ou em atos, de indivíduos ou de multidões, consciente ou inconscientemente. 

O socialismo é um tipo de sociedade 
A ideia de construir uma sociedade sem classes sociais ou exploração existe há centenas de anos. Mas foi somente na metade do século 19 que o projeto socialista recebeu um embasamento científico na obra dos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Antes deles, o socialismo não passava de um sonho bem intencionado, de uma ideia romântica e confusa. 

Estudando o funcionamento da sociedade capitalista, Marx e Engels perceberam que a origem da desigualdade estava na propriedade privada dos meios de produção: fábricas, terras, instrumentos e matérias-primas. Era o que permitia a uma ínfima minoria explorar a imensa maioria. Concluíram daí que a construção do socialismo passaria pela abolição da propriedade privada e a socialização de toda a riqueza existente, o que por sua vez exigiria uma revolução violenta, já que a burguesia não cederia sua posição de classe dominante sem resistência. Por último, consideravam que apenas o proletariado, por sua condição de classe explorada, numericamente predominante e destituída de qualquer propriedade, seria capaz de realizar essa revolução. 

Socialismo: um sistema racional e ordenado 
No capitalismo cada burguês produz o que quer e quanto quer. A economia capitalista não se submete a qualquer controle social. O único elemento regulador é o mercado. Se as mercadorias forem vendidas, ótimo. Se não, elas serão destruídas ou apodrecerão, a empresa entrará em crise, fechará suas portas e demitirá seus funcionários. Ao mesmo tempo em que desperdiçam uma enorme quantidade de trabalho e riquezas em produções inúteis, os capitalistas deixam de produzir itens fundamentais para a sociedade, simplesmente porque dão pouco ou nenhum lucro. Assim, na sociedade capitalista sobram carros, mas faltam trens; sobram prédios de luxo, mas faltam casas populares; sobra tecnologia militar, mas faltam aparelhos médicos dos mais simples. O capitalismo é o império do caos e da desordem a serviço do lucro. 
No socialismo isso não acontece. O proletariado, que se torna a classe dominante graças à expropriação da burguesia, controla racionalmente a produção e o consumo de acordo com as necessidades da população e a capacidade da economia. É o que chamamos planificação econômica. 

Utilização racional dos recursos naturais disponíveis, produção em base a um plano discutido em toda a sociedade, obrigação de todos os cidadãos de contribuírem com sua parte no trabalho global, remuneração proporcional ao trabalho realizado, vigilância permanente por parte dos trabalhadores sobre a elaboração e o cumprimento deste plano: tais são as ideias simples e fundamentais do socialismo na esfera econômica. Que contraste com a caricatura maliciosa pintada pela burguesia de que o socialismo seria uma sociedade caótica, sem regras nem governo, sem leis nem obrigações, onde cada um faz o que quer! 

O socialismo só pode ser mundial 
A força do capitalismo está no caráter mundial da economia. Ao produzir mundialmente, a burguesia se utiliza das melhores e mais abundantes fontes de matéria-prima em cada país. Isso torna a produção barata e eficaz. 

O socialismo, que pretende ser uma sociedade superior ao capitalismo, deve utilizar todas as conquistas da velha sociedade de classes, em primeiro lugar, o caráter mundial da produção. 

O capitalismo é, portanto, o ponto de partida, o nível mínimo do qual o socialismo deve começar para libertar a humanidade da opressão e da exploração. 
Não se pode falar em uma sociedade socialista que não seja mais rica, mais livre e mais desenvolvida do que a capitalista. Não se pode falar em socialismo que não seja mundial. 

O fim do imperialismo 
Não é possível a vitória do socialismo enquanto a burguesia existir mundialmente, enquanto o imperialismo, armado até os dentes, controlar a maioria dos países. Tal situação levaria ao isolamento da nação proletária e à restauração do capitalismo, como aconteceu na União Soviética. 

O triunfo do socialismo sobre o capitalismo em todo o mundo não tem nada a ver com uma competição econômica entre os dois sistemas. A derrota do capitalismo é um processo político, revolucionário. Significa a derrubada violenta da burguesia e a instauração de regimes proletários nos países imperialistas mais importantes. Só assim o imperialismo pode ter um fim. 

A ditadura do proletariado 
O socialismo exige também uma forma política, um tipo de Estado. 
No capitalismo, o Estado tem um caráter de classe. É um aparato jurídico-militar que busca defender a propriedade privada e o domínio do capital. É, portanto, uma ditadura da burguesia sobre o proletariado. 

No socialismo, o Estado também tem um caráter de classe, mas seu conteúdo é oposto ao do Estado burguês: torna-se, pela primeira vez na história, um Estado da ampla maioria explorada contra a ínfima minoria exploradora ou privilegiada. É o que chamamos de ditadura do proletariado. 

A ditadura do proletariado tem como função preservar a propriedade social dos meios de produção, evitar a volta do capitalismo e combater a ganância de indivíduos aproveitadores e grupos privilegiados que ainda existam depois da expropriação da burguesia. E o mais importante: é o instrumento de defesa da nação proletária contra o que sobrar do imperialismo e da burguesia mundial.

Democracia para os trabalhadores 
O socialismo exige uma participação ativa e permanente das grandes massas na vida econômica, política e cultural do país. Por isso, a ditadura do proletariado é um regime muito mais democrático do que a democracia burguesa. A democracia burguesa se baseia no voto a cada quatro anos, na independência dos eleitos em relação aos eleitores, na separação dos poderes e na repressão massiva ou seletiva em caso de necessidade. 

A ditadura do proletariado se baseia na lógica inversa: na substituição do congresso burguês por uma rede de conselhos operários, cujos membros são escolhidos nos locais de trabalho e moradia, com mandatos revogáveis a qualquer momento. Esses conselhos unificam os três poderes que hoje estão separados: são órgãos ao mesmo tempo executivos, legislativos e de justiça, controlados pela população, e onde a remuneração não ultrapassa o salário de um operário qualificado. 

Esses conselhos operários, organizados sob o princípio do pluripartidarismo e abertos a todos os trabalhadores, são a base fundamental do Estado socialista, da ditadura do proletariado. 

O socialismo é uma ponte para o comunismo 
Como se vê, o socialismo é uma sociedade onde, apesar do fim da exploração, ainda persistem elementos de desigualdade, herdados do passado capitalista. Mais do que isso, o socialismo não é uma sociedade completamente livre, uma vez que os homens ainda estão presos à rotina do trabalho e o Estado segue sendo uma fonte de autoridade e poder. Em uma palavra, o socialismo não é o objetivo final, mas apenas uma fase do desenvolvimento histórico da humanidade rumo à sua libertação. 

A verdadeira libertação da humanidade só poderá ocorrer quando a alta produtividade do trabalho tenha eliminado por completo a desigualdade social e oferecido a todos as condições para o pleno desenvolvimento de suas aptidões físicas e intelectuais; quando o trabalho tiver se tornado uma atividade livre e ocupe, pelo seu alto rendimento, umas poucas horas do dia de cada um. Quando isso ocorrer, o socialismo terá sido superado por uma nova sociedade, ainda mais rica e livre: o comunismo. 
Todo operário da construção civil sabe que não se pode construir um prédio sem andaimes. Mas sabe também que, ao final da obra, os andaimes devem ser retirados, sob pena de danificarem a construção. A ditadura do proletariado é o andaime que utilizamos para construir a sociedade comunista. 

Terminada a obra de edificação comunista, tendo os homens se reeducado completamente segundo novos princípios de igualdade, solidariedade e fraternidade, os andaimes da ditadura proletária deverão ser retirados: as leis escritas deverão ser abolidas, restando como forma de controle social apenas a opinião pública; todo e qualquer aparato repressivo deverá ser dissolvido, dando lugar à autovigilância coletiva; os partidos políticos perderão sua função e deixarão de existir. 

