sexta-feira, janeiro 09, 2015

A INCRÍVEL GERAÇÃO DE MULHERES QUE FOI CRIADA PARA SER TUDO O QUE UM HOMEM NÃO QUER


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:




“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.
RUTH MANUS, PUBLICADO EM: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Terrorismo x democracia

Como vocês podem ter visto nos principais noticiários nacionais e internacionais, é destaque o "terrorismo" ocorrido em Paris, contra à revista satírica "Charlie Hebdo", onde 12 pessoas foram mortas. Até aí, simples e  dolor, uma tragédia banal contra a dita liberdade de expressão e dos direitos do homem, onde Paris foi vanguarda (lembrem-se da revolução francesa).

Não de hoje, o mundo está abalado na disputa religiosa (com requinte fundamentalista). Com a questão das guerras localizadas em parte do oriente e com a forte imigração, parece que isso se agrava, com o choque de culturas e como lidar com situações tão complexas. Até aí, mas uma vez, tudo bem.

A questão que me faz refletir sobre esse "atentado terrorista" não é de analisá-lo, tão pouco condená-lo simplesmente e muito menos defender. Mas a questão que me chama a atenção, com o noticiário da imprensa, é que notadamente Quando é "atentado" europeu ou norte-americano contra os muçulmanos é considerado 
Democracia, quando é o contrário, é Terrorismo


Ou seja, isso significa que se os Estados Unidos bombardearem o Vietnã, apoiarem o sionismo entre Israel e Palestina, ocupar o Iraque, isto é para defender a dita democracia. Quando é os que seguem Maomé, aí sim a coisa ficou séria, terrorismo, ligado a Al Qaeda (ou algo do tipo, afinal, é a mesma coisa [sic])... 


Bem, eu não naturalizo nenhuma das questões. 
A diferença é: um faz isso por Petróleo (e assim, poder), e outro faz isso para ter seu lugar no céu por Maomé. 

O que me deixa um pouco questionadora é: o ataque dos "mulçumanos" em Paris é ataque a liberdade de expressão, e o embargo econômico à Cuba foi o quê? E a questão do Afeganistão? E da Palestina?

Acho patético falar de liberdade de expressão.
Acho que a vida deve ser preservada independente da expressão, religião, raça, gênero e classe, lamento apenas isso ter dois pesos e duas medidas...

Recomendo esse vídeo: https://www.facebook.com/video.php?v=808696182482711

sábado, janeiro 03, 2015

Ministros do governo de Dilma Rousseff


A frase

Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.
Graciliano Ramos

FILME TIM MAIA - Disponível online

Fantástico! Fenomenal! Exagerado!
Que filme, e que cantor...
Uma linda história. Super recomendo.
A música negra e o rei do soul em timbre eloquente e grave, muito grave!!!
A melhor parte é quando ele fala para mãe, mais ou menos assim "É fácil eles darem palco pro Roberto Carlos, branco e bonito, mas para mim que sou negro, é diferente" (Roberto, que era então 'seu amigo').
A outra parte, é de como o Roberto Carlos é um boçal egoísta. Nunca gostei de suas músicas e de sua pessoa, um fake forjado pela mídia e que tem a ousadia de se intitular ou intitularem rei... Bem, não nas minhas bandas.
Sou mais TIM MAIA!!!!!!!!!!!!!!
SIM, TIM MAIA. Música forte e com personalidade, igual ao dono de sua voz.