O Estado socialista murchará como uma carcaça inútil. Do aparato estatal restarão apenas as funções técnicas, contábeis, científicas e culturais, mas exercidas agora diretamente pela população livre, da mesma maneira que uma família civilizada divide tarefas entre si e conduz a vida doméstica sem maiores conflitos. 

Petkovic não imagina o quanto a Iugoslávia estava longe do socialismo. Mas não repreendemos o atacante por seu otimismo. Frente à barbárie capitalista, qualquer país que tenha resolvido minimamente seus problemas sociais aparece aos olhos de seus cidadãos como um “país-maravilha”. 

Da mesma maneira, a humanidade não imagina a grandeza e o potencial que ela guarda em seu próprio seio, que o capitalismo esmaga, e que só o socialismo é capaz de revelar

Jogo Bruto - Ricardo Gondim.

Jogo Bruto

Posted: 02 Nov 2010 04:00 AM PDT

Ricardo Gondim

Não sei se por ingenuidade ou imaturidade não me acostumei com jogo bruto. Para mim, jogo bruto é a constatação de que fui lançado na arena da maldade sistêmica, onde noto a hierarquização de interesses. Não sonho em deixar que neste jogo bruto alguém soque o meu pescoço com bota com sola de aço. Ando fatigado, sei que raposas, hienas e abutres andam doidos para abocanhar os incautos derrotados pelos grandes gladiadores.

Refiro-me aos interesses políticos. São muitos os que enxergam os mortais como massa que reboca as paredes onde abrigam sonhos onipotentes. Não aguento mais ouvir promessa de campanha eleitoral. Não suporto picuinhas ditas e repetidas para encobrir projetos pessoais. Não vejo verdade no jogo bruto da política e isso me desalenta a alma.

Mas o desalento não fica só com os políticos. Sou cria do mundo religioso. E estou des-iludido com lógicas infantis. Brechas separam discurso e prática e isso é muito ruim. Por enquanto a minha des-ilusão tem me feito bem - porque me faz cair na real - mas tenho medo de que ela descambe para o cinismo.

Por algum motivo, não tolero que pessoas sejam mobilizadas a partir de paranóias. Vejo alguns religiosos descrevendo um cenário de horror enquanto procuram fazer dos homossexuais os vilões do futuro. Os homossexuais se tornaram os inimigos que devem ser abatidos. Tais religiosos não só confundem promiscuidade com relações homoafetivas, como fazem de vidas humanas o belo motivo para alavancar projetos. Eles cavam trincheiras e demonizam pessoas reais, com dramas reais, só para fazer valer seus discursos.

Enquanto isso, vejo inquidades vergonhosas nos bastidores do mundo religioso. Mas como algumas não resvalam na sexualidade, permanecem escondidinhas, intocadas. Não suporto testemunhar que Jesus de Nazaré é usado para promover empavonados, narcisistas, caça-hereges, ditadorzinhos de meia-taça, pseudo-teólogos, bispos sem báculo e os autopromovidos apóstolos.

Não sou santo e nem poso de palmatória do mundo. De tanto errar, de tanto cegar os olhos para as minhas próprias conveniências dogmáticas e de tanto falar obviedades eu também acabei entorpecido por emocionalismos religiosos. Eu também fiz parte de rinhas políticas. Eu reproduzi uma piedade melosa. Entre pecadores, sempre fui o principal.

Contudo, guardo esperança. Talvez eu melhore. Vou procurar o convívio de gente despretensiosa, que ama poesia, que ouve sabiás e bem-te-vis, que gosta de silêncio, que não vê diabo em cada esquina e que não vive a praticar alpinismo social em nome da democracia ou do sagrado.

Por enquanto, estou de ressaca existencial, meio arredio. Preciso de um tempo…

Soli Deo Gloria

Dos porões do DOPS para a presidência.

 Dos porões do DOPS para a presidência


Rui Martins

Extraordinária revanche que, ao mesmo tempo, reforça o conceito de ser preciso lutar, mesmo quando se é minoria e parece ser perdida a causa. Qual dos carrascos e dos militares do Golpe de 64 poderia imaginar, naqueles passados fim dos anos 60, que uma das jovens recolhidas a uma das celas do Dops seria eleita, mais de 40 anos depois, presidenta do Brasil?

Diante de situações como essa, se fortalece a convição da necessidade de se lutar mesmo quando tudo parece ser contra nós e quando se é uma reduzida minoria. Graças ao meu amigo e colega Alípio Freire, imponente e carismática figura, visitei, durante minha viagem a São Paulo, dois lugares que me religaram à época da luta contra a ditadura militar – os arquivos onde estão guardados os documentos relacionados com os perseguidos, presos, torturados e mesmo assassinados no Dops, depois chamado de Deops, mas sempre um instrumento cruel da repressão. E a seguir, na praça General Osório, junto à antiga Estação da Luz, os lugares onde funcionavam parte dos mecanismos da repressão, hoje transformados no Memorial da Resistência.

Cubículos onde se acumulavam os jovens resistentes à ditadura, onde eram torturados, recebiam verdadeiras lavagens de porcos como refeições e apodreciam sem direito à luz solar, coisa permitida reduzidas vezes e apenas por restritos minutos. Coincidentemente, ali estavam no começo de outubro, data de minha visita, numerosos cinegrafistas dos diversos canais da televisão brasileira.

E por que? Para mandarem ao ar, logo após confirmada a vitória de Dilma Rousseff, documentos filmados da cela onde esteve presa, quando militante contra a ditadura militar brasileira. A vitória não saiu, como se esperava, no primeiro turno, e tudo vai ser levado à televisão brasileira neste domingo do segundo turno.

Não faltarão, sem dúvida, as informações truncadas, pelas quais ouvi um jovem me dizer, ter sido Dilma assaltante de bancos, mas tinha recebido informação incompleta, pois não lhe tinham explicado ser essa a maneira, na época, de se atacar o sistema militar e obter fundos para manter a resistência aos ditadores.

Estranho país esse meu Brasil, onde por guerrinhas políticas se procura denegrir a imagem de seus heróis do passado. Os covardes de ontem, que compuseram, colaboraram ou se aproveitaram da ditadura tentam agora minimizar o valor de todos quantos expuseram suas vidas em luta pela liberdade e pela democracia dos dias de hoje.

Dilma Rousseff não é apenas a primeira mulher brasileira eleita presidenta (e isso já é estraordinário num país tido como de machistas), é mais que isso, é uma das lutadoras naqueles escuros anos de chumbo. Anos em que, militares teleguiados pelos EUA destruíram a cultura construída nas nossas universidades, a pretexto de evitar o marxismo, mas na verdade para manter a desigualdade social e a semi-escravidão de grande parte da população, da qual só agora vamos saindo.

Dilma foi uma resistente, vinda das hostes de um outro herói, Leonel Brizola. Sua eleição é o coroamento do longo caminho das batalhas sociais em favor do povo e da liberdade, que são por uma melhor repartição do pão e por uma melhor remuneração do trabalho da maioria da população.

Depois de quase quinhentos anos de um Brasil governado sempre pelas mesmas famílias, pelas mesmas oligarquias, houve a ascensão de um filho do povo. A Casa Grande perdeu para os habitantes da Senzala e um Brasil mais justo vai surgindo, mesmo diante de numerosas tentativas para se devolver o poder aos seus antigos detentores. Oito anos, tantas vezes conturbados pelas dificuldades de se governar com um Parlamento viciado na corrupção, é um tempo curto demais para se contrapor aos quase 500 da elite branca e rica brasileira, disposta tantas vezes a vender e a ceder nossas riquezas em troca de vantagens pessoais.

Dilma Rousseff, a corajosa mulher dos anos 60, que viveu três anos nas escuras celas do Dops, por afrontar os militares – nisso sobrepujando tantos homens, dispostos por covardia a se submeter aos fardados – é hoje a garantia de um novo governo em favor do povo e não em favor dos ricos e suas oligarquias.

O Brasil é exemplo de democracia na América Latina, mostra um enorme avanço tecnológico ao ser capaz de apurar rapidamente as eleições que, nos EUA, demoram um mês em meio a trapaças de toda espécie.

A derrota de Serra sela o fim de um época. Por um bom tempo, poderemos ter a certeza da manutenção dos verdadeiros representantes do povo no poder, mesmo sob a pressão do cartel da imprensa da direita, que confunde liberdade de expressão com manipulação e engôdo do povo com seus telejornais supérfluos, suas telenovelas modificadoras da nossa cultura e com sua máquina de informação implantada por todo o país sem contrapartida, numa verdadeira ditadura latente e invisível mas eficaz.

Dilma, a resistente de ontem é a nossa presidenta de hoje, numa extraordinária revanche aos golpistas, torturadores e assassinos do passado, ainda saudosos dos anos em que enterraram aqueles anos ricos em cultura e manifestação popular. Os tempos mudaram, graças aos resistentes, o Brasil se transformou, graças aos anos Lula numa potência mundial, que Dilma, representante das mulheres brasileiras, tantas vezes oprimidas e obrigadas a ficar na cozinha, vai continuar.

fonte: Direto da Redação

segunda-feira, novembro 01, 2010

Eleições 2010 - 2° turno

           Nesse 1° de novembro o Brasil acordou diferente... Pela primeira vez na história do país, uma mulher é eleita presidenta! Como diz Lula "Nunca antes na história desse País". Bom, é cedo ainda pra comentar as atitudes dela nos próximas quatro anos. Mas algo que é bom fazer uma ressalva, é que essas eleições, em seu primeiro turno, mostrou que o Brasil está cansado dessa polarização  PSDB x PT. O que mostra isso é o grande número de abstenções, votos nulos e brancos, e os cerca de 20 milhões de votos da Marina Silva, que chegou quetinha, pequenininha e magrinha, mas que nas próximas eleições pode nos surpreender novamente. Creio que o Brasil, aos poucos, aos poucos mesmo, vai passando por um processo de amadurecimento, no mais tardar estaremos nas ruas gritando e lutando pelo voto facultativo, para que a "Democracia brasileira" seja um pouquinho melhor, pelo poder de escolha, do POVO.
          Aqui na Paraíba nada de tão novo, a vinte anos que estamos nessa polarização acirrada entre Maranhão x Cássio, Cássio x Maranhão e assim vai. A Paraíba é rachada literalmente. Com a vitória de Ricardo Coutinho, do PSB que surpreendeu os brasileiros esse ano, fica claro um novo ar que vamos poder respirar. Mas a bens que vem para os males, salvo engano! É fato que Ricardo Coutinho só se elegeu Governador da Paraíba devido a sua coligação e o apoio de Cássio Cunha Lima, que por sinal é extremamente contraditória e incoerente politicamente, sendo formada pelos Partidos: PSB, PSDB, DEM, PDT, PPS, PTC, PV, PTN e PRP. Ai fica uma pergunta que não quer calar: Ricardo recebeu "apoio" ou patrocínio? Até que ponto ele "vendeu sua alma" ao PSDB / DEM ? Só o tempo nos dirá.

quinta-feira, novembro 04, 2010

UMA ELEIÇÃO, TANTAS FACETAS, ALGUMAS PERGUNTAS...



Alder Júlio Ferreira Calado

            É sabido que as democracias representativas, além de cultuarem o processo eleitoral como um dogma, fazendo nele incidir “a” marca da essência democrática, nelas também as eleições têm características comuns, não importa onde se dêem. Por outro lado, sem prejuízo de seus aspectos comuns, toda eleição tem sua história particular. Foi bem o caso destas de 2010 que, para mim (que já nada aposto nesta via, para a construção de uma nova sociedade), tiveram uma dinâmica especial.
Pela primeira vez, desde que fui convencido, pela natureza da atual conjuntura, a não mais apostar nos embates eleitorais como fator ou como espaço propício à luta por mudança estrutural, seguindo, porém, minha trajetória de militância política nas “correntezas subterrâneas”, eis que me deparei com uma campanha eleitoral que me trouxe várias surpresas e alguns questionamentos. Começo por destacar um certo número de facetas desta campanha, para, em seguida, formular alguns questionamentos, a título de ensinamentos que recolho desta empreitada.

Uma eleição atípica, de múltiplas facetas

            Se, nas anteriores, acompanhava, como sempre o faço, a movimentação geral, sem me envolver mais de perto nessa disputa, desta vez, foi diferente. Embora sem envolvimento orgânico, mas pelo fato de acompanhar debates, noticiários, textos, artigos, depoimentos, etc., devo confessar que as eleições de 2010 me impactaram, de modo muito especial.
            Continuo com dificuldade crescente de entender a lógica que move a esquerda partidária - embora se esforce em dizer o contrário = a apostar tanto nos embates eleitorais, cujo saldo político-pedagógico e cujos frutos concretos não justificam, na minha modesta avaliação, os esforços envidados, o tempo despendido e os investimentos realizados (em certos casos, até implicando endividamento)... Continuo sustentando que seriam bem outros os frutos, se, em vez de seguirem apostando na cada vez mais desgastada via eleitoral, centrassem seus esforços em atividades visando a um enraizamento mais consistente nas lutas sociais do campo e das periferias urbanas, de modo diuturno.
            Como estamos cansados de saber (mas teimando incorrigivelmente em tirar leite de bode...), a logística das campanhas eleitorais só pode favorecer aos candidatos dos partidos ou coligações da ordem. Assim se fez, em relação às candidaturas Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. A candidatura Plínio correu um tanto à margem desse processo, mas sempre implicando alguma vantagem para o sistema, à medida que, assim agindo, o sistema se faz passar como generoso e mais“democrático”...
Sendo assim, o regime nada teria a temer, quem quer que dos três candidatos saísse vitorioso. Até pode ter alguma preferência adjetiva. Mas isto não impediria, como não impediu, generosos financiamentos assegurados por setores privilegiados do sistema aos três candidatos, certos de que, após a eleição, a fatura será honrada, pois “Quem come do pirão, prova do meu cinturão.” Com efeito, de quê mesmo teriam os setores financistas ou o agronegócio que se queixar das candidaturas oficiais?
Bem mais do que em eleições precedentes, foi descomunal o investimento da militância da candidata Dilma Rousseff, principalmente pela via eletrônica. Das demais candidaturas, também. Mas, sobretudo, no segundo turno, envolvendo as candidaturas Dilma Rousseff e José Serra. De fato, foi extraordinário o movimento diário dos correios eletrônicos, prestando-se, de modo eficaz e com excessos de parte a parte, a sensibilizar e a influir sobre uma parcela considerável da população. Com uma vantagem (entre outras): a de tratar-se de um público detentor também de relativo poder de influência para além desta categoria. Um dos pontos mais chocantes foi o recurso abusivo à motivação religiosa, à sórdida manipulação da boa fé de parte considerável da população, numa afronta à desejável laicidade do Estado. Felizmente, tratou-se de uma tática eleitoralmente mal sucedida.
            Ainda que não determinante, contou positivamente, em favor da candidatura Dilma Rousseff, o fato de ser mulher, ao apresentar-se com um traço excepcional: seria a primeira mulher brasileira, a ser eleita presidente do Brasil. Embora deseje, com ardor, ver cada vez mais e melhor reconhecido o lugar das mulheres na sociedade, por outras vias, associo-me a essa comemoração, desse ponto de vista, ainda que tal processo se tenha dado não por só por conquista, também – e em parte considerável – por concessão...
            Fato também atípico quanto inquietante foi a forma (que reputo infeliz) de participação de segmentos da hierarquia das igrejas no processo eleitoral, de modo tão incisivo e escancarado, quando o mais comum tem sido uma participação no plano dos princípios éticos. Desta vez, o comportamento se mostrou escancarado, numa atitude pouco desejável a quem pretenda exercer uma atitude profética perante as instâncias do Mercado ou do Estado. As igrejas cristãs, a meu ver, não saem vitoriosas desse processo. Para dizer o mínimo.
            Chamam a atenção, igualmente, dois fatos intrigantes: o número espetacular de correspondentes eletrônicos, transformados em dedicadíssimos militantes, especialmente da candidatura Dilma Roussef; e, de modo articulado, a espantosa freqüência com que isto se fazia. Eu próprio reccebi incontáveis “mails” de pessoas que, de repente, várias vezes ao dia, se dedicavam, com toda a paixão, a socializar, por meio de vastas listas de contatos, notícias, artigos, textos, abaixo-assinados, depoimentos de personalidades influentes, verdadeiras apologias incondicionais da cantidatura Dilma Rousseff. O lado intrigante do fato é saber se, no caso de boa parte dessa generosa militância, além da motivação em defesa dos pobres, não haveria também – e principalmente! - interesses pessoais em jogo... Sei que de uma pequena parte, não!
            Outro aspecto que sobre todos os demais prevalece, nessas primeiras considerações avaliativas, diz respeito ao apoio incondicional prestado à candidatura Dilma Rousseff por expressivas lideranças do MST e da Via Campesina. É sabido que uma das características mais fortes dos movimentos sociais populares – notadamente naqueles que se apresentam comprometidos com a construção de uma sociabilidade alternativa ao Capitalismo e a qualquer sociedade de classes é o zelo pela sua autonomia diante do Mercado e de seu Estado e respectivos aparelhos. No momento em que um determinado movimento social baixa a guarda ou abre mão desta marca, ameaça sua autonomia, emitindo sinais de fragilidade ou de pouca disposição para o exercício do protagonismo por meio das lutas sociais, como instrumento central de suas conquistas e do seu projeto.
            Não menos inquietante – e isto não é exclusivo destas eleições – é constatar a mudança de atuação profética de figuras de referência que, nos governos anteriores, exercitavam, a justo título, uma crítica/denúncia contundente a diferentes expressões de deslizes ético-políticos (nesse sentido, é farta a literatura produzida por tais figuras, nesse período), enquanto, durante os dois mais recentes períodos de gestão, não apenas abdicaram da crítica a fatos semelhantes protagonizados pelas novas forças governantes, como também passaram a defendê-las, com veemência. O que terá acontecido?