domingo, dezembro 14, 2014

Um ano depois

Coloco aqui um texto meu, escrito em 8 de dezembro de 2013, há quase exatos um ano.
Shellen Galdino
8 de dezembro de 2013 · Rio de Janeiro ·
É preciso afinar-se com o coro dos descontentes
São tempos difíceis, de árduas tarefas para todas as organizações de esquerda. Buscar, construção de um projeto mínimo, no campo democrático-popular, se faz urgente e essencial para o povo brasileiro.
Estão colocados na mesa, as necessidades de busca de estratégias e táticas para superação do que está posto, em todos os sentidos, e não só para o PT, mas para todas as organizações de esquerda do país e do mundo.
Mesmo após 10 anos de governo do Partido dos Trabalhadores e 33 anos de vida do nosso partido, temos a certeza de que fizemos muito pelo nosso país, e que ainda temos muito a fazer.
Construímos, praticamente, um país que estava nacionalmente em processo de destruição, personificado principalmente pelo projeto neoliberal do PSDB, e foi também fraturado pelos 21 anos de ditadura cívico-militar; da ditadura Vargas; do período imperial, entre outros.
Foram, assim, parcos os períodos de democracia que vivenciamos.
Mas, nos coube, a tarefa de mudar a história desse país: ampliar o acesso as universidades, da assistência social, do direito à moradia, da participação popular e tantos outros. Porém, como bem falou a nossa então presidenta Dilma Roussef, inclusão gera mais inclusão, democracia pede mais democracia.
Não nos cabe aqui, por limitação da pessoa que vos escreve, tecer críticas com relação as políticas implementadas pelo nosso governo a frente do Estado brasileiro. Mas, cabe sim dizer, que ao realizar críticas, é por acreditar que o campo pode e deve avançar mais, afinal o povo quer mais. Nós somos exigentes!
Não conseguimos ao longo desse breve período, por exemplo, avançar em pautas históricas e que são muito caras ao nosso PT e a todo o campo democrático-popular do país, como a reforma agrária e urbana, a reforma política, o compromisso com as lutas indígenas, juvenis e feministas, entre outras articulações com as nossas bases históricas nos movimentos sociais.
Para tanto, não podemos nos esquecer dos limites e condicionalidades impostas pela estrutura econômica. Estrutura capitalista essa totalmente imbricada no Estado, e que, nos faz refém ao “privatizar” nossos portos e aeroportos, o petróleo e a saúde; e ao favorecer o superávit primário e o sequestro do fundo público para pagamento de dívidas em detrimento do financiamento das políticas sociais públicas. Ficamos também, refém das empresas, ao negarem investimento no país.
Isso deve-se, também, ao nosso grosseiro arco de alianças, que pode, por um lado, nos servir no sentido pragmático e eleitoreiro, mas, de outro, nos faz recuar, beirando muitas vezes, em atitudes conservadoras para agradar a vizinhança.
Por outro lado, também, não podemos nos render ao conformismo e ao desencanto, acirrados pelas inúmeras dificuldades do cotidiano (que as vezes utilizamos até como retórica).
Há de tomar a premissa do genial Antônio Gramsci, onde é preciso aliar o pessimismo da razão, com o otimismo da vontade, e ver a história como um processo em aberto.
Em tempos como este, de ainda, negação de direitos sociais, encontramos, como vimos recentemente, resistências e lutas sociais. Tais lutas são travadas no dia a dia de uma conjuntura adversa. Pediram nas ruas, de forma espontânea ou não, desorganizada ou não, nos moldes clássicos ou não, em sua maioria, as pautas do povo: políticas sociais públicas, de qualidade.
Tendo isso em vista, é preciso ampliar o nosso leque programático tendo em vista os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.
Se faz necessário, reassumir o trabalho de base, da formação e da educação política e a mobilização popular.
Não podemos abandonar em nenhuma hipótese a perspectiva revolucionária, no sentido marxiano do termo. Só esta irá categoricamente transformar a situação de vida do nosso povo e destruir o que chamamos de capitalismo, sem aqui, ter que medir palavras para soar bem aos ouvidos.
E nunca é muito lembrar, que a revolução se faz na macro-política, de maneira permanente e essencialmente na mudança radical das estruturas. Sendo assim, mudar essencialmente, significa pois, ir muito além das gestões públicas. Afinal, governos passam e o Estado fica.
Concluindo com o nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade
"Eu tropeço no possível,
mas não desisto de fazer a descoberta
que tem dentro da casca do impossível".
Shellen Galdino,
entre árvores e ventos.
Rio de Janeiro/RJ
08 de dezembro de 2013.