Alguns questionamentos decorrentes desses registros

Arte difícil, a de apreciar criticamente as relações humanas e sociais. Mais complicada e desafiante ainda, quando se trata de fazê-lo sob o calor das paixões, como sucede em tempos de disputas eleitorais. Mesmo sabendo-se que o campo da Política é bem mais amplo e complexo do que sua dimensão estritamente eleitoral, não raro, cometemos o equívoco de pretender esgotar nas disputas eleitorais os meandros da Política. As paixões nos conduzem a isso. Não raro, nos tornamos cegos e arrogantes, além de maniqueístas! "Só há dois lados: o meu com meus aliados (o lado do bem) e o outro, o lado inimigo (o lado do mal)... Não percebemos que o “meu” lado comporta também um certo número de componentes do “outro” lado, enquanto este inclui também gente do “meu” ]ado... Se isto foi assim em tempos mais rígidos, imaginemos nos dias atuais...
A partir daí, pouco ligamos para projetos de sociedade em disputa (confundindo-os, de acordo com as nossas conveniências, com meros estilos de gestão, com seu toque pessoal e partidário). A esse propósito, quantas vezes recebemos textos com títulos do tipo: "Dois projetos em disputa"? No caso da campanha que acaba de encerrar-se, não é complicado entender que a política macro-econômica do Governo Lula manteve os fundamentos da anterior, tendo ampliado sensivelmente o alcance social das políticas compensatórias. No entanto, quantos reconhecem isto? E, ao reconhecê-lo, quem está disposto a socializar suas apreciações, em pleno curso da campanha eleitoral?
Nódoa por todos deplorada: a insânia a que se prestou eficazmente, em especial, a mídia eletrônica, ao fazer circular, sobretudo na campanha relativa ao segundo turno, profuso material de baixaria, com acusações levianas, com factóides, com versões extremamente maniqueístas, entre outras do gênero.
São, com efeito, tantas facetas não-ditas, silenciadas, omitidas do grande público, de parte a parte! Quem se preocupa, por exemplo, com o fato tão corriqueiro quanto abusivo de classificar de "direita" ou de "esquerda" esse ou aquele grupo, mesmo sabendo que, no fundo, no fundo, não é bem assim. As coisas vêm muito mais misturadas, num caso e noutro. Dizer que a candidatura X é de esquerda ou a candidatura Y é de direita, implica omitir que são extremamente heterogêneas as composições de ambos os lados. Isto é uma constatação. Basta ter olhos para ver!
Foi, para mim, a campanha das mais obsessivamente apaixonantes, desses últimos anos. Dela também retiro algumas lições, que compartilho em forma de perguntas:
- Diante de tantas inconsistências praticadas, quais são mesmo os valores que EFETIVAMENTE orientam e dão sentido à nossa existência (individual e coletiva)?
- Para quem tenha orientação cristã, por exemplo, é razoável proclamar-se cristão/ cristã, e contentar-se com uma política de verniz social, sem apreciar criticamente a repartição justa das riquezas, levando em conta a totalidade dos cidadãos e cidadãs, e não apenas aquelas parcelas parcialmente atendidas?
- É razoável contentar-se com essa ou aquela política social que contemple uma pequena parte – ou mesmo expressivas parcelas da população, sem o compromisso efetivo com resolver igual situação de milhões de cidadãos e cidadãs que têm que ficar de fora, à espera da boa vontade dos próximos governantes, tendo certeza de que, bem distribuídas, as riquezas já disponíveis são capazes de atender à satisfação das necessidades básicas (materiais e imateriais!) de TODOS? 
- Eleição vai, eleição vem, e as coisas continuam assim: resolve-se uma coisa aqui, aparecem problemas iguais ali, cobre-se um santo aqui, fica outro lá descoberto. É razoável conformar-se com tal estrutura, sob a cômoda alegação de que "é melhor assim do que nada" ou "é melhor votar no menos ruim"? Será isso mesmo o que inspira o Evangelho ou, mais precisamente, a prática de Jesus de Nazaré? Afinal, são os cristãos, as cristãs vocacionados a contentar-se com o "menos ruim", ou a buscar construir uma sociedade em que TODOS caibam com dignidade, seja do ponto de vista da satisfação das necessidades materiais (trabalho, alimentação, habitação, saneamento, saúde, transporte coletivo, previdência social, etc., seja do ponto de vista da satisfação das necessidades imateriais (formação, lazer, fruição e produção artístico-cultural, relação respeitosa com a Mãe=Natureza, liberdade em sua relação com o Sagrado, etc.)?
- Acostumamo-nos, durante décadas afio, a entender e, sobretudo, a exercitar política, quase tão somente enquanto política eleitoral. Até que ponto tal deformação não ajuda a restringir o campo da POLÍTICO apenas ao exercício do voto, amesquinhando ou mesmo abdicando de nossa condição de cidadãos e cidadãs?
- No empenho apaixonado em defesa dessa ou daquela candidatura, será que não estamos contribuindo objetivamente para consolidar o que venho chamando de cultura presidencialista (de "praeesse"), por força da qual nos habituamos a pensar sempre no chefe, no líder, que deve tomar sozinho ou em pequeno grupo as decisões que deveriam ser tomadas por todos. de modo participativo e organizado?
- Se já é tão forte no imaginário coletivo do nosso Povo, tal mentalidade não deveria ser pedagogicamente questionada por nós, em vez de contribuir para o seu aprofundamento?
- No caso do vasto público cristão, será que isto não é tanto mais preocupante quanto se dá ainda tão fortemente entre pessoas que tiveram formação cristã na Lina da Teologia da Libertação e do Ecumenismo de base, e no público católico com formação eclesial, em contexto  conciliar (com o reforço de Medellín e Puebla), tendo mais familiaridade com experiências marcadas pelo exercício da colegialidade, da comunhão e participação, com as decisões tomadas comunitariamente, nos ambientes protagonizados pelas gentes das CEBs, da ACR, do MER, do CEBI, da Teologia da Libertação, da PJMP, das pequenas comunidades inseridas no meio popular (PCIs)? Por onde anda ou o que tem sido feito do legado dessas experiências?
- Durante os anos de chumbo e, mais recentemente, durante o Governo de FHC, sempre houve vozes proféticas a denunciarem, a justo título, os desmandos, escândalos e falcatruas do sistema. Eis que, mais recentemente, escassearam ou já não se ouvem tais essas vozes, embora se cometam semelhantes deslizes ético-políticos. Onde estão essas vozes, hoje? Questionamento extensivo a venerandas figuras de intelectuais...
- E no caso das forças de esquerda ou de quem segue dizendo-se identificado com as lutas no horizonte da construção de uma nova sociedade, qual tem sido o critério em conflitos semelhantes: o da fidelidade incondicional aos “de minha casa” ou o critério de fidelidade ao conjunto daqueles e daquelas-que-vivem-do-trabalho?
- Ainda no caso do público cristão politicamente orientado pelos valores da Teologia da Libertação, na busca de resolução dos conflitos internos (com os “de casa”), que critério temos usado efetivamente: o de fidelidade incondicional aos “nossos” (laços de afinidade político-ideológica, laços de ascendência, laços de parentesco, laços de amizade, laços familiares, laços eclesiais, etc.) ou fidelidade à causa do Reino de Deus (que, por vezes, pode suscitar rupturas com o primeiro critério)?
- Ao cedermos à tendência dominante, de modo a contentar-nos com remendos, sob a alegação de que é melhor pouco do que nada, como nos avaliamos diante da radicalidade evangélica que nos convida a irmos além da justiça convencional (“Se a vossa justiça não for além da justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus.” (Mt 5, 20)?
- Em defesa de tal radicalidade, como nos comportamos diante das explicações apresentadas pelos governantes, de que as políticas sociais se fazem progressivamente, por etapas, atendendo, hoje, a uma parte, e a outra fica para depois, ou seja, se há um déficit habitacional estimado em 8 milhões de habitações (sempre acho um dado subestimado, quando penso nas “habitações” indignas de gente, e ainda assim, a engordar as estatísticas oficiais...), tal governo se compromete a construir dois milhões, durante oito anos, e o quê fazer com os milhões de Sem-Teto restantes? Isto num país que é a oitava potência do mundo... Nâo dá para dizer que não há recursos para universalizar esta e outras políticas sociais...
- A bocas e ouvidos tão acostumados, nos anos 70 e 80, a palavras geradoras tais como “nós”, “decisões pela base”,“mutirão” e semelhantes, de repente já não lhes parecem estranhos discursos – e, sobretudo, práticas! – com ênfase no “eu” (“Eu vou construir...”; “No meu governo”...). O que terá ocorrido?
- Em entrevista recentíssima de Fábio Konder Comparato, concedida à revista “Caros Amigos”, em edição especial de 25 de novembro de 2010 (disponível em versão eletrônica), ele faz, entre outras reflexões, uma apreciação crítica da personagem política de Lula, avaliando-o como um populista. Ao endossar tal avaliação, o que mais me dói é que tal marca, muito antes de ser de Lula, das principais lideranças petistas e de quase todos os nossos partidos, acha-se profundamente enraizada em nossa cultura presidencialista (de “praeesse”, significando a tendência a dependermos de um chefe, de um pai, de um salvador, que nos aponte o caminho, assim abdicando ao protagonismo de todos... Será que estamos conscientes de nossa parcela de responsabilidade no fortalecimento de tal cultura?
            São apenas alguns questionamentos que recolho do que pude acompanhar, ao longo das recentes eleições, com o propósito de nos ajudar a exercitar uma discussão avaliativa de nossas práticas e concepções, no quadro das campanhas eleitorais. E o faço, com humildade, reconhecendo tratar-se de um ponto de vista entre tantos, e que sei limitado, parcial e provisório, sempre disposto e em busca de dialogar com outros olhares.

João Pessoa, 3 de novembro de 2010
  

quarta-feira, novembro 03, 2010

Os Derrotados.



info derrotados3 Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

Marco Antonio Araujo

Dilma derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos. Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

1) O discurso da intolerância

Essa turma toda que saiu derrotada da eleição pode buscar algum refúgio espiritual em Silas Malafaia, o pastor que usou seu programa de TV para, ilegalmente, conclamar seus fiéis a votarem em Serra. Ou pedir a benção do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que mandou imprimir 2 milhões de cópias do panfleto anti-Dilma “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”. Aquilo, sim, foi apelação!

malafaia  Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

Na calada da Band, Malafaia bradou argumentos homofóbicos contra Dilma. E julgou Serra “mais preparado”. Foi apressado demais e, no dia seguinte, o tucano deu seu apoio à união civil entre homossexuais. Vergonha alheia. Malafaia apoiou Marina Silva até onde deu. Os dois são integrantes do mesmo grupo evangélico. Só que, passado um tempo, foi seduzido por sua santidade, o Serra. E aí caiu em tentação de vez: se uniu com orgulho aos padres e cardeais católicos contra Dilma. Foi para a campanha de Serra de corpo e alma.

Quando surgiram as boatarias criminosas na internet contra Dilma, Malafaia fez cara de santo.Uma delas espalhava que a candidata do PT havia dito que nem Deus tiraria sua vitória. Depois, a imprensa denunciou uma central para comprar pastores no centro de São Paulo. O pastor entrega os votos do seu rebanho e, em troca, leva um trocado. Malafaia mais uma vez posou de santo. Imaculado Malafaia.

O bispo católico Bergonzini também jogou pesado. A Polícia Federal apreendeu mais de 1 milhão de panfletos ilegais em uma gráfica de tucanos. Era uma encomenda da Diocese de Guarulhos. Crime eleitoral. Isso é exemplo que se dê ao rebanho?

A História está cheia de exemplos macabros de onde isso vai parar. Não por acaso, enquanto Malafaia e Bergonzini excomungavam Dilma, dos olhos deles saiam labaredas de ódio. Lembravam fogueiras. O fato é que esse discurso da intolerância foi derrotado nas urnas. O país amadureceu, e a liberdade de culto saiu fortalecida. Os falsos profetas se deram mal.

2) As organizações Globo

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República. Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista. O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice. Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

3) A Veja, que não forma mais opinião

Das 42 capas da revista em 2010, até as vésperas do segundo turno, 18 continham ataques a Lula, Dilma e o PT. Quase metade da existência da Veja é dedicada a montar palanque contra o governo federal e espalhar pânico e ódio.

Ainda reclamam que não há liberdade de imprensa neste país. Terrorismo jornalístico: é isso que faz a semanal da família Civita. A edição de 10 de julho ilustra perfeitamente essa demonização:

veja 10 07 10 227x300 Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

É uma publicação que poderia ter a honestidade de se assumir como oráculo do que há de mais reacionário e perverso na direita deste país. Mas tem essa mania feia de se travestir de revista de informação. Só se for distorcida, tendenciosa. Não fazem reportagens; fazem editoriais. Por isso é que não forma mais opinião; causa tédio. E desprezo.

E há os soldados da Editora Abril. Ou capangas, a ver. Os rancorosos Diogo Mainardi, Lauro Jardim, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Escribas a soldo que insinuam termos um presidente alcoólatra, menos interessante que um “vaso sanitário”. E que chamam distribuição de renda de Esmola-Família. Logo eles, que devem fechar o vidro do carro quando veem um pobre. Bem feito. Foram derrotados por essa gentinha que não assina Veja.