Drummond e o amor

Como nos enganamos fugindo do amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar sua espada coruscante, seu formidável poder de penetrar o sangue e nele imprimir uma orquídea de fogo e lágrimas.
Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava: sorria.
Carlos Drummond de Andrade, Reconhecimento do amor.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

A INCRÍVEL GERAÇÃO DE MULHERES QUE FOI CRIADA PARA SER TUDO O QUE UM HOMEM NÃO QUER


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:




“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.
O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.
RUTH MANUS, PUBLICADO EM: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Terrorismo x democracia

Como vocês podem ter visto nos principais noticiários nacionais e internacionais, é destaque o "terrorismo" ocorrido em Paris, contra à revista satírica "Charlie Hebdo", onde 12 pessoas foram mortas. Até aí, simples e  dolor, uma tragédia banal contra a dita liberdade de expressão e dos direitos do homem, onde Paris foi vanguarda (lembrem-se da revolução francesa).

Não de hoje, o mundo está abalado na disputa religiosa (com requinte fundamentalista). Com a questão das guerras localizadas em parte do oriente e com a forte imigração, parece que isso se agrava, com o choque de culturas e como lidar com situações tão complexas. Até aí, mas uma vez, tudo bem.

A questão que me faz refletir sobre esse "atentado terrorista" não é de analisá-lo, tão pouco condená-lo simplesmente e muito menos defender. Mas a questão que me chama a atenção, com o noticiário da imprensa, é que notadamente Quando é "atentado" europeu ou norte-americano contra os muçulmanos é considerado 
Democracia, quando é o contrário, é Terrorismo


Ou seja, isso significa que se os Estados Unidos bombardearem o Vietnã, apoiarem o sionismo entre Israel e Palestina, ocupar o Iraque, isto é para defender a dita democracia. Quando é os que seguem Maomé, aí sim a coisa ficou séria, terrorismo, ligado a Al Qaeda (ou algo do tipo, afinal, é a mesma coisa [sic])... 


Bem, eu não naturalizo nenhuma das questões. 
A diferença é: um faz isso por Petróleo (e assim, poder), e outro faz isso para ter seu lugar no céu por Maomé. 

O que me deixa um pouco questionadora é: o ataque dos "mulçumanos" em Paris é ataque a liberdade de expressão, e o embargo econômico à Cuba foi o quê? E a questão do Afeganistão? E da Palestina?

Acho patético falar de liberdade de expressão.
Acho que a vida deve ser preservada independente da expressão, religião, raça, gênero e classe, lamento apenas isso ter dois pesos e duas medidas...

Recomendo esse vídeo: https://www.facebook.com/video.php?v=808696182482711

sábado, janeiro 03, 2015

Ministros do governo de Dilma Rousseff


A frase

Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.
Graciliano Ramos

FILME TIM MAIA - Disponível online

Fantástico! Fenomenal! Exagerado!
Que filme, e que cantor...
Uma linda história. Super recomendo.
A música negra e o rei do soul em timbre eloquente e grave, muito grave!!!
A melhor parte é quando ele fala para mãe, mais ou menos assim "É fácil eles darem palco pro Roberto Carlos, branco e bonito, mas para mim que sou negro, é diferente" (Roberto, que era então 'seu amigo').
A outra parte, é de como o Roberto Carlos é um boçal egoísta. Nunca gostei de suas músicas e de sua pessoa, um fake forjado pela mídia e que tem a ousadia de se intitular ou intitularem rei... Bem, não nas minhas bandas.
Sou mais TIM MAIA!!!!!!!!!!!!!!
SIM, TIM MAIA. Música forte e com personalidade, igual ao dono de sua voz.