4) A Folha

Otávio Frias Filho e sua Folha se esforçaram de forma comovente. Trabalho árduo ser uma usina de denúncias inúteis. Nos 30 dias que antecederam o primeiro turno, em 23 deles a Folha estampou em sua primeira página manchetes garrafais sobre escândalos envolvendo a candidata Dilma. Uma verdadeira obsessão patológica.

Ela foi acusada até de ter causado prejuízo de R$ 1 BILHÃO a consumidores de luz. Factoide patético. Em nenhum único dia apareceu algo negativo sobre José Serra. Nem unzinho sequer. Até a ombudsman do jornal acusou a Folha de ser parcial na cobertura da campanha.

ombudman sobre dilma folha papel 300x253 Quem mais saiu derrotado nesta eleição?

Tivesse Dilma Rousseff ligado para um ministro do Supremo Tribunal Federal para solicitar favores, assim como fez José Serra, seria o fim do estado democrático de direito. Mas, para a Folha, não passou de marolinha tucana.

Amaury Ribeiro Jr., repórter que serviu ao O Estado de Minas investigando Serra, pode espernear e uivar em protesto, mas será um espião petista até o fim dos dias. A verdade que vá às favas. Quando viram a casa caindo, avisados pelas pesquisas que a eleição já estava decidida, a redação da Folha correu e noticiou a fraude na concorrência do Metrô em São Paulo. Afinal, para alguma coisa o DataFolha tem de servir (além de aos próprios interesses).

Não é fácil posar de apartidário, independente e ruralista. Ou algo parecido. Principalmente quando não se é. O fracasso lhes subiu à cabeça.

Fonte: O Provocador

Frases célebres de Homer Simpson


  • "Se a culpa é minha eu coloco em quem eu quiser."
  • "Chorar não vai trazer de volta seu cão, a não ser que suas lágrimas tenham cheiro de ração."
  • "Sei que nunca fui um homem muito religioso mas, se estiver aí em cima, por favor, me salve Super-Homem"
  • "Se algo é difícil de fazer, então não vale a pena ser feito!"
  • "Eu não estava mentindo! Estava escrevendo ficção com a boca."
  • "Álcool...A causa e solução de todos os problemas."
  • "Eu nunca peço desculpas. Me desculpe, mais eu sou assim."
  • Nunca diga qualquer coisa a não ser que tenha certeza que todo mundo pensa o mesmo.
  • A TV me respeita. Ela ri comigo e não de mim.
  • O amor é feito só para pessoas jovens e bonitas!
  • Não bebam agua os peixes tranzam nela
  • Por que colocar meias se eu vou ter que tirá-las daqui a uma semana
  • Fantasmas não existem isso são só uma daquelas coisas que o adultos inventaram para botar medo nas crianças, como o lobisomem,o monstro do armário, o michael jackson.
  • passei a detestar minha propria criaçao, agora sei como Deus se sente
  • Cala a boca, pensamento, ou te enfio uma faca
  • Existem 3 frases curtas que levarão sua vida adiante: 'Não diga que fui eu!','Oh, boa idéia chefe!' e 'Já estava assim quando cheguei'.
  • Existem três jeitos de fazer as coisas: o jeito certo, o jeito errado, e o meu jeito, que é igual ao jeito errado, só que mais rápido."
  • se não pode ajudar, atrapalhe! o importante é participar.
  • “Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas há algo que jamais poderá comprar: um dinossauro!”
  • "existem 3 tipos de pessoas... as que sabem contar e as que não sabem contar..."

terça-feira, novembro 02, 2010

O que é socialismo


O que é socialismo


Henrique Canary de São Paulo (SP)

• Está no Youtube para quem quiser assistir. Ana Maria Braga, apresentadora da Rede Globo, pergunta a Petkovic, atacante do Flamengo, sobre a Iugoslávia: “Como foi nascer num país com tantas dificuldades?”. Petkovic: “Quando eu nasci não tinha dificuldade nenhuma. Era um país-maravilha, vivíamos num regime socialista, todo mundo bem, todo mundo trabalhando, tinham salário. Os problemas aconteceram depois dos anos 1980”. 

A câmera corta de repente o entrevistado e volta para Ana Maria Braga, completamente perdida diante da inesperada declaração de apoio ao socialismo, feita ao vivo para todo o Brasil por um ídolo do esporte.

Sejamos claros: apesar das inúmeras conquistas sociais, fruto da expropriação da burguesia em 1945, a antiga Iugoslávia não era um país-maravilha. Os conflitos sangrentos dos anos 1990 não surgiram do nada. Foram preparados pela burocracia dirigente com décadas de divisão e isolamento de um dos países mais pobres da Europa. 

Mas a declaração de Petkovic nos ensina algo importante: o ideal socialista, apesar de todas as mentiras e injúrias sofridas, vive e pulsa no coração de milhões. Vez por outra ele se anuncia, em palavras ou em atos, de indivíduos ou de multidões, consciente ou inconscientemente. 

O socialismo é um tipo de sociedade 
A ideia de construir uma sociedade sem classes sociais ou exploração existe há centenas de anos. Mas foi somente na metade do século 19 que o projeto socialista recebeu um embasamento científico na obra dos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Antes deles, o socialismo não passava de um sonho bem intencionado, de uma ideia romântica e confusa. 

Estudando o funcionamento da sociedade capitalista, Marx e Engels perceberam que a origem da desigualdade estava na propriedade privada dos meios de produção: fábricas, terras, instrumentos e matérias-primas. Era o que permitia a uma ínfima minoria explorar a imensa maioria. Concluíram daí que a construção do socialismo passaria pela abolição da propriedade privada e a socialização de toda a riqueza existente, o que por sua vez exigiria uma revolução violenta, já que a burguesia não cederia sua posição de classe dominante sem resistência. Por último, consideravam que apenas o proletariado, por sua condição de classe explorada, numericamente predominante e destituída de qualquer propriedade, seria capaz de realizar essa revolução. 

Socialismo: um sistema racional e ordenado 
No capitalismo cada burguês produz o que quer e quanto quer. A economia capitalista não se submete a qualquer controle social. O único elemento regulador é o mercado. Se as mercadorias forem vendidas, ótimo. Se não, elas serão destruídas ou apodrecerão, a empresa entrará em crise, fechará suas portas e demitirá seus funcionários. Ao mesmo tempo em que desperdiçam uma enorme quantidade de trabalho e riquezas em produções inúteis, os capitalistas deixam de produzir itens fundamentais para a sociedade, simplesmente porque dão pouco ou nenhum lucro. Assim, na sociedade capitalista sobram carros, mas faltam trens; sobram prédios de luxo, mas faltam casas populares; sobra tecnologia militar, mas faltam aparelhos médicos dos mais simples. O capitalismo é o império do caos e da desordem a serviço do lucro. 
No socialismo isso não acontece. O proletariado, que se torna a classe dominante graças à expropriação da burguesia, controla racionalmente a produção e o consumo de acordo com as necessidades da população e a capacidade da economia. É o que chamamos planificação econômica. 

Utilização racional dos recursos naturais disponíveis, produção em base a um plano discutido em toda a sociedade, obrigação de todos os cidadãos de contribuírem com sua parte no trabalho global, remuneração proporcional ao trabalho realizado, vigilância permanente por parte dos trabalhadores sobre a elaboração e o cumprimento deste plano: tais são as ideias simples e fundamentais do socialismo na esfera econômica. Que contraste com a caricatura maliciosa pintada pela burguesia de que o socialismo seria uma sociedade caótica, sem regras nem governo, sem leis nem obrigações, onde cada um faz o que quer! 

O socialismo só pode ser mundial 
A força do capitalismo está no caráter mundial da economia. Ao produzir mundialmente, a burguesia se utiliza das melhores e mais abundantes fontes de matéria-prima em cada país. Isso torna a produção barata e eficaz. 

O socialismo, que pretende ser uma sociedade superior ao capitalismo, deve utilizar todas as conquistas da velha sociedade de classes, em primeiro lugar, o caráter mundial da produção. 

O capitalismo é, portanto, o ponto de partida, o nível mínimo do qual o socialismo deve começar para libertar a humanidade da opressão e da exploração. 
Não se pode falar em uma sociedade socialista que não seja mais rica, mais livre e mais desenvolvida do que a capitalista. Não se pode falar em socialismo que não seja mundial. 

O fim do imperialismo 
Não é possível a vitória do socialismo enquanto a burguesia existir mundialmente, enquanto o imperialismo, armado até os dentes, controlar a maioria dos países. Tal situação levaria ao isolamento da nação proletária e à restauração do capitalismo, como aconteceu na União Soviética. 

O triunfo do socialismo sobre o capitalismo em todo o mundo não tem nada a ver com uma competição econômica entre os dois sistemas. A derrota do capitalismo é um processo político, revolucionário. Significa a derrubada violenta da burguesia e a instauração de regimes proletários nos países imperialistas mais importantes. Só assim o imperialismo pode ter um fim. 

A ditadura do proletariado 
O socialismo exige também uma forma política, um tipo de Estado. 
No capitalismo, o Estado tem um caráter de classe. É um aparato jurídico-militar que busca defender a propriedade privada e o domínio do capital. É, portanto, uma ditadura da burguesia sobre o proletariado. 

No socialismo, o Estado também tem um caráter de classe, mas seu conteúdo é oposto ao do Estado burguês: torna-se, pela primeira vez na história, um Estado da ampla maioria explorada contra a ínfima minoria exploradora ou privilegiada. É o que chamamos de ditadura do proletariado. 

A ditadura do proletariado tem como função preservar a propriedade social dos meios de produção, evitar a volta do capitalismo e combater a ganância de indivíduos aproveitadores e grupos privilegiados que ainda existam depois da expropriação da burguesia. E o mais importante: é o instrumento de defesa da nação proletária contra o que sobrar do imperialismo e da burguesia mundial.

Democracia para os trabalhadores 
O socialismo exige uma participação ativa e permanente das grandes massas na vida econômica, política e cultural do país. Por isso, a ditadura do proletariado é um regime muito mais democrático do que a democracia burguesa. A democracia burguesa se baseia no voto a cada quatro anos, na independência dos eleitos em relação aos eleitores, na separação dos poderes e na repressão massiva ou seletiva em caso de necessidade. 

A ditadura do proletariado se baseia na lógica inversa: na substituição do congresso burguês por uma rede de conselhos operários, cujos membros são escolhidos nos locais de trabalho e moradia, com mandatos revogáveis a qualquer momento. Esses conselhos unificam os três poderes que hoje estão separados: são órgãos ao mesmo tempo executivos, legislativos e de justiça, controlados pela população, e onde a remuneração não ultrapassa o salário de um operário qualificado. 

Esses conselhos operários, organizados sob o princípio do pluripartidarismo e abertos a todos os trabalhadores, são a base fundamental do Estado socialista, da ditadura do proletariado. 

O socialismo é uma ponte para o comunismo 
Como se vê, o socialismo é uma sociedade onde, apesar do fim da exploração, ainda persistem elementos de desigualdade, herdados do passado capitalista. Mais do que isso, o socialismo não é uma sociedade completamente livre, uma vez que os homens ainda estão presos à rotina do trabalho e o Estado segue sendo uma fonte de autoridade e poder. Em uma palavra, o socialismo não é o objetivo final, mas apenas uma fase do desenvolvimento histórico da humanidade rumo à sua libertação. 

A verdadeira libertação da humanidade só poderá ocorrer quando a alta produtividade do trabalho tenha eliminado por completo a desigualdade social e oferecido a todos as condições para o pleno desenvolvimento de suas aptidões físicas e intelectuais; quando o trabalho tiver se tornado uma atividade livre e ocupe, pelo seu alto rendimento, umas poucas horas do dia de cada um. Quando isso ocorrer, o socialismo terá sido superado por uma nova sociedade, ainda mais rica e livre: o comunismo. 
Todo operário da construção civil sabe que não se pode construir um prédio sem andaimes. Mas sabe também que, ao final da obra, os andaimes devem ser retirados, sob pena de danificarem a construção. A ditadura do proletariado é o andaime que utilizamos para construir a sociedade comunista. 

Terminada a obra de edificação comunista, tendo os homens se reeducado completamente segundo novos princípios de igualdade, solidariedade e fraternidade, os andaimes da ditadura proletária deverão ser retirados: as leis escritas deverão ser abolidas, restando como forma de controle social apenas a opinião pública; todo e qualquer aparato repressivo deverá ser dissolvido, dando lugar à autovigilância coletiva; os partidos políticos perderão sua função e deixarão de existir. 

O Estado socialista murchará como uma carcaça inútil. Do aparato estatal restarão apenas as funções técnicas, contábeis, científicas e culturais, mas exercidas agora diretamente pela população livre, da mesma maneira que uma família civilizada divide tarefas entre si e conduz a vida doméstica sem maiores conflitos. 

Petkovic não imagina o quanto a Iugoslávia estava longe do socialismo. Mas não repreendemos o atacante por seu otimismo. Frente à barbárie capitalista, qualquer país que tenha resolvido minimamente seus problemas sociais aparece aos olhos de seus cidadãos como um “país-maravilha”. 

Da mesma maneira, a humanidade não imagina a grandeza e o potencial que ela guarda em seu próprio seio, que o capitalismo esmaga, e que só o socialismo é capaz de revelar

Jogo Bruto - Ricardo Gondim.

Jogo Bruto

Posted: 02 Nov 2010 04:00 AM PDT

Ricardo Gondim

Não sei se por ingenuidade ou imaturidade não me acostumei com jogo bruto. Para mim, jogo bruto é a constatação de que fui lançado na arena da maldade sistêmica, onde noto a hierarquização de interesses. Não sonho em deixar que neste jogo bruto alguém soque o meu pescoço com bota com sola de aço. Ando fatigado, sei que raposas, hienas e abutres andam doidos para abocanhar os incautos derrotados pelos grandes gladiadores.

Refiro-me aos interesses políticos. São muitos os que enxergam os mortais como massa que reboca as paredes onde abrigam sonhos onipotentes. Não aguento mais ouvir promessa de campanha eleitoral. Não suporto picuinhas ditas e repetidas para encobrir projetos pessoais. Não vejo verdade no jogo bruto da política e isso me desalenta a alma.

Mas o desalento não fica só com os políticos. Sou cria do mundo religioso. E estou des-iludido com lógicas infantis. Brechas separam discurso e prática e isso é muito ruim. Por enquanto a minha des-ilusão tem me feito bem - porque me faz cair na real - mas tenho medo de que ela descambe para o cinismo.

Por algum motivo, não tolero que pessoas sejam mobilizadas a partir de paranóias. Vejo alguns religiosos descrevendo um cenário de horror enquanto procuram fazer dos homossexuais os vilões do futuro. Os homossexuais se tornaram os inimigos que devem ser abatidos. Tais religiosos não só confundem promiscuidade com relações homoafetivas, como fazem de vidas humanas o belo motivo para alavancar projetos. Eles cavam trincheiras e demonizam pessoas reais, com dramas reais, só para fazer valer seus discursos.

Enquanto isso, vejo inquidades vergonhosas nos bastidores do mundo religioso. Mas como algumas não resvalam na sexualidade, permanecem escondidinhas, intocadas. Não suporto testemunhar que Jesus de Nazaré é usado para promover empavonados, narcisistas, caça-hereges, ditadorzinhos de meia-taça, pseudo-teólogos, bispos sem báculo e os autopromovidos apóstolos.

Não sou santo e nem poso de palmatória do mundo. De tanto errar, de tanto cegar os olhos para as minhas próprias conveniências dogmáticas e de tanto falar obviedades eu também acabei entorpecido por emocionalismos religiosos. Eu também fiz parte de rinhas políticas. Eu reproduzi uma piedade melosa. Entre pecadores, sempre fui o principal.