domingo, dezembro 14, 2014

Um ano depois

Coloco aqui um texto meu, escrito em 8 de dezembro de 2013, há quase exatos um ano.
Shellen Galdino
8 de dezembro de 2013 · Rio de Janeiro ·
É preciso afinar-se com o coro dos descontentes
São tempos difíceis, de árduas tarefas para todas as organizações de esquerda. Buscar, construção de um projeto mínimo, no campo democrático-popular, se faz urgente e essencial para o povo brasileiro.
Estão colocados na mesa, as necessidades de busca de estratégias e táticas para superação do que está posto, em todos os sentidos, e não só para o PT, mas para todas as organizações de esquerda do país e do mundo.
Mesmo após 10 anos de governo do Partido dos Trabalhadores e 33 anos de vida do nosso partido, temos a certeza de que fizemos muito pelo nosso país, e que ainda temos muito a fazer.
Construímos, praticamente, um país que estava nacionalmente em processo de destruição, personificado principalmente pelo projeto neoliberal do PSDB, e foi também fraturado pelos 21 anos de ditadura cívico-militar; da ditadura Vargas; do período imperial, entre outros.
Foram, assim, parcos os períodos de democracia que vivenciamos.
Mas, nos coube, a tarefa de mudar a história desse país: ampliar o acesso as universidades, da assistência social, do direito à moradia, da participação popular e tantos outros. Porém, como bem falou a nossa então presidenta Dilma Roussef, inclusão gera mais inclusão, democracia pede mais democracia.
Não nos cabe aqui, por limitação da pessoa que vos escreve, tecer críticas com relação as políticas implementadas pelo nosso governo a frente do Estado brasileiro. Mas, cabe sim dizer, que ao realizar críticas, é por acreditar que o campo pode e deve avançar mais, afinal o povo quer mais. Nós somos exigentes!
Não conseguimos ao longo desse breve período, por exemplo, avançar em pautas históricas e que são muito caras ao nosso PT e a todo o campo democrático-popular do país, como a reforma agrária e urbana, a reforma política, o compromisso com as lutas indígenas, juvenis e feministas, entre outras articulações com as nossas bases históricas nos movimentos sociais.
Para tanto, não podemos nos esquecer dos limites e condicionalidades impostas pela estrutura econômica. Estrutura capitalista essa totalmente imbricada no Estado, e que, nos faz refém ao “privatizar” nossos portos e aeroportos, o petróleo e a saúde; e ao favorecer o superávit primário e o sequestro do fundo público para pagamento de dívidas em detrimento do financiamento das políticas sociais públicas. Ficamos também, refém das empresas, ao negarem investimento no país.
Isso deve-se, também, ao nosso grosseiro arco de alianças, que pode, por um lado, nos servir no sentido pragmático e eleitoreiro, mas, de outro, nos faz recuar, beirando muitas vezes, em atitudes conservadoras para agradar a vizinhança.
Por outro lado, também, não podemos nos render ao conformismo e ao desencanto, acirrados pelas inúmeras dificuldades do cotidiano (que as vezes utilizamos até como retórica).
Há de tomar a premissa do genial Antônio Gramsci, onde é preciso aliar o pessimismo da razão, com o otimismo da vontade, e ver a história como um processo em aberto.
Em tempos como este, de ainda, negação de direitos sociais, encontramos, como vimos recentemente, resistências e lutas sociais. Tais lutas são travadas no dia a dia de uma conjuntura adversa. Pediram nas ruas, de forma espontânea ou não, desorganizada ou não, nos moldes clássicos ou não, em sua maioria, as pautas do povo: políticas sociais públicas, de qualidade.
Tendo isso em vista, é preciso ampliar o nosso leque programático tendo em vista os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.
Se faz necessário, reassumir o trabalho de base, da formação e da educação política e a mobilização popular.
Não podemos abandonar em nenhuma hipótese a perspectiva revolucionária, no sentido marxiano do termo. Só esta irá categoricamente transformar a situação de vida do nosso povo e destruir o que chamamos de capitalismo, sem aqui, ter que medir palavras para soar bem aos ouvidos.
E nunca é muito lembrar, que a revolução se faz na macro-política, de maneira permanente e essencialmente na mudança radical das estruturas. Sendo assim, mudar essencialmente, significa pois, ir muito além das gestões públicas. Afinal, governos passam e o Estado fica.
Concluindo com o nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade
"Eu tropeço no possível,
mas não desisto de fazer a descoberta
que tem dentro da casca do impossível".
Shellen Galdino,
entre árvores e ventos.
Rio de Janeiro/RJ
08 de dezembro de 2013.

Drummond e o amor

Como nos enganamos fugindo do amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar sua espada coruscante, seu formidável poder de penetrar o sangue e nele imprimir uma orquídea de fogo e lágrimas.
Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava: sorria.
Carlos Drummond de Andrade, Reconhecimento do amor.