Contudo, guardo esperança. Talvez eu melhore. Vou procurar o convívio de gente despretensiosa, que ama poesia, que ouve sabiás e bem-te-vis, que gosta de silêncio, que não vê diabo em cada esquina e que não vive a praticar alpinismo social em nome da democracia ou do sagrado.

Por enquanto, estou de ressaca existencial, meio arredio. Preciso de um tempo…

Soli Deo Gloria

Dos porões do DOPS para a presidência.

 Dos porões do DOPS para a presidência


Rui Martins

Extraordinária revanche que, ao mesmo tempo, reforça o conceito de ser preciso lutar, mesmo quando se é minoria e parece ser perdida a causa. Qual dos carrascos e dos militares do Golpe de 64 poderia imaginar, naqueles passados fim dos anos 60, que uma das jovens recolhidas a uma das celas do Dops seria eleita, mais de 40 anos depois, presidenta do Brasil?

Diante de situações como essa, se fortalece a convição da necessidade de se lutar mesmo quando tudo parece ser contra nós e quando se é uma reduzida minoria. Graças ao meu amigo e colega Alípio Freire, imponente e carismática figura, visitei, durante minha viagem a São Paulo, dois lugares que me religaram à época da luta contra a ditadura militar – os arquivos onde estão guardados os documentos relacionados com os perseguidos, presos, torturados e mesmo assassinados no Dops, depois chamado de Deops, mas sempre um instrumento cruel da repressão. E a seguir, na praça General Osório, junto à antiga Estação da Luz, os lugares onde funcionavam parte dos mecanismos da repressão, hoje transformados no Memorial da Resistência.

Cubículos onde se acumulavam os jovens resistentes à ditadura, onde eram torturados, recebiam verdadeiras lavagens de porcos como refeições e apodreciam sem direito à luz solar, coisa permitida reduzidas vezes e apenas por restritos minutos. Coincidentemente, ali estavam no começo de outubro, data de minha visita, numerosos cinegrafistas dos diversos canais da televisão brasileira.

E por que? Para mandarem ao ar, logo após confirmada a vitória de Dilma Rousseff, documentos filmados da cela onde esteve presa, quando militante contra a ditadura militar brasileira. A vitória não saiu, como se esperava, no primeiro turno, e tudo vai ser levado à televisão brasileira neste domingo do segundo turno.

Não faltarão, sem dúvida, as informações truncadas, pelas quais ouvi um jovem me dizer, ter sido Dilma assaltante de bancos, mas tinha recebido informação incompleta, pois não lhe tinham explicado ser essa a maneira, na época, de se atacar o sistema militar e obter fundos para manter a resistência aos ditadores.

Estranho país esse meu Brasil, onde por guerrinhas políticas se procura denegrir a imagem de seus heróis do passado. Os covardes de ontem, que compuseram, colaboraram ou se aproveitaram da ditadura tentam agora minimizar o valor de todos quantos expuseram suas vidas em luta pela liberdade e pela democracia dos dias de hoje.

Dilma Rousseff não é apenas a primeira mulher brasileira eleita presidenta (e isso já é estraordinário num país tido como de machistas), é mais que isso, é uma das lutadoras naqueles escuros anos de chumbo. Anos em que, militares teleguiados pelos EUA destruíram a cultura construída nas nossas universidades, a pretexto de evitar o marxismo, mas na verdade para manter a desigualdade social e a semi-escravidão de grande parte da população, da qual só agora vamos saindo.

Dilma foi uma resistente, vinda das hostes de um outro herói, Leonel Brizola. Sua eleição é o coroamento do longo caminho das batalhas sociais em favor do povo e da liberdade, que são por uma melhor repartição do pão e por uma melhor remuneração do trabalho da maioria da população.

Depois de quase quinhentos anos de um Brasil governado sempre pelas mesmas famílias, pelas mesmas oligarquias, houve a ascensão de um filho do povo. A Casa Grande perdeu para os habitantes da Senzala e um Brasil mais justo vai surgindo, mesmo diante de numerosas tentativas para se devolver o poder aos seus antigos detentores. Oito anos, tantas vezes conturbados pelas dificuldades de se governar com um Parlamento viciado na corrupção, é um tempo curto demais para se contrapor aos quase 500 da elite branca e rica brasileira, disposta tantas vezes a vender e a ceder nossas riquezas em troca de vantagens pessoais.

Dilma Rousseff, a corajosa mulher dos anos 60, que viveu três anos nas escuras celas do Dops, por afrontar os militares – nisso sobrepujando tantos homens, dispostos por covardia a se submeter aos fardados – é hoje a garantia de um novo governo em favor do povo e não em favor dos ricos e suas oligarquias.

O Brasil é exemplo de democracia na América Latina, mostra um enorme avanço tecnológico ao ser capaz de apurar rapidamente as eleições que, nos EUA, demoram um mês em meio a trapaças de toda espécie.

A derrota de Serra sela o fim de um época. Por um bom tempo, poderemos ter a certeza da manutenção dos verdadeiros representantes do povo no poder, mesmo sob a pressão do cartel da imprensa da direita, que confunde liberdade de expressão com manipulação e engôdo do povo com seus telejornais supérfluos, suas telenovelas modificadoras da nossa cultura e com sua máquina de informação implantada por todo o país sem contrapartida, numa verdadeira ditadura latente e invisível mas eficaz.

Dilma, a resistente de ontem é a nossa presidenta de hoje, numa extraordinária revanche aos golpistas, torturadores e assassinos do passado, ainda saudosos dos anos em que enterraram aqueles anos ricos em cultura e manifestação popular. Os tempos mudaram, graças aos resistentes, o Brasil se transformou, graças aos anos Lula numa potência mundial, que Dilma, representante das mulheres brasileiras, tantas vezes oprimidas e obrigadas a ficar na cozinha, vai continuar.

fonte: Direto da Redação

segunda-feira, novembro 01, 2010

Eleições 2010 - 2° turno

           Nesse 1° de novembro o Brasil acordou diferente... Pela primeira vez na história do país, uma mulher é eleita presidenta! Como diz Lula "Nunca antes na história desse País". Bom, é cedo ainda pra comentar as atitudes dela nos próximas quatro anos. Mas algo que é bom fazer uma ressalva, é que essas eleições, em seu primeiro turno, mostrou que o Brasil está cansado dessa polarização  PSDB x PT. O que mostra isso é o grande número de abstenções, votos nulos e brancos, e os cerca de 20 milhões de votos da Marina Silva, que chegou quetinha, pequenininha e magrinha, mas que nas próximas eleições pode nos surpreender novamente. Creio que o Brasil, aos poucos, aos poucos mesmo, vai passando por um processo de amadurecimento, no mais tardar estaremos nas ruas gritando e lutando pelo voto facultativo, para que a "Democracia brasileira" seja um pouquinho melhor, pelo poder de escolha, do POVO.
          Aqui na Paraíba nada de tão novo, a vinte anos que estamos nessa polarização acirrada entre Maranhão x Cássio, Cássio x Maranhão e assim vai. A Paraíba é rachada literalmente. Com a vitória de Ricardo Coutinho, do PSB que surpreendeu os brasileiros esse ano, fica claro um novo ar que vamos poder respirar. Mas a bens que vem para os males, salvo engano! É fato que Ricardo Coutinho só se elegeu Governador da Paraíba devido a sua coligação e o apoio de Cássio Cunha Lima, que por sinal é extremamente contraditória e incoerente politicamente, sendo formada pelos Partidos: PSB, PSDB, DEM, PDT, PPS, PTC, PV, PTN e PRP. Ai fica uma pergunta que não quer calar: Ricardo recebeu "apoio" ou patrocínio? Até que ponto ele "vendeu sua alma" ao PSDB / DEM ? Só o tempo nos dirá